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2.4. Girişimciliği Etkileyen Faktörler

2.4.1. Demografik Faktörler

133 expresso no Artigo 196, no qual é assumido que "a saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação"

Fundada em 1956 e extinta em 1979, a primeira revista especializada em câncer vinculada à iniciativa privada, Arquivos de Oncologia pertenceria à Liga Baiana contra o Câncer (LBCC), órgão do Hospital Aristides Maltez, localizado na cidade de Salvador.

Arquivos de Oncologia, criado para comemorar o 20º aniversário da fundação da

LBCC, ocorrida em 13 de dezembro de 1936, seria um periódico também editado por um Centro de Estudos e, conforme prefácio de seu primeiro número, cumpriria a “divulgação das suas realizações e principalmente em homenagem àqueles bravos [...] fundaram esta instituição de caráter social que hoje serve de orgulho para a Bahia”. Liderado pelo médico Aristides Maltez134, a finalização da construção de um hospital especializado para dar combate ao câncer, na Bahia, ocorreria somente em fevereiro de 1952.

A Liga Baiana Contra o Câncer, entidade privada fundada em 1936, só exerceria atividades de caráter médico-social a partir de 1951, quando na maioria dos Estados as atenções do Estado e da iniciativa privada convergiriam mais intensamente, entendendo o câncer como um problema de saúde pública.

O periódico se pautaria desde seu primeiro número a seguir os padrões do projeto cancerológico oficial, leia-se RBC. O projeto gráfico apresentaria em sua capa o desenho de um caranguejo no mesmo tamanho e formato da RBC, só diferenciado em sua localização. A LBCC seria a terceira entidade privada estadual, depois do Rio Grande do Sul e São Paulo, a ser incorporada à campanha contra o câncer, para o recebimento de subvenção anual da União e do Estados.

As estratégias de propaganda seriam praticamente as mesmas. Em 1949 seria inaugurada a 1ª exposição educativa no hall da faculdade de medicina da Bahia, patrocinada pela LBCC e pelo SNC. Estariam presentes, Mário Kroeff, Alberto Coutinho, Jorge de Marsillac e Amador Correia Campos. Em 1951 se realizaria a 2ª Exposição Educativa e uma

134 Aristides Maltez (188-1943)

intensa campanha de caráter financeiro, que resultaria em mais de CR$ 1.000.000,00 de donativos.

Em 1957 seria noticiado em seu segundo número, no espaço “Notícias outras”, a inauguração do INCA,

seria oficialmente inaugurado este magnífico instituto para diagnóstico, tratamento e pesquisa do câncer. Sua construção iniciada há 10 anos pelo entusiasta Mário Kroeff com a colaboração eficiente de Jorge de Marsillac, Alberto Coutinho e outros seria acelerada de modo incisivo pelo grande cancerologista Prof. Antonio Prudente. Finalmente graças ao dinamismo e entusiasmo do Prof. Ugo Pinheiro Guimarães, atual Diretor do SNC o referido serviço pode ser instalado e funcionar em ambiente modelar no novo e suntuoso edifício da Praça Cruz Vermelha. (AO, 1957, p.15)

Em 1958 a revista apresentaria, pela primeira vez, um esforço para definir a Bahia como um espaço importante no contexto da luta contra o câncer no Brasil, para além do eixo Rio-São Paulo, com o texto “Esboço histórico da Campanha contra o câncer na Bahia”, de Ruy de Lima Maltez. A narrativa cronológica de acontecimentos procuraria enumerar as diversas etapas pelas quais foi construída a LBCC.

No mês de outubro de 1960 se realizaria em Salvador a 1ª Jornada Brasileira de Cancerologia, sob o patrocínio da LBCC, do governo do Estado, do Serviço Estadual de Câncer e da Seção de Cancerologia da Associação Baiana de Medicina. O periódico se encarregaria de divulgar um número dedicado ao evento. Jorge de Marsillac apresentaria um trabalho específico sobre a história da cancerologia brasileira apoiando-se exclusivamente em sua memória. Nele, Kroeff apareceria como um entre outros tantos atores importantes na afirmação da cancerologia:

já se vão 25 anos da realização do 1º Congresso Brasileiro de Cancerologia, realizado pela Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, sob a presidência do grande cirurgião patrício, prematuramente desaparecido, Maurity Santos. Naquele congresso [...] participaram várias figuras de real relevo [...] Eduardo Rabelo, Osório de Almeida, Pitanga Santos, Mário Kroeff, Ugo Pinheiro Gu imarães, Antonio Prudente, Eder Jansen de Mello, Raul Leitão da Cunha, Ellis Ribeiro, Cruz Lima, Barros Barreto, Waldermar Berardinelli [...] Em 1939, com a realização no Rio de Janeiro, do II Congresso Brasileiro Americano de Cirurgia, sob a presidência de Jaime Poggi foram novamente abordados vários temas de cancerologia, merecendo real destaque os trabalhos brasileiros de Mário Kroeff e Ugo Pinheiro Guimarães e entre os estrangeiros os de Carlos Butler, chefe da

delegação uruguaia. Com a segunda Guerra Mundial, houve completa interrupção das atividades dessa natureza. Somente, muitos anos mais tarde, recomeçaram os congressos [...] foram incluídos vários temas de cancerologia [...] Contudo, seria em 1954 que nos projetamos aos olhos do mundo, com a realização, em São Paulo, do VI Congresso Internacional de Câncer, sob a brilhante dinâmica presidência do Professor Antonio Prudente, ao qual compareceram quase 1000 congressistas. (AO, 1960, p.16)

Marsillac assumiria a partir da manifestação de sua memória legitimada por ser um dos primeiros integrantes do grupo de cancerologistas, o que Jacques Le Goff denominaria de “dominação da recordação e da tradição”. Marsillac se sentiria confortável no resgate de importantes atores que participaram, de uma maneira ou de outra, à causa anticancer no Brasil, e que por razões de disputa em torno da memória coletiva, jamais estiveram associados a esta questão.

Enfrentando problemas decorrentes da falta de colaboração e de orçamento, o periódico se tornaria, em 1963, órgão oficial da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC). Fundada em 25 de julho de 1946 pelo grupo cancerologista do Distrito Federal, a SBC desempenharia papel importante na arregimentação e congregação de forças para a causa anticâncer no Brasil. O próprio Mário Kroeff faria um convite aos médicos interessados em participar em 22 de junho de 1945, e após sua consecução, se tornaria seu primeiro presidente.

Prezado Colega. Sendo notaria, entre nós, a falta de uma sociedade de cancerologia, onde se congreguem especialistas, patologistas, médicos, educadores e todos aqueles que, de algum modo, se interessem pelo magno problema médico-social que o câncer representa submetemos a consideração de V.S. a idéia de constituir-se um organismo que possa, em íntimo intercambio cultural, incentivar a luta contra o câncer no país e concorrer para o progresso da cancerologia em geral. (KROEFF, 1946, p. 457).

Em 1968, o periódico dedicaria um número especial ao 15º aniversário do Hospital Aristides Maltez, ocorrido em 1967. O INCA compareceria com seis representantes: Adayr Eiras de Araújo, Moacyr Santos Silva, Jorge Marsillac, Hiran Lucas, Alberto Coutinho, Osolando Machado e João Brancoft Viana.

Dentro das comemorações, o grupo cancerologista da Bahia criaria um curso de câncer que abriria espaço para a manifestação de alguns dos problemas enfrentados na afirmação da especialização. Um dos debatedores seria o médico Aníbal Silvany, representando o pensamento do Hospital Aristides Maltez.

Acho fundamental insistir no problema do ensino de câncer nas faculdades brasileiras. A ausência de tal cuidado explica porque, ainda hoje, o retardo do conhecimento da doença, deva-se em cerca de 43% dos casos à incompetência médica.(...) Depois de Pasteur, Lister, Jenner, Roux e Yersin, dos antibióticos e de levantamentos das condições de higiene, tais doenças [infecções, bactérias] foram gradativamente dominadas nos países civilizados. Elevou-se destarte, o nível médio de vida e ensejou-se o predomínio de doenças degenerativas e do câncer entres as principais causas de morte. Vejamos agora, o que se passou no ensino médico. [...] Na presente realidade brasileira, afora três escolas onde existem disciplinas de “cancerologia”, o ensino desta matéria é feito, aqui e ali, pedacinho por pedacinho, diluídos em várias disciplinas do curso médico. Num hospital de 150 leitos, onde a necessidade docente dissolve a experiência prática entre mil setores da epistemologia médica, os casos de câncer são eventuais. (AO, 1968, p.7)

Também para o grupo baiano, portanto, a afirmação do espaço médico próprio para o câncer, em escala nacional, passava pela criação de uma formação universitária especificamente voltada para o assunto, dentro dos cursos de medicina. Inventar a especialidade significava também, ao mesmo tempo, inventar seus especialistas. Nesse processo, a Bahia procurava se apresentar como tendo uma posição de destaque, antenada com tendências mais recentes, e portanto voltada não somente para o passado, mas também para o futuro, dando destaque, inclusive, ao termo oncologia.

Benzer Belgeler