3.8. Araştırmanın Bulguları
3.8.1. Demografik Değişkenlere Dair İstatistikler
Partimos da premissa de que todo o conceito se desenvolve historicamente, e que os mesmos se constroem a partir de determinado ponto de vista da realidade concreta – e com ela interagindo. O conceito de território e suas variantes, por exemplo, tem uma larga trajetória baseada em diferentes concepções de mundo e da compreensão da ação humana na natureza. Pretendemos aqui abordar os conceitos de território que têm similitude nos seguintes
pressupostos: é construído a partir das relações de produção entre os seres humanos para produzir e reproduzir a vida humana objetiva e subjetivamente, relações estas marcadas pelo conflito de diferentes classes sociais. Nesta perspectiva, o conceito de território percorre a primeira metade do século XX na área das ciências sociais em obras de autores vinculados à luta pela transformação social89.
Por exemplo, Lênin ao mencionar o imperialismo assinala que território está relacionado à dominação, à partilha econômica do mundo. Ao realizar esta análise, Lênin olhava para como se redimensionava o poder hegemônico do capital mediante as relações econômicas, através da fusão de empresas, concentração de capital e conformação de grandes monopólios, assim como o papel dos bancos estreitamente vinculados ao Estado.
Este momento histórico, início do século XX, foi marcado por diferentes experiências de luta e debate sobre as consequências do capital na vida dos trabalhadores, assim como a necessidade e as formas de organização destes para a construção de uma nova sociedade. Foi o caso do processo soviético90 e sua influência e inspiração a diferentes outros países, como por exemplo, o caso particular Itália, onde nasceu e viveu o autor ao qual se baseiam algumas análises deste trabalho, Antonio Gramsci.
Guiseppe Dematteis traz para a discussão de território os “consigli di zona” e os “consigli de fabrica” na Itália da década de 1920 e ressalta a forte organização dos operários em Turim, processo pelo qual Antônio Gramsci foi um grande animador e dirigente teórico. Estes conselhos tiveram um papel fundamental em contestar a organização capitalista do trabalho e unificar as diferentes posições políticas. Como afirma Saquet, uma maneira encontrada para “articular internamente o movimento operário que tinha uma organização explicitamente territorial: estabeleceu-se uma unidade entre as diversas categorias e posições políticas” (SAQUET, 2007, p. 41).
Segundo Saquet (2007), Dematteis publica em 1976, os “Cadernos do Território”, no qual analisa os “novos arranjos territoriais do capital e do movimento operário após 1968”. Para este, o encontro das análises marxinianas e a geografia se dá principalmente a partir da
89 O conceito de território não nasce aqui, mas bem anterior a este momento histórico. Por exemplo, no século XVIII estava relacionado à construção dos estados nacionais contemporâneo. Este conceito também pode assumir, desde a geografia quantitativa, a organização espacial desprovida da relação direta com o poder, como a limitação distrital por exemplo. Desde a geografia crítica o conceito de território está relacionado a espaço e poder, onde o agente social está para além dos Estados Nacionais - como afirmavam os geógrafos tradicionais – mas, na produção de grupos sociais que para manter ou contestar o poder produzem, reivindicam e disputam territórios. Desde esta perspectiva, se enfatiza a dimensão tanto material quanto simbólica do poder. Alguns autores enfatizam mais em uma do que em outra. Outros autores apontam a relação intrínseca entre estas duas dimensões do processo de territorialização. Demarcamos neste trabalho este marco conceitual para desenvolver as reflexões sobre o tema.
década de 1960, através de autores que realizaram um debate teórico-metodológico sobre território como uma categoria essencial para análise da relação espaço-poder, desde uma lógica anti-positivista. Alguns destes autores são: Máximo Quaini, Giuseppe Dematteis, Claude Raffesttin, Henry Lefebvre e David Harvey. Território nesta perspectiva, parte do princípio do conflito de classes onde o mesmo é espaço de interações sociais que se estabelecem em diferentes escalas, é, portanto, mediador das relações de produção. Esta elaboração teve a influencia de autores como Felix Guatarri, e Antonio Gramsci entre outros autores.
Saquet (2007) afirma que na retomada do conceito de território sob uma perspectiva de luta de classes, Gramsci é um autor de fundamental importância.
Antonio Gramsci, como mencionei anteriormente, volta toda a sua produção intelectual à atuação na pratica revolucionaria, incentivando e orientando a aliança entre operários e camponeses [...] numa articulação de classe e territorial, como tática organizativa para a revolução que requer mudanças materiais e ideológicas (políticas, intelectuais). (SAQUET, 2007, p.61).
Construir uma revolução na Itália era a perspectiva deste autor, e sobre ela elaborou e/ou resignificou conceitos como, por exemplo: bloco histórico, organização política, hegemonia, e consciência. O conceito de território não foi trabalhado diretamente por Gramsci, mas encontra-se explícito em suas diferentes reflexões, que buscava analisar as condições objetivas da Itália e a especificidade de uma possível revolução em seu país. Segundo Saquet91, o tema do território está presente em textos como “A questão meridional”, e alguns textos sobre sindicato, organização e articulação nacional que constam na obra “Cadernos do Cárcere”. Estes preceitos fundamentam a elaboração, dos diferentes autores acima mencionados, sobre o conceito de território fundamentado na: relação natureza e sociedade; economia, política e cultura; apropriação, dominação e controle; e, identidades e representações.
Raffestin (1993), um dos autores acima citado, afirma que o conceito de território está imbricado ao conceito de poder. Ele afirma que toda relação manifesta poder ou um campo de poder. Afirma também que o termo poder não é uníssono. Ele carrega certa ambiguidade, pois pode significar um conjunto de instituições que garantam a sujeição e o controle da população e dos recursos a um determinado Estado, mas também - e como origem - pode configurar pontos de poder que se estabelecem em toda e qualquer tipo de relação social. Estes pontos podem não ser palpáveis, ou podem parecer invisíveis, mas existem
concretamente e ali se desenvolvem. Neste caso as intencionalidades e finalidades é que revelam o poder em suas diferentes dimensões.
Assim, as relações de poder se expressam nos territórios de diferentes maneiras ao mesmo tempo em que realizam a organização e reorganização territorial da dominação nos aspectos materiais e imateriais (ou simbólicas e ideológicas). Ou seja, as relações sociais entre os sujeitos e objetos se concretizam no território e significam territorialidades. “O território é a cena do poder e o lugar de todas as relações. [...] O território é um lugar de relações a partir da apropriação e produção do espaço geográfico [...] sempre ligado ao controle e à dominação social”. (SAQUET, 2007, p. 34)
Raffestin também trabalha o elemento do poder quando conceitua os sistemas territoriais, onde os territórios - através de malhas, nós e redes - mesmo que não diretamente visíveis, possuem ligações por decisões, projetos ou estratégias políticas. Afirma que: “O sistema territorial pode ser decifrado a partir das combinações estratégicas feitas pelos atores e, como meio pode ser decifrado por meio de ganhos e dos custos que acarreta para os atores. O sistema territorial é, portanto, produto e meio de produção”. (RAFFESTIN, 1993 p.158)
Parece clara a fundamentação de Raffestin em Maquiavel, pois neste, poder é essencialmente relação de dominação, de apropriação, de ocupação, de administração através de costumes, leis e da própria língua. “O poder é exercício da apropriação e dominação.” (SAQUET, 2007, p. 28).
Segundo Saquet, de maneira similar ao pensamento de Rafesttin, Magnaghi compreende território como relações de poder e apropriação territorial, onde esta se materializa de maneira multiforme. Outro autor que trabalha o conceito de território nesta perspectiva é Gottman, que o analisa sob a perspectiva da colonização, onde a “ocupação do novo mundo que correspondia para a classe dominante de alguns países europeus, a novos territórios para dominação e exploração”. Território, “portanto, destaca-se por duas funções principais: servindo de abrigo e servindo de trampolim para oportunidades”. (SAQUET, 2007, p. 27)
Nestas abordagens percebe-se que o conceito de território está estreitamente vinculado ao tema do poder, do conflito e da disputa territorial. Território é em si disputa territorial, é processo, e, por ser processo contém o elemento da historicidade e das múltiplas escalaridades que o caracterizam como geo-histórico92. É desde esta perspectiva de processo ou de movimento, que Saquet (2007) afirma que Deleuze e Guatarri abordam o tema do
território sob a perspectiva de territorialização-desterritorialização-reterritorialização (TDR). Neste sentido, na disputa territorial, as lutas de movimentos sociais são essencialmente para desterritorialização do capital construindo nova reterritorialização, já que as comunidades tradicionais ou campesinas foram desterritorializadas pela territorialização do capital em seu poder hegemônico.
Quando afirmamos a expressão territorialização contra-hegemonica da Via Campesina, afirmamos que a partir do enfrentamento, da luta, de sua estratégia, sua organicidade e sua política de formação, constrói territórios, antes desterritorializados pela hegemonia do capital. Busca territorializar-se desterritorializando o poder do capital. Embora, compreendeemos também que desterritorializar o poder do capital no campo não ocorre em sua plenitude, a não ser que esteja nos marcos de uma mudança estrutural da sociedade. Afirmamos também que a territorialização contra-hegemonica da Via Campesina se dá nos marcos da resistência e do enfrentamento, põe a contradição do capital no campo em evidência, e realizar a luta de classes.
Este processo não é linear, e nem poderia ser. Não é como retirar algo de algum lugar e colocar outro “algo”. Quando nos referenciamos á territorialização da Via Campesina, estamos mencionando o constante e insistente processo de desterritorializar o capital em seus aspectos econômicos e ideológicos, em sua territorialiadade material e imaterial. É sob esta perspectiva que se desdobra a inquietação a respeito do papel da formação política no processo de territorialização desta organização, fato este que se efetiva essencialmente na luta concreta, no processo organizativo das diferentes organizações dos diferentes sujeitos do campo. Pretendemos desdobrar esta reflexão posteriormente.
Guatarri desenvolve o conceito de território, desde uma abordagem humanista, ligado à subjetividade individual e coletiva, onde o agir social é um agir territorial que constrói e reconstrói território, que também é fruto da condição da reprodução social. “O território, é produto e condição de processos sociais” (SAQUET, 2007, p.88).
Segundo Saquet (2007), para Lefebvre, território é um espaço modificado pelo trabalho revelando sempre relações de poder - desde o Estado ao indivíduo - nas suas múltiplas dimensões. O território é assim objetivado pelas relações sociais de poder e dominação. Esta objetivação implica a cristalização de uma territorialidade, ou de diferentes territorialidades em conflito no espaço. Territorialidade, portanto, está relacionada à intencionalidade na objetivação do poder. Desde essa premissa, Lefebvre analisa a articulação afinada entre as territoralidades materiais e ideológicas como uma condicionam a outra e vice- versa.
Saquet (2007) também cita Bagnasco (1977 e 1978) como um autor que se baseia no pensamento de Gramsci. Em especial, Bagnasco analisa que o tema sobre “A questão meridional”93, ou a sociedade meridional, é para o autor um “produto de articulações entre distintas classes sociais” como uma questão territorial94, (desde a articulação de camponeses, estado e intelectuais). Para Gramsci a única classe territorialmente nacional, na Itália do início do século XX, era a pequena burguesia, e, era necessário organizar a aliança operária e camponesa para a constituição de um novo bloco histórico na luta contra hegemonia do capital. Era necessário que o partido comunista95 se organizasse territorialmente96 na dimensão política e ideológica para enfrentar as forças do bloco agrário-industrial do capital. Aponta Saquet, que:
Gramsci elabora claramente uma compreensão (i) material do conflito de classes e do desenvolvimento italiano, no qual há produção material, a psicologia, a mentalidade camponesa, a consciência da classe trabalhadora, difusões, organização política, intelectuais, todos termos comuns em seus textos de 1916-1926. [...]. O problema das relações de classe, mas também é especialmente como um problema territorial, isto é como um aspecto da questão nacional. (SAQUET, 2007, p. 61)
Para Bagnasco (1977), o território está para “além da área e formas espaciais, significa conexão, articulação, é resultado e condição da dinâmica socioespacial, na qual se sucedem agregações territoriais, por mudanças/inovações e por permanências sociais” (SAQUET, 2007, p. 73). No entanto, é pressuposto considerar que território se constrói a partir do espaço.
É importante aqui determo-nos pouco mais sobre o tema e o conceito de espaço. Milton Santos, geógrafo brasileiro, destaca - desde uma abordagem materialista dialética - a centralidade do conceito espaço geográfico, e não de território. Para este autor, na produção do espaço é fundante o papel do trabalho e das técnicas como o grande mediador da relação
93 O texto “A Questão Meridional” de Antonio Gramsci trata da sociedade meridional. Segundo Gruppi (1978), da sociedade meridional era um grande bloco agrário constituído por três extratos sociais: a grande massa camponesa, amorfa e desagregada; os intelectuais da pequena e media burguesia rural; e, os grandes proprietários rurais e os grandes intelectuais. Neste sentido era necessária a aliança entre os camponeses do norte aos operários do sul construir um novo Estado, uma nova ordem política. Esta aliança deveria incorporar no programa de luta, as exigências de classe que cada qual representava. O proletariado poderia torna-se classe dirigente na medida em que criasse um sistema de alianças.
94 A leitura de Bagnasco era de que para compreender a especificidade das classes sociais e suas relações era necessário analisá-las sob uma abordagem territorial, “porque o desenvolvimento e a articulação entre classes são uma questão territorial” (SAQUET, 2007, p. 62)
95 Partido sob o qual Gramsci militava e era dirigente neste período.
96 Território para Gramsci, embora não mencionado diretamente, parece ser um conceito relacionado ao caráter nacional.
sociedade-natureza. Assim, o espaço é produzido na relação homem-espaço que aparece num primeiro momento apenas como paisagem.
O trabalho e as técnicas ganham centralidade em sua argumentação; o homem é o sujeito, as técnicas, mediação e o espaço é um produto histórico [...] Para Milton Santos, o conceito de território é subjacente, composto por variáveis, tais como a produção, as firmas, as instituições, os fluxos, fixos, relações de trabalho, etc. (SAQUET, 2007, p.91).
Portanto, território para este autor deriva da produção do espaço. Território não é neutro, muito menos um ator passivo. Espaço e território fundamentados na sociedade do dinheiro produz uma fragmentação generalizada e esquizofrênica que acolhe a racionalidade dominante ao mesmo tempo em que permite a existência submetida de outras formas de vida. Essa fragmentação esquizofrênica permite a regulação e a pacificação de forças contrárias a seu domínio através de diferentes elementos. Entre estes, a questão da rapidez e fluidez de tecnologias difundidas de maneira selecionada em determinados lugares, enquanto que em outros lugares (não tão adequados aos interesses capitalistas) permanece um ritmo de produção mais lento. Esta “esquizofrenia do território e do lugar tem um papel ativo na formação da consciência” (SANTOS, 2003, p.80).
A partir de uma concepção crítica de território, Saquet (2007), assinala que território é resultado de “relações sociais que se territorializam desigualmente, por mediações e ações, sobretudo, econômicas e políticas, de controle na processualidade da luta de classes”. (SAQUET, 2007, p.135). Neste sentido, Oliveira (2010) afirma que o desenvolvimento do capitalismo no campo submete o trabalho dos trabalhadores para a produção, mas também se reproduz na incorporação de “formas sociais não-capitalistas, embora a lógica, a dinâmica, seja plenamente capitalista”. Assim o capitalismo “se nutre de realidades não-capitalistas” e essas desigualdades “não aparecem como incapacidades históricas de superação, mas mostram as condições recriadas pelo desenvolvimento capitalista”. (OLIVEIRA, 2010, p. 6).
Neste sentido, a territorialização do capital ocorre “quando a indústria, o proprietário da terra e o capitalista da agricultura se tornam a mesma pessoa ou empresa”, e a monopolização do território ocorre desde a subsunção de formas não capitalistas de produção às leis do capital, ou seja, quando “agentes do capital monopolizam o território sem se territorializar, redefinindo assim, relações camponesas de trabalho e se utilizando deste para produzir capital”. (OLIVEIRA, 2002, apud SAQUET, 2007, p.136).
Outro autor contemporâneo que reflete a respeito do caráter da conflitualidade na produção de território é Fernandes (1999; 2005; 2013). Para ele território se configura como
lugar de conflitualidade e de luta entre diferentes classes sociais, um lugar de dominação e de negociações. Em sua tese de doutorado (1999), o autor retrata como o Movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST - Brasil) foi se territorializando em cada estado através da: luta e o conflito pela terra; da ocupação; da organização; do trabalho de base; da negociação; e, das alianças com outras organizações e instituições - como o caso da CPT, Partido dos Trabalhadores, das comunidades eclesiais de base, etc.
Esses elementos caracterizam os caminhos, ou forma de como este movimento social foi se espacializando e se territorializando. Na análise do autor, esse processo se dá essencialmente pela primeira necessidade de sobrevivência de famílias desterritorializadas pela ação do latifundiário e do capital na agricultura, e, nasce concretamente no processo de ocupação. A ocupação não é uma ação realizada não somente pelo MST, mas por outras organizações do campo, ou grupos não organizados, que a fazem pela necessidade de sobrevivência.
Fernandes analisa que desde esta ação primeira, a ocupação, se estabelece diferentes tipos e formas de espacialização e territorialização. As ocupações podem ser de caráter espontâneo (isolado), ou ainda organizado (espacializado), como o caso do acampamento.
As ocupações isoladas e espontâneas acontecem, majoritariamente por pequenos grupos, numa ação singular de sobrevivência, quando algumas famílias ocupam uma área sem configurarem uma forma de organização social. Entram na terra em grupos e então, pela própria necessidade passam a constituir um movimento social. O caráter da espontaneidade está no fato de não haver uma preocupação anterior em se construir uma forma de organização, o que acaba por acontecer, ou não, no processo de ocupação. Essas ocupações podem resultar em um movimento social isolado. (FERNANDES, 1999, p. 278)
Concordamos com a leitura do autor que a territorialização ocorrem a partir das lutas, ocupações, organização, trabalho de base, e alianças que se estabelecem. Analisamos também que estes são os fundamentos que marcam o que queremos afirmar como territorialização da Via Campesina em contraposição aos interesses do capital no campo. Desta forma, as ocupações espontâneas, que não pressupõem uma base organizativa anterior de trabalho de base, se dão unicamente pela necessidade de mover-se e sair da condição passiva de sobrevivência, podem não conter, ou contém embrionariamente um projeto político mais amplo, uma estratégia política de transformação social. Esta ação quando intencional, mesmo que num primeiro momento impulsiva e dispersa pode caracterizar-se como processo de espacialização, e, posteriormente como afirma Fernandes (1999), forjar-se como movimentos territorializados. Os movimentos sociais territorializados, ou movimentos socioterritoriais na
visão do autor são resultado das experiências de lutas de diferentes processos de ocupações organizados e espacializados, têm um projeto político mais amplo, na busca por transformação da realidade.
Girardi (2008) aponta que a discussão de território é indissociável da discussão de espaço, pois o primeiro “é formado a partir do espaço geográfico”. Para o autor, os dois conceitos estão vinculados a relações de poder que são desempenhadas por sujeitos que produzem espaços e tem objetivo de construir territórios. As relações desenvolvidas por estes sujeitos (indivíduos e/ou coletivos) podem se configurar como apropriação, dominação ou influência. E é justamente no ato de exercer o poder no espaço para a criação de territórios que estes sujeitos promovem o movimento de territoralização-desterritorialização- reterritorialização (TDR).
Neste sentido, Girardi (2008) afirma, com base nas proposições de Fernandes, que território contém duas dimensões, uma dimensão material e outra imaterial, e que estas são indissociáveis num processo de territorialização. A primeira se refere aos aspectos objetivos, à materialidade do território, e a segunda aos aspectos subjetivos, às estratégias dos sujeitos, às representações destes para a construção territorial. Neste último estão implícitos a ideologia e os posicionamentos políticos que tem ação direta e indiretamente na construção objetiva, e, portanto no aspecto material do território. Assim, a relação de dominação, a hegemonia e o consenso são elementos imateriais de uma construção territorial, ou de uma territorialização.
Resgatando a concepção de Raffestin (1993), Girardi (2008) analisa que território também pode se configurar como territórios-rede. Estes são marcados pela fragmentação, descontinuidade e sobreposição. A articulação destes é proposta por alguns autores como