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2. ŞİRKET VE MÜŞTERİYİ TANITICI BİLGİLER

2.2 Değerleme Talebinde Bulunan Müşteri Bilgileri

Para Romanelli (2014), o sistema político adotado e a forma pela qual se dá a organização da estrutura de poder de um país são fatores, dentre outros, que interferem diretamente na organização e evolução do sistema de ensino, tendo em vista que a organização do sistema educacional expressa os interesses das classes sociais que detenham diretamente o poder político.

Dessa forma, as legislações educacionais estabelecida após a Revolução de 1930, tanto às emitidas diretamente pelo Governo, através de decretos e portarias, quanto àquelas aprovadas pelo congresso, principalmente relacionadas às Constituições, expressaram as contradições políticas em decorrência dos conflitos das classes dominantes que dirigiam o Estado brasileiro.

No âmbito da educação esses conflitos se materializaram, em seus aspectos modernizadores, nos defensores da educação nova e, nos aspectos conservadores, nos católicos. Segundo Saviani (2010), entre as décadas de 1930 e 1940, houve um certo equilíbrio entre católicos e renovadores. Ou seja, no âmbito da legislação educacional daquele período, o Estado, através dos conflitos políticos e da própria necessidade do Presidente Vargas de criar um pacto em que contou com o apoio da Igreja Católica e ao mesmo tempo necessitava modernizar a sociedade brasileira - processo que ficou conhecido como

―modernização conservadora‖ -, incorporou na legislação educacional do país as propostas

educacionais tanto dos católicos quanto dos escolanovistas.

[...] Dir-se-ia que a ―modernização conservadora‖, conceito com que a historiografia tende a classificar a orientação política que prevaleceu após a Revolução de 1930, poderia facultar a seguinte leitura: enquanto conservadora, essa orientação buscava atrair a Igreja para respaldar seu projeto de poder; enquanto modernização, a força de atração dirigia-se aos adeptos da Escola Nova [...] (SAVIANI, 2010, p. 270-271).

Já Romanelli (2014) defende que no âmbito da legislação educacional vai se refletir o conflito entre católicos e renovadores, porém, ora tentando conciliar ambas as posições, ora favorecendo uma delas, sendo que, no geral, a concepção conservadora sobressaiu-se.

Rocha (1990) defende que é nesse contexto que se dá o entrelaçamento entre o Estado e as instituições de ensino privado no Brasil, principalmente com a reforma de 1931. Ele, seguindo Anísio Teixeira, divide o ensino privado no Brasil em duas fases. A primeira fase corresponde ao período que antecede 1930, em que as escolas particulares, na sua

maioria católica16, apresentavam autonomia e independência financeira frente ao Estado. A segunda fase corresponde ao período posterior a 1930, na qual o ensino privado é legalizado, regulado e fiscalizado pelo Estado, ao mesmo tempo em que passa a receber benesses financeiras, materializados na legislação educacional posterior a esse período. Nesta segunda fase, o autor engloba dois processos que estão imbricados. Primeiro, refere-se ao surgimento

no Brasil do ―empresariamento do ensino privado‖, em decorrência da expansão do ensino

médio e da falta de uma política pública de investimento financeiro nesse nível de ensino.

Segundo, e em função do primeiro, foi o processo de ―cartorialização do segmento empresarial‖, tendo em vista o favorecimento por parte do Estado ao ensino privado,

garantido na legislação e, ao mesmo tempo, pela transferência de recursos especiais para este setor.

É nesse cenário que a legislação educacional é (re)definida, tendo em vista as leis educacionais implementadas com as reformas educacionais (reforma Francisco Campos e Reforma Capanema), como também a própria elaboração das leis gerais do país durante este período, tais como: as Constituições de 1934, 1937, 1946 e a LDB de 1961.

Ao assumir o Ministério, Francisco Campos, baixou vários decretos objetivando a organização dos ensinos: secundário (Decretos: n. 19.890 e n. 21.241); e superior (Decreto n. 19.851). Além disso, cria o Conselho Nacional de Educação – CNE (Decreto n. 19.850) e autoriza o ensino religioso17 facultativo nas escolas oficiais (Decreto n. 19.941).

Romanelli (2014) defende que, por esses decretos, o governo federal, através do Ministro Francisco Campos, implementou a primeira reforma de educação no Brasil. Essa reforma teve o mérito de articular organicamente os diversos níveis de educação e de ser a primeira reforma que incorporou todo o território nacional. A autora ressalta a importância que foi a Reforma Francisco Campos para o ensino secundário. Segundo ela, até o final da década de 1920 este ensino funcionava como preparatório e de exames para o ingresso no ensino superior.

[...] Por esse motivo, a Reforma Francisco Campos teve o mérito de dar organicidade ao ensino secundário, estabelecendo definitivamente o currículo seriado, a frequência obrigatória, dois ciclos, um fundamental e outro complementar, e a exigência de habilitação para o ingresso no ensino superior. [...]. Estabeleceu também as normas para a realização da inspeção federal, criou a carreira do inspetor e organizou a estrutura do sistema de inspeção e equiparação de escolas. (ROMANELLI, 2014, p. 137).

16 Para Rocha (1990), no início da década de 1930, 90% das escolas privadas no Brasil eram de propriedade da

igreja católica.

17 Para Saviani (2010), desde o início da Proclamação da República e da promulgação da Constituição de 1891

Contudo, o caráter dessa reforma demonstrou, logo de início, a exclusão das camadas populares, uma vez que privilegiou o ensino secundário e superior, os quais atendiam, prioritariamente, os filhos das camadas médias e da classe dominante. O ensino primário continuou sob as responsabilidades dos estados e municípios e sem o apoio logístico da União, tal como foi definido na Constituição de 1891. Além disso, a reforma estabeleceu a política de equiparação18 e fiscalização das escolas secundárias públicas e privadas (Art. 44), a qual, conforme Rocha (1990) e Oliveira (2006), teve como consequência a generalização do caráter público do ensino privado, configurando, deste modo, no processo de publicização do privado.

É nesse contexto que ocorre o crescimento das instituições de ensino secundário e privado. Para Rocha (1990) o crescimento dessas instituições não pode ser explicado somente em decorrência do crescimento da demanda, em razão do processo de industrialização e urbanização, mas, também, em função da política de equiparação das escolas públicas e privadas. Além disso, para o autor, essa política de equivalências inibiu a construção de uma rede pública de ensino, capaz de garantir um ensino mais diversificado em todo país. Ainda conforme o autor, esse processo permitiu o estreitamento das instituições de ensino privado com o governo, durante o período correspondente ao Estado Novo, ao passo que possibilitou, posteriormente, uma maior exigência por parte das instituições privadas de ensino por verbas públicas.

Teixeira (1956) assevera que a reforma educacional de 1931 não refletiu qualquer ideal democrático, apenas consolidou o espírito dualista da educação brasileira, tendo em vista os privilégios que essa reforma permitiu. Segundo o autor, a escola secundária, fruto dessa reforma, seria uma escola privada, destinada a ampliar os privilégios de classe.

Na Constituição de 1934, a primeira após a Revolução de 1930, refletiu os conflitos já referidos acima, entre renovadores e católicos. Porém, no geral, as ideias defendidas pelos renovadores no Manifesto, foram mais contempladas, principalmente quanto ao papel do Estado na garantia do direito à educação gratuita; na elaboração de um Plano Nacional de Educação, fixado pelo Conselho Nacional de Educação e; na garantia orçamentária para a educação.

O Artigo 150 previu a criação do Plano Nacional de Educação pela União, abrangendo o ensino de todos os graus e ramos comuns e especializados. No parágrafo único desse artigo, estabeleceu que o Plano terá vigência de dez anos e obedecerá as normas da

18 Trata-se do processo de equiparação das escolas públicas e privadas, em que se equipara o currículo com a

Constituição de 1934. Este plano deverá garantir a gratuidade e obrigatoriedade do ensino de primeiro grau, extensivo aos adultos (alínea a). Entretanto, o ensino posterior ao primário não

teve o mesmo tratamento, uma vez que só foi garantida a ―tendência‖ à gratuidade (alínea b),

continuando, dessa forma, as mesmas regras da reforma Francisco Campos de 1931. É importante ressaltar, conforme o artigo 152, o Plano Nacional de Educação deveria ser enviado ao Congresso através do Conselho Nacional de Educação. Deste modo, o plano foi enviado somente em 1937, três anos após a Constituição de 1934. Contudo, em virtude do fechamento do Congresso pelo Presidente Vargas, o Plano Nacional de Educação não chegou a ser aprovado.

Para garantir as medidas previstas, a lei determinou um percentual que cada ente da federação deverá aplicar, além de anunciar um fundo com recursos destinados à educação. O Artigo 156 estabeleceu um percentual mínimo que a União, Municípios, Estados e Distrito Federal, deverão aplicar para a manutenção e desenvolvimento da educação. Desse modo, a União e os Municípios aplicariam um percentual mínimo de 10% e os Estados e Distrito Federal o mínimo seria de 20%. No caso do ensino rural, a União garantiria um percentual de

20% (parágrafo único), através de recursos provenientes ―da renda resultante dos impostos‖.

Além destes, a lei estabeleceu outra fonte que seria derivada dos patrimônios territoriais (Art. 157).

Os católicos e as instituições de ensino privado também foram contemplados pela Constituição de 1934. O Artigo 153 estabeleceu o ensino religioso facultativo nas escolas

públicas primárias, secundárias, profissionais e normais, desde que garantisse os ―princípios da confissão religiosa do aluno manifestada pelos pais ou responsáveis‖. As instituições de ensino privado foram contemplados com a garantia de ―liberdade de ensino em todos os graus

e ramos, observadas as prescrições da legislação federal e estadual‖ (Artigo 150, parágrafo

único, ―c‖) e com a previsão de isenção de tributos (Art. 154). A lei reconheceu os

estabelecimentos particulares de ensino, desde que assegurem a seus professores estabilidade

e remuneração digna (Artigo 150, parágrafo único, ―f‖). O Artigo 157 (§ 2º) estabeleceu que

partes dos fundos destinados à educação sejam aplicados em bolsas de estudo para alunos necessitados. Porém, não fica claro no texto para qual grau ou ramo de estudo será destinado esse recurso. Fica subentendido, contudo, que tais recursos podem ser destinados para os estabelecimentos privados de ensino, através das bolsas de estudo.

A Constituição de 1937, instituída após o golpe de Estado, não deu tanta ênfase à educação quanto a Constituição de 1934. Aquela foi mais tímida e, em alguns aspectos,

demonstrou certa inflexão no tocante ao direito à educação. Na verdade, quanto a esse aspecto o papel do Estado se restringiu a uma ação meramente supletiva. Os avanços da Constituição de 1934, no que diz respeito à garantia de educação pública e gratuita, um dos pilares defendidos pelos renovadores, expresso no Manifesto, não teve a mesma ênfase na nova Constituição do Estado Novo. Nesta Constituição, foi dado mais destaque ao ensino oferecido nas instituições particulares, inclusive com subvenção estatal, e ao ensino profissionalizante, principalmente para os filhos das camadas populares.

Porém, a União continuou fixando as bases e diretrizes da educação nacional (Art.

15, n. IX), sendo que a ―arte a ciência e o ensino são livres à iniciativa individual e a de associações ou pessoas coletivas públicas e particulares‖, na qual o Estado deve contribuir

direta ou diretamente para o desenvolvimento de tais instituições, tanto públicas quanto privadas (Art. 128). Esse aspecto da CF/1937 vai ser reivindicado posteriormente pelos empresários da educação, no sentido de exigir do Estado financiamento público para as suas instituições.

A gratuidade e a obrigatoriedade do ensino ficaram restritos somente ao ensino primário (Art. 130), enquanto o ensino posterior a este será financiado pelo Estado, somente para os que provarem insuficiência de recursos. Todavia, não excluiu a possibilidade de pagamento, por partes dos interessados, de mensalidades para a caixa escolar, dependendo da situação financeira do aluno (Art. 130). Entendendo que o ensino público já é por natureza financiado pelo poder público, logo se conclui que o ensino posterior ao primário será oferecido em instituições privadas, e que parcelas dos alunos serão direcionados para estas instituições ou até mesmo excluídos da escola.

Além disso, o papel do Estado em garantir o direito à educação seria possível somente nos casos em que as famílias não tivessem condições financeiras de custearem os estudos dos seus filhos em instituições particulares. Neste caso, seria oferecido o ensino pré- vocacional profissional para as classes populares, sendo que essa garantia pode ser ofertada em estabelecimentos públicos e estatais e em estabelecimentos privados, mantidos financeiramente pelo Estado. (Art. 129).

O ensino religioso continuou sendo ofertado nas escolas primárias, normais e secundárias, com o mesmo caráter facultativo dado pela Constituição de 1934, porém, sendo

mais moderado ao proclamar que não pode ser ―objeto de obrigação dos mestres ou professores, nem de frequência compulsória por parte dos alunos‖ (Art. 133).

Concluímos, portanto, que a Constituição de 1937, além de restringir a obrigação do Estado na garantia do direito à educação, neste caso tendo sua ação um caráter apenas supletivo, favoreceu diretamente às instituições privadas de ensino, na medida em que deixou explícito nos artigos, já exposto acima, o incentivo à educação privada através de transferência de recursos públicos para tais instituições, fato que levou os empresários da educação a se organizarem, formando uma associação nacional, e a realização do primeiro Congresso Nacional dos Empreendimentos privados de educação19, em 1944, com o objetivo de cobrar do Estado os dispositivos da Constituição de 1937 que lhe garantiam direitos aos recursos públicos. Além disso, ao defender o ensino profissional para as classes menos favorecidas, materializado nas reformas orgânicas do ensino na década de 1940, engessou e, de certa forma, impossibilitou que os filhos oriundos das classes baixas tivessem acesso ao ensino superior. Deste modo, esse ensino continuou sendo, quase exclusivamente, voltado aos filhos das famílias das classes dominantes.

Em razão da Constituição de 1937 ter acentuado o caráter profissional da educação20, o governo de Vargas, no início da década de 1940, implementou várias reformas orgânicas do ensino. Estas foram fixadas por iniciativa do Ministro da Educação, Gustavo Capanema, ficando as mesmas conhecidas por Reformas Capanema. As reformas foram instituídas nos últimos anos do Estado Novo e durante o governo provisório, em 1946. Trata- se, na verdade, de um conjunto de Decretos-lei abrangendo todos os ramos primários e secundários da educação. É importante ressaltar que estas reformas não se constituíram em reformas integrais do ensino, mas em reformas parciais, tendo em vista que o Governo instituiu as leis por etapas, durante os anos de 1942 a 1946, e, dessa forma, não atingiu ao mesmo tempo todos os ramos de ensino.

Durante este período, foram executados os seguintes decretos-lei: Decreto-lei, 4.073, de 30 de janeiro de 1942 – Lei Orgânica do Ensino Industrial; Decreto-lei 4.048, de 22 de janeiro de 1942 – Cria o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial; Decreto-lei 4.244, de 9 de abril de 1942 – Lei Orgânica do Ensino Secundário; Decreto-lei 6.141, de 28 de dezembro de 1943- Lei Orgânica do Ensino Comercial. Além desses Decretos-lei, fixados no final do Governo Vargas, foram executados outros durante o governo provisório de José Linhares, tendo como Ministro da Educação Raul Leitão da Cunha: Decreto-lei 8.529, de 2 janeiro de 1946 – Lei Orgânica do Ensino Primário; Decreto-lei 8.530, de 2 de janeiro de

19 Fonte: http://www.confenen.org/#!historia/cwen. Acesso em: 05/08/2016.

20 Fato que levou Fernando de Azevedo, um dos principais defensores do escolanovismo, na obra A Cultura

1946 – Lei Orgânica do Ensino Normal; Decreto-lei 8.621, de janeiro de 1946 – Cria o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial; Decreto-lei 9.613, de 20 de agosto de 1946 – Lei Orgânica do Ensino Agrícola.

Uma análise parcial do conjunto dos decretos-lei, conforme nos alerta Saviani (2010), explicita que a organização do ensino fixada por essas leis não considerou uma ordem lógica, mas as conveniências políticas do Estado Novo, visto que as primeiras reformas giraram em torno do ensino técnico profissionalizante e do ensino secundário e a reforma do ensino primário, que em tese deveria ser efetivada primeiramente, foi a última a ser realizada no contexto das reformas orgânicas do ensino.

A despeito dos avanços proporcionados por esses decretos-lei, em que se tentou adequar o sistema de ensino ao processo de desenvolvimento do país, a nova organização educacional, resultante desse processo, acentuou a educação enquanto instrumento privado de uma classe ao estabelecer um ensino técnico-profissional para os pobres e um ensino superior para os ricos, ou seja, aprofundou o dualismo da educação brasileira. Isto pode ser comprovado a partir de dois fatores. Primeiro, pela falta de flexibilidade entre os ramos do ensino profissional e ensino secundário. De acordo com a legislação da época os ramos de ensino secundário e profissional só se articulariam com cada etapa, anterior ou posterior, de cada ramo de ensino correspondente. Ou seja, o aluno que ingressasse na primeira série do ensino primário elementar do ramo industrial teria que prosseguir o ensino médio neste mesmo ramo. Dessa forma, não seria permitido optar pelo ensino secundário ginasial, a não ser que resolvesse retornar os estudos desde o início.

Segundo fator, e em decorrência do anterior, diz respeito ao fato de que somente os alunos que terminarem o ensino médio clássico ou científico seria permitido o ingresso em qualquer curso superior. Para os alunos que terminassem o curso técnico-profissional seria possibilitado o ingresso em curso superior desde que fosse diretamente vinculado ao curso técnico concluído, como fica evidenciado no Artigo 18 (III), da Lei Orgânica do Ensino Industrial.

Além desses aspectos, as leis orgânicas contemplaram as instituições particulares de ensino ao (re)definir o caráter jurídico delas, dado pela legislação desse período. No artigo 70, da Lei Orgânica do Ensino Secundário (LOES), determinou que todas as pessoas naturais e às jurídicas de direito privado, que mantenham estabelecimento de ensino secundário, são consideradas como no desempenho de função de caráter público, as quais, em matéria de educação, cabem os deveres e responsabilidades inerentes ao serviço público. Neste sentido, a

relação pública e privada, em que os serviços públicos podem ser oferecidos por entidades privadas, configurando na relação pública não estatal, já aparece nesse período, não sendo, dessa forma, uma característica intrínseca da década de 1990, conforme trataremos no capítulo 02. Em decorrência desse aspecto, a lei, no artigo 88, tratou dos custos da educação, prevendo uma modicidade nos custos da mensalidade e, no artigo 90, estabelecendo uma porcentagem de vagas gratuitas que as instituições de ensino público ou privado deveriam manter anualmente.

Em função disso, os empresários da educação reagiram contra a tentativa do Estado, através da legislação, de impor limites às mensalidades das suas escolas. Porém, não se limitaram somente a este aspecto, foram além disso, ou seja, se articularam e realizaram o primeiro Congresso Nacional dos Diretores de Estabelecimento de Ensino Secundário e Comercial, em setembro de 1944, e passaram a exigir do Estado o cumprimento do artigo 128 da Constituição de 1937, já referido acima. Dessa forma, através da sua articulação e pressão junto ao governo, conseguiram importantes vantagens por parte do Estado, tais como:

[...] auxílio financeiro, imediato e eficaz, aos estabelecimentos particulares [...], isenção dos impostos e taxas de competência da União ... e recomendação da União aos poderes estaduais e municipais para o mesmo efeito; revisão do curriculum escolar para o seu desafogo...; simplificação dos serviços de secretaria dos estabelecimentos de ensino. (ROCHA, 1990, p. 174).

Segundo Rocha (1990), o ponto alto das reivindicações empresariais foi a instituição do Fundo Nacional do Ensino Secundário, em que se previu a contribuição da União sob a forma de dotação orçamentária prevista em lei. Conforme o autor, a única exigência feita pelo Ministro Capanema era que o auxílio financeiro às instituições privadas não fosse através de subvenção. Dessa maneira, os empresários das instituições de ensino privado conseguiram a publicação de um decreto-lei de auxílio financeiro às suas instituições, tendo a Caixa Econômica Federal como órgão financiador.

[...] Trata-se de um sistema de empréstimo, instituído em caráter permanente com excepcionais facilidades, no que diz respeito às condições de garantia, prazos e juros, (o que) poderá possibilitar amplo e satisfatório desenvolvimento dos estabelecimentos de ensino geral e, especialmente, dos estabelecimentos de educação secundária (ROCHA, 1990, p. 175).

Percebe-se, desta feita, que o entrelaçamento entre o público e o privado, no sentido de favorecimento desta esfera pelo poder público, é algo que já faz parte da história da educação brasileira. Além disso, é neste contexto também que presenciamos o fortalecimento e a organização de setores privados da educação enquanto um setor orgânico e atuante em prol dos seus interesses, algo que vai ocorrer em outros momentos da educação nacional.