4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.1. Daphne oleoides SCHREBER subsp oleoides SCHREBER’ e Ait Sonuçlar
Com o intuito de conhecer possíveis informantes para a pesquisa e fazer um mapeamento das revistas femininas lidas por elas, optamos por realizar uma pesquisa exploratória, que iniciou na forma de contato com pessoas conhecidas em busca de mulheres leitoras de revistas femininas. Segundo Lopes (2008) a pesquisa exploratória tem grande importância no delineamento inicial da investigação, pois proporciona uma aproximação tanto com o objeto empírico, neste caso as leitoras, como com o objeto teórico, seus contornos, especificidades e singularidades. É um momento de desencadeamento de reflexões, decisões e ações, que foram fundamentais em todo o processo de produção da pesquisa. Como destaca o autor, “a etapa exploratória surge como um norteador, uma espécie de bússola para o exercício da pesquisa, na medida em possibilita operar opções e determinações que levem em conta os contextos concretos de investigação” (LOPES, 2008, p.283). A pesquisa exploratória é a entrada no campo do estudo.
No mês de setembro de 2011 iniciou-se uma busca por mulheres leitoras de revistas femininas. Através de indicações de pessoas conhecidas, cerca de 30 mulheres foram convidadas a responder a um questionário exploratório.
74 Perguntas específicas sobre a leitura de revistas e o trabalho, além dos dados gerais de identificação da informante.
75 Segundo Duarte (2008, p.64) as entrevistas semi-abertas, além de partirem de um tema central, partem de um roteiro-base.
Destas, 15 mulheres76 responderam às perguntas, enviadas por email, visto que as informações desejadas eram simples e objetivas: Que revistas lê? Assina ou compra avulso? Além de informações pessoais como nome e idade, e algumas perguntas sobre o trabalho, sobretudo “você se considera bem sucedida? Por quê?”. Tais questionamentos foram pensados com vistas a identificar e selecionar possíveis entrevistadas para a pesquisa por serem leitoras de revistas femininas e se autodefinirem como bem sucedidas profissionalmente. Além de uma breve introdução sobre a pesquisa, foram tomados os devidos cuidados para que todas as abordagens fossem objetivas e claras, os dados pessoais e institucionais da pesquisadora foram divulgados, caso alguém sentisse necessidade de certificar. Foi solicitado um pseudônimo, por questão de segurança e como garantia da não divulgação dos dados pessoais das entrevistadas.
A partir desse primeiro contato foi possível ter um panorama sobre a profissão das possíveis entrevistadas e, de maneira geral, verificar como se sentem em relação ao trabalho. Elas se autodefiniram como bem sucedidas, e cada uma das entrevistadas justificou sua resposta.
A partir dos perfis, apresentados de forma resumida no quadro a seguir (Quadro 4), destacamos duas evidências fundamentais: a leitura das revistas femininas e a questão do trabalho, principalmente pela auto definição de “bem sucedida”. As duas leitoras que não se consideraram bem sucedidas não foram incluídas na pesquisa. Elas aparecem neste momento apenas como resultado da pesquisa exploratória.
76 Depois do exame de qualificação, realizado em novembro de 2011, outras três mulheres entraram em contato respondendo ao questionário e foram incluídas na fase exploratória.
Pseudônimo Profissão Idade Considera-se bem sucedida profissionalm ente?
Revistas que lê
1. Lua Diretora de escola 43 Sim Cláudia, Estilo, Nova, Gloss, Elle, e Marie Claire 2. Africana Supervisora Educacional 53 Sim Cláudia 3. Fernanda Coordenadora Operacional
31 Sim Cláudia, Gloss e Estilo
4. Carolina Médica 37 Sim Lola, Marie Claire, Elle, Estilo e Vogue
5. Maria Advogada, mas
atualmente não trabalha
43 Sim Cláudia e Vogue 6. Grace Funcionária Pública 43 Sim Cláudia e Bons Fluidos
7. Brisa Funcionária Pública 32 Sim Cláudia, Gloss, Lola, Marie Claire e Nova
8. Helena Publicitária 31 Sim Vogue e Elle
9. Cacau Designer 26 Sim Lola, Nova, Cláudia e Máxima
10. Duda Engenheira 32 Sim Marie Claire
11. Rose Bancária 35 Não Minha Casa e Máxima
12. Isabela Nutricionista 26 Não Nova, Cláudia, Boa Forma, Corpo a Corpo e Marie Claire
13. Letícia Psicóloga 37 Sim Estilo, Claudia, Uma, Nova, Elle
14. Bianca Fonoaudióloga 33 Sim Lola
15. Jane Jornalista e Relações Públicas
43 Sim Marie Claire
Quadro 4 Resumo da pesquisa exploratória
As revistas citadas pelas leitoras foram: Lola, Nova, Cláudia, Máxima, Vogue, Elle, Gloss, Marie Claire, Estilo e Sou + Eu. Todas leem com frequência77. Três das informantes afirmaram ler apenas uma revistas, as outras demonstraram interesse por mais de um título, sete delas são assinantes e algumas assinam mais de uma revista. As outras oito costumam comprar aleatoriamente entre as suas revistas preferidas.
Todas possuem curso superior completo, e algumas pós-graduação. A maioria se autodefine como bem sucedida profissionalmente, apenas duas responderam negativamente a esta pergunta. Uma porque considera que a remuneração recebida não é suficiente e a outra porque é recém formada e ainda não teve tempo de exercer a profissão. A idade das entrevistadas está entre 26 e 53 anos. A maioria das informantes é solteira e não tem filhos. Jane, Bianca, Maria e Lua são mães.
A pergunta “Você se considera bem sucedida profissionalmente? Por quê?” foi de extrema importância para esta fase da pesquisa, já que o objetivo foi saber como as mulheres entendiam o “ser bem sucedida profissionalmente”,
77 As leitoras de revistas mensais leem a revista do mês, e as leitoras de revistas semanais leem pelo menos três, das quatro revistas do mês.
a definição foi elaborada por cada uma das entrevistadas. A seguir apresentamos trechos78 principais das respostas para a pergunta:
x Sim, porque estou na posição máxima dentro da escola. (Lua,
Diretora, 48 anos)
x Sim, pois faço o que gosto e tenho prazer em trabalhar na gestão de pessoas. (Fernanda, Coordenadora Operacional, 31 anos)
x Sim, pois aos 32 anos de serviço, teria que ser bem sucedida, caso contrário não aguentaria. Já passei por todos os estágios e níveis no
magistério público e particular. (Africana, Supervisora
Educacional, 53 anos)
x Sim. Pelo fato de já haver contribuído com novas ideias, projetos nas funções que exerci e que deram certo. (Brisa, Funcionária Pública,
32 anos)
x Sim. [...] De certa forma, posso dizer que tudo que planejei pra minha carreira aconteceu, com muito trabalho, dedicação e empenho e às vezes demorando mais tempo do que havia previsto, mas sempre consegui alcançar o que almejei[...]. (Helena, Publicitária, 31 anos) x Sim, por fazer o que gosto ajudando as pessoas na realização de
seus sonhos. (Cacau, 26 anos, Designer Gráfico)
x Acho que sim. Trabalho fazendo o que gosto [...] e ainda sou voluntária [...] o que me dá muito prazer. Posso me dar ao luxo de determinar meus próprios horários e meus períodos de férias, e tenho uma carga horária que considero bem razoável e me permite fazer outras coisas das quais gosto. [...] bom retorno financeiro, tenho muita gratificação em ver meus pacientes melhorarem. [..] tenho um feedback positivo de minha atuação profissional, acho que sou boa no que faço. (Carolina, médica, 35 anos)
x Me considero bem sucedida na vida como um todo. Gosto de ser mãe e de cuidar da minha casa e filhos. Porque foi a escolha que eu fiz [...] não mudaria nada. (Maria, Advogada, 43 anos)
78 As respostas foram editadas com a supressão de falas para preservar os dados pessoais das leitoras. As duas últimas respostas referem às entrevistadas que responderam negativamente à pergunta. Aparecem neste momento apenas como resultado da pesquisa exploratória, porém não foram consideradas na seleção das entrevistadas.
x Faço parte do grupo de pessoas realizadas com a profissão que teve oportunidade de seguir. A minha produção não se limita a horas trabalhadas. Mesmo fora do meu ambiente de trabalho, estou sempre pensando em como ser mais criativa no meu dia-a-dia, procurando novas formas de realizar minhas atividades. Amo o que eu faço. (Jane, Jornalista, 43 anos)
x [...]porque gosto de trabalhar, me dedico a escutar ao outro com dedicação desde o primeiro horário até o último atendimento. [...] meus pacientes ou ex-pacientes me encaminham novos pacientes e isso me demonstra que estou no caminho certo. [...] Sou também professora [...] fui paraninfa 3 vezes, patrona 1, e homenageada 2. Isso me demonstrou que também os alunos que tentei explicar psicanálise aprenderam e de certa forma confiam no meu trabalho.
(Letícia, Psicóloga, 37 anos)
x Sim, tanto como fonoaudióloga clínica obtive êxito e reconhecimento por parte dos pacientes e profissionais que me indicavam como quando fui professora substituta. (Bianca, Fonoaudióloga, 33 anos) x Não posso dizer que sou mal sucedida, mas por motivos financeiros
e pela minha tenra idade na época, não consegui fazer a faculdade que eu queria. Acabei fazendo outra, que não exerço. (Grace,
Funcionária Pública, 45 anos)
x Não, porque a minha remuneração deixa a desejar. (Rose, bancária,
35 anos)
x Ainda não. Porque aqui na cidade não há muita oportunidade na minha profissão e quase não trabalhei na área por isso. (Isabela,
Nutricionista, 29 anos)
De maneira geral podemos observar que a definição de ser bem sucedida está atrelado a uma realização pessoal, da mulher estar fazendo o que gosta, de sentir-se útil, com retorno dos colegas e clientes. A maioria responde afirmando que se considera bem sucedida profissionalmente. Três das entrevistadas demonstram dúvida ao se auto definirem: “acho que sim”,
“Não posso dizer que sou mal sucedida”, “Me considero bem sucedida na vida como um todo”. Duas das entrevistadas respondem negativamente.
A questão financeira não influencia diretamente a auto definição do ser bem sucedida profissionalmente à maioria destas mulheres, apesar de algumas admitirem em suas respostas que não ganham tanto quanto gostariam. A exceção mais visível é a bancária, a única das que trabalha que não se considera bem sucedida e o motivo é o financeiro.
Levamos em consideração que o conceito de ser bem sucedida profissionalmente está relacionado diretamente com o sentir-se útil e sentir-se parte produtiva e atuante da sociedade e da cultura. Ser bem sucedida é ser alguém no mundo. Por ser uma pesquisa que envolve significados, é necessário que estejamos conscientes que esta percepção influencia no processo como um todo: desde a escolha das entrevistadas, a maneira de abordar o assunto com as mulheres, a maneira de interpretar as respostas e também a influencia na leitura das revistas.
A escolha das mulheres que participaram da segunda etapa partiu de alguns princípios79. Brisa e Cacau foram desconsideradas por morarem em outro estado, visto que seria impossível a realização das entrevistas pessoalmente. Além disso, Maria também foi desconsiderada porque no momento da pesquisa não estava trabalhando. Todas as outras manifestaram no questionário estarem disponíveis para a segunda etapa. Portanto, 10 mulheres que responderam ao questionário exploratório estavam a disposição para a segunda etapa.
Diante da negativa de algumas voluntárias, em função da época do ano80, as entrevistas foram realizadas de acordo com a disponibilidade de cada mulher (seleção por conveniência). A partir disso as revistas que compõem o corpus midiático da pesquisa foram definidas. Para as mulheres que afirmaram ler apenas uma revista, selecionamos a indicada. Para as mulheres que afirmaram ler mais de uma revista, solicitamos que ela escolhesse uma das revistas que tenha tido mais contato no período estipulado.
79 Seleção não probabilística e por conveniência, pois depende do julgamento do pesquisador e não de um sorteio (DUARTE; BARROS, 2008, p.69). Neste caso a conveniência foi baseada na viabilidade: proximidade geográfica e disponibilidade das entrevistadas.
As primeiras entrevistas com Helena, Lua e Africana foram realizadas em dezembro de 201181, já as entrevistas com Fernanda e Bianca foram realizadas em março e abril.