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1.8 Ölçme ve Değerlendirme İle İlgili Yapılan Çalışmalar

1.8.2 Yurt Dışında Yayınlanan Çalışmalar

Vários trabalhos apontam a possível influência das crenças religiosas na compreensão e na aceitação da evolução biológica. Segundo Smith (2010b, p. 549) “as crenças, especialmente as crenças religiosas fundamentalistas, têm sido reconhecidas como importantes influências

negativas na aceitação e na compreensão da evolução”. A correlação entre as crenças religiosas fundamentalistas e a não aceitação da evolução foi evidenciada em estudo realizado por Mazzur (2005). Neste estudo, o autor defende que a religiosidade cristã, particularmente em suas versões mais fundamentalistas, é o principal fator de descrença na evolução biológica, superando o nível educacional e orientação política dos indivíduos. Miller, Scott e Okamoto (2006), que analisam diversas pesquisas de opinião pública sobre a aceitação da evolução biológica (já discutido anteriormente) também encontraram uma forte correlação entre crenças consideradas fundamentalistas e a alta rejeição à evolução biológica nos Estados Unidos.

Como esclarece Smith (2010b), as crenças fundamentalistas, geralmente, são literalistas bíblicas e defendem o criacionismo da Terra Jovem. Ideias que se contrapõem, por exemplo, aos métodos de datação radiométricos utilizados nos estudos dos fósseis, evidências da evolução biológica. As pesquisas empíricas que descrevemos na seção anterior também corroboram esse entendimento. De modo geral, isso pode ser evidenciado de forma mais direta quando uma relação pode ser estabelecida entre a existência da prática religiosa e a rejeição da evolução biológica e, de forma indireta, quando os alunos, por exemplo, tendem a aceitar a evolução em animais e não em humanos ou tendem a rejeitar a evolução quando erroneamente entendem que ela (a evolução) afirma que o “homem veio do macaco” ou mesmo quando não aceitam o acaso. Todos esses exemplos conflitam com ensinamentos religiosos. Assim, o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus e, portanto, não pode ter vindo do macaco, nem ter se transformado ao longo do tempo como os outros animais poderiam, por exemplo. Ou ainda, quando o acaso não parece fazer sentido, uma vez que o mundo e a existência humana apresentam um propósito maior, definido pelo Criador. Desta forma, compreender e/ou aceitar a evolução biológica parece ser mais difícil para adeptos de religiões literalistas. O mesmo não parece ocorrer, por exemplo, com aquelas religiões que apresentam um entendimento mais metafórico das Escrituras Sagradas ou mesmo com aquelas que não creem na existência de um Deus personificado, isto é, apresentam um conceito de Deus mais abstrato (Blancke et al. 2012), como é o caso, por exemplo, da religião budista. Também é interessante perceber que existe certa sobreposição entre o pensamento religioso, notadamente o literalista bíblico, e as tendências do pensar teleológica e de intencionalidade, já abordadas. Mas como essas tendências do pensar e o pensamento religioso poderiam estar relacionados?

Blancke et al. (2012) buscam dar uma resposta a esta questão. Os autores, à luz das ciências cognitivas, esclarecem sobre a existência de crenças reflexivas e intuitivas. As primeiras, seriam aquelas a que estamos familiarizados em um nível consciente, que utilizamos em nosso raciocínio explícito. As segundas, seriam geradas de forma automática pelo nosso

cérebro, como resposta a estímulos específicos, atuariam, então, em um nível inconsciente. Crenças religiosas seriam do tipo reflexivas, e aquelas associadas às tendências do pensamento, do tipo intuitivas. Crenças intuitivas, por sua vez, poderiam atuar sobre as reflexivas, restringindo-as ou reforçando-as, dependendo do grau de compatibilidade que estabelecem. Quando ambas estiverem em sintonia “[...] mais sentido fazem, ou, em outras palavras, mais naturais se sentem. Como resultado, essas crenças são facilmente representadas, lembradas e transmitidas e se tornam mais amplamente dispersadas [...]” (BLANCKE et al., 2012, p. 1170). Assim, estudiosos da área das ciências cognitivas e da antropologia, que pesquisam sobre o pensamento religioso, argumentam que ele seria, de certa forma, “natural” aos seres humanos, uma vez que coincidiriam com algumas crenças ditas intuitivas (BLANCKE et al., 2012). O pensamento religioso, portanto, em sintonia àquelas estruturas de pensamento poderiam exercer uma influência negativa no desenvolvimento do pensamento evolutivo, considerado mais contra intuitivo ao homem – como em geral também é grande parte do conhecimento científico –, dificultando a compreensão e a aceitação da evolução biológica. Mas o que se pode fazer para tornar o conhecimento científico evolutivo mais compreensível aos estudantes que possuem crenças religiosas?

Blancke et al. (2012) trazem algumas sugestões para essa questão. Segundo eles, é preciso não confrontar. Quando a sintonia entre as crenças (reflexivas e intuitivas) é forte os alunos tenderão a rejeitar o pensamento evolutivo. Os autores sugerem, então, que a introdução ao pensamento evolutivo deve acontecer cedo. Segundo eles, pesquisas15 têm indicado que alguns conceitos centrais da evolução biológica, como a seleção natural, por exemplo, já poderiam ser ensinados ao redor dos 5 anos de idade. Outra sugestão dos autores é que o professor de ciências e o de ensino religioso precisam estimular a reflexão sobre a existência de um Deus antropomorfizado. Isso poderia ser feito, no ensino religioso, por meio da abordagem acerca do conceito de Deus em diferentes entendimentos religiosos. Entendemos serem pertinentes as sugestões de Blancke et al. (2012), entretanto, julgamos que o espaço adequado para análises do conceito de Deus seriam as aulas de ensino religioso ou de filosofia e não as de ciências.

Salientamos, ainda, que é preciso ter cautela quando concebemos a religião como algo “natural” ao homem, assim como é preciso ter cautela quando dizemos que os pensamentos religioso e científico, de modo geral, e o evolutivo, em particular, são inerentemente conflitantes. Historicamente essa segunda afirmação não se sustenta (BROOKE, 2003). Na

sociedade contemporânea podemos dizer, entretanto, que em determinados contextos eles podem conflitar e em outros não. Conflitariam, por exemplo, quando consideramos vertentes religiosas mais fundamentalistas – ou ainda, quando se tem uma visão da evolução que, necessariamente, a vincula ao ateísmo. Uma evidência de um não conflito obrigatório é a existência de evolucionistas conceituados que compartilham do pensamento religioso. Assim

pessoas religiosas têm tentado de várias formas conciliar sua fé com uma compreensão adequada da teoria da evolução. A fé religiosa de alguns dos fundadores da síntese evolutiva moderna, como Theodosius Dobzhansky e Ronald Fisher, e de outros biólogos evolutivos, como Kenneth Miller e Francisco Ayala, ilustra que tal conciliação é, pelo menos, psicologicamente viável (BLANCKE et al., 2012, p. 1177).

Isso não significa dizer, entretanto, que não ocorram “desvios de significado”, durante o “tráfego de ideias” entre os pensamentos religioso e científico, naquelas pessoas que compartilham desses diferentes tipos de pensamento. A epistemologia de Ludwik Fleck é particularmente interessante para lançar luz sobre essas questões, que serão abordadas nos capítulos 3 e 4.

Benzer Belgeler