3. OUTLET CENTER’LARIN YER SEÇİMİ
3.1. Yerseçim Kriterleri
3.1.1. Demografik Yapı Kriterleri
“Eu penso que a tecnologia e a sociedade tecnológica está chegando a seus limites e não podemos comportar o consumo de tantas coisas, e que estamos destruindo o planeta. Eu não creio que deveríamos ir por esta mesma direção da sociedade tecnológica. É evidente que quando vem uma crise econômica, todas as comunidades que estão resistindo e regressando à terra vão sofrer
180 Trecho da entrevista concedida pela teóloga Mary Judith Ress em ConSpirando, Chile, 2005.
181RUETHER, Rosemary Radford. Ecofeminismo: Mulheres do Primeiro e Terceiro Mundo. IN: Mandrágora
de outras maneiras por sistemas patriarcais e pós-modernos. Nós sabemos qual seria o próximo passo que é redirecionar. A ciência descobre quem somos funcionalmente e por isso estamos matando nossos espíritos”182
Nos passos anteriores, abordamos dois temas de relevância que indicam a crise da religião no Ocidente: Nova Era e Ecofeminismo. Aparentemente são dois temas distintos; porém, entendemos que tanto Ecofeminismo e a cultura Nova Era parecem despertar muitas similaridades em suas formações e seus símbolos.
É preciso salientar que não é coincidência de que ambos estão datados do mesmo período. A década de 60 marca o momento histórico do aparecimento da Nova Era e do Ecofeminismo, situando a experiência espiritual das mulheres no momento na crise ecológica desta década. Esta crise ecológica está associada neste período ao surgimento de uma “nova espiritualidade” no Ocidente183, à guerra do Vietnã e à força de uma juventude
contracultural de vida livre.
Este período marca a construção de um estilo de vida alternativo que propaga uma experimentação de religiosidades orientais e ocidentais184. Não nos referimos a nenhum tipo de redescoberta de religiões primitivas, mas nos referimos a um novo ethos que incentiva o livre, o alternativo, associado às vivências espirituais com símbolos orientais.
Baseados nessa época de formação de um ethos alternativo, Ecofeminismo e a cultura Nova Era transitam e tecem relações de continuidade em meio à efervescência religiosa da década de 60 e 70. Não nos referimos aqui que Ecofeminismo e Nova Era são traços espirituais distintos ou concorrentes para este novo ethos. Insistimos que o Ecofeminismo é um indicador dos avanços da Nova Era, primeiro porque são contemporâneos e segundo porque o Ecofeminismo se encaixa perfeitamente nesta atmosfera de arranjos, desarranjos, trânsito religioso e com grande ênfase ecológica.
182 Trecho da entrevista concedida pela teóloga Mary Judith Ress em ConSpirando, Chile, 2005..
183 D’ANDREA, Anthony Albert Fischer. O Self Perfeito e a Nova Era – Individualismo e Reflexividade em
Religiosidades Pós Tradicionais. Loyola, São Paulo, 2000, p. 45.
184 D’ANDREA, Anthony Albert Fischer. O Self Perfeito e a Nova Era – Individualismo e Reflexividade em
Existem características básicas do Ecofeminismo que permitem esta afirmação de que ele é um dos ava nços da espiritualidade Nova Era. A primeira delas é que, encontramos um discurso que foge dos padrões da militância política e insiste na vivência da feminilidade através da conexão do espírito e do corpo. A forma de conexão é o taichi e o Reik, que são soluções orientais para este problema de desconexão. Neste contexto, a importância do corpo reproduz o discurso do self, que sacraliza este corpo como um receptáculo do sagrado. É preciso viver uma espiritualidade que contribua no cuidado do corpo, assim es te self pode ser desperto e a consciência humana refutará o ego.
Essas mulheres que sacralizam seus corpos e a natureza através do exercício do despertamento do self, experimentam o constante trânsito religioso, porque suas tradições religiosas estão em crise. É possível perceber esta crise de credibilidade porque, os textos que analisamos sobre o Ecofeminismo tentam construir uma crítica basicamente voltada para a história cristã do deus masculino e suas interferências na história da espécie humana, em tomar o poder das mulheres e destruir a terra.
Este discurso ecofeminista que se dedica a criticar uma tradição religiosa e se esforça para construir símbolos direcionados a contemplar esta crítica, insiste na sacralização do corpo feminino, na figura da deusa como self adormecido das mulheres e na construção de um holismo direcionado para despertar este self feminino.
O Ecofeminismo apresenta características semelhantes à Nova Era porque mistifica o corpo feminino e, através deste discurso do corpo sagrado, possibilita a suas participantes a apropriação deste discurso sem necessitar abandonar suas tradições religiosas. Ao contrário: o Ecofeminismo possibilita que suas participantes utilizem seus símbolos para criticar suas tradições religiosas e incentiva estas participantes a lutar em transformações em seu cotidiano. Religiões redirecionadas na perspectiva ecofeminista passariam a considerar o sofrimento das mulheres e do cosmos:
“Quando eu era menina a imagem de Deus era de um homem ancião, severo, castigador, que vigiava meu comportamento, que todo o tempo me observava e intervia para me corrigir. Agora posso descrever esta imagem como um patriarca (...) Com esta imagem representada nos homens que estavam ao meu redor, eu a rechacei. A partir disso comecei a procurar imagens que podiam
me identificar. A busca continua, mas hoje Deus é para mim: A vida que se renova, se transforma, resiste a guerra (...) Deus é o impulso para o meu corpo, é a força dos meus pensamentos, é o suporte dos meus sentimentos, é a energia de tudo o que creio. Para mim Deus é toda a vitalidade que encontro nas pessoas e na natureza”185.
Suas participantes estão em constante trânsito de símbolos e tradições, porque trabalham intensamente para direcionar uma crítica às instituições tradicionais produtoras de sentido, e paralelamente, utilizam símbolos orientais no cuidado com o corpo. Para perceber a aplicação destes símbolos e para compreender a intensidade do papel do corpo no Ecofeminismo, é preciso olhar para uma estrutura que viabilize a percepção destes pontos em questão.
De fato, o Ecofeminismo é um avanço da Nova Era porque apresenta uma estrutura que possibilita a análise da simbologia e do discurso dirigido para as mulheres. Esta estrutura que utilizaremos nesta análise, preenc he todos os quesitos de um Centro Holístico que oferece vivência, workshops e crafts para o corpo cansado dos problemas da cidade. Esta estrutura é chamada de ConSpirando.
No capítulo seguinte, nos dedicaremos a contar a história de ConSpirando, a fim de entendermos sua formação como “grupo ecofeminista”; além de nos propormos a uma análise sobre os dados colhidos na nossa estadia em Santiago do Chile no workshop sobre mitos e arquétipos. Neste terceiro capítulo trabalharemos diretamente com os dados de campo como indicadores das relações tecidas entre Ecofeminismo e a cultura Nova Era.
185 MOYA, Márcia. Entrevista concedida a Mary Judith Ress e traduzida do espanhol para o português. IN:
RESS, Mary Judith. Lluvia para florescer – Entrevistas sobre el Ecofeminismo em América Latina. Chile, 2002, p. 63.
CAPÍTULO III – O CENTRO HOLÍSTICO CONSPIRANDO – A EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL DAS MULHERES NA NATUREZA