Os dados foram coletados por meio da vários instrumentos: questionários pré e pós-intervenção, foram realizados registros em gravação visual (filmagem), diário de campo do pesquisador e em fotografias, avaliação das oficinas, por meio da disposição de caixa de opiniões dos adolescentes, dinâmicas de grupos realizadas nas oficinas e das entrevistas com profissionais que atuaram como facilitadores, profissionais da escola e pais ou responsáveis pelos alunos.
A combinação de técnicas para coleta de informações é relevante, visto que assegura maior confiabilidade e validade das informações obtidas, permitindo, assim, que os objetivos propostos possam ser atingidos. Assim, a estratégia de combinar técnicas foi importante para realização deste estudo. Os procedimentos para aplicação da intervenção e coleta de dados seguiram as seguintes fases:
4.4.1 Fase 1 – Convite aos profissionais para participar das atividades e contato com a escola
Durante a espera pela aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (COMEPE), foram realizados os convites aos profissionais para desenvolvimento das atividades de intervenção.
Foram convidados:
- Profissionais da Estratégia Saúde da Família; - Policiais Militares;
Foi explicado para os profissionais o que era o projeto, os objetivos e a metodologia. Neste momento, as ações começaram a ser idealizadas e discutidas. As datas ficaram em aberto no momento do convite, visto que a realização dependia da aprovação do COMEPE.
Foi realizada também uma visita à escola, momento que foi possível conversar com a direção da escola sobre o que era o projeto, relevância, objetivos e público-alvo. Dialogou-se sobre o horário da realização das atividades educativas. Por sugestão da própria escola, o horário pactuado foi de 10h às 11h da manhã, às terças-feiras. Neste momento, foi obtida a anuência da escola para realização das atividades. Logo que o projeto obteve parecer favorável do Comitê de Ética, foram estabelecidas as datas para reunião com os pais/responsáveis e foram agendadas as atividades com facilitadores e escola.
4.4.2 Fase 2 – Convocação dos pais para apresentação da atividade e anuência
Foi agendada uma reunião na escola para que se obtivesse a anuência dos pais/responsáveis para realização da pesquisa. Como compareceram somente quatro pais/responsáveis à reunião para apresentação do projeto, foi realizado um levantamento dos endereços dos adolescentes para que, com ajuda do Agente Comunitário de Saúde (ACS), fosse realizada a assinatura do TCLE de cada um dos outros alunos.
Alguns dos alunos não residiam no território da Unidade de Saúde, porém diante do conhecimento do território próximo por uma ACS, pôde-se realizar a assinatura dos 39 TCLE, permitindo, assim, a participação de todos os adolescentes nas atividades do projeto. Vale ressaltar a atuação essencial desse profissional, visto que por meio do seu vínculo com o território e sua experiência e conhecimento sobre o mesmo, possibilitou a obtenção das assinaturas.
Durante a realização das visitas domiciliares, foi possível conhecer mais de perto e melhor o território em que residia a população da área de abrangência e das unidades próximas. Por meio deste momento, o território pôde ser redescoberto, com todos os seus desafios e conflitos. Foi mais uma vez confirmada a necessidade de se realizar projetos de prevenção contra as drogas, visto que foi visível a demarcação de territórios e os relatos de conflitos pela população por causa de drogas.
A turma foi apresentada à pesquisadora no dia da reunião com os pais/responsáveis, momento em que foi explicado o projeto, sua importância e seus objetivos,
horário de realização (horário da aula) e local (escola). Os adolescentes foram alertados acerca da obrigatoriedade da assinatura do TCLE pelos pais/responsáveis. (Foto 1).
Fotografia 1 - Primeiro contato da pesquisadora com a turma escolhida.
Fonte: Foto pelos ACS
4.4.3 Fase 3 - Aplicação do instrumento diagnóstico
Foi utilizado um questionário fechado, de autopreenchimento e anônimo, adaptado do instrumento proposto pela Organização Mundial da Saúde - OMS (Smart et al., 1980). No Brasil, foi adaptado, traduzido e validado por Carlini-Cotrim et al. (1989) e utilizado no VI Levantamentos Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio e também nos cinco levantamentos anteriores realizados pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID). Uma vez adaptado, o instrumento foi aplicado antes e depois da intervenção (Anexos B e C). A adaptação foi apenas no segundo questionário, em que as perguntas referentes ao último ano foram retiradas, uma vez que o questionário foi novamente aplicado em espaço de tempo menor que 12 meses após o inicial. Ambos os questionários incluíram questões sobre as características sociodemográficas, frequência do aluno na escola, estrutura familiar e padrão de uso de drogas (álcool, tabaco, maconha, cocaína, solventes, ansiolíticos, estimulantes, alucinógenos e outras drogas como os anabolizantes).
Vale ressaltar que o questionário incluiu uma questão sobre o uso de uma droga fictícia (questão 13 dos dois questionários), para identificar eventuais casos de super-relato de uso (falso-positivos).
Os questionários apresentaram ainda itens referentes ao grau de escolaridade do chefe da família e à posse de bens pela família.
Foi explicado que não era necessário se identificar no questionário, garantindo o anonimato e sigilo das informações, pois se sentiu que alguns adolescentes ficaram inicialmente com dúvidas. Neste momento, estavam ausentes dois adolescentes do total de 39.
No dia seguinte, foi realizada a assinatura do Termo de Assentimento e o preenchimento do questionário inicial pelos dois alunos que haviam faltado.
Fotografia 2 - Assinatura do Termo de Assentimento e Preenchimento do Questionário Inicial.
Fonte: Foto pela autora
4.4.4 Fase 4 – Desenvolvimento das quatro oficinas
A realização de oficinas mostrou-se uma tecnologia educativa muito importante para coleta de dados neste trabalho. Foram aplicadas dinâmicas que geraram os resultados dos adolescentes sobre cada tema explorado. A oficina, segundo Afonso (2002), é estruturada em grupos, independente do número de encontros.
A oficina, na visão de Amaral (2005), é uma técnica de coleta de dados eficiente para realização de pesquisas com adolescentes, visto que é uma atividade que apresenta semelhanças com os mesmos, momento de transformações dos participantes e de manifestação de opiniões.
As oficinas ocorreram no dia e horário pactuados pela escola: às terças-feiras, no horário da última aula dos adolescentes da turma escolhida (10 às 11 horas). Assim, a duração média das oficinas foi de uma hora.
Todos os momentos contaram com a participação da pesquisadora e uma média de quatro ACS, auxiliando nos registros fotográficos, na filmagem e nos registros do Diário de Campo. A escolha desses profissionais deveu-se ao fato de apresentarem perfil para auxiliar no desenvolvimento do projeto: uma estudante de enfermagem, uma estudante de Pedagogia e outros dois por conhecerem muito bem o território e conseguirem interagir bem com os adolescentes.
Ao final de cada uma das quatro atividades de intervenção, foi servido lanche para os alunos. Como as atividades se realizaram na última aula da turma, após o término das oficinas, os alunos eram liberados para suas casas.
Durante e após cada encontro, os acontecimentos foram anotados no diário de campo, instrumento importante para registrar a participação dos adolescentes, os acontecimentos e as percepções relacionadas ao encontro, bem como a observação e transcrição dos eventos como eles ocorreram, para posteriores análises e interpretação.
Houve também neste trabalho a preocupação de se realizar, ao final de cada oficina, uma avaliação do encontro pelos adolescentes, momento importante, pois os participantes puderam manifestar suas opiniões por escrito, individual e anonimamente.
Quadro 1 - Síntese das quatro oficinas realizadas no Projeto de Intervenção Oficinas Técnica utilizada Recursos materiais Profissionais participantes N. de alunos presentes Objetivo da atividade 1. Os adolescentes e seus conheciment os sobre drogas. Jogo educativo Jogo de tabuleiro grande confecciona do pelos facilitadores. Três profissionais do NASF: assistente social, farmacêutico e psicóloga. 36
Promover uma atividade em que os envolvidos fossem sujeitos ativos no processo de construção
do conhecimento, através de elemento lúdico (jogo) e de perguntas e temas que suscitam o conhecimento e a vivência prévia
do público em questão. 2. O que são as drogas e quais suas consequênci as Exposição Dialogada Computador, data show e caixa de som. Dois policiais militares que atuavam no PROERD 33
Discutir com os adolescentes sobre a problemática das drogas por meio de um enfoque social e
legal. 3. A prevenção do uso de drogas e a Saúde do Adolescente Exposição dialogada Computador, data show e doces de alcaçus. Uma profissional da Estratégia Saúde da Família (enfermeira) 36 Discutir os problemas relacionados ao uso e abuso de
drogas para a Saúde do Adolescente. 4. Construindo a bandeira da prevenção de drogas pelos adolescentes Exposição dialogada e Trabalho em grupo. Computador, data show, caixa de som, bandeiras, canetinhas, pincéis atômicos. Pesquisadora 38 Aplicar à realidade os conhecimentos adquiridos pelos
adolescentes.