Os serviços agrupados nessa categoria têm o intuito de fornecer acessibilidade ao am- biente. Esses serviços facilitam a interação do usuário com o ambiente. Eles também buscam oferecer novos meios de realizar as interações possíveis no ambiente. Com isso é garantido um acesso que visa minimizar ao máximo as restrições de uso. Contudo, esses serviços ainda não são capazes de atender certos perfis de usuários. Por exemplo, as fer- ramentas que serão apresentadas não permitem a integração de usuários com deficiência auditiva, ou motora. Esses aspectos serão tratados em trabalhos futuros.
5.2.1
Acessibilidade por conversação
O 2o grau de adequação prevê o uso de ferramentas de síntese e reconhecimento de fala. Uma ferramenta de síntese de fala produz fala através de entradas textuais. Essas en- tradas textuais podem estar previamente armazenadas em um arquivo. Também é possível estabelecer uma síntese dinâmica, onde o arquivo de texto a ser sintetizado é recebido em tempo real.
No reconhecimento, um padrão ou comando é reconhecido. Alguma ação associada a esse reconhecimento pode ser disparada. Portanto, numa ferramenta de reconhecimento de fala os comandos de fala são as entradas. Para que um comando seja reconhecido ele deve ser associado ao vocabulário do reconhecedor. No vocabulário cada comando reco- nhecível é associado a uma ação. Essa ação é disparada em resposta ao reconhecimento do comando.
Quando descrevemos os ambientes do tipo 1D descrevemos os mesmos como sendo formados por simples descrição textual. Os dados usados na representação textual de um ambiente 1D também podem ser usados para alimentar as ferramentas de síntese e reco- nhecimento de fala. Os textos usados para representação do ambiente (incluindo usuários,
5.2. SERVIÇOS DE ACESSIBILIDADE 61 objetos e o ambiente em si) são usados como entrada para o sintetizador. Os comandos usados para representar as ações possíveis dentro do ambiente são usados para definir os mesmos comandos que formam o vocabulário do reconhecedor. O funcionamento desse serviço é descrito na arquitetura da Figura 5.3.
Figura 5.3: Arquitetura de funcionamento do serviço de acessibilidade por conversação Na arquitetura da Figura 5.3 temos um banco com descrições do 1D servindo como entrada para o sintetizador. Arquivos com conversa de texto também são usados como entrada dessa ferramenta. Os ambientes aqui descritos prevêem o uso de conversação por áudio. Esse tipo de conversação não necessita de síntese, podendo ser transmitida da forma que é exibida. Já a conversação por texto deve ser sintetizada para o uso do sistema por uma pessoa com debilidade visual. Assim, a saída do sintetizador vai para um player de áudio. Esse player recebe diretamente as conversas de áudio.
O reconhecedor, segunda a Figura 5.3, possui como entradas os comandos do 1D e comandos recebidos por microfone. O reconhecedor compara os dois comandos e se forem iguais dispara uma ação como saída. Essa ação de saída tem um resultado que deve ser exibido na interface de visualização do 1D. Ao ser exibido, o módulo de controle do 1D envia a mensagem referente a ação. Essa mensagem será recebida pelos demais clientes. O resultado da ação deve também ser sintetizado para interação por uma pessoa com debilidade visual.
As ferramentas associadas a este serviço são ligadas ao uso da fala como meio de interação. Além disso, seu intuito é fornecer maior acessibilidade aos ambientes. Por isso demos ao serviço o nome de Acessibilidade por conversação. Como sua descrição mostra, esse serviço funciona como uma camada de software que executa sobre o aplicativo do ambiente 1D.
5.2.2
Interação transparente
Quando um usuário interage através de ambiente virtual ele possui um conjunto ações. Essas ações foram chamadas anteriormente nesse trabalho de ações de interação. São tidas como ações de interação porque delimitam as formas possíveis de que o usuário possui para interagir.
A interação pode ser feita com o ambiente ou com outros usuários. Isso agrupa as ações em duas categorias: ações de interação com o ambiente e ações de interação com o usuário. Entre as interações com o ambiente podemos listar: andar, observar o ambi- ente, abrir uma porta, correr, etc. Já nas ações de interação com usuários podemos listar: conversar, observar pessoas, abraçar, etc.
O que chamamos de interação transparente vem da possibilidade de uma determinada ação ser usada em qualquer ambiente independente da dimensão geométrica usada pelo mesmo. Assim se uma determinada ação é criada para a interface 3D, ela deve ser habi- litada na interface 2D e 1D. Isso faz que criação de uma ação seja seguida da definição de uma função que transforme essa ação em uma ação de outra dimensão. Esse modelo conceitual é mostrado na arquitetura da Figura 5.4.
De acordo com a Figura 5.4 um módulo de transformação recebe como entrada um vo- cabulário de ações. Esse vocabulário pode ser um arquivo de meta-dados com a descrição de uma ação. Um banco funções de transformação tem é dado como entrada do módulo de transformação. A saída são banco de ações definidas para cada uma das interfaces.
Figura 5.4: Arquitetura do serviço de interação transparente.
Por exemplo, a ação de "andar" foi definida para existir nos ambientes citados nesse trabalho. Por isso, foi necessário definir uma função que converte a tarefa de andar em cada um dos ambientes. Esse mesmo processo deve ser repetido para cada ação. Por
5.3. SERVIÇOS DE INTER-OPERAÇÃO 63