4) DURUM ANALİZİ
4.6 Paydaş Analizi
4.6.3 Dış Paydaş Analizi
O primeiro diploma a materializar a delação premiada em sede do crime de extorsão,
mediante sequestro foi a Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90), a qual acresceu um
novo parágrafo ao art. 159 do Código Penal, o quarto, com a seguinte redação: ”se o crime é
cometido por quadrilha ou bando, o coautor que denunciar à autoridade, facilitando a
liberação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços).”
Posteriormente, a Lei nº 9.269/96, deu nova redação ao dispositivo: “Art. 159. § 4º. se
o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a
libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.”
170No esteio dos pensamentos apresentados, pedimos vênia para trazer à cola julgado do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região que bem analisa a aplicação da delação premiada aos crimes contra o sistema financeiro nacional: “PENAL. PROCESSUAL PENAL. CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL. DELAÇÃO PREMIADA. FUNDAMENTAÇÃO CLARA E SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. APLICAÇÃO A INDICIADO E DENUNCIADO. POSSIBILIDADE. REVELAÇÃO DA TRAMA DELITUOSA. OCORRÊNCIA. LIMITES DA REDUÇÃO. 1. Fundamentada a concessão do favor legal decorrente da delação, de modo claro e suficiente, ainda que sucinto, não há falar em nulidade, por ofensa ao art. 93, inc. IX, da Constituição Federal. 2. São requisitos do art. 25, § 2º, da Lei nº 7.492/86, a espontaneidade (ato não forçado, ainda que provocado por terceiros), a existência de revelação (fatos, agentes e provas antes não conhecidos), o alcance da revelação (toda a trama criminosa) e a incidência em grupo voltado à prática de crimes contra o sistema financeiro nacional. 3. Embora prioritariamente voltada à facilitação da investigação criminal, pode a delação dar-se mesmo após o indiciamento ou em fase de ação penal, desde que mantido o caráter inovador, de revelar o que antes não se sabia, de modo pleno e relevante. 4. Tampouco se perde na delação judicial o caráter de espontaneidade, pois continua sendo faculdade do réu, que em juízo pode negar ou confessar seu crime, mas não possui dever legal de denunciar a trama criminosa e muito menos revelar todo seu desenvolvimento e integrantes. 5. Tendo os acusados prestado declarações em juízo indicando a participação de outras pessoas nas diversas fraudes perpetradas durante longo período na gestão de entidade administradora de consórcio, revelando detalhes das irregularidades e apresentando inclusive documentos probatórios, é escorreita a incidência da minorante legal. 6. O limite de redução pela delação premiada, de um a dois terços, é dosado em face da importância e alcance da revelação: pelos detalhes desconhecidos, número de crimes ou agentes envolvidos, utilidade para as investigações e provas do crime, bem como ante a eventual prova trazida pelo delator.” (TRF 4ª – 7ª Turma: AC 2005.04.01.046420-5; Rel. Des. Néfi Cordeiro. Fonte: D.E. 24/10/2007).
Do exposto, vê-se ter-se tornado despiciendo, para a incidência da redução prevista no
art. 159, §4º, do Código Penal, que o delito tenha sido praticado por quadrilha ou bando,
bastando, para tanto, que o crime tenha sido cometido em concurso de pessoas.
171A singeleza do dispositivo não prevê grandes novidades quanto a seus requisitos,
exigindo apenas que se confidencie o concorrente com a autoridade competente, fornecendo
dados eficazes no desvendar da localização e libertação da vítima, que deverá ser,
obrigatoriamente, localizada.
172Ademais, a lei não exige seja recuperado o produto da
extorsão.
173Conforme o explicitado supra, o interesse do legislador parecia estar muito mais
ligado à recuperação e à preservação física e mental das vítimas desse crime tão comum nos
dias atuais, prevendo a redução da pena de um a dois terços a ser aplicada de acordo com o
empenho e resultado da delação. Ou seja, deve o magistrado atentar, no momento da
dosimetria da benesse a ser concedida, se a pessoa aprisionada fora recuperada antes que
tenha sofrido lesões graves, sido submetida a tortura, ou esteja correndo risco de vida, e etc.
171“PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 159, §4º, CP. DELAÇÃO PREMIADA. DESNECESSIDADE DE QUE
O CRIME TENHA SIDO PRATICADO POR BANDO OU QUADRILHA. LEI Nº 9.269/96. Com o advento da Lei nº 9.269/96, tornou-se despiciendo, para a incidência da redução prevista no art. 159, §4º, do CP, que o delito tenha sido praticado por quadrilha ou bando, bastando, para tanto, que o crime tenha sido cometido em concurso, observados, porém, os demais requisitos legais exigidos para a configuração da delação premiada. Writ concedido.” (STJ – 5ª Turma: HC 33803 / RJ. Rel. Min. Félix Fischer. Fonte: DJ 09/08/2004 p. 280)
172“PROCESSO PENAL – HABEAS COPUS – EXTORSAO MEDIANTE SEQUESTRO – DELAÇÃO
PREMIADA – IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da delação premiada consiste em ato do acusado que, admitindo a participação no delito, fornece às autoridades elementos capazes de facilitar a resolução do crime. 2. A conduta do paciente não foi eficaz na resolução do crime e sequer influenciou na soltura da vítima. 3. Ordem denegada.” (STJ – 6ª Turma – HC 107916/RJ; Rel. Min. Og Fernandes. Fonte: DJe 20/10/2008).
173Sem embargo, existem decisões do STJ requerendo que a liberação do seqüestrado se dê anteriormente ao
pagamento do resgate. Ousamos entender que se trata de requisito imposto ao arrepio da lei: “HABEAS CORPUS. PENAL. EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO. VÍTIMA LIBERTADA POR CO-RÉU ANTES DO RECEBIMENTO DO RESGATE. RETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS BENÉFICA DELAÇÃO PREMIADA. REDUÇÃO DA PENA. ORDEM CONCEDIDA. 1. A libertação da vítima de seqüestro por co- réu, antes do recebimento do resgate, é causa de diminuição de pena, conforme previsto no art. 159, § 4º, do Código Penal, com a redação dada pela Lei nº 9.269/96, que trata da delação premiada. 2. Mesmo que o delito tenha sido praticado antes da edição da Lei nº 9.269/96, aplica-se o referido dispositivo legal, por se tratar de norma de direito penal mais benéfica. 3. Ordem concedida.” (STJ – 5ª Turma – HC 40633/SP; Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima. Fonte: DJ 26/09/2005 p. 417); e “RECURSO ESPECIAL. PENAL. EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO. DELAÇÃO PREMIADA. RECURSO DO ÓRGÃO MINISTERIAL PROVIDO. RECURSO DOS RÉU PREJUDICADO. 1. A liberação da vítima após configurada a expectativa de êxito da prática delituosa - recebimento do dinheiro -, ainda que nenhuma outra violência tenha sido praticada contra ela, não se mostra como uma conduta própria a autorizar a benesse legal inserta no artigo 159, § 4º, do CP. 2. "A regra do § 4º do artigo 159 do Código Penal, acrescentada pela Lei nº 8.072/90, pressupõe a delação à autoridade e o efeito de haver-se facilitado a liberação do sequestrado" (STF, HC 69.328/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 05/06/1992). 3. Recurso especial do Ministério Público provido, restabelecendo a sentença, nesse particular. Recurso dos réus prejudicados.” (STJ – 6ª Turma - REsp 223364 / PR; Rel. Min. Hélio Quaglia Barbosa. Fonte: DJ 22/08/2005 p. 349).