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3. GEREÇ VE YÖNTEMLER

3.1. Değerlendirme

A liberdade dos modernos, como explicou Benjamin Constant é uma liberdade negativa. A liberdade moderna é essencialmente individual72 e já possui os contornos de como a conhecemos hoje.

70 “A própria complexidade da fórmula liberum arbitrium os convida a se indagar onde está o elemento que faz que a escolha – arbitrium – seja ao mesmo tempo uma escolha livre – liberum –, e todos concordam em situá-la, por uma primeira determinação, na aptidão do querer a se determinar a si próprio de dentro.” GILSON, Étienne. O espírito da Filosofia medieval. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. 371.

71 “... por volta do início do século XIII o indivíduo já tinha assumido um lugar muito mais destacado que aquele a que fora relegado na Idade Média antiga. Foi a partir desse pano de fundo que evoluíram o escolasticismo e as doutrinas individualistas do Renascimento.” WERLANG, Sérgio Ribeiro da Costa. A descoberta da liberdade. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2004. p. 104.

Pode-se entender a liberdade moderna como autonomia individual, como liberdade de menor restrição – a liberdade do não impedimento. Nas palavras de Celso Lafer, a liberdade moderna, “neste sentido não é o obrigatório, nem mesmo o do

autonomamente consentido, mas sim o que se encontra na esfera do não-impedimento”73.

A questão central da liberdade moderna era a solução do seguinte problema: como

dar a todos a mesma liberdade?74 Como será possível a autonomia, se minha vontade não

corresponder à vontade do outro? Qual é a solução para conciliar igual liberdade a todos? Daí a intrínseca relação entre o direito e a liberdade, vez que é o direito que fará as restrições mínimas para que todos possam ter e exercer a sua igual parte de liberdade. A liberdade é, então, o que a lei não proíbe; ou seja, coincide com a idéia de licitude.

Interessante observar, a exemplo do que se afirmou acima, como a liberdade foi protegida na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. Em seu art. 4º, há o seguinte:

liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.75

Ainda, em seu art. 5º, tem-se: “A lei só tem direito de proibir as ações prejudiciais à sociedade. Tudo quanto não é proibido pela lei não pode ser impedido e ninguém pode ser

obrigado a fazer o que ela não ordena”76. Ou seja, a esfera íntima do cidadão deve ser

protegida da ingerência da lei e do Estado, que só poderá proibir ou obrigar caso a ação de livre possa causar dano a outrem.

72 “A liberdade individual, repito-o, é a verdadeira liberdade moderna.” CONSTANT, Benjamin. Da liberdade dos antigos comparada à liberdade dos modernos (1819). Revista da Faculdade de Direito de Lisboa, v. XL, n. 1 e 2, 1999. p. 533.

73 LAFER, Celso. Ensaios sobre a Liberdade. São Paulo: Editora Perspectiva, 1980. p. 18.

74 “Para o homem moderno o Estado é, acima de tudo, um ordenamento jurídico protetor, um sistema de comandos que envolve todas as expressões intersubjetivas da vida, determinando a prática de atos e ditando abstenções, para garantir igualmente aos indivíduos e aos grupos o desenvolvimento de suas possibilidades.” REALE, Miguel. Liberdade antiga e liberdade moderna. In: ______. Horizontes do direito e da história. 3. ed. revista e aumentada. São Paulo: Saraiva, 2000. p. 24.

75 DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO. Disponível em <http://www.direitoshumanos.usp.br.> Acesso em 9 nov. 2009.

Interessante pensar que a liberdade da Modernidade era atomizada, coerente com a tradição cartesiana de análise do objeto para seu entendimento.

O cidadão moderno é livre para contratar, de maneira que limita suas ações de

acordo com a própria autonomia de sua vontade77. E dessa forma, ele cria direitos e

obrigações conforme o seus interesses. Como ensina Ferraz Jr.:

O homem livre no sentido positivo de autonomia, engaja-se na medida dos seus interesses e nessa medida responde pelo seu engajamento. E, nesse sentido, seu engajamento livre é também um limite para o engajamento livre dos outros. A mesma liberdade que engaja limita a liberdade. Por isso, na base do contrato moderno, a lei que garante a autonomia garante também a liberdade como não-impedimento, ao equalizar, para todos, a mesma liberdade.78 (grifos nossos)

O tema da liberdade é recorrente nos textos clássicos da modernidade, que serão utilizados para a demonstração da preocupação moderna com o indivíduo e a compatibilização de sua liberdade com a liberdade alheia.

Para tanto, será preciso recorrer aos clássicos, que traduziram o pensamento de seu tempo e revelaram o significado da liberdade para os modernos.

A importância da lição dos clássicos é dada por Norberto Bobbio, cujo ensinamento é tão bem colocado por Celso Lafer, que explica que “a qualificação de um texto como clássico significa o reconhecimento público de atributos de persistência: nele os leitores encontram não só uma fonte de ensinamento sobre o passado mas também

pontos de referência para o presente”79. E chama a atenção para os atributos da

persistência, dentre os quais se destaca “o de se poder considerar um autor como um intérprete autêntico de seu tempo e sua obra como um acesso privilegiado para a

compreensão da época histórica em que viveu”80.

77 “Esta liberdade, que se manifestará, juridicamente, pela autonomia da vontade, confere a qualquer um a possibilidade de se vincular de acordo com seus próprios interesses, portanto de obedecer à norma que resulta do seu livre engajamento.” FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Estudos de Filosofia do Direito: reflexões sobre o poder, o liberdade, a justiça e o direito. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2003. p. 104.

78 idem, ibidem.

79 “Apresentação”, de Celso Lafer ao livro: STUART MILL, John. Sobre a liberdade. 2. ed. Tradução de Alberto da Rocha Barros. Petrópolis: Vozes, 1991. p. 10.

Entre os representantes da Modernidade, no que concerne às reflexões sobre a liberdade, pode-se destacar os seguintes autores: Locke, Montesquieu, Kant, Benjamin

Constant e John Stuart Mill81.

Benzer Belgeler