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4.2 Artırılmış Gerçeklik ile İlgili Ders Öğretmeninin ve Öğrencilerin

4.2.2 Deney Grubu Öğrencilerinin AG uygulamaları Hakkındak

Nesse estudo avaliou-se a utilização de diferentes embalagens para o acondicionamento, transporte e liberação de adultos de C. flavipes, após aproximadamente 40 anos de sua introdução no Brasil (BOTELHO; MACEDO, 2002). Até o momento, os parasitoides foram comercializados, quase que exclusivamente, em embalagens plásticas não biodegradáveis (copos de 100 mL) que poluem o ambiente e levam muitos anos para degradação (CORTI et al., 2012). Algumas usinas já fazem liberações de parasitoides utilizando embalagens biodegradáveis (copos de 100 mL), sendo que a baixa utilização destas embalagens está diretamente relacionada ao preço. As embalagens biodegradáveis disponíveis no mercado são, em alguns casos, até três vezes mais caras que as plásticas não degradáveis. Nesse sentido, este estudo desenvolveu e testou uma embalagem biodegradável em forma de caixa com o intuito de substituir as que são utilizadas atualmente.

De acordo com os resultados encontrados pode-se inferir que, até a 5ª geração do parasitoide C. flavipes, as embalagens que acondicionam os

insetos não influenciaram os parâmetros biológicos avaliados, sendo que apenas na 4ª geração houve uma diferença na quantidade de descendentes fêmeas, nesse caso, sendo o número de fêmeas na embalagem biodegradável maior que nos copos plásticos biodegradáveis (Tabela 1). Contudo, quando foi avaliada a porcentagem de adultos sobreviventes ao longo das horas, os insetos acondicionados nas embalagens plásticas sobreviveram por mais tempo, em relação às outras duas (Figura 2).

Outra vantagem das caixas biodegradáveis, além do número de fêmeas ser igual ou até maior, nas gerações F2 e F4, seria quanto à duração do período pupal de C. flavipes que foi prolongada quando essas embalagens foram utilizadas. O maior período pupal para esta espécie implica em vantagem para o transporte, uma vez que eles poderiam ser enviados a distâncias maiores antes que ocorra a emergência dos adultos.

As caixas biodegradáveis podem ser facilmente utilizadas pelas biofábricas que produzem massalmente o parasitoide C. flavipes, uma vez que seu formato de retangular permite acondicionar maior número de embalagens no mesmo espaço ocupado pelos copos, otimizando o transporte, além da praticidade para acondicionamento das pupas nessas caixas, pois esse processo de acondicionamento das massas de pupas nas caixas se mostrou rápido e prático. Tal fato é muito importante em um sistema produtivo com linha de produção, como ocorre nas biofábricas, onde é exigido dos colaboradores metas de produção diária, inclusive no acondicionamento das massas nas embalagens. Sendo assim, a incorporação de uma embalagem prática para o acondicionamento das massas pode facilitar muito o processo de produção.

As embalagens contendo as massas de pupas de C. flavipes foram testadas após o transporte. Esse transporte foi realizado de formas diferentes a fim de ser avaliada a influência das embalagens e do próprio transporte nos parâmetros biológicos de C. flavipes. Poucas características biológicas foram influenciadas negativamente pelas embalagens. Assim, o controle biológico aplicado de D. saccharalis deve optar por embalagens menos poluentes ao ambiente obtendo-se o melhor custo-benefício do controle biológico, uma vez que sua utilização vem aumentando a cada ano, incrementando significativamente a área tratada com liberações de C. flavipes no Brasil (VACARI et al., 2012). A caixa biodegradável pode ter ainda outras vantagens,

em relação aos copos, quando se pensa no transporte, uma vez que elas podem ser facilmente empilhadas, maximizando o espaço, evitando também o possível estresse e consequentemente aumento de mortalidade do parasitoide transportado, por tombamento da embalagem em forma de copo. Também, o número de parasitoides transportados pode ser maior quando embalados nas caixas biodegradáveis, visto que ocupam menor volume nas caixas de papelão em comparação aos copos.

Outra vantagem é que as caixas são totalmente biodegradáveis, o que evita a poluição ambiental no processo de liberação em campo. Nesta pesquisa foi constatado que em 150 dias as amostras das caixas estavam praticamente degradadas (Figura 16). Os copos plásticos não biodegradáveis são nocivos ao ambiente, uma vez que seu processo de degradação é muito lento, podendo levar mais de 10 anos para a sua completa decomposição (SHAH et al., 2008). Assim sendo, esse estudo mostrou que as embalagens biodegradáveis levam pouco tempo para total decomposição não causando impacto ambiental.

Também foi observado que a embalagem desenvolvida nesta pesquisa não influenciou as características do parasitoide durante o seu transporte. Os insetos transportados produziram descendentes viáveis que atendem a qualidade necessária para o controle eficiente da praga no campo (VEIGA et al., 2013). Porém, as avaliações realizadas após o transporte foram conduzidas em laboratório, assim sendo torna-se necessário também estudos de campo com as caixas biodegradáveis para validar os resultados de laboratório.

Deve-se também salientar que as embalagens para o acondicionamento de C. flavipes precisam ter baixo custo para que possam ser adquiridas pelas biofábricas produtoras do inseto, sem a restrição econômica, uma vez que o preço atual de cada copo plástico não biodegradável é de R$ 0,05, enquanto o de cada caixa biodegradável desenvolvida nesta pesquisa seria de R$ 0,10, ou seja, o dobro do valor. Porém, quando os custos das embalagens são estimados para a produção mensal de uma biofábrica, estes valores ficam diluídos, por exemplo, se uma biofábrica utilizar as caixas biodegradáveis no lugar dos copos plásticos, o custo irá aumentar de R$ 0,0698 para R$ 0,0712 por massa de pupas produzida. Em uma empresa que possui produção mensal de 12.000 unidades (30 massas cada unidade) de liberação do parasitoide, o custo irá aumentar de R$ 25.128,00 para R$ 25.632,00. Além disso, deve-se

levar em consideração o impacto ambiental. Uma biofábrica que utilizar o copo não biodegradável irá economizar cerca de R$ 500,00 por mês, mas por outro lado o custo do impacto ambiental provocado pela liberação de 12.000 copos plásticos por mês no ambiente, com certeza, é muito maior.

Ressalte-se também que o número de biofábricas tem aumentado no Brasil porque as usinas que produzem açúcar e álcool requerem e utilizam grandes áreas plantadas com cana-de-açúcar. Assim, a demanda do parasitoide C. flavipes também tem aumentado, haja vista que esse inimigo natural é, praticamente, a única alternativa viável para o controle da broca da cana D. saccharalis, que é uma praga bastante nociva à cultura (PINTO et al., 2009). De acordo com a metodologia de liberação dos parasitoides, 4 unidades com 30 massas devem ser empregadas por hectare, o que corresponde a 6.000 parasitoides por hectare (BOTELHO; MACEDO, 2002). Atualmente, pouco mais de 3 milhões de hectares de cana-de-açúcar são tratados com esse parasitoide (VACARI et al., 2012), o que corresponde a liberação de 12 milhões de embalagens que potencialmente são deixadas no ambiente por ano.

Neste estudo, também foram conduzidos experimentos em campo, no qual os resultados mostraram que as embalagens não influenciam na capacidade de parasitismo de C. flavipes, haja vista que foram observadas taxas de parasitismo semelhantes entre as diferentes embalagens. Os resultados obtidos nesta pesquisa mostraram média de 1 a 7 lagartas parasitadas por ponto, sendo esse resultado verificado com as três embalagens, com C. flavipes podendo atingir um raio de 25 metros para o parasitismo de D. saccharalis em cana-de-açúcar. Estes resultados corroboram estudos anteriores, que relatam que os adultos C. flavipes têm condições de parasitar o hospedeiro a 25 metros do ponto de liberação, uma vez que chega a atingir até 35 metros do local de liberação (BOTELHO et al., 1980). Entretanto, outros estudos, como o conduzido por Volpe et al. (2014), que também estudaram o parasitismo de C. flavipes em cana-de-açúcar, observaram média de 1,4 lagartas parasitadas em até 15 metros, sendo que, de 15 metros até 25 metros o parasitismo foi reduzido drasticamente, chegando a 0,2 lagartas, mostrando efetividade do parasitismo apenas até 15 metros do ponto de liberação, fato este que pode exigir, em algumas situações, maior

número de pontos de liberação por hectare e não apenas quatro, como usado na maioria das vezes.

Outros testes de campo precisam ser realizados a fim de responder algumas questões como, o parasitoide perde sua eficiência com o aumento da distância? ou depende de fatores externos para sua dispersão? Com esse foco, decidiu-se realizar outro teste com as embalagens em campo, onde foi utilizada metodologia diferente, onde a liberação dos parasitoides foi feita em um ponto central e a avaliação do parasitismo até a distância de 30 metros. Os resultados mostraram que fatores ambientais influenciam a dispersão de C. flavipes, como o vento, por exemplo. Ávila et al. (2013) constataram que C. urabae Austin e Allen (Hymenoptera: Braconidae) pode se dispersar até 53 metros de distância do ponto de liberação, mas sua efetividade no parasitismo também depende de fatores climáticos, local de liberação, viabilidade e densidade do parasitoide, entre outros fatores. Assim, os fatores ambientais podem influenciar, drasticamente, o parasitismo de C. flavipes, mesmo porque os parasitoides são acondicionados nas embalagens por um curto período, uma vez que são liberados em 12 ou 24 horas após sua emergência, quando fatores como a direção e também a intensidade do vento podem influenciar significativamente a dispersão dos insetos no campo.

Os resultados obtidos nesta pesquisa abrem a possibilidade da utilização da embalagem desenvolvida que é totalmente biodegradável e de custo relativo baixo para criação, transporte e liberação de adultos do parasitoide C. flavipes em campo com a exploração da cana-de-açúcar.

Benzer Belgeler