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4) DURUM ANALİZİ

4.7 Kuruluş İçi Analiz

4.7.2 Kadrolu Personel Yetkinlik Analizi

O art. 8º, parágrafo único, da Lei nº 8.072/90 assim dispõe: “O participante e o

associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu

desmantelamento, terá a pena reduzida de 1 um) a 2/3 (dois terços).”

Referido texto institui modalidade de delação premiada aplicável somente à quadrilha

ou ao bando formados especificamente para a prática dos crimes tratados pela Lei dos Crimes

Hediondos.

Realmente, o diploma normativo em comento, Lei nº 8.072/90, criou uma nova

espécie de quadrilha ou bando, caracterizados, necessariamente, pela reunião de quatro ou

mais agentes, com finalidade específica de praticar, de modo reiterado, os crimes de tortura,

terrorismo, tráfico de drogas assim como os hediondos (art. 8º, caput). Assim, passou a haver

distinção daquele tipo genérico de quadrilha inscrito no art. 288 do Código Penal , o qual

constitui a reunião de mais de três pessoas para a pratica de crimes comuns. Há que se

ressaltar, ainda, a previsão posteriormente trazida pela Lei 11.343/2006, Nova Lei de Drogas,

no bojo de seu artigo 36, definida como quadrilha ou bando especiais com a finalidade de

praticar os crimes previstos nos art. 33, caput e §1º, e 34 da citada lei.

Portanto, levando-se em consideração que, como norma especial que é a Lei 8.072/90,

somente pode regular seus tipos específicos, na hipótese de que haja a existência da quadrilha

ou do bando formados para a prática de crimes hediondos ou equiparados como pressuposto

para a aplicação da norma. Essa condição é desdobramento do requisito genérico da

pluralidade de agentes, sendo o crime de quadrilha ou bando de concurso necessário.

Ademais, salutar é que a denunciação se faça perante autoridade competente,

entendendo-se esta como a legalmente incumbida pelo Estado da apuração e punição de

crimes, tais como delegado, promotor, juiz etc.

Também é importante destacar que a lei menciona a exigência de perpetração da

denúncia por um dos integrantes do grupo criminoso, seja participante seja associado. Nesse

ponto, surge intensa divergência quanto ao alcance da expressão: a delação premiada limita-se

ao crime de formação de quadrilha ou bando ou alberga, igualmente, os crimes por este grupo

praticados?

Alguns entendem estar-se a falar de “participante“ como coautor ou partícipe do crime

cometido em quadrilha, enquanto “associado“ seria sinônimo de integrante do bando

delituoso. A propósito, Monteiro afirma que ambos os agentes poderiam ser beneficiados com

a redução da pena: “O associado, nas penas dos dois crimes. O participante, no crime

praticado.“

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Acredita-se, contudo, estar a razão com a segunda corrente, a qual defende

significarem as expressões participantes e associados, respectivamente a partícipes e

coautores do crime de quadrilha previsto no caput do art. 8º da Lei nº 8.072/90. Assim, a

colaboração poderá advir de pessoa que efetivamente tome parte na quadrilha ou bando ou

por sujeito que, sem integrar a organização, concorreu de qualquer modo para sua formação.

De fato, o propósito legislativo fora premiar o delinquente que, mediante suas

declarações, possibilitou o desmantelamento da quadrilha da qual fazia parte. Saliente-se que

não pode o jurista fazer uma interpretação correta do disposto no parágrafo único do artigo 8º

da Lei nº 8.072/90 dissociando-o de seu caput, que, em momento algum faz menção aos

crimes praticados pelo bando. Seria, verdadeiramente, um método absurdo de interpretação.

Capez afirma, ainda, que, com a leitura sistemática do diploma regulamentador dos

crimes hediondos e equiparados, lembrando o comentado texto normativo trouxe, além da

previsão do parágrafo único do art. 8º, a primeira redação dada à possibilidade de delação

premiada (a que chama delação eficaz) do art. 159, § 4º, do Código Penal, no tocante ao crime

de extorsão mediante sequestro. Vejamos:

a vingar a primeira posição, o instituto da delação eficaz (art. 7º, § 4º) seria inútil, pois bastaria denunciar o bando para que a pena de ambos os crimes fosse diminuída. Se a lei se preocupou em criar um instituto para a redução da pena do crime praticado pela

quadrilha (no caso, a extorsão mediante sequestro), é justamente porque a traição benéfica não o alcança; afinal, na lei não devem existir regras inúteis

.

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Desse modo, comungando da opinião de Gonçalves: “no caso de concurso material

entre o crime de quadrilha e outros delitos praticados por seus integrantes, a redução da pena

atingirá apenas o primeiro (quadrilha)“

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Nesse caso, para que o colaborador possa fruir de

benesses também quanto ao delito praticado em quadrilha, poderá ele recorrer à legislação

genérica da Lei de Proteção às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Lei nº 9.807/99),

aplicável a qualquer crime cometido em concurso de pessoas. Assim, uma vez atendidos seus

requisitos, poderá o acusado gozar dos prêmios ali instituídos.

Por último, requer-se o desmantelamento da quadrilha como resultado prático

consequente da delação.

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[...] requer-se que da atividade do agente tenha-se um resultado concreto, positivo: descoberta ou desmantelamento do grupo criminoso, devido à colaboração do agente. A exigência que as informações prestadas sejam verdadeiras e corretas no sentido da produção de um resultado favorável. Não basta a mera intenção ou dados sem a maior consistência. Assim a colaboração tem de ser eficiente, ou seja, importante a ponto de permitir a descoberta de dados que comprovem a chefia e seu envolvimento com o crime organizado. 156

No que tange a esse pressuposto, dúvidas nascem na situação de o réu-colaborador não

identificar todos os integrantes do grupo, bem como todos os seus facilitadores,

independentemente do motivo, seja porque não possui, de fato, tal conhecimento, seja por

ocultação deliberada. Haver-se-á de se conceder o benefício? Entendemos que, por cargo de

auxílio do colaborador, existindo o real desbaratamento do bando, de forma que seus

integrantes fiquem impedidos de continuar juntos, suas atividades nocivas, satisfeita restará a

exigência legal.

153CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal, Legislação penal especial. vol. 4, 2ª ed. São Paulo: Saraiva. p.

219.

154GONÇALVES, Victor Eduardo Rios. Crimes hediondos, tóxicos, terrorismo, tortura. São Paulo: Saraiva,

2001. p.24.

155“HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL

PENAL. ARTIGO 8º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 8.072/90. DELAÇÃO PREMIADA. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE QUADRILHA OU BANDO. PROGRESSÃO DE

REGIME PRISIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 2º, PARÁGRAFO 1º, DA LEI Nº 8.072/90 DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA. [...] 2. A redução de pena prevista para os casos de delação de co-réu (artigo 8º, parágrafo único, da Lei nº 8.072/90), requisita a existência e o desmantelamento de quadrilha ou bando. [...]” (STJ – 6ª Turma: HC 41758/SP; Rel. Min. Hamilton Carvalhido. Fonte: DJ 05/02/2007, p. 386.)

Benzer Belgeler