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2. YAPILAN ÇALIŞMALAR, BULGULAR VE İRDELEME 1 Önçekim Öngerilmeli Beton I Köprü Kirişlerinin Tasarımı

2.2. Optimum Tasarım 1.Amaç Fonksiyonu

2.2.4. Denetimler, Sınırlayıcılar, Koşullar

A mitologia sobre o mar e as terras recém-descobertas pelos europeus

impregnaram de misticismo, de curiosidade e ganância os primeiros aventureiros: sereias no mar, dragões na terra e homens comedores de carne humana (ou seriam verdadeiros selvagens?) viviam no Novo Mundo, sem contar a possibilidade de riquezas fáceis.

A iconografia do século XVI ao XVIII está repleta de imagens de seres míticos

existentes nos oceanos que circundam o Novo Mundo e nas terras do Novo Mundo. De Bry mostra sereias em sua obra que os ingleses juravam ter visto em 1610. Jean de Lery, na xilogravura Família – brasileira - casal de Tupinambá, contribuiu para criar um esteriótipo genérico do índio do Brasil: nu, bem feito de corpo, cor atrigueirada, sem pelos, cabelo tosquiado, lábios e faces fendidos e enfeitados com ossos, paus e pedras, orelhas perfuradas e adornadas, corpo pintado, quando não coberto de penas multicoloridas, colares de contas de diversos materiais, usando arco, flecha, lança, tacape e outras armas toscas; as mulheres com os filhos presos por uma cinta nas suas laterais, além, claro, da teimosia em não fazerem uso dos costumes europeus, como vestirem-se como eles, casarem-se, etc., sem contar que, em guerras, agiam como verdadeiras “selvagens”, devorando a carne dos seus inimigos, sem esquecer

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dos doze banhos diário. Imaginamos, enfim, o quanto tal generalização é errônea e pouco viável no semiárido do Nordeste, especialmente nos meses e anos de grandes secas, quando sabemos que a grande maioria dos córregos são temporários, quando não efêmeros. O ideal, portanto, não é o de criar um índio genérico, mas sim, vê-lo, estudá-lo e reconhecê-lo em seus habitats. Essa generalização de costumes advém dos relatos escritos pelos primeiros cronistas que mantiveram contato mais íntimo com os índios do Litoral que, provavelmente, tinham alguns desses costumes.

Durante o longo percurso da Idade Média perdurava que, além-mar, ou além- Europa, ou “nessas regiões maravilhosas para além de tule” (LEITE, 1996: 34), estaria situado o paraíso com abundância de belezas naturais, exuberância, uma verdadeira dádiva divina, ou o pior, habitado por monstros mitológicos, uma terra inóspita, de seres terríveis e incultos, como “... arimastos dotados de um só olho na testa, artabaritos sem boca...” (op. cit: 34).

Nada disso foi encontrado por Cristóvão Colombo, ao contrário, em uma de suas correspondências tece elogios a população do Novo Mundo, afirmando serem os índios bem feitos de corpos e que não tinham as mesmas feições e cores dos da Guiné, da África. A partir das Grandes Navegações no início do século XV, novas descobertas desmistificam tudo aquilo de obscuro que fora criado pela Igreja Católica, durante o Medievo, como forma de manter um rígido controle sobre as populações.

O Novo Mundo foi visto como o Éden bíblico, o paraíso utópico da Terra, a vida selvagem intocada, a docilidade e a infância do bom selvagem. Aqui, os mitos da ilha da Fortuna e a Atlântida foram postos em prática, depois transformados, através do aço e fogo, na terra da promissão. O local onde a felicidade poderia ser reencontrada através não da contemplação da natureza, mas sim, via a busca pela riqueza fácil.

O mito da fonte da juventude e do paraíso perdido foi intensamente procurado

no Novo Mundo, bem como o Eldorado e o gigantismo dos povos. O sensacionalismo criado pelo novo deu origem rapidamente a um processo de extermínio. Tudo era justificado mediante a busca por riquezas. Acreditamos que a criação de mitos vem como forma de justificar que o Novo Mundo não era o paraíso de Adão e Eva, mas sim, o local de busca pela fortuna. Mas dignas de nota são as transferências dos mitos clássicos, como sereias, amazonas, etc., para as Américas, transformando o continente

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num neoceleiro dos mitos perdidos e medievalescos. Os marujos conseguiram reaver tais mitos, como também, criaram outros tantos a partir do contato com os índios do continente.

Foi, talvez, o mito das Amazonas, que serviu para representar a América uma

mulher jovem, de cabelos soltos, a “fêmea selvagem” no dizer de Santos (2000:18). Numa concepção grega, a sociedade masculina era o mundo civilizado, o modelo social ideal, enquanto que, a mulher, o feminino, seria o caos, a desorganização, o mundo selvagem. Por que não representar o Novo Mundo como tal, como demonstrativo dos primórdios da humanidade? Afinal, o índio foi visto como representante da infância do mundo. Nessa concepção de mundo, o outro passou a ser visto de forma pejorativa, neutra, assemelhando-se a uma mulher.

Nessa concepção eurocêntrica, a visão que se esteriotipou do índio foi a mais

feia possível, pois tudo teria que justificar a selvageria dos grupos humanos por vir. Sem dúvida que o canibalismo foi amplamente utilizado como arma ideológica para justificar a catequização e o extermínio. “Após os primeiros contatos entre silvícolas e europeus o canibalismo desponta como uma das mais fortes e instigantes características do aborígine americano” (SANTOS, 2000 :20).

Mesmo após as grandes descobertas marítimas e o início incipiente da colonização ou pelo menos um primeiro processo de exploração sem ocupação, alguns cronistas continuaram a escrever acreditando existirem os tais monstros. Jacques Cartier em 1530, ainda sustentava em Saguernay, uma cidade considerada fantástica, mística, na América do Norte, haveria monstros de um olho só que se alimentavam de carne humana. No ano de 1596, Walter Raleigh acreditava que, na Venezuela, haveria seres com olhos nos ombros; ilustrações de Isidoro de Sevilha, do século VII, foi retratadas em 1493, na crônica de Neremberg por Michael Wohlgemut, servindo como exemplo de identificação dos habitantes da América Central; em 1724, o Jesuíta Joseph-François Lajitau registrou cinocéfalos antropófagos, em corpo de Lhama; em 1530, foi Underweisung und Uszlegung der Cartha Marina, de Fiers, com seres míticos de Lhama (LEITE, 1996: 34-35).

O que mais chamou a atenção dos primeiros viajantes do Novo Mundo foi a antropofagia, o que se levou a questionar a índole dos índios e se seriam ou não

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descendentes de Adão e Eva, motivando a perseguição, servidão, morte e extermínio dos mesmos, sobre o auspício da Igreja, mesmo que no ano de 1537, uma bula papal os reconhecesse como tendo uma natureza humana, portanto, acreditava-se, ao menos antes da bula, que os índios seriam verdadeiras bestas-feras, inumanos. O reconhecimento pela Igreja não freou o massacre cometido contra os índios do continente, mas foi justamente a partir desse período em que se acentua a servidão indígena, pois estava em franco desenvolvimento o expansionismo mercantilista europeu.

Esse mito levantado sobre a América remonta a antiguidade dos povos. Foi o canibalismo densamente apregoado pelos novos conquistadores como forma de justificar o injustificável. Tal mito serviu para que os europeus disseminassem uma visão esteriotipada sobre a América e os americanos. Da historiografia aos desenhos dos artistas, os mitos falaram, criaram os caminhos para justificar os massacres (Figura 5).

Figura: 5- Xilogravura de De Bry – Canibalismo.

Paracelso em 1520, chegou a questionar a genealogia do homem com relação a sua ancestralidade direta de Adão e Eva, pelo menos um único casal. Isso causou furor na igreja, porque abriu-se dúvidas se existiram outros casais iniciais, outros Adãos e Evas. Neste momento, a teologia cristã europeia passava por grandes conturbações que punham, em xeque, seus dogmas: as teorias de Paracelso, o Protestantismo, o aparecimento de um novo continente com seres semelhantes aos europeus tudo isso ia em desacordo com as velhas teorias que vigoraram, especialmente, durante a Idade Média europeia.

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Uma xilogravura de Johann Frosch Auer, impressa em Augsburg no século XVI, acompanhada de um pequeno texto, mostra o pensamento europeu sobre os povos do Novo Mundo, principalmente com relação a antropofagia:

Essa imagem nos mostra o povo e a ilha descobertos pelo Rei Cristão de Portugal ou por seus súditos. Essas pessoas andam nuas, são bonitas e têm uma cor de pele acastanhada, sendo bem construídas de corpo. Cabeças, pescoços, braços, vergonhas e pés, tanto de homens quanto de mulheres, são enfeitadas com penas. Os homens têm também no rosto e no peito muitas pedras preciosas. Ninguém é possuidor de coisa alguma, pois a propriedade é de todos. Os homens tomam por mulher a que mais lhes agrade, já fazem distinção. Guerreiam entre si e devoram uns aos outros, inclusive os que matam em combate, cujos corpos penduram para assar sobre fogueira. Vivem 150 anos. E não possuem governo (LEITE, 1996: 35).

Vê-se que a antropofagia, a prática de se alimentar de carne humana, era vista pelos europeus como uma prática corriqueira entre os índios. Marcos Odilon (2001) discorda plenamente dessa prática, afirmando categoricamente que os índios não se banqueteavam com a carne humana, mas sim a comiam em rituais de forma esporádica.

Albrecht Dürer e Hans Burgkmair ilustraram o Livro das Horas, feito para Maximiliano em 1515, onde Dürer “desenhou um americano de corpo atlético e rosto quase feminino, empunhando um tacape e tendo à cabeça um cocar Tupinambá, além de sustentar na mão esquerda um escudo circular” (LEITE, 1996: 35). O grande questionamento diz respeito quando e onde o artista teria visto artefatos feitos por índios do Brasil. Já Burgkmair representou, na obra Triunfo de Maximiliano de 1526, um índio com vários enfeites e armas. Ambos artistas nunca tinham visto de perto um índio do Brasil. Acredita-se, portanto, que já existiam modelos pré-estabelecidos, na Europa, sobre os índios e as paisagens naturais do Brasil, que eram compilados por artistas daquele continente, como também, armas e artefatos diversos que eram levados das Américas para a Europa. Desde os primórdios da colonização que índios das Américas iam a força ou não para Europa, serviram como seres exóticos em pomposas exposições para a nobreza. Já em 1501, índios foram para Portugal; em 1502, foi a vez da Inglaterra de recebê-los; em 1529, foram retratados, na Europa, por Christoph Weidzt, índios americanos; em 1532, havia índios do Brasil na Inglaterra e na França; em 1550, calcula-se que pelo menos 50 índios originários do Brasil teriam participado da entrada de Henrique II em Rouen; em 1613, índios foram a França para receberem o batismo cristão.

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Em uma pintura de Vasco Fernandes, de data incerta, mas provavelmente do início do século XVI, traz o rei Baltasar, um dos que teriam adorado Cristo ao nascer, com a aparência de um índio Tupinambá. Assim como muitos outros artistas que teriam retratado índios americanos e especialmente brasileiros nos primórdios da colonização, Vasco Fernandes nunca tinha visto um índio brasileiro, pelo menos no Brasil, já que ele nunca visitou o Brasil. Portanto, acredita-se que ele executou a pintura a partir de comentários de alguém que conviveu diretamente com esses índios, logicamente distorcendo a peformance dos índios do Brasil.

Nos primeiros anos do século XVI, Hyeronimus Bosch no retábulo Jardim das Delícias, numa atmosfera tropical e oceânica, mostrou as coisas das Américas, acreditando Carl Justi que o artista tentou mostrar os recém-descobertos da Ásia, África e América.

Em 1604, Carl van Mander descreveu a paisagem dos índios ocidentais de Jean Mostoert, apresentando pessoas nuas, casas e choças. Essa obra provavelmente também fora feita a partir de comentários que lhe chegaram na Europa.

A pintura O Inferno, anônima de 1550, traz uma versão diferente das obras daquele período: o índio passa a ser visto como algoz e não como vítima; aparecem, na pintura, os fornos e caldeirões tão comuns nas pinturas medievais, mas mostrando diretamente se tratar de índios canibais do Brasil; o Tapuia apresenta-se como um satanás, demonstrando sua ferocidade.

Hans Staden, no ano de 1549, teria passado cerca de nove meses preso junto aos Tupinambás, publicando sua história no ano de 1557, ilustrando-a com mais de cinquenta xilogravuras (mapas, combates, embarcações, cenas de cotidiano índio, etc.), servindo de excelente demonstrativo da vida natural no Brasil dos anos seiscentos.

André Thevet, em 1557, publica um livro ilustrado com 41 xilogravuras, com algumas delas provavelmente assinadas por Guillaume Tory, duas xilogramas com as iniciais de Jean Cousin (J. C.) e as outras xilogravuras, sem assinaturas, retratando a vida e os índios das Américas.

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François Descerpz, em 1562, lança um livro com 129 xilogravuras, duas em cada página, acompanhadas de um quarteto em rima, mostrando os costumes dos povos da Europa, Ásia, África e América, sendo seis do Brasil. Cerca de oitenta anos depois, Albert Eckhout retorna a forma de mostrar em xilogravura a técnica dos pares, ou seja, dois a dois.

A representação das coisas, da natureza e dos homens desde anos os seiscentos não ficou restrita apenas ao território do Brasil pois a África, a Oceania e toda a América foram pesquisadas, pintadas e rapinadas pelas missões exploratórias e/ou militares europeias com o objetivo de abastecer inicialmente as coleções particulares e depois os museus.

Pode-se concluir que os motivos e mitos escolhidos pelos artistas, cientistas, exploradores europeus para representarem as terras recém-conquistadas eram o naturalismo, a produção cultural dos grupos étnicos e os próprios homens produtores dessa cultura material, seres exóticos ou anticristãos (LEITE, 1996).

Leite (1996: 42) coloca um fato importante para que possamos entender como existem excelentes representações dos gentios: é que índios, bem como objetos que representavam sua cultura material, foram remetidos à Europa para servirem de “modelo.” Nas inúmeras representações, sejam elas em xilogravuras ou pinturas, ou nas grandes festas que aconteciam nas Cortes da Europa, representava-se alegoricamente o continente Americano, quase sempre aparecia a figura de uma mulher indígena, com cocar, adornos em pena, segurando ou próxima de alguns animais do corpo de um ser humano, representando a “ANTROPOFAGIA”, que acabou servindo de modelo e estigma representacional dos índios americanos.

A profusão de informações acerca do Novo Mundo pode ser sintetizada na frase de Amado e Garcia (1989: 2): “jamais um grupo de homem conheceu tantas coisas novas sobre a terra, em tão pouco tempo, como na chamada era dos grandes descobrimentos marítimos”.

Os impactos dos grandes descobrimentos foram gigantescos: na Geografia, ampliou-se vertiginosamente as áreas conhecidas pelos europeus, antes limitadas a parte da Europa, da Ásia e norte da África; as Ciências Naturais receberam um grande impacto com a descoberta de milhares de novas espécies; e para o homem europeu,

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descobriu-se que ele não estava sozinho, que outras culturas, descendentes ou não de Adão e Eva povoavam o imenso planeta; na Economia, os laços comerciais se ampliam e o mundo medieval local, transforma-se num mundo globalizado com a certeza de novas possibilidades de lucro. É o mercantilismo.

Com a chegada dos europeus ao Novo Mundo, houve o choque de duas culturas distintas. De um lado, os europeus que viviam numa região diferente de tudo aquilo que encontraram na América. O pudor religioso era o grande guia europeu no período, fossem católicos ou protestantes. Estes europeus encontraram uma América coberta de florestas quase impenetráveis, imaginando, por um instante, terem chegado ao paraíso.

Na América, os habitantes vistos inicialmente como exóticos, sem pudor, de pele avermelhada, cabelos lisos, quase sempre andando nus ou seminus, acreditando em deuses que não os seus, sem conhecerem o ferro, a roda, a pólvora, a imprensa ou grandes animais de carga, a não ser os próprios índios, como ressaltou um cronista espanhol sobre a única serventia que supostamente os índios teriam: meros animais de cargas.

A diversidade cultural e econômica nas Américas chamou a atenção dos europeus: de um lado povos como Astecas e Incas possuidores de imponentes tesouros, grandes cidades e uma estrutura sócio/política formada. Foram estes primeiros povos que despertaram a ganância dos primeiros europeus que fincaram os pés no continente. Os tesouros liberaram a ganância, inicialmente dos espanhóis, em apoderaram-se deles. Hernan Cortés, conquistador dos Astecas, ficou maravilhado com tantas riquezas, a tal ponto de dar início a um dos maiores genocídios da história da humanidade.

Da mesma forma que se depararam com grandes impérios nas Américas, os europeus também se depararam com grupos humanos vivendo em plena idade da pedra, a exemplo dos povos pré-cabralinos. A heterogeneidade de grupos humanos das Américas era simplesmente gigantesca. Alguns com elevados nível técnico, outros grupos, talvez a grande maioria, ainda vivendo da caça, pesca, coleta e de uma agricultura rudimentar, mas em perfeita harmonia com o meio em que viviam.

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No geral, as grandes navegações marítimas serviram como um portão que se abre, variado, surpreendente, multicultural, absolutamente necessário conviver com as diferenças gigantescas, encarar e aceitar o outro. O outro, no caso do Brasil, o índio, não foi respeitado, mas sim, visto como um intruso e estranho dentro de sua própria terra que teria de ser eliminado, pois que era um entrave ao processo desenvolvimentista do capitalismo surgido na Europa no período. Para isso, a

expropriação, a morte e a desertificação cultural15 foram as armas certas dos europeus

para limparem o mundo desse entrave e darem prosseguimento a cultura mais forte, a da arma de fogo, do cavalo, dos navios artilhados, da fé cristã, das novas doenças que dizimaram milhares de ameríndios em pouco tempo. Nesse sentido, a cultura do outro não foi respeitada, mas usada para o engrandecimento dos europeus, depois simplesmente descartada, ao ponto que os próprios descendentes diretos desses grupos humanos não se reconheceram mais como tais.

Não é de tudo errado afirmar que foi o comércio o grande precursor das navegações marítimas. Claro que paralelas a essa atividade outras de fundamentais importâncias aconteceram. Pode-se ver esse período da Europa como uma das épocas mais criativas da História da humanidade. Por trás de tudo isso, reinava agora uma nova mentalidade, a do burguês, que ávido por lucro passou a investir pesadamente em inovações, viagens que diminuíssem o tempo de transporte das especiarias e nas novas conquistas e possessões. As ciências, como a Medicina, Matemática e principalmente a Astronomia alcançaram grande desenvolvimento, essenciais para as grandes “descobertas e viagens” que estavam por vir. Essas mudanças não se processariam sem a intervenção de um poder centralizado capaz de organizar exércitos de defesa e invasão, organizar o comércio e levar a população de um Estado Nacional a objetivos comuns. Para tal poder era preciso riquezas e impostos que só poderia vir com o fortalecimento do comércio e a garantia de novas possessões. Nesse sentido, nas palavras de Fernando Pessoa, “navegar é preciso”, para manter o fausto, a soberania dos Estados Nacionais e as riquezas dos comerciantes e nobres que aumentavam vertiginosamente.

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Nesse contexto, a desertificação cultural apresenta-se como uma forma de extermínio da cultura do outro num total desrespeito ao índio.

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Os dois Estados Nacionais que conseguiram arregimentar as condições mínimas para os grandes empreendimentos foram inicialmente Portugal e logo em seguida a Espanha. Esses, num curto espaço de tempo iriam governar o Brasil. Para vencerem tudo isso e despontarem como as grandes potências do mundo no período foi preciso vencer os medos, superar os mitos, destruir as velhas concepções medievais do mundo que se baseavam na mais pura imaginação e nos mitos, substituir tudo isso por novas ideias alicerçadas no cientificismo, na observação, na razão e na experiência. Assim “nascia” aos olhos dos europeus mais afortunados o Novo Mundo, esperança de riquezas e glórias.

Benzer Belgeler