3. BULGULAR
3.1. Demografik Bilgilere İlişkin Soruların Ibm Spss 19.0 Veri Analizi Yorumları
Considero na tese que a dimensão espaço-temporal desempenha um papel importante em função da adoção de uma perspectiva estruturacionista e pluralista critica.
“toda ação está inserida no tempo e no espaço. Estas dimensões, que são inseparáveis, definem os quadros geohistóricos da ação, pois um movimento no espaço é também um movimento no tempo” (CHANLAT, 1996, p. 31).
Segundo Vergara e Vieira (2005, p. 116), a dimensão espaço-temporal é bastante útil nos estudos sobre organizações (e sobre suas estratégias consequentemente), pois “é no tempo-espaço que estruturas, processos, tomadas de decisão, modelos de gestão, tecnologias, poder, enfim as tradicionais categorias de análise ocorrem”. Ou seja, para o estudo da não-ação ao longo do processo de formação das estratégias de RSE, considero fundamental reconhecer as condições espaço-temporais e contextuais.
Por outro lado, segundo Cunliff et al (2004), noções objetivas do tempo implicam em que todos experimentamos a passagem do tempo da mesma forma e podemos, portanto, generalizar os contextos cruzados. Pesquisadores que trabalham a partir de noções objetivas do tempo frequentemente se concentram em compreender as conexões causais entre eventos, coisas e histórias. Porém, noções subjetivas implicam em que a passagem do tempo não existe a menos que os atores a experimentem e essas conexões não sejam feitas cruzando contextos. Assim, no esquema estruturacionista, a produção e análise do discurso narrativo representa uma concentração em um ou outro aspecto da vida social. Segundo Weaver e Gioia (1994), se o interesse do pesquisador estiver localizado nos processos de estruturação, ele deve assumir uma perspectiva histórica e amplamente interpretativa e intersubjetiva. Alternativamente, se o interesse estiver na natureza e na operação das estruturas no seu estado presente, sem dúvida ele deve assumir uma perspectiva de inquérito menos histórica e mais “estrutural”, concentrando-se nos modelos temporalmente situados.
“Quanto mais estreitamos a “fatia temporal” de interesse, mais perdemos o caráter histórico do inquérito e mais chances de haver “especificações de ordens institucionais” teremos. Quanto mais alargarmos a “fatia temporal”, menos “estrutural” e mais estruturacionista o inquérito se tornará. Alargar a “fatia temporal”, também, torna a generalização funcionalista tradicional menos praticável. À medida que o tempo é expandido, oferecemos oportunidades melhores para a emergência intencional ou não intencional de novas estruturas, destruindo, desse modo, os modelos estruturais organizados.” (WEAVER e GIOIA, 1994, p. 580)
Por esse motivo, será utilizado um bracketing temporal associado bracketing analítico. Esta combinação permite revelar a prática, sua relação com a estrutura e a forma de compreensão e ação do agente frente essa estrutura. Isso é possível, pois o discurso narrativo apresenta também uma concentração nos aspectos temporais
da vida social como, por exemplo, a dinâmica da ação intencional ao mesmo tempo em que mantém o interesse sobre os aspectos da intersubjetividade dos agentes. O discurso narrativo expressa um alto grau de autenticidade e possibilitam o exame dos padrões de interação ao longo do tempo e espaço. (POZZEBON e PINSONNEAULT, 2005).
Assim, seguindo algumas recomendações de Langley (1999) e Pozzebon e Pinsonneault (2005), a investigação da agência por meio do discurso narrativos dos profissionais, direta ou indiretamente envolvidos, requer situar temporalmente as ações. Decompor os dados em sucessivos períodos permite posteriormente o exame de como as ações em um período levam a mudanças no contexto que irão afetar a ação em períodos subseqüentes, essa decomposição temporal ajuda a identificar quando e como as mudanças são despertadas. Para tal, é necessário incorporar outras dimensões que permitam identificar a interação entre estrutura e agência.
A noção de tempo-espaço nas organizações muda com a evolução do pensamento e do que ele produz, sejam tecnologias, sejam relações. Quando novos espaços socioeconômicos são criados e novos métodos de gestão são desenvolvidos, demarca-se, claramente, as ordens de sucessão dos eventos organizacionais, em seqüências não recorrentes. A análise do tempo-espaço nas organizações fundamenta-se na importância da base social, em que o sujeito individual e coletivo encena os atos de sua vida e os experimenta. (VERGARA E VIEIRA, 2005, p. 116).
Portanto, para a análise dos dados primários e secundários produzidos, proponho uma combinação de bracketing temporal e analítico (LANGLEY, 1999; HOLSTEIN e GUBRIUM, 2005) como forma de lidar com a dualidade da estrutura e a interação entre os níveis micro, meso e macro. Primeiro, o bracketing temporal do discurso narrativo pode facilitar a observação detalhada dos eventos ao longo do tempo por causa de seu foco nos detalhes contextuais, na variedade e riqueza dos incidentes descritos e nas conexões entre os incidentes (POZZEBON, 2005). Segundo, o bracketing analítico do discurso narrativo permite analisar os principais elementos que materializam simultaneamente estrutura e ação na prática das estratégias de RSE. Ou seja, o bracketing temporal ajudar a identificar quando e
como as mudanças são despertadas, enquanto o bracketing analítico ajuda a explicar por que.
A decomposição analítica dos dados produzidos permite a observação das categorias de análise anteriormente apresentadas. Essa etapa permite reconhecer os principais elementos que materializam simultaneamente estrutura e ação na prática e atividades sociais que formam as estratégias de RSE. Para tal, torna-se fundamental rever as principais categorias de análise da não-ação.
O quadro de análise da co-determinação da não-ação, apresentado ao final da primeira parte da tese, explicita os principais elementos e influências à ação oriundos dos três níveis de análise considerados. Nesse quadro são apresentadas também as principais categorias de análise que serão consideradas no estudo da não-ação, a partir das contribuições de Giddens (2003), Emirbayer e Mische (1998), Jarzabkowski (2008), Stones (2001 e 2005), Whittington (2006). Dentre as categorias a serem analisadas nos dados produzidos encontram-se: área de atenção seletiva; atores envolvidos; as alternativas de ação; intencionalidade da ação.
Na análise dos dados produzidos é possível identificar a área de atenção seletiva ou temas significativos ao longo do processo. Essas áreas ou temas estão relacionados às experiências passadas e indicam situações rotineiras ou emergentes às quais as ações se vinculam (EMIRBAYER e MISCHE, 1998). Nessa análise é necessário identificar, adicionalmente, os atores sociais envolvidos e reconhecer as ações realizadas por meio da busca por padrões típicos envolvendo os atores. Essas ações podem ser caracterizadas por atividades realizadas, recursos alocados, interesses expressos em documentos, papéis atribuídos aos atores e relações de parceria estabelecidas.
As ações experimentadas não são mecanicamente ou situacionalmente determinadas, elas estão associadas às alternativas de ação estruturalmente disponíveis para os agentes em cada momento no tempo (GIDDENS, 2003). As ações são selecionas pelos atores dentre repertórios (individual ou coletivamente estabelecidos) que estão disponíveis, de forma consciente ou semi-consciente, para uso de forma habitual ou negociada (STONES, 2001).
Ao lidar com as alternativas e lançar mão de práticas rotineiras, os atores seguem expectativas, motivações ou intencionalidade já re-conhecidas dando estabilidade e continuidade à agência. Nas situações em que a capacidade de agência se materializa, as alternativas de ação não são tão claras ou seu ‘resultado’ não é conhecido (EMIRBAYER e MISCHE, 1998). Nesse caso, não há previsibilidade em relação às conseqüências da ação, sendo necessário identificar sua intencionalidade quando da adoção. Nesse sentido, a intencionalidade da ação é uma categoria importante.
Portanto, na análise e produção dos resultados, conceituo um evento de não-ação como um momento ao longo do processo de formação das estratégias de RSE no qual há a necessidade de realizar uma escolha dentre as alternativas de ação disponíveis. Esse evento pode ser caracterizado em função de uma área de atenção específica, das diferentes ações contextualmente situadas, das influências dos diferentes atores, das alternativas de ação disponíveis e da intencionalidade e vieses específicos.
A partir da consolidação da revisão da literatura apresentada na primeira parte da tese, foi possível compor um quadro de análise que detalha os principais elementos que fundamentam a proposta de pesquisa de tese. Apresento a seguir (ver quadro 11) as categorias de análise segundo suas definições constitutivas e operacionais (VIEIRA e ZOUAIN, 2003):
“A definição constitutiva refere-se ao conceito dado por algum autor da variável ou termo que vai utilizar (...). A definição operacional refere-se a como aquele termo ou variável será identificado, verificado ou medido na realidade” (VIEIRA e ZOUAIN, 2003, p.19).
Conforme veremos adiante, eu comparo os dados obtidos em cada categoria de análise nos diferentes períodos. A partir dessa comparação é possível identificar as ações e as influências relacionadas à prática das estratégias de RSE, indicando as opções estruturais disponíveis para os agentes e as contribuições da agência em cada prática temporalmente situada.
Quadro 11: Definições Constitutivas e Operacionais das Categorias de Análise
Categoria Definição Constitutiva Definição Operacional Área de
Atenção
É o tema significativo para os atores envolvidos em um dado processo de formação das estratégias de RSE
É identificada nos discursos narrativos por meio dos temas e das ações sociais relacionadas.
Atores Envolvidos São indivíduos ou organizações envolvidos, direta ou
indiretamente, nas estratégias de RSE.
São identificados nos discursos narrativos como implicados, direta ou indiretamente, no processo de formação das estratégias de RSE. São identificados também pela sua associação à área de atenção e possíveis interações no
processo.
Alternativas Disponíveis
São as opções de ação
estruturalmente disponíveis para os agentes em cada momento no tempo, de forma consciente ou semi-consciente, para uso de forma habitual ou negociada.
São observados por meio das alternativas de ação declaradas pelos atores em suas narrativas ou identificadas nos documentos internos.15
Intencionalidade na ação
Toda ação é contextualmente situada e possui uma
intencionalidade, mesmo que não seja conscientemente expressa, ou de sua conseqüência ser premeditada ou impremeditada
A intencionalidade é observada entre a ação e suas
conseqüências, em um processo histórica e contextualmente significante, por meio da análise da conduta estratégica.
Fonte: elaborado pela autora
Na análise dos dados, procurei investigar os eventos de não-ação e as categorias de análise formulada, ao longo do processo de formação das estratégias de RSE. A análise procurou, por meio do bracketing temporal e analítico, observar as condições estruturalmente dadas que não existiam em um momento 1 mas que existiam nos momentos 2 ou 3 (STONES, 2001), e que viabilizaram determinadas alternativas de ação – dentre elas a não-ação. Também a partir da análise dos dados foi possível investigar, por meio da co-determinação, as conexões históricas e sociais presentes nas categorias de análise apreendidas nas narrativas temporalmente situadas dos diferentes atores. Essa análise permite retirar o foco
15 É claro que, para o estudo das alternativas de ação com base no discurso narrativo, temos a limitação de acessar apenas a consciência discursiva do agente. A consciência discursiva do agente é definida como “o que os atores são capazes de dizer, ou expressar verbalmente, acerca das condições sociais, incluindo as condições de sua própria ação (GIDDENS, 2003, p. 440)
dos discursos narrativos individuais, situando as práticas e delineando suas relações sociohistóricas.
Enquanto a análise dos dados permitiu a observação das regularidades e especificidades ao longo do processo, procurei adicionalmente explicitar os mecanismos geradores de ações distintas (LANGLEY, 1999) e o vieses de interesse associados à não-ação (BACHRACH e BATRATZ, 1962 E 1963). Nesse sentido, foi necessário investigar o relacionamento entre as categorias de análise ao longo do tempo, observando diretamente ou indireta de diferentes elementos que compõem o processo (PENTLAND, 1999). Isso permitiu compreender como o estudo da não- ação nas estratégias de RSE permite revelar elementos que desafiam o modelo dominante pautado na teoria dos stakeholders.