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Belgede Hitit konutları (sayfa 107-200)

Segundo Bhatia (1997), uma das características mais notáveis de qualquer CD acadêmica ou profissional é a disponibilidade e o uso típico de uma série de gêneros apropriados, que os membros pensam servir aos objetivos daquela comunidade. O uso recorrente de tais formas discursivas cria solidariedade entre os membros, conferindo-lhes sua arma mais poderosa para manter os estranhos a uma distância segura. Bhatia (1997) cita Hudson (1979), que apresenta um argumento que demonstra nitidamente a relevância dos membros de uma CD específica deter gêneros específicos e utilizar uma terminologia especializada com objetivos e propósitos comuns. Para o autor, “Se alguém quisesse matar uma profissão, destruir sua união e sua força, a maneira mais eficaz seria proibir o uso de sua linguagem característica” (HUDSON, 1979, p.1).

Bhatia (1997) destaca que a comunidade discursiva jurídica tem sido bem sucedida em manter a integridade genérica de algumas de suas formas discursivas mais prestigiadas e, com isso, impede a tentativa por parte de estranhos de minar as convenções genéricas específicas desta CD. Ainda, é visível que os membros da comunidade discursiva jurídica prezam suas práticas discursivas e as usam para manter a solidariedade dentro da comunidade. Nesta seção, tratarei do conceito de comunidade discursiva jurídica a partir dos conceitos teóricos apresentados anteriormente. Considero relevante este tópico, pelo fato do objeto de estudo deste trabalho estar atrelado à comunidade discursiva jurídica, uma vez que parte substancial do trabalho está relacionada com os operadores de Direito· que, por sua vez, constituem uma comunidade discursiva jurídica de acordo com Pimenta (2007) e Catunda (2009).

De acordo com Pimenta (2007), os operadores do Direito formam uma “Comunidade Discursiva”. A autora opta pelo termo “comunidade discursiva forense” e explica que o termo

comunidade discursiva jurídica abarca todos os textos jurídicos, de todas as áreas do Direito. No estudo realizado, cuja finalidade é fazer um levantamento e caracterização dos gêneros textuais próprios da comunidade discursiva forense criminal, a autora também constata que a comunidade discursiva forense possui todas as seis características elencadas por Swales (1992) e apresenta os gêneros textuais próprios.

Para atingir os objetivos propostos no trabalho, Pimenta (2007) investiga as várias categorias de textos forenses da área criminal: tipos, gêneros e espécies que circulam em nossa sociedade. Deste modo, a autora parte do pressuposto de que os gêneros se caracterizam por exercer uma função sócio-comunicativa que podem revelar atividades profissionais específicas e admite que os gêneros textuais produzidos por profissionais que atuam na esfera forense, apoiada em Swales (1990; 1992), possuem funções rígidas, organização textual própria e estrutura composicional que os diferem facilmente dos textos redigidos por profissionais de outras áreas, pois o estilo é altamente formal, com um variado leque de léxico próprio que dificilmente é compreendido a não ser por seus pares.

Catunda (2009) descreve a comunidade discursiva jurídica a partir dos conceitos e critérios de CD de Swales (1990; 1992). A autora apresenta um relato histórico das origens do Direito no Brasil denominando de “comunidade discursiva jurídica lato sensu” o todo da sociedade da qual todo e qualquer cidadão participa; já a “comunidade discursiva jurídica

stricto sensu” é constituída apenas pelos operadores do direito. A pesquisa realizada por

Catunda (2009) tem foco no gênero jurídico acórdão, uma vez que esse gênero é uma peça decisiva dentro de um processo jurídico, prática discursiva central no Direito. A autora descreve a aplicação de cada critério de CD, apoiada nos critérios de Swales (1990; 1992) com adequações à realidade dos operadores de direito com o objetivo de caracterizá-los como uma CD. A autora destaca que o curso de graduação em Direito é o primeiro mecanismo de participação da comunidade discursiva jurídica e trata, primeiramente, do termo “Direito”,

afirmando que um dos principais objetivos da comunidade discursiva jurídica advém do sentido atribuído ao termo, que é ser conforme a norma jurídica que implica ser conforme as leis (CATUNDA, p. 179).

Deste modo, para Catunda (2009), o primeiro critério diz respeito ao conjunto de objetivos que a comunidade discursiva jurídica mantém em comum, isto é, os objetivos públicos e os propósitos. Para tal, a comunidade discursiva jurídica tem como objetivo manter a harmonia dos interesses gerais e implantar a ordem jurídica, sendo que a aplicação dos deveres jurídicos é de cunho público.

Em relação ao segundo critério, a autora identifica os mecanismos de intercomunicação da comunidade discursiva jurídica, tais como, audiências, inúmeras páginas na internet que informam e atualizam os membros por meio de vários serviços, jornais e revistas especializadas, e o Diário Oficial8, esse último, responsável pelas publicações de todas as decisões jurídicas.

O terceiro critério diz respeito aos mecanismos de participação utilizados pela comunidade discursiva jurídica, sendo eles, conforme destacado pela autora: o curso de graduação em Direito, o exame da Ordem dos Advogados do Brasil e os concursos públicos para juízes e promotores.

O quarto critério tange à crescente seleção de gêneros utilizados pela comunidade discursiva jurídica para o alcance de objetivos e prática de seus mecanismos participativos. Esse critério aplicado à comunidade discursiva jurídica é um dos que mais se adequa a essa comunidade. E, para exemplificar, citam-se as peças de um processo, tanto penal como civil, como sendo gêneros próprios dessa comunidade. Sendo assim, os atos processuais representam os gêneros textuais vinculados aos autores, então, há uma relação estreita entre gênero e autoria.

No quinto critério, com base em Swales (1990), faz-se uma análise da terminologia específica da comunidade discursiva jurídica e, para elucidar a especificidade lexical utilizada por essa comunidade, apresenta um levantamento da OAB-CE que indica que há cerca de 13.000 (treze mil) termos jurídicos em português e, também, 2.500 (dois mil e quinhentos) termos em latim utilizados na comunidade discursiva jurídica.

No sexto critério, trata-se da estrutura hierárquica da CD em estudo que apresenta alto grau de institucionalização devido à normatização preestabelecida pelos Códigos. Como exemplo, podemos mencionar as normas de organização judiciária, que criam uma hierarquia jurisdicional válida para a estrutura dos vários órgãos que compõem o Poder Judiciário. Dentro desta estrutura, os membros das instâncias superiores são considerados mais experientes na comunidade discursiva jurídica, pois se presume que estes detenham maior conhecimento e experiência no que diz respeito às atividades da comunidade discursiva jurídica.

Swales (1992, p. 52) estabelece que um gênero abarca uma classe de eventos comunicativos, cujos membros compartilham algum conjunto de objetivos comunicativos. Esses objetivos são reconhecidos pelos membros peritos da CD de origem e, por isso, constituem a razão para o gênero. Essa razão formata a estrutura esquemática do discurso e influencia e delimita a escolha de conteúdo e estilo. O autor aponta que, apesar do profissional ter autonomia para fazer uso dos recursos linguísticos de maneira eficaz e eficiente no âmbito profissional, ele deve observar determinados padrões que organizam e delimitam os gêneros textuais produzidos para não incorrer no erro de elaborar um texto fora dos padrões de determinado gênero, resultando em algo que não atenda às intenções de interação e comunicação social.

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