GEOGRAPHY IN TURKEY
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O Brasil detém uma das maiores biodiversidades do mundo. Em relação aos biomas brasileiros, o bioma Amazônia ocupa 50% do país (CLEMENT; ALEXIADES, 2000). A região chega a abrigar 50% das aves, 40% dos mamíferos e 30% dos anfíbios do país. Estima- se que haja 5 a 30 milhões de espécies de plantas, sendo que mais de trinta mil espécies foram identificadas, muitas com características medicinais e com potencial para aplicação industrial (FERREIRA, 1999; VIEIRA, 2010).
A análise da evolução de documentos de patentes de origem brasileira no intervalo de 2000 a 2009 (Figura 4.6) apresenta pouco crescimento durante os anos, porém, nota-se um significativo pico em 2004 (18) e 2008 (29). Em 2004 encontram-se 11 titulares individuais, 5 empresas e 5 instituições de pesquisa e universidades. No ano de 2008, por outro lado, apresenta-se 17 titulares individuais, 8 empresas e 6 instituições de pesquisa e universidades. Assim, este cenário pode ser consequência da Lei de Inovação estabelecida em 2004, entretanto, só será possível avaliar seu impacto no número de documentos de patentes em períodos futuros ou pode ser mais perceptível em outras áreas, o que não acontece com as espécies estudadas. Contudo, é animador visualizar o aumento da participação do meio empresarial.
Figura 4.6 - Evolução dos documentos de patentes brasileiros no período de 2000 a 2009
Fonte: Próprio autor, com base na análise dos dados bibliográficos, coletadas junto à base de dados Derwent Innovations Index.
A Figura 4.7 apresenta a distribuição de patentes brasileiras entre pessoas físicas e organizações. Ao contrário do que se observou na análise geral dos documentos de patentes na seção anterior (Figura 4.4), que diz respeito à relação de titulares individuais e organizações, entre as patentes de origem brasileira há maior número de patentes de indivíduos (52%) enquanto que no geral há maior número de patentes de organizações (59%).
Conforme Penrose (1973 apud FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2005) a maior contribuição de pessoas físicas no patenteamento de um país é considerado um indício de subdesenvolvimento, uma vez que a participação de empresas ou pessoas jurídicas é um indicativo de que há aumento do teor tecnológico das patentes. As patentes de invenção possuem maior conteúdo tecnológico que as patentes de modelo de utilidade, portanto, os depositantes individuais tendem a depositar mais pedidos de modelo de utilidade do que patentes de invenção.
3 9 8 7 18 6 13 12 29 6 0 5 10 15 20 25 30 35 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 D oc um en to s de p ate nte s Ano
Figura 4.7 – Titulares divididos em pessoa física e organização entre 2000 a 2009 no Brasil
Fonte: Próprio autor, com base na análise dos dados bibliográficos, coletadas junto à base de dados Derwent Innovations Index.
Por outro lado, observa-se na Figura 4.8 maior participação de titulares individuais (55,10%) no período de 2000 a 2004, enquanto que as organizações representavam apenas 44,90%. No período seguinte 2005 a 2009 ocorreu um aumento da participação das organizações, apesar de ainda representarem menos de 50% dos titulares. Fator que pode estar relacionado à Lei de Inovação de 2004 e a maior preocupação das organizações em proteger o conhecimento técnico gerado. O INPA, por exemplo, não apresenta registro de documentos de patentes no período de 2000 a 2004, todavia, no período de 2005 a 2009 mostra aumento significativo de sete documentos, que pode estar ligado ao amadurecimento de seu núcleo de inovação tecnológica. O Instituto criou em 2002 o Núcleo de Negócios, que mais tarde com a Lei de Inovação passou a ser chamado de Divisão de Propriedade Intelectual e Negócios – DPIN, e atualmente é denominado como Coordenação de Extensão Tecnológica e Inovação – CETI. Portanto, no que tange ao INPA, a Lei de Inovação gerou um forte impacto nas atividades de proteção dentro da organização.
Individual 52% Organização
Figura 4.8 – Participação de titulares de documentos de patentes por período no Brasil
Fonte: Próprio autor, com base na análise dos dados bibliográficos, coletadas junto à base de dados Derwent Innovations Index.
A Figura 4.9 ilustra os principais titulares oriundos de organizações. Observa-se que entre os principais depositantes de patentes no Brasil há um equilíbrio entre organizações públicas e privadas. No país, a inovação está fortemente vinculada ao meio acadêmico e as instituições de pesquisa, pois, não é da cultura das empresas investirem em P&D, devido à exigência de altos investimentos, principalmente no setor farmacêutico (FERREIRA, 1998; SUPERINTEND NCIA DO DESENVO VIMENTO DA AMAZ NIA, 2000). Além do INPA, já ressaltado na Figura 4.3, há entre os titulares, outras instituições de pesquisa e universidades como: a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (5), a Universidade de São Paulo-USP (3) e a Embrapa (2). É importante notar que os documentos de patentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ são relacionados ao açaí. Dentre estes, destaca-se a descoberta de que o extrato feito a partir do caroço do açaí é eficaz no combate à hipertensão, colesterol alto e à resistência insulínica, além de contribuir para o tratamento do enfisema pulmonar (NERI, 2010).
55.10 50.70 44.90 49.30 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 2000-2004 2005-2009 Período Organização Individual
Figura 4.9 – Organizações titulares no período de 2000 a 2009 no Brasil
Fonte: Próprio autor, com base na análise dos dados bibliográficos, coletados junto à base de dados Derwent Innovations Index.
Entre os principais titulares de organizações privadas, evidenciam-se dois laboratórios farmacêuticos, sendo estes: o Laboratório Catarinense (4), atualmente, a maior indústria farmacêutica de Santa Catarina; e a Aché Laboratórios Farmacêuticos (1), que tem buscado investir em P&D de fitomedicamentos. Ela é responsável pelo lançamento do primeiro fitomedicamento 100% nacional em 2005, o Acheflan® (Cordia verbenacea), desenvolvido em parceria com universidades e pesquisadores, durante sete anos, e com o investimento de mais de R$ 15 milhões em pesquisa (ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS, 2001).
A PHB Industrial (6) descrita anteriormente e a Kehl Ind. & Comercio Ltda (2) são empresas parceiras. Esta última, atua na área de polímeros, o qual desenvolve produtos com baixo impacto ambiental, matérias-primas naturais e renováveis.
Quanto à empresa STD Comércio e Exportação ou STD/Seiva Brazilis, opera principalmente no fornecimento de insumos de origem natural para a indústria de cosméticos e farmácia, tanto no Brasil quanto no exterior (SEIVA BRAZILIS, 2011). Não há muitas informações disponíveis sobre a mesma, contudo, o documento de patente da empresa refere-
1 2 2 2 3 4 5 5 6 7 0 1 2 3 4 5 6 7 8
Aché Lab Farm SA Embrapa KEHL Ind. Comercio Ltda STD Comercio & Exportação Univ. de São Paulo - USP Lab Catarinense SA Natura Cosméticos SA Univ. do Estado do Rio de Janeiro PHB Ind. SA INPA Documentos de patentes T it ul ar
se ao subdomínio relacionado a Produtos Agrícolas e Alimentares, especificamente, a composição química de bebidas energéticas.
Segundo Leonardos (2005), de onze mil grupos de pesquisa no Brasil em 2000, apenas 26% eram do meio empresarial. A Lei de Inovação de 2004 estabeleceu medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica tanto nas instituições de C&T, quanto nas empresas e inventores independentes. Além de permitir a criação dos núcleos de inovação tecnológica ou agências de inovação a fim de gerir as políticas de inovação de suas respectivas instituições e ser responsável pela transferência tecnológica, fazendo a ponte entre os ICTs e as empresas. No entanto, ainda há grandes barreiras em repassar o conhecimento produzido nas universidades e centros de pesquisa para as empresa (FERREIRA, 1998; SUPERINTEND NCIA DO DESENVO VIMENTO DA AMAZ NIA, 2000). Empresas como a Natura Cosméticos e a Aché Laboratórios Farmacêuticos são exemplos no meio empresarial de cooperação com os ICT. A primeira lançou em 2006 o Programa Natura Campus, o qual consiste em um espaço de construção de Redes de Inovação da Natura com a comunidade científica, e a segunda também possui parcerias com universidade, na qual, tem- se o desenvolvimento do Acheflan como um dos resultados.
Além disso, as empresas e instituições brasileiras possuem documentos de patentes classificados em subdomínios como de Farmácia e Cosméticos (45), seguido de Produtos agrícolas e Alimentares (37) e Química de Base (21) (Figura 4.10). Destes, a maior parte dos documentos de patentes do INPA é relacionada a Farmacêuticos e Cosméticos. A Universidade Estadual do Rio de Janeiro, por sua vez, está dividida entre Farmacêuticos e Cosméticos e Consumo das Famílias. Já a USP, diferente dos demais, focaliza em Produtos Agrícolas e Alimentares e Semicondutores e a Embrapa em Farmacêuticos e Cosméticos e Produtos Agrícolas e Alimentares. O Brasil segue a tendência mundial que também apresenta maiores resultados no desenvolvimento em Farmácia e Cosméticos e Alimentos.
Figura 4.10 – Principais subdomínios tecnológicos dos documentos de patentes do Brasil, no período de 2000 a 2009.
Fonte: Próprio autor, com base na análise dos dados bibliográficos, coletados junto à base de dados Derwent Innovations Index.
Apesar do esforço em descobrir novas espécies de animais e vegetais na região, o conhecimento disponível ainda é bastante limitado. Além disso, a falta de infraestrutura, profissionais qualificados, recursos financeiros pode influenciar na produção do conhecimento tecnológico e no patenteamento do país (CASTRO, 2010; ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS, 2008).