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Damgalı Mekânlar ve Mekânsal DıĢla(n)ma

2. TOPLUMUN ÖTEKĠLERĠ OLARAK ÇĠNGENELER VE SOSYAL DIġLA(N)MA

2.2. Bir Olgu Olarak DıĢla(n)ma ve Sosyal DıĢla(n)ma

2.2.1. Damgalı Mekânlar ve Mekânsal DıĢla(n)ma

A convivência com os profissionais durante o período na Instituição deve ser uma oportunidade de criação de vínculos afetivos, com o objetivo principal de auxiliar a superar as dificuldades advindas do contexto que as conduziu ao acolhimento.

As normativas que regulam os serviços de acolhimento ressaltam a importância das equipes de profissionais que atuam nas instituições, chamando a atenção para o processo de seleção que deve ser criterioso, considerando inclusive o tempo de atuação e experiência em serviços de proteção à criança e ao adolescente.

Esse critério deve ser observado tanto para coordenadores, equipe técnica (assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, advogados – a equipe

mínima deve conter assistente social e psicólogo) e para os educadores (cujo requisito, além da experiência é o ensino médio).

Cabe ao coordenador, segundo as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, a gestão da Unidade e a elaboração, com o apoio da equipe técnica, do projeto político-pedagógico da Instituição e da seleção dos profissionais que irão compor a equipe. Devem se responsabilizar ainda, pela articulação com a rede de serviços socioassistenciais.

O gestor das Instituições de Acolhimento, para além dessas atribuições, é, segundo o Estatuto, o guardião das crianças e adolescentes acolhidos, respondendo legalmente por cada uma delas, esse fato demonstra a responsabilidade que envolve a função, o que denota a necessidade de que os critérios estabelecidos sejam cumpridos na contratação desses profissionais.

A equipe técnica tem como uma das funções o acompanhamento das crianças, adolescentes e famílias, com vistas à reintegração familiar, preenchimento das informações das crianças e adolescente acolhidos nos documentos oficiais das Instituições, acompanhamento e discussão dos casos com a autoridade judiciária e Ministério Público. Cabe à equipe, eleger as ações que serão adotadas, no sentido de promover a reintegração familiar e quando esgotadas as possibilidades, informar a necessidade de encaminhamento para a adoção ou para família substituta.

Os encaminhamentos que determinarão o tempo de acolhimento, o retorno (ou não) para a família, passa pela decisão da equipe técnica, que embasada no acompanhamento que deve ser realizado, devem emitir o parecer. Embora a decisão oficial da saída seja do Juiz da Vara da Infância, sua decisão é pautada no parecer dos profissionais da Instituição de Acolhimento.

Os educadores sociais são os profissionais responsáveis pelo cuidado diário, as atividades básicas de alimentação, higiene e proteção, organização do ambiente físico da Instituição, acompanhamento dos acolhidos aos serviços de saúde, escola ou atividades cotidianas. Devem ainda, em parceira com a equipe técnica, preparar a criança ou adolescente para o desligamento.

Cada educador deve atender no máximo dez crianças e adolescentes por turno. As Orientações Técnicas sugerem que o trabalho seja organizado

em turnos, para que os educadores acompanhem as mesmas atividades todos os dias, e não em plantões que aumentam a rotatividade e dificultam o acompanhamento das ações. No entanto, dadas as condições de contratação e trabalho nas Instituições do município de João Pessoa, o regime de plantão na ocasião da pesquisa é o mais adotado.

Outra dificuldade latente é que, embora a exigência mínima seja o nível médio, as Instituições geridas pela SEDES, à época da pesquisa ainda possuía educadores sem a formação exigida. Vale ressaltar que, dada à complexidade do trabalho nas Instituições, mesmo a escolaridade mínima torna-se insuficiente diante do atendimento das demandas da função. Como coloca a autora:

A exigência de formação para o educador que trabalha nos abrigos costuma ser o Ensino Médio completo. Isso acaba fazendo com que cada educador lide com as crianças a partir de suas referências pessoais, o que sabemos que está longe de ser o ideal. Eis o desafio da profissionalização do abrigo: ter uma equipe com ferramentas para lidar com as divergências [...] (NOGUEIRA, 2012. p. 70).

O educador é uma figura central nas Instituições, é ele que passa maior tempo com as crianças e adolescentes e os acompanha nas atividades. As Orientações Técnicas, ao tratar desse profissional, coloca a importância de que cada acolhido tenha o educador de referência, com quem possa ser construída uma relação de maior confiança e apego.

Nesse sentido, a importância da formação continuada desses profissionais deve ser considerada, com a finalidade de lhes possibilitar melhores condições de lidar com as dificuldades e conflitos diários nas Instituições. Cada um dos profissionais que compõem as equipes das Unidades, tem a sua magnitude, principalmente, ao se atentar para as funções exercidas e sobre as consequências dessas práticas para cada criança, adolescentes e família.

A atuação intencional da equipe responsável pelo reforço dos vínculos familiares ou comunitários e pela construção coletiva de um projeto socioeducativo deve conjugar a busca pelo melhor desenvolvimento da criança com a melhor alternativa de inclusão social. Essa é uma tarefa com a qual todos devem se envolver, pois se trata de um compromisso efetivo com cada criança ou adolescente que chega (GUARÁ, 2010. p.60).

Ao analisar o relacionamento e convivência com as equipes no âmbito das Instituições durante o acolhimento, os entrevistados afirmaram ter sido bem tratados, apenas Gustavo afirmou ter tido conflito com um dos educadores, o que havia sido sanado pela coordenadora da Instituição, esses relatos podem ser observados nas falas seguintes:

“Me tratava bem todo mundo” (João 12 anos, Pesquisa Etapa 2, 2012).

“Tratava bem... Tudin” (Danilo, 9 anos, Pesquisa Etapa 2, 2012).

“Ah... Era muito bom viu. Teve uns problema com uns tio lá mais a tia ajeitou tudo.. Fora isso era muito legal. Ainda gosto de tudin de lá dentro” (Gustavo, 17 anos, Pesquisa Etapa 2, 2012).

“Me tratavam bem” (Felipe, 10 anos, Pesquisa Etapa 2, 2012). Diante da ruptura dos vínculos afetivos com a família, a negação e violação de direitos, o período de acolhimento deve representar proteção em todos os aspectos, inclusive na relação com a equipe da instituição, que para além de cumprir as exigências normativas, devem procurar estabelecer vínculos afetivos e auxiliar a criança ou adolescente não apenas na compreensão e aceitação da medida, mas prepará-la para o retorno à família.

No entanto, o cumprimento efetivo (e com qualidade) das funções previstas para esses profissionais, requer não apenas o comprometimento ético-político com as profissões e com as crianças e adolescentes acolhidos, mas exigem também, seleção criteriosa dos profissionais e condições dignas de trabalho, que inclui bons salários, vínculos estáveis e formação continuada.