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KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.4.3. Değişime Direnme

Por volta de 1998, Dauro Marcos do Prado deu início a uma discussão com os jovens caiçaras da vila da Barra do Ribeira a respeito da criação de uma associação para cuidar da cultura caiçara.

Reunindo-se nas casas para conversar e tocar fandango, as conversas trocadas no grupo foram criando e alimentando ideias e sonhos comuns que silenciosamente foi gestando uma educação popular caiçara oriunda das vontades e necessidades das famílias que revelavam suas vidas através das palavras, pois a palavra como diz Brandão, “é um ato de poder, o que equivale afirmar que ela não é apenas um entre os seus outros símbolos, mas o seu exercício” (BRANDÃO, 2012, p. 8).

O exercício da palavra se pôs em prática e com ela a problematização: onde fazer nosso galpão? A vontade do grupo fez com que Dauro encontrasse uma casa abandonada do Balneário Titanus, caminho da Jureia, local que mais tarde a prefeitura de Iguape cedeu para uso da comunidade. Então, Dauro levou os jovens caiçaras para conhecer o local e lá eles concordaram que o espaço era adequado para implantação da associação. Através dos mutirões de limpeza, os adultos, jovens e crianças trabalharam juntos para adequar o espaço que fora cedido pelo poder público. Assim foi lançada a pedra fundamental da Associação dos Jovens da Jureia-AJJ.

A partir dessa conquista, Dauro intensificou sua militância atuando no movimento caiçara da Jureia por onde começou participando de encontros regionais e nacionais onde fez várias denúncias das opressões do governo do estado de São Paulo sobre as comunidades tradicionais. Nesses encontros, conhece e se integra com outras experiências comunitárias do Vale do Ribeira, do litoral norte paulista e do sul do Paraná.

Foto 3: Sede da AJJ passando por reformas, em 2000. Autoria: AJJ

Através dos contatos, a liderança caiçara consegue parceiros que se propõem a ajudar na emergente associação caiçara da Barra do Ribeira. Entre as parcerias que fizera, o Proter (Programa da Terra) com sede na cidade de Registro/SP, foi uma das primeiras instituições a ajudar na elaboração de um projeto que foi encaminhando a uma entidade alemã para adquirir maquinários e adequar o espaço para implantação da marcenaria que foi batizado como “Galpão da AJJ”.

A parceria junto ao Proter, além de trazer conquista material a AJJ também proporcionou entusiasmo ao grupo que decidiu registrar a entidade em cartório e montar seu estatuto.

Assim, a 26 de abril de 1998, na extremidade da Vila da Barra, no caminho que leva à Jureia, os jovens da Jureia registram em cartório a “Associação dos Jovens da Jureia- AJJ”, que ficou conhecida por AJJ cujos objetivos estão assim definidos em seu estatuto:

I-Resgatar, disseminar e manter viva a tradição caiçara, entre elas; as danças, as músicas, o artesanato, a culinária, os mutirões e festas religiosas;

II-Defender os interesses civis e de cidadania das populações tradicionais;

III-Promover a educação, especialmente a ambiental, das novas gerações, priorizando a experiência direta com os saberes tradicionais caiçaras;

IV-Estimular o desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável dos seus associados e comunidades caiçaras da região, criando oportunidades de geração de renda para as populações atendidas com prioridade no atendimento das famílias priorizadas na LOAS – Lei Orgânica de Assistência Social;

V - promover o intercâmbio e ações culturais com outras organizações e entidades nacionais e internacionais para a defesa do patrimônio ambiental, cultural e dos povos;

VI– promover o cultivo, manejo, industrialização, processamento, comercialização e transporte dos produtos oriundos dos projetos de geração de renda dos seus associados.

O registro da AJJ com a presença de CNPJ possibilita a conquista de um importante espaço com objetivo de formação popular e representatividade social. No “galpão da AJJ”, como inicialmente era conhecido, os caiçaras se encontravam para compartilhar a vida e planejar as atividades em conjunto.

Foto 4: Dauro Marcos do Prado assinando projeto em parceria com o Proter. Autoria: AJJ

A ideia inicial do grupo foi consensuada de que a marcenaria começaria com a confecção de artesanato de caxeta. Dessa forma, as mulheres tomaram a frente no ofício produzindo peças decorativas com objetivos de reproduzir os elementos da cultura caiçara, tais como a flora e a fauna da Mata Atlântica, no sentido de agregar valor ao produto e servir como instrumento de divulgação e resistência cultural. As habilidades para tal ofício, elas aprenderam nos cursos promovidos pelas entidades parceiras que a AJJ conquistou no constante trabalho de formação.

Com o passar do tempo, chegaram às dificuldades. A primeira foi com relação à aquisição de matéria- prima, a caxeta, que teve a extração restrita ambientalmente dificultando as propriedades de a região obter autorização para extrair o vegetal legalmente.

Após várias etapas de negociação junto aos órgãos ambientais da região, tais como, DPRN e o IBAMA, conseguiu-se um pouco da matéria-prima com a justificativa de que o uso se fazia prioritariamente para o trabalho da preservação da cultura caiçara.

Com a conquista da caxeta, o desenvolvimento do trabalho artesanal expandiu- se na vila e começou a gerar renda à comunidade local, fato que atraiu as pessoas para a AJJ e os produtos começaram a ser expostos em feiras culturais da região chegando a mídia televisiva.

A TV cultura registrou a iniciativa no programa “Mar sem fim” e a TV globo, em 2000, gravou no documentário “um pé de quê”, da Regina Casé?59.

3.5. Centro de Cultura Caiçara da Barra do Ribeira e as oficinas de