• Sonuç bulunamadı

2.3 AVRUPA BİRLİĞİ’NE ADAYLIK SÜRECİNDE SİYASİ KOŞULLULUK

2.3.1 Demokratikleşme Aracı Olarak Siyasi Koşulluluk

Em referência à atividade agrícola, Santos (2000, p. 88) analisa as alterações ocorridas a partir do aperfeiçoamento e difusão das técnicas, as quais provocam mudanças de ordem qualitativa. Com a mecanização, esta atividade teria mudado ao longo dos últimos séculos, resultando na formação de um meio técnico-científico-informacional também no meio rural, e instalando-se, pois, uma agricultura científica Segundo o autor, trata-se de uma agricultura científica globalizada, pois,

Quando a produção agrícola tem uma referência planetária, ela recebe influência daquelas mesmas leis que regem os outros aspectos da produção econômica. Assim, a competitividade, característica das atividades de caráter planetário, leva a um aprofundamento da tendência à instalação de uma agricultura científica. Esta [...] é exigente de ciência, técnica e informação, levando ao aumento exponencial das quantidades produzidas [...] Por sua natureza global, conduz a uma demanda extrema de comércio. [...] Nas áreas onde esta agricultura científica globalizada se instala, verifica-se uma importante demanda de bens científicos (sementes, inseticidas, fertilizantes, corretivos) e, também, de assistência técnica. (SANTOS, 2000, p. 88-89).

Os “bens científicos” aos quais o autor se refere, consistem em insumos produzidos “antes da porteira” ou a montante da produção agrícola, (se for considerado o tradicional conceito de complexo agroindustrial). Porém, tratam-se de bens que são demandados por uma agricultura que se encontra globalizada, consequentemente, intensificando a demanda pelo

comércio de gêneros agrícolas. Assim, entendemos a denominada “agricultura científica globalizada” como parte do conjunto de atividades que compõem o moderno agronegócio.

Elias (2013) analisa o processo de reestruturação produtiva da agropecuária brasileira no contexto da globalização econômica, abordando as transformações deste setor desde meados do século XX. Para tanto, utiliza o conceito de “agronegócio globalizado”, o qual é caracterizado pela autora (2013, p. 14-16) pelos seguintes aspectos:

- “[...] tem referência planetária e recebe influência das mesmas leis que regem os outros aspectos da produção econômica no período histórico atual, incluindo a competitividade [...]”;

- ocorre a incorporação, por parte da agricultura, sob os efeitos da revolução tecnológica, dos “[...] principais paradigmas da produção e do consumo globalizados, em consonância com as transformações gerais do restante da sociedade.”;

- consiste num setor totalmente regulado pela economia de mercado, em razão das demandas urbanas e industriais, em grande parte voltado para a exportação.

- produção destinada sobretudo à geração de commodities, e também de combustíveis renováveis; além disso, fornece matérias-primas para agroindústrias e para o mercado de produtos agrícolas in natura;

- devido à demanda por insumos e máquinas (que passam a ser produzidos no próprio país), cria-se uma dependência “do processo científico-técnico de base industrial.”;

- “[...] crescente interdependência com os demais setores da economia [...] notadamente dos que fornecem os insumos e bens de capital para a agropecuária, assim como das indústrias que processam os produtos agropecuários, com destaque para as indústrias de alimentos.”;

- presença de grandes corporações que “se apropriam da produção agropecuária brasileira,” através da “[...] implantação de indústrias, muitas delas multinacionais, dos ramos fornecedores de insumos modernos para a agropecuária, assim como dos ramos transformadores dos produtos agropecuários [...].”

- a integração de capitais e a formação de conglomerados (através de holdings, trustes, cartéis) são processos que influem diretamente no agronegócio globalizado.

- a dinâmica da atividade agropecuária estabelece-se com base no desenvolvimento de redes agroindustriais (semelhante aos conceitos de complexos agroindustriais e de sistemas agroindustriais definidos por alguns autores, expressões que, apesar de não serem sinônimos, têm pontos em comum).

Conforme Elias (2013, p. 16), “As redes agroindustriais associam todas as atividades e empresas inerentes ao agronegócio globalizado”, ou seja,

[...] empresas agropecuárias, indústrias de sementes selecionadas, de insumos químicos e implementos mecânicos, laboratórios de pesquisa biotecnológica, prestadores de serviços, agroindústrias, empresas de distribuição comercial, de pesquisa agropecuária, de marketing, de fast-food, de logística, cadeias de supermercados etc.

Neste contexto, empresas voltadas para o agronegócio, particularmente as agroindústrias, têm participado deste processo, através de uma das formas mais emblemáticas da atuação no mercado global contemporâneo, ou seja, por meio da comercialização de

commodities agrícolas e agroindustriais.55

Oliveira (2012) analisa a atuação de diversas empresas multinacionais a partir da mundialização do capital, ocorrida em fins do século XX, que passam a ser chamadas empresas mundiais, muitas das quais ligadas ao moderno agronegócio. Conforme o autor (2012, p.2), “[...] o processo de mundialização da economia assumiu as características básicas do capitalismo monopolista no final do século XX, integrando o capital em escala mundial, e, criando as empresas mundiais. Assim, a economia capitalista caracteriza-se, dentre outros fatores, pela internacionalização da produção, e pela multinacionalização, sendo que esta última,

[...] originou-se do processo de transformação das empresas nacionais em empresas internacionais e multinacionais através da expansão por diferentes países via abertura de filiais, aquisições, fusões, associações etc. Internacionalização, multinacionalização e mundialização são portanto, fenômenos integralmente interconectados. São expressões do processo de transformação do capitalismo industrial e financeiro, centrado principalmente nas economias nacionais, para um capitalismo centrado na economia mundial. (OLIVEIRA, 2012, p. 5).

Neste processo de mundialização da economia capitalista, a expansão e o controle das multinacionais em nível mundial tornam-se possíveis, em grande parte, devido a alianças estabelecidas entre as empresas e os Estados Nacionais, uma vez que estas “[...] precisam do Estado nacional para poder enfrentar a mundialização, porém, para se mundializar, o Estado nacional precisa das empresas mundializadas para garantir sua legitimidade”. (OLIVEIRA, 2012, p. 6).

No que se refere ao setor agrícola, segundo o autor, este encontra-se estruturado sobre três pilares:

55 Como se verá adiante, dentre as empresas agroindustriais aqui analisadas, algumas, além do processamento de matérias-primas de origem agropecuária, também realizam a comercialização de commodities in natura (como a soja, por exemplo).

- na produção de commodities - ao transformar toda a produção agropecuária, silvícola e extrativista, em mercadorias para o mercado mundial;

- nas bolsas de mercadorias e de futuro: estas constituem-se nos centros reguladores do preços das commodities, em nível mundial;

- nos monopólios mundiais: formados por empresas mundiais, que possuem o controle da produção de commodities.

Ainda conforme Oliveira (2012, p. 7), tais empresas atuam na produção agropecuária mundial através de dois processos monopolistas territoriais: a “territorialização dos monopólios” e a “monopolização dos territórios”.

Com respeito à “territorialização dos monopólios na agricultura”, tal processo

[...] atua simultaneamente, no controle da propriedade privada da terra, do processo produtivo no campo e do processamento industrial da produção agropecuária. Esse processo deriva da especificidade de dois setores: o sucroenergético e o de celulose e madeira plantada. Deriva também, da relação entre o capital nacional e estrangeiro que, há muito tempo, apresentam-se entrelaçados. (OLIVEIRA, 2012, p. 8).

Tal entrelaçamento do capital nacional com o estrangeiro, referido acima, resulta da fusão ou associação entre empresas, como por exemplo, na formação de joint ventures56.

No que concerne ao processo de “monopolização do território na agricultura”, este

[...] é desenvolvido pelas empresas de comercialização e/ou processamento industrial da produção agropecuária, que sem produzir no campo, controlam através de mecanismos de subordinação, camponeses e capitalistas produtores do campo. As empresas monopolistas atuam como players no mercado futuro das bolsas de mercadorias do mundo, e, as vezes controlam a produção dos agrotóxicos e fertilizantes. (OLIVEIRA, 2012, p. 9).

No Brasil, a “monopolização do território” abrange empresas mundiais e também nacionais, algumas delas oriundas de fusões e associações, pertencentes aos setores de grãos, de carnes, de sementes, de sucos concentrados, e de leite. Muitas destas empresas, além de atuarem no comércio de commodities e no processamento industrial, também negociam suas

56 Dentre os vários exemplos citados pelo autor, tem-se o da empresa Cosan, do setor sucroenergético, o qual, “[...] até a década de 90 era predominantemente ocupado por empresas de origens familiares nacionais. Com a constituição da Cosan (uma aliança entre a família Dedini e parte da família Ometto), a empresa lançou ações nas bolsas de valores nacional e internacional, comprou a Esso Mobil no Brasil e depois constituiu joint venture com a Shell, dando origem à Raizen. Ninguém comprou ninguém, apenas aliados associaram-se no mesmo negócio.” (OLIVEIRA, 2012, p. 8).

ações em bolsas de valores. À propósito, ressalte-se que a negociação de commodities ocorre em bolsas de mercadorias, tais como a BM&F BOVESPA e a Bolsa de Chicago (CBOT).

Tal quadro retrata uma das faces da economia contemporânea, caracterizada por empresas articuladas ao agronegócio, cujas ações transcendem os espaços nacionais, articulando as diversas escalas geográficas, do nível local ao global.

Para que se possa compreender a atuação destas empresas no Brasil, e, especificamente no município de Uberlândia, primeiramente será feito um breve retrospecto da conjuntura econômica brasileira desde meados do século XX, principalmente no que tange à evolução da pauta exportadora, e à inserção do Brasil no mercado globalizado de commodities, a partir dos anos 2000, abordando-se a participação do país na divisão internacional do trabalho como exportador, sobretudo, de produtos primários.

CAPÍTULO 2 O BRASIL NA ORDEM ECONÔMICA GLOBALIZADA: A

Benzer Belgeler