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2. İKİNCİ BÖLÜM

3.6. Demografik Değişkenlerle Hedonik Tüketim Arasındaki İlişkilerin Test

Em termos legislativos, a idéia da fundação de uma biblioteca pública estadual em Minas Gerais começou a ser debatida em 1929, quando o Presidente do Estado sancionou, do Congresso Mineiro, a lei estadual n. 1127, de 19 de outubro de 1929, que autorizava o Governo a fundar a Biblioteca Pública de Minas, fixando-lhe uma subvenção destinada, na sua totalidade, a aquisição de livros e publicações diversas, cabendo à Prefeitura de Belo Horizonte as despesas com o pessoal.75 O prefeito, por sua vez através do decreto municipal n. 63, de 06 de março de 1930, ressaltou a necessidade de criação da biblioteca estadual, conforme nos mostra o registro a seguir:

“Ao remeter a V.excia. o regulamento da Biblioteca Pública de Belo Horizonte, tomo a liberdade de consignar alguns esclarecimentos sobre o critério a que obedeci na sua confecção com a qual, aliás, atendi a um desejo de v.excia., como seja o de aparelhar a Capital de um estabelecimento daquela natureza na proporção das suas exigências. Efetivamente, além de ser a Capital e a mais populosa cidade do Estado, Belo Horizonte é um centro universitário em desenvolvimento; torna-se, portanto, necessário organizar uma biblioteca publica em condições de, ao mesmo tempo, favorecer a cultura popular e proporcionar aos estudantes maiores facilidades para a consulta de obras que lhe interessam.

Ponto para o qual desejo ainda invocar a atenção de v. exc. é o relativo à criação de uma seção especial denominada ‘Biblioteca dos Autores Mineiros’, destinada a recolher as produções e a documentação da literatura, história e geografia de Minas Gerais – iniciativa nova e de notório alcance.”

O próprio prefeito, como podemos perceber, acreditava que a Biblioteca Pública de Belo Horizonte não era um estabelecimento adequado à cidade, que era uma cidade populosa e que estava se tornando um centro universitário.

O primeiro passo para o desenvolvimento do acervo da Biblioteca Estadual foi a organização da seção “Biblioteca dos Autores Mineiros” determinada pelo decreto n. 64, em 1930, e pelo decreto n. 67, em 1936. A seção deveria compreender livros sobre história e a geografia de Minas Gerais, além de obras literárias de autores mineiros e

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outros documentos relativos ao estado. O próprio bibliotecário Menegale se empenhou em constitui-la na Biblioteca Pública de Belo Horizonte, além de propor a construção de uma biblioteca para Minas, como ele ressaltou em seu relatório:

“Expedi a numerosos autores mineiros circular nestes termos:

‘Afim de dar cumprimento ao imperativo regulamentar da Biblioteca Pública de Belo-Horizonte, que, segundo ato governamental, criou a ‘Biblioteca dos Autores Mineiros’, remeto-vos um questionário a que encarecidamente vos solicito responder, e com igual empenho vos rogo a gentileza de enviar a esta Biblioteca todas as vossas obras, ou pelo menos indicar onde poderão ser adquiridos ...Além da contribuição dos autores mineiros, a secção mineira visa a coligir as obras concernentes á história e geografia de Minas, ainda que não sejam mineiros os autores. Dei início, por conseguinte, á organização da biblioteca mineira, separando-a em estantes próprias ... Conta já a biblioteca mineira 667 volumes, entre literatura, historia, geografia, coleções de jornais encadernadas, mensagens presidenciais, relatorios de Secretários, monografias e relatorios municipais...Não me parece justo, porém, que a Biblioteca sobrecarregue unicamente a Prefeitura. Minas precisa ter a sua biblioteca. Que, pelo menos, o Estado auxilie na aquisição de obras, desde que queira deixar á Prefeitura, cujas rendas são notoriamente reduzidas, o encargo do funcionalismo. Em suma, parece-me que não se tem pensado muito na necessidade de aparelhar Minas, na sua Capital, de uma biblioteca á altura dos seus titulos de cultura e progresso.” (1932, p. 65, 68-69, 100–101)

É interessante observar nessas citações como a própria Biblioteca de Belo Horizonte estava, de certo modo, colaborando para o seu fim, recebendo o respaldo das autoridades públicas municipais e estaduais, que intencionavam unificar os acervos relativos a Minas Gerais oriundos das bibliotecas existentes, conforme pode ser visto no seguinte relatório:

“Em mensagem à Assembléia Legislativa do Estado, anunciou V. Excia. o propósito de unificar as bibliotecas existentes na Capital. Com essa inteligente medida, conseguirá V. Excia. transformar as nossas modestas bibliotecas em uma grande Biblioteca Estadual, reduzindo o gasto, porque os exemplares de livros em duplicata e triplicata poderão ser permutados por outros, de que se ressintam as bibliotecas unificadas.” (Bello Horizonte, 1937, p. 32)

Entretanto, foi somente no ano de 1953 que o governador de Minas deu os primeiros passos para a construção da Biblioteca Estadual, cujo primeiro diretor e organizador foi

o escritor Eduardo Frieiro. Em 1970, Frieiro mencionou sobre esse fato, enfatizando as precárias condições da Biblioteca Pública de Belo Horizonte:

“Em fins de 1953, o Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, Governador de Minas, encarregou-me de organizar a Biblioteca Pública do Estado. Belo Horizonte concentrava os 400.000 habitantes. Em pouco teria meio milhão. Era um importante centro universitário, tinha vida intelectual intensa, mas não dispunha de uma biblioteca pública que correspondesse à elevada expressão de seu desenvolvimento demográfico e cultural.

Havia sem dúvida bibliotecas de entidades diversas e uma única de caráter público, a da Prefeitura Municipal. Esta, porém, muito modesta, estava longe de satisfazer ao que se pede a uma boa casa de leitura destinada ao povo. Não era fácil encontrar na cidade obras de consulta. Como podia alguém dedicar-se a estudos especializados sem os elementos indispensáveis a êsse fim? Tinha-se de ir ao Rio ou a São Paulo, onde existiam grandes bibliotecas eruditas. Nossa falta era grave.” (Frieiro, 1970, p. 8)

Em 1954, a lei estadual n. 1087 de 02 de junho criou, enfim, a Biblioteca Pública de Minas Gerais, cuja instalação foi mencionada em 1955 pelo Prefeito Celso Melo de Azevedo76:

“Presentemente, cuida-se de instalar na Capital uma Biblioteca Pública Estadual, destinada a reunir as obras existentes nas inúmeras bibliotecas das repartições públicas estaduais, enquanto a Prefeitura mantém, de há muito, sua preciosa Biblioteca Pública...” (APCBH, 1955, p. 5)

Podemos observar que, a partir do início da década de 1950, quando a Biblioteca Pública Estadual estava sendo construída, o atendimento ao usuário da Biblioteca de Belo Horizonte sofreu uma considerável redução, já que a freqüência estava diminuindo de ano em ano. Isso nos prova que a Biblioteca Municipal começou a perder prestígio no cenário cultural de Belo Horizonte após a inauguração da Biblioteca Estadual, que por sua vez deveria estar abrigando em seu edifício um acervo mais atualizado e

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abrangente, direcionado aos diferentes segmentos sociais da cidade e do estado mineiro.

Diante de tudo que nos foi apresentado até então, podemos verificar que houve vários esforços por parte da administração pública em fundar e promover o desenvolvimento da Biblioteca Pública Estadual, cuja inauguração ocorreu em 1954. Em contrapartida, a Biblioteca Pública de Belo Horizonte, nesse período até a década de 1960, foi perdendo o apoio da Prefeitura e, gradativamente, com a redução do atendimento ao público, também perdeu o prestígio na cidade, até finalmente ser extinta em 1963. O que nos leva a crer que a Biblioteca foi alvo de uma morte construída.

Benzer Belgeler