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1.3. Araştırmanın Önemi

2.1.3. Liderlik Kuramları

2.1.3.2. Davranışsal Kuramlar

A partir do final dos anos 80, uma nova terminologia passou a ser utilizada nos estudos sobre a mulher: estudo de gênero. Aguiar (1996) afirma que, antes da cunhagem do conceito de gênero, autores, como Parsons, já na década de 1940, estabeleciam a diferença entre papéis sexuais para analisar as funções sociais da família; ou seja, como homens e mulheres desempenhavam papéis dentro da organização familiar. Esse autor considerava que as funções de homens e mulheres eram diferenciadas: enquanto à mulher se associaram funções afetivas, como o cuidado com filhos, aos homens foi associada a função instrumental - prover a família (alimentação, moradia, etc.). Parsons não estabelecia a diferenciação entre homens em mulheres em termos de poder, pois considerava os papéis sexuais como complementares, ou seja, sua teoria não oferecia possibilidades de análise para o lugar social de homens e mulheres que não tivessem referência institucional. Os valores dominantes determinaram as expectativas sociais, e homens e mulheres se adequaram a essas expectativas sociais.

Aguiar (op.cit.) discute ainda as perspectivas analíticas de dois autores: Goffman (1979), que, através da dramaturgia social, considera a dimensão de gênero como uma representação, influenciada pelos padrões culturais, definindo a constituição da masculinidade e da feminilidade; e Garfinkel (1967), que se utiliza de “casos de dubiedade biológica, para demonstrar como rituais expressivos do comportamento de mulheres ou de homens são apreendidos através da interação sendo racionalmente manejados no desempenho de papéis sexuais, enfatizando, assim, a construção social da identidade de gênero” (Aguiar, 1996, p.10).

Um ponto importante nas várias análises sobre a temática de gênero é que os estudiosos dessa área, entre os quais Nicholson (1994), privilegiam a passagem do sexo ao gênero, abandonando as explicações biológicas para explicar as relações entre homens e mulheres. Segundo a autora, o que tem perdurado ao longo da evolução das sociedades são as explicações das diferenças de sexos, o que é dado biologicamente quando observadas as diferenças físicas, naturais e, portanto, fixas entre homens e mulheres.

Sayers (1982) e Haraway (1994) também analisaram a questão. A primeira situou a categoria gênero entre os pólos do essencialismo biológico e do construcionismo social, não optando pela defesa de um ou do outro; a segunda, a partir da análise crítica do enfoque marxista, optou pela desconstrução do conceito de sexo (como diferença sexual), em favor da construção social do sexo.

Assim, o biológico é o primeiro dado e serve para classificar os seres humanos como machos ou fêmeas. Já para a construção social, a identidade do gênero masculino e do gênero feminino dependerá de cada cultura. Então, ser

homem ou ser mulher não se reduz apenas aos caracteres sexuais, mas, fundamentalmente, a uma série de atributos morais e comportamentais que são socialmente produzidos e compartilhados.

Scott (1995) utiliza o gênero como uma categoria analítica, ou seja, um instrumento metodológico de entendimento das relações entre homens e mulheres, da construção, reprodução e mudança das identidades de gênero. A autora define essa categoria a partir de duas premissas: 1) “o gênero é um elemento constitutivo das relações sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos; 2) o gênero é uma forma primária de dar significado às relações de poder” (Scott, 1995, p.86).

A autora privilegia as relações de gênero e as relações de poder que são derivadas das relações sociais, na medida em que o gênero constrói o poder, a partir de uma distribuição diferencial, acarretando um acesso diferenciado de homens e mulheres aos recursos materiais e simbólicos. Portanto, a categoria gênero postula que as relações entre os sexos são aspectos primários da organização social, que a construção da identidade masculina e feminina é determinada culturalmente e que as diferenças entre os sexos constituem e são constituídas pelas relações sociais - uma vez que, transversalmente, colocam em mútua relação, em todos os âmbitos sociais, a diferença entre os sexos (Idem, 1995).

Além das análises discutidas acima, destaca-se ainda a teoria de Butler (2003). A autora considera que não existe distinção/oposição alguma entre sexo e gênero. Para ela, o que existe é uma descontinuidade entre corpos sexuados e gêneros culturalmente construídos.

Ao propor a desconstrução do caráter imutável do gênero, Butler chama a atenção para o aspecto de que tanto sexo como gênero são construções sociais e, dessa maneira, desloca as dicotomias sexo/natureza e gênero/cultura, enfatizando o gênero como meio discursivo que estabelece o sexo como pré-discursivo. O efeito é a construção cultural que denominamos de gênero20.

Em relação ao objeto desta pesquisa, pode-se afirmar que as sociedades, ao longo da história, produziram/produzem e mantêm as diferenças de gênero, através de processos sociais.

Por conseguinte, a diferenciação de gênero reproduz o sistema de relações sociais incorporado na maneira como as instituições, especificamente o mercado de trabalho, são organizadas, diferenciando os sexos. Neste contexto, a construção do gênero no mercado de trabalho é produto das formas pelas quais são designadas as funções baseadas no sexo, ou seja, determinadas funções reconhecidas como mais apropriadas para as mulheres e outras para os homens. Assim sendo, normalmente o trabalho executado por homens é mais valorizado do que o executado pelas mulheres. Há construções de gênero no emprego, por parte de patrões e empregados. Porém, de acordo com Butler, o desempenho de gênero pode recriar papéis, atribuindo-lhes novos significados.

20 A dualidade do sexo em um domínio pré-discursivo é uma das formas pelas quais a estabilidade interna e a estrutura binária do sexo é assegurada de modo eficaz. A autora busca, então, analisar o desempenho social na análise de gênero.

Benzer Belgeler