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Risk Değerlendirme Prosedürleri

Apesar da convivência com esses profissionais dentro de uma estrutura organizacional rígida e permeada de regras, foi possível não só encontrar as respostas para os objetivos traçados nessa pesquisa que serão posteriormente discutidos, mas também compreender os motivos que os elegem enquanto profissão mais confiável para a sociedade.

Durante a construção dessa pesquisa por vários momentos me peguei completamente emocionada e agradecida em poder me apropriar do conhecimento dos diferentes autores citados nesse trabalho e que fizeram toda a diferença nos resultados, e que de, outra forma, tal oportunidade não seria possível.

O trabalho realizado pelo Corpo de Bombeiros foi o foco principal desse estudo, onde obviamente, para responder aos objetivos aqui propostos, fez-se necessário criar unidades temáticas e categorias para que os significados encontrados nos discursos pudessem emergir.

Com a realização dessa pesquisa foi possível perceber nas entrevistas realizadas como se deu a escolha profissional, ficando explícito o sentimento de realização citado por eles ao fato de poderem ajudar as pessoas. A frase “salvar vidas” apareceu várias vezes nas falas de todos os bombeiros. confirmando a pesquisa realizada por Natividade e Brasil (2006) em relação aos motivos que levam os bombeiros a escolher essa profissão. Ao falar da profissão, os sujeitos expressaram muita emoção, percebida devido ao intenso lacrimejamento. Um deles chorou copiosamente ao falar do desfecho de um atendimento feito por ele e sua equipe.

Embora os sujeitos pertencentes a esse estudo tivessem evitado se apropriar do adjetivo herói durante a entrevista, esse personagem está intimamente associado ao herói citado em várias pesquisas envolvendo a profissão do bombeiro. Evidente que se trata da percepção do universo social imaginário, não estando relacionada com a percepção que esses indivíduos têm sobre eles mesmos. Para compreender esse processo, o bombeiro precisaria se ver vivendo, se ver trabalhando, como sugere Luigi Pirandello (2010).

O sentido dado pelos sujeitos desta pesquisa à profissão escolhida vai muito além do que eles entendem por atividade ocupacional; tornou-se parte da constituição individual de cada um, eles se reconhecem no trabalho, assim como, orgulham-se da profissão, sentem-se importantes, úteis para a humanidade, consideram-se ricos do ponto de vista de valorização, reconhecimento e satisfação com esse trabalho. Existe uma parceria entre eles e a profissão, eu diria, até, uma grande cumplicidade, envolvimento e de paixão. O produto do trabalho desses indivíduos é o sofrimento, como já citado anteriormente, entretanto, a ação realizada por eles em resposta a esse sofrimento produz felicidade para ambas as partes, como colocado por Velloso ao dizer que “o ser humano busca fins para sua vida. Nesse reconhecimento dos valores se dirige aos fins que percebe que farão sua vida digna de ser vivida, válida, prenhe de sentido” (VELLOSO, 2011, p. 56).

Para os bombeiros, a vida é o bem maior, nada pode substituí-la. Essa percepção é vista por todos no cotidiano de trabalho nas diferentes situações de perda, de sofrimento e de morte. A relação estabelecida entre eles e a vítima promove uma dupla transformação em ambos. Para a vítima, a segurança, a proteção e a sobrevivência; para eles, a sensação do dever cumprido. De acordo com Codo (2002), na medida em que o indivíduo cuida do outro, ele transfere parte de si e se transforma, por ver no outro o seu trabalho realizado.

Ao ser aceito na sociedade através do personagem bombeiro, o indivíduo desenvolve o autorrespeito, garantindo a aceitação da sua identidade baseada no reconhecimento proposto por Honneth (2003).

Para a questão acerca das condições do autorrespeito, resulta daí que um indivíduo só é capaz de respeitar-se a si mesmo de um modo integral quando, no quadro da distribuição objetivamente dada de funções, pode identificar a contribuição positiva que ele traz para a reprodução da coletividade (HONNETH, 2003, p. 150).

Para que o personagem bombeiro possa ser representado, muitos desafios são superados; salvar, na maioria das vezes, implica superar obstáculos,

correr risco, empenhar todos os esforços nas diferentes missões, até mesmo quando participam de alguma ação social, como por exemplo; na campanha “sangue bom”.

Ressaltamos nesse estudo a importância da socialização do grupo na performance desses profissionais; a constituição da identidade do personagem bombeiro de forma isolada seria impossível. Para Codo (2002, p. 301), “construir a identidade baseada no espelhamento, de si no outro, de si na coletividade imediata, um ser se constrói na relação vis-à-vis com o seu outro”.

Ao pensar nos recursos de proteção em relação à contínua exposição ao sofrimento humano, esses profissionais buscam como saída o próprio trabalho. Existe uma fidelidade estabelecida com a profissão; há entrega, doação, e dedicação. Outro aspecto considerado por eles na administração desse sofrimento é a relação de amizade com a equipe; eles procuram curar as próprias feridas6.

O enfrentamento do sofrimento oriundo das ocorrências é feito ali, na quadra jogando bola, na cozinha fazendo comida, e também, dando banho de mangueira em todo mundo. É com essa descontração que eles tentam esquecer aquilo que só a eles foi possível ver e sentir, mas, por uma questão de sobrevivência dentro desse universo, eles preferem não discutir.

A morte é um evento frequente no cotidiano desses profissionais levando-os a desenvolver defesas; uma delas, é o próprio fato de se entregarem e se arriscarem. Precisam, através da luta travada, justificar a própria derrota. Esse comportamento é explicado por Velloso (2011), ao falar da morte e de como os indivíduos a enfrentam.

O reconhecimento da identidade desses profissionais é feito através do trabalho que desempenham com a sociedade; dessa forma, toda vez que alguém necessita de ajuda, eles assumem o personagem e atuam. Nessa perspectiva,

6 A exposição contínua ao sofrimento em relação às atividades realizadas por bombeiros na

Capital de Denver no Estado do Colorado na década de 70, motivou esse grupo a formar uma sociedade denominada: Bombeiros Cristãos, com o objetivo de ajudar e encorajar os companheiros na jornada diária do trabalho.

entendemos o sofrimento como produto do trabalho do bombeiro, mesmo que em graus diferentes de intensidade.

Concluímos com essa pesquisa quão importante e necessária é a socialização na formação do personagem bombeiro, principalmente na construção da identidade desses profissionais; para que possam continuar salvando vidas.

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Benzer Belgeler