5.1 Sonuç ve tartışma
5.1.1 Düzlemlerin birbirlerine göre durumları konusunun öğretimine ilişkin bulguların
fundamental para a compreensão dos papéis que desempenham as cidades na divisão territorial do trabalho e possibilita pensar a partir de uma economia política do espaço ou mais precisamente da urbanização. Assim como a estrutura intra-urbana não se dá aleatoriamente, a estrutura interurbana também não, por conseguinte, a partir da rede urbana, torna-se importante pensar o papel que assume as cidades pequenas, ao passo que estas constituem parte integrante da rede e dos processos produtivos e espaciais.
Desse modo, uma primeira reflexão se faz necessária a partir da análise da rede urbana, ao passo que atentar para as cidades a partir da configuração da rede urbana contribui com a contextualização das cidades pequenas, suas relações sócio-econômicas vigentes e os padrões espaciais que delas emergem. Conhecer a forma, função e estrutura da cidade e as condições históricas em que se dá a produção do espaço urbano é um meio de identificar as diferenças existentes nas cidades pequenas, que exige grande mobilidade espacial de parcela da população, seja pela inexistência de infra-estrutura, serviços e o fato do mercado de trabalho local não atender toda a população provocando deslocamentos diários de grande parte da população para outros núcleos urbanos ou para as áreas rurais.
Assim, apreender Capão Bonito, Buri e Ribeirão Grande a partir da rede urbana é basilar para o completo entendimento da cidade e do processo de urbanização nestes centros urbanos, pois, como afirma Braga e Carvalho (2004), não basta olhar para a cidade em si, é preciso contextualizá-la regionalmente, saber qual o seu papel na rede das cidades, sendo, sobretudo, um meio de identificar as áreas prioritárias às ações de políticas públicas de integração territorial, de desenvolviemnto e planejamento urbano e regional.
O estudo das regiões de influência das cidades desenvolvido pelo IBGE (2008b) classificou as cidades em cinco grande níveis e suas subdivisões: metrópole, capital regional, centro sub-regional, centro de zona e centro local. No que concerne ao presente estudo, tem-se a cidade de Sorocaba como capital regional C, com influência de âmbito regional, sendo referidas como destino, para um conjunto de atividades, por grande número de municípios, sendo denominado de nível “C” segundo seu porte e padrão de localização e regionalização. Itapetininga e Itapeva ganham status de centro sub-regional B, ou seja, centros com atividades de gestão menos complexas com área de atuação mais reduzida, enquanto Capão Bonito, Buri e Ribeirão Grande são classificadas como centros locais, segundo a metodologia empregada. O IBGE (2008b) define centro local como cidade cuja centralidade não extrapola os limites do seu município, servindo apenas aos seus habitantes.
Ressalte-se que enquanto Capão Bonito faz parte da região de influência de Sorocaba (capital regional C), Ribeirão Grande e Buri são polarizadas por Itapeva (centro sub-regional C), também subordinada a Sorocaba, que se relaciona com o estrato superior da rede urbana. A figura 3 representa um esquema das cidades estudadas inseridas na rede urbana, com suas interligações por meio das vias de circulação, no caso as rodovias, bem como a polarização segundo as regiões de influências das cidades do IBGE (2008b).
Figura 3: As cidades estudadas inseridas na rede urbana.
Fonte: Geosnic; IBGE (2008b) / Org.: Orlando Moreira Junior, 2009.
Refletir a partir da configuração da rede urbana nos remete a uma análise a partir dos processos ligados à economia e à urbanização, à divisão territorial do trabalho e aos aspectos funcionais, dimensão populacional e localização geográfica dos núcleos urbanos, interligados por fluxos de bens, serviços, informações e pessoas, que se estruturam espacialmente de forma hierarquizada, como mostra a figura 3.
Destarte, uma primeira análise a partir da rede urbana auxilia para englobar cada cidade numa escala mais ampla de análises e comparações. Ademais, corrobora com a própria definição de cidade pequena como apontamos anteriormente, bem como para entender o nível de subordinação que estas cidades estão sujeitas por núcleos urbanos de maior porte como
assinala o estudo do IBGE (2008b), seja na concentração de comércio, serviços e instituições financeiras quanto no que se refere ao ensino superior e serviços de saúde, por exemplo.
Para entender uma rede, é necessário levar em conta uma dada região e as cidades que aí se distribuem em alguns tipos caracterizados por seu papel econômico principalmente, e sua localização geográfica que repercute na maneira pela qual as cidades cumprem seus papéis urbanos.
O capitalismo produz uma avançada divisão de trabalho, em que especialização, fragmentação, interdependência e internacionalização foram desenvolvidas em níveis sem precedentes. O problema é que determinadas cidades são privilegiadas em detrimento de tantas outras, como diversas cidades pequenas, por exemplo, que ficam de fora do processo de integração competitiva, parafrasenado Bacelar (2000), levando a pensar em cidades excluídas, excluídas da integração econômica, o que ratifica pensar que a urbanização brasileira se deu e se dá de modo excludente, pois uma exposição a partir da estruturação interurbana confirma que esses municípios são desfavorecidos, tanto em riqueza como no que tange os indicadores sócio-econômicos.
Uma das consequências marcantes neste processo é a intensificação dos processos migratórios e dos deslocamentos no espaço interurbano, seja em caráter pendular ou permanente. Com relação aos deslocamentos pendulares podemos destacar os fluxos diários que se estabelecem entre as cidades que compõem a rede urbana, principalmente para cursar o ensino superior; comprar roupas, calçados, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, computadores, móveis em geral, ou freqüentar shopping centers, hipermercados e assemelhados; usar aeroporto em vôos de linhas regulares; buscar serviços de saúde (consultas médicas, odontológicas, exames ou internações); e para atividades de lazer (cinema, teatro, shows, jogos e demais eventos artísticos ou esportivos).
Em suma, constata-se, neste recorte empírico, que os deslocamentos diários voltados ao ensino superior dirigem-se as duas cidades próximas com maior nível de centralidade, Itapetininga e Itapeva, nas quais encontram-se as instituições de nível superior, enquanto os fluxos em direção aos serviços de saúde atingem níveis mais abrangentes rumo à Itapeva, Itapetininga, Sorocaba e São Paulo, sendo que no caso de Ribeirão Grande os deslocamentos ocorrem em direção a Capão Bonito também. Já no caso do comércio, Capão Bonito é um centro atrativo para Ribeirão Grande, assim como Itapeva e Itapetininga atraem a população buriense às compras. Um chamariz em Itapetininga é a existência de um shopping center, que atrai a população mais abastada das cidades em seu entorno que anseiam em vivenciar este
meio de consumo e “lazer”, particularmente aqueles sujeitos favorecidos pela difusão dos automóveis particulares.
Por meio disto já se revela certa subordinação de Capão Bonito, Buri e Ribeirão Grande aos centro de maior porte, sendo possível verificar que apesar do IBGE (2008b) não proferir a Itapetininga papel central de região de influência, esta cidade apresenta alto nível de centralidade para as cidades que englobam este estudo, tal qual para região como um todo, pois tem uma situação estratégica, sendo um importante entroncamento de ligação com todo sudoeste do Estado de São Paulo e com o norte do Paraná.
De qualquer forma a polarização dos centros urbanos maiores em relação as cidades pequenas se estabelece em diversas escalas. Economicamente, Itapeva, Itapetininga e Sorocaba apresentam dinamismo no segundo setor, sendo esta última possui um pólo industrial já consolidado e diversificado. No restante, a região como um todo caracteriza-se por ser uma das regiões de pior desenvolvimento humano do Estado de São Paulo. Apesar de sua origem territorial, marcada pela importante rota dos tropeiros que vinham do sul rumo a São Paulo, essa trajetória histórica de quase dois séculos, não proporcionou à região ciclos de desenvolvimento virtuosos, mas sim um tipo de desenvolvimento cujas conseqüências são marcadas pela enorme concentração de renda e terra, nas quais as principais atividades econômicas são: a produção de grãos (feijão, milho e soja), pecuária de corte, silvicultura e mineração.
Como não foram favorecidas pela desconcentração econômica-industrial do último quartel do século passado, as cidades que englobam o presente estudo de caso permaneceram, fundamentalmente, voltadas ao primeiro setor, e, por conseguinte, juntando-se as razões estruturais históricas, não se enquadram nos padrões de integração competitiva, o que nos remete a pensar em cidades excluídas, como é o caso de tantos outros municípios ou mesmo regiões inteiras, cujo resultado é a imensa desigualdade interurbana, visível na rede urbana e na competição travada entre as cidades por vantagens comparativas.
Assim, Capão Bonito, Ribeirão Grande e Buri, apesar de suas particulariedades e diferenças em diversos aspectos, caracterizam-se como cidades pequenas, pois desempenham papéis reduzidos na rede urbana regional e nacional, bem como do ponto de vista demográfico apresenta baixa taxa populacional e funcionalmente ainda está intimamente ligado ao meio rural, seja economicamente, como o caso de Capão Bonito e Buri, seja do ponto de vista populacional, como em Ribeirão Grande. Não são cidades novas advindas diretamente do processo de expansão das fronteiras agrícolas e dos interesses do agronegócio, apesar de a estes interessar, pois comandam os latifúndios monocultores voltados para o mercado.
As cidades pequenas só podem ser entendidas à luz da rede urbana. No cenário brasileiro congregam um contingente expressivo da população brasileira e perfazem uma ampla extensão do território nacional. Desempenham papéis reduzidos na rede urbana nacional e apresentam, em sua maioria, estreita relação com o campo, onde, geralmente, se encontra a base econômica municipal – rural ou agroindustrial. Junta-se a isso o fato de que as áreas empobrecidas dessas cidades são muito grandes se considerarmos suas extensões territoriais e populacionais e há ausência de empregos, infra-estruturas, serviços diversos, entre tantas outras necessidades, o que aumenta a dependência da população dessas pequenas cidades em relação aos centros urbanos de maior porte. E isso se expressa nas três cidades que compõem este estudo de caso. Daí pensarmos se as cidades pequenas seriam territórios da exclusão, tanto no que diz respeito ao espaço intra-urbano quanto na estrutura interurbana na qual se insere.
Nesta direção, justifica-se a tentativa de articulação que se propõe estabelecer entre a estruturação intra-urbana com a estruturação interurbana das cidades, pois, se de um lado, o modo como está estruturado o espaço urbano e a rede de cidades é produto dos atuais padrões e interesses econômico-políticos em vigência, no qual as cidades pequenas se configuram enquanto cidades dos excluídos e cidades excluídas; por outro lado, a configuração urbana dessas cidades pequenas está diretamente ligada ao número reduzido de papéis urbanos por elas desempenhadas, sendo que possíveis (re)arranjos espaciais na constituição da rede urbana acarretariam em mudanças na estrutura interna dessas cidades e no processo de transformação e produção do espaço urbano.
O processo contemporâneo da produção de espaço mescla uns poucos ganhadores grandes com muitos perdedores pequenos como afirma Gottdiener (1997), isso em diversas escalas. Destarte, ler a região, o município e a cidade é fundamental para interpretar a produção desigual do espaço numa leitura multi-escalar, tal qual a atuação dos atores, os conflitos e as tendências das políticas públicas e do planejamento urbano e regional, as práticas e possibilidades da gestão do território e os processos e transformações na configuração urbana. Sendo que ao nos atermos, estritamente, às cidades de pequeno porte, esta leitura só pode se efetuar a partir da articulação entre as escalas intra e interurbana associadas às relações estabelecidas com o urbano, o rural e o agrícola.