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2. KAYNAK ARAŞTIRMASI

2.5. Dünyada Yapılan Çalışmalar

2.1 – A interdependência na relação entre pessoa e ambiente

No intuito de ampliar o entendimento acerca da relação multidimensional existente no processo saúde-doença, explicitada no capítulo anterior, e considerando que a Psicologia Ambiental é um campo do conhecimento que poderá contribuir para a compreensão dos fatores que envolvem os seres humanos e o ambiente na propagação de doenças vetoriais, este capítulo versará sobre temas que são especiais para o entendimento do comportamento sócioespacial humano.

A relação dos seres vivos com o ambiente é essencial para a existência destes. Não existe ser vivo isolado ou vivendo independente de um ambiente, visto que as condições ambientais são determinantes para sua sobrevivência, uma vez que estes ocupam um lugar específico no ecossistema global (Soromenho-Marques, 2005). Aparentemente, somente há pouco tempo, o ser humano se deu conta de que a sua sobrevivência no planeta Terra está vinculada ao seu modo de relacionar-se com o ambiente. O conhecimento da maneira como essa relação se desenvolve foi inicialmente focalizado em estudos no campo das ciências físicas e biológicas (Andery et al., 2004).

Somente ao final do século XIX e início do século XX, com o advento da Revolução Industrial e com o processo de consolidação do modelo econômico capitalista em nosso planeta, surgem os primeiros estudos, que podem ser denominados de Psicologia Ambiental (Pol, 2006). Esses primeiros pesquisadores se defrontaram com a temática ambiental de forma indireta, e porque não dizer de forma acidental, uma vez que devido à tradição da Psicologia em focalizar o indivíduo, os aspectos

ambientais que, necessariamente, permeiam a vida humana, assumiam um papel coadjuvante nos estudos dos processos psicológicos (Bonnes & Bonaiuto, 2002).

Pol (2006) considera importante registrar, no início do século XX, na Alemanha, os estudos de Willy Hellpach (1877 – 1955), que, em seu primeiro trabalho, intitulado Geophsyche (1911), analisou os efeitos do sol e da lua e de situações climáticas extremas nas atividades humanas. Segundo Pol, Hellpach e outros estudiosos alemães desenvolviam, nesse período, trabalhos envolvendo temas ambientais e ainda havia estudos relacionados ao ambiente escolar e decorrentes das contribuições da Psicologia da Gestalt.

Pol (2006) também considera importante a influência da Sociologia alemã de Simmel e da Escola de Chicago para o desenvolvimento da Psicologia Ambiental, uma vez que o foco de estudo dos pensadores, ligados a essa última escola, estava direcionado para a problemática da vida urbana, que, com a consolidação da Revolução Industrial e a consequente necessidade de circulação de mercadorias, propiciou condições para as cidades assumirem um papel fundamental na organização política, econômica e social da vida humana.

Para Bonnes e Bonaiuto (2002), a Psicologia Ambiental, construída a partir da segunda metade do século XX, tem como foco de pesquisa, os estudos das características físicas e espaciais do ambiente construído, que influenciam o comportamento humano. Pol (2007) também enfatizou esse privilégio do espaço construído, como objeto da Psicologia Ambiental nesse momento e acrescenta que tal espaço é fruto das demandas advindas da sociedade civil, as quais impactam de forma incisiva na Arquitetura e no Planejamento Urbano e surgem a partir da necessidade de moradias confortáveis, bairros planejados e locais de trabalho que atendessem às exigências do modelo econômico em crescimento.

Outro aspecto mencionado por Pol (2007) foi a contribuição dessa concepção para o alijamento de temas relacionados ao ambiente natural, que não eram considerados relevantes nos estudos desenvolvidos, naquele momento, sob a égide da Psicologia Arquitetural.

É importante ressaltar que, com o propósito de estudar as relações entre o ambiente físico construído e o comportamento das pessoas, a partir da década de 1970, uma nova perspectiva é adotada, em alguns estudos, com ênfase numa abordagem transacional, mais holística das relações pessoa-ambiente. Essa interação é caracterizada como dinâmica e bidirecional, uma vez que pessoa e ambiente se influenciam mutuamente (Stokols, 1978; Bonnes & Bonaiuto, 2002) e deve ser investigada a partir de uma perspectiva interdisciplinar e multimetodológica (Valera, 1996).

Nessa abordagem, a pessoa tem um papel especial na sua relação com o meio ambiente, o qual o diferencia dos demais seres vivos. A sua habilidade de mudar o meio ambiente, para o atendimento de suas necessidades, é evidenciada a partir de processos complexos (Ittelson, Proshansky, Rivlin & Winkel, 1974). Na categorização evolutiva do ser humano, proposta por esses autores, a evolução do homem natural ao homem ambiental é caracterizada por uma consciência, provavelmente tardia, de que o ser humano, condutor da degradação de sua relação com o ambiente, possivelmente, colocou em risco a sua própria sobrevivência enquanto espécie.

Ittelson et al. (1974) foram otimistas em considerar que o ser humano alcançou o estágio do homem ambiental. No entanto, é possível caracterizar um estágio anterior a este, que poderia ser denominado de “homem urbano”. Este é fruto dos demais homens dos estágios anteriores, entretanto, é atado fortemente ao tempo presente, e moldou o espaço no qual vive às suas necessidades imediatas. Ainda resta, porém, um longo caminho para o surgimento do homem ambiental, e a priori, a tendência é considerar

que isso estaria, necessariamente, vinculado à aquisição do conhecimento relativo à inter-ação pessoa-ambiente.

2.2 – A territorialidade, o lugar e o ambiente residencial

O ambiente físico objetivo é o espaço privilegiado para ação das pessoas em sua vida diária. Esse espaço apresenta características complexas e é vivenciado de forma diferenciada por essas pessoas, pois não há duas pessoas que experenciam um ambiente da mesma forma. (Ittelson et al., 1974; Evans, 2005). Assim como acontece no mundo animal, o ser humano desenvolve suas atividades em um território e necessita de uma base territorial concreta para que possa exprimir sua individualidade ou estabelecer relações sociais com seus pares. Assim, o ambiente é um elemento essencial ou indispensável no fomento à interação social e se configura como um substrato necessário ao dia-a-dia das pessoas (Valera, 1999).

Além disso, o território é o espaço físico delimitado e vivenciado por uma pessoa ou por um grupo, que o utilizam para suas atividades cotidianas. Todas as atividades humanas são desenvolvidas em um território - o trabalho, o estudo, o ócio, o descanso - e também nascer, amar, chorar e morrer. Esse território assume características peculiares ou configurações diferenciadas de acordo com as pessoas ou os grupos que interagem com este. Isso ocorre também com outros seres vivos, no entanto, sem a complexidade e a especificidade inerente aos humanos. A vida humana está, necessariamente, vinculada a um território (Hall, 1966/2005).

Nessa perspectiva, a territorialidade está baseada na interação bidirecional entre pessoa e ambiente. Para Valera (1999), o espaço físico não é um mero cenário, no qual acontecem as atividades humanas, pois tanto influencia o comportamento da pessoa como sofre a ação desta, sendo, portanto, um elemento essencial em sua vida. De certa

forma, o ser humano tem uma maneira peculiar de delimitar o território, diferentemente dos animais, os quais utilizam secreções para demarcar o seu território. Aquele utiliza marcadores mais sofisticados.

Assim a forma de uma dona de casa arrumar seu ambiente doméstico, antes de expressar a última tendência de decoração, expressa, sobretudo, a sua relação com aquele espaço, permeada por questões individuais e culturais. Essa arrumação irá permitir que a dona de casa “antecipe” determinados comportamentos dos demais moradores e frequentadores desse espaço. Hall (1966/2005) considera que o aparato sensorial humano é fator essencial para o relacionamento das pessoas com o ambiente, fazendo com que os mecanismos de sentir, perceber, ouvir, olhar e tocar sejam utilizados na organização das atividades de um determinado território.

Esse autor também considera que os territórios possuem fronteiras relativamente estáveis, o que favorece o desenvolvimento de atividades específicas em determinados espaços. A dona de casa, com alguma certeza, não tem conhecimento da abordagem proxêmica na arrumação de sua casa (Hall, 1966/2005), no entanto, ela atua no objetivo de organizar o seu cotidiano de forma que suas tarefas e atribuições sejam favorecidas pela arrumação do seu território. As características fixas (paredes) e semi-fixas (mobiliário) do modelo ocidental de residência facilitam a organização e o dia-a-dia dessa dona de casa.

Além das características citadas acima, Hall (1966/2005) afirma que os espaços possuem uma informalidade a qual permeia a interação entre pessoas em um território. Ele categorizou essa informalidade em tipos de distância, os quais são inerentes ao processo interativo entre os seres humanos (íntima, pessoal, social e pública). O território é o espaço na vida urbana, que, demarcado pelas pessoas, torna-se o substrato essencial para que estas se relacionem. É também um local de vínculo pessoal, que pode

ter importância para uma pessoa ou para um grupo. Pol (1996) enfatiza essa concepção ao argumentar que a relação do ser humano com o ambiente não se restringe a uma mera funcionalidade, sendo essa relação uma condição essencial para a constituição da identidade de pessoas e grupos.

Dessa forma, de acordo com o exposto, constata-se que a relação da pessoa com um território é estabelecida a partir da demarcação desse espaço por essa pessoa, a qual, de certa forma, personaliza um determinado ambiente. Essa personalização é percebida pelas pessoas quando afirmam que a sala de trabalho ou o quarto de uma determinada pessoa reflete as diversas facetas de seu jeito de ser. Tudo isso indica que os espaços, quando vivenciados pelas pessoas, adquirem características que lhes são peculiares. Esses espaços, na concepção de Tuan (1983), seriam denominados lugares, pois adquiriram, com a vivência, características simbólicas para as pessoas que os vivenciaram.

Para além do espaço e do território, o lugar está carregado de emoções e de afetos, e sentir-se vinculado ou atado a um local é uma forma representativa de se relacionar com o ambiente, ou seja, envolve um nível simbólico de experiência. Corraliza (1998) ressalta que toda relação do ser humano com o ambiente é permeada por dimensões afetivas, as quais contribuem com o modo de representar idealmente esse ambiente e de vivenciá-lo. Novamente, nessa relação, não há apenas um processo puramente cognitivo, pois as pessoas estão, nele, envolvidas emocionalmente e estabelecem, com ele, sentimentos que expressam cuidado ou desprezo, da mesma forma que se relacionam afetivamente com as pessoas.

O passo inicial no processo de transformação de um espaço em lugar se dá a partir da experiência direta com o ambiente. No entanto, esse processo não se restringe a uma experiência concreta. Por exemplo, uma pessoa que nunca foi a Paris pode

considerar essa cidade como um lugar, pois, para ela, Paris representa aspirações de realização pessoal e sonhos românticos. Tal concepção é corroborada por Tuan (1983), pois, segundo ele, a capacidade de se vincular a um lugar não vivenciado diretamente é inerente à capacidade humana de pensar e emocionar-se.

Um ambiente que se reveste de intensa carga afetiva e emocional é o espaço destinado à habitação. Lee (1977) escreveu que uma casa, apesar de ser a mais comum das edificações, se configura como um lugar essencial para o desenvolvimento físico, psicológico e social do ser humano. Esse autor estabelece uma analogia entre a relação das pessoas com seus locais de moradia e a relação existente entre uma pessoa e a roupa que veste. Assim como a roupa expressa o jeito de ser dessa pessoa, a sua casa também seria uma fonte preciosa de informações sobre ela.

O ser humano necessita de um local para se abrigar das intempéries desde seus ancestrais. Estes viviam em cavernas para se protegerem dos animais e de outras ameaças advindas do ambiente. Esses locais serviam de refúgio, abrigo e como espaços propícios para as atividades humanas. Para Mumford (1961/1998), as pessoas oscilam entre dois pólos: movimento e repouso. O ser humano, quando em repouso, necessita de um lugar seguro e privado; quando em vida esse lugar é sua casa ou moradia e após sua morte, esse lugar é seu túmulo. Esse autor ainda enfatiza que no período paleolítico, os mortos foram os primeiros a possuírem uma morada definitiva. E argumenta que a “caverna deu ao homem antigo sua primeira concepção de espaço arquitetônico” (p. 15) e está na origem do desenvolvimento das cidades.

O ambiente residencial é um espaço do qual a pessoa se apropria, uma vez que este é modificado e estruturado de acordo com os gostos e o estilo de vida dos moradores. Além disso, há também uma relação de interdependência, que caracteriza o comportamento e o jeito de ser desses moradores (Pol, 1996). Essa apropriação é

sempre caracterizada por um processo que se estrutura e se consolida ao longo do tempo. Esta se apresenta em termos espaciais, temporais e psicológicos e é expressa pela vinculação das pessoas com seus ambientes residenciais (Werner, Altman, & Oxley, 1985).

A vinculação ao lugar de moradia pode ser caracterizada, inicialmente, a partir do sentimento de proteção e segurança inerentes ao convívio com esses ambientes. Esse vínculo, para Giuliani (2004), está relacionado ao sentimento de bem-estar e segurança e advém do apego proporcionado pelo tempo de residência e familiaridade com o lugar. Nesse sentido, os ambientes residenciais assumem um papel privilegiado, pois são os lugares nos quais as pessoas se sentem mais seguras e, na maioria dos casos, propiciam experiências agradáveis e positivas. Não é raro, depois de uma jornada diária de trabalho ou estudo, brotar nas pessoas a necessidade reconfortante de voltar para casa.

Outro aspecto que reforça a possibilidade desse vínculo, proporcionando o apego a esse lugar, está relacionado ao valor simbólico que as moradias assumem em determinados momentos da vida para as pessoas. Giuliani (2004) ainda ressalta que a dimensão simbólica é relativamente independente do tempo de moradia em uma casa, pois essa dimensão estaria mais vinculada a determinados momentos de forte carga emocional, como o nascimento do primeiro filho e o casamento de uma filha.

Amérigo (1998) também argumenta que o ambiente residencial não só expressa sua identidade pessoal, seu jeito de ser, como também sua identidade social, situando essa pessoa em um determinado grupo social, evidenciando os seus valores culturais e sociais. Essa autora ainda considera que não somente a casa mas também o bairro e a vizinhança contribuem para o processo de vinculação estabelecido entre a pessoa e seu local de moradia. A ampliação do espaço residencial para uma dimensão que inclui os vizinhos e o bairro, como espaços passíveis de apropriação pelas pessoas, poderia ser

considerada como um movimento essencial para situar-se na cidade, no país e no planeta.

2.3 – O cuidado com o ambiente e comportamento pró-ambiental

A qualidade do vínculo existente entre o morador e seu ambiente residencial pode ser comparada à ligação entre mãe e filho, devido aos laços afetivos e cognitivos que se estabelecem entre o morador e sua casa. Como escreveu Tuan (1983), “não há lugar como o lar” (p.3); o que me leva a pensar uma analogia entre o nosso lar imediato e o nosso “lar planetário”. Ainda, segundo aquele autor, e como já citado anteriormente, um determinado ambiente torna-se um lugar a partir da familiaridade com esse espaço e da valorização que se lhe dá. Dessa forma, um ambiente, antes indiferenciado, assume qualidades para a pessoa que o qualifica como um lugar, e, nesse processo, a experiência com o ambiente é permeada por variáveis psicológicas inerentes ao ser humano.

Até aqui é viável supor que a experiência com o ambiente mais imediato é concreta e inquestionável, por se tratar das relações pessoa-ambiente, nas dimensões do ambiente residencial, da vizinhança, do bairro e de partes de uma cidade. Como, então, pode ser qualificada a experiência das pessoas com o ambiente global? Como se estabelecem os vínculos com o planeta e se adquire conhecimento e consciência dos problemas que afligem o ambiente em escala planetária? Morin (1999/2006) argumenta que uma visão de mundo compartimentalizada, característica do processo educativo ocidental, favorece a incapacidade de as pessoas lidarem com a multidimensionalidade dos problemas. Esse autor ainda enfatiza que “quanto mais planetários tornam-se os problemas, mais impensáveis eles se tornam” (p.15).

Em relação a estes, Uzzel (2004) enuncia que o ser humano os experencia de forma indireta, geralmente, pela mídia e que, assim, a denominada crise ambiental se configura como um conceito abstrato. Em argumentação que ratifica essa ideia, Sommer (1979) ressalta que a pessoa se conscientiza de sua relação com o ambiente a partir do momento em que reconhece, inicialmente, o quanto o seu ambiente imediato a afeta. Isso acontece, por exemplo, com o morador do interior, que é capaz de fazer previsões em relação aos períodos de seca e cheia a partir do que observa no presente, dos fatos narrados por seus avós e ele pode imaginar como o evento acontecerá no futuro. Meadows (2006) enfatiza que “os fenômenos em diferentes escalas de tempo estão aninhados uns dentro dos outros” (p. 243) e, assim, para o reconhecimento das ameaças ao ambiente planetário, é necessário, simultaneamente, articular o passado, o presente e o futuro.

Apesar de essa crise ainda se apresentar, para grande parte das pessoas, como um conceito abstrato, ela gera um sentimento de impotência nas pessoas para agir em escala global (Uzzel, 2004). É inegável que, em sua gênese, encontra-se a forma de relação da humanidade com o ambiente. O ser humano desenvolveu tecnologias e modos de produção que contribuíram para o desequilíbrio ecológico (Corral-Verdugo, 2001; Soromenho-Marques, 2005).

Corral-Verdugo (2001) argumenta que, embora o ser humano seja o causador da degradação ambiental, este é também responsável pelas tentativas de mitigação dessas agressões. Esse autor credencia as pessoas como capazes de desenvolver comportamentos pró-ambientais, que contribuiriam para a reversão da crise e da situação de deterioração ambiental. O mesmo autor sugere até a coexistência de uma “natureza humana pró-ambiental” e uma “natureza destruidora” (p. 28), o que poderia caracterizar o ser humano com uma personalidade cindida.

No conceito de comportamento pró-ambiental (CPA) enunciado como “o conjunto de ações deliberadas e efetivas que respondem a demandas sociais e individuais e que resultam na proteção do meio ambiente” (Corral-Verdugo, 2001, p. 40), somente a ação intencional e deliberada do indivíduo pode ser qualificada como CPA. Nesse sentido, estão excluídas as ações de cuidado ambiental desenvolvidas por hábito e por imposição de medidas coercitivas pela sociedade. Assim, se o ser humano, no transcorrer da infância e adolescência, adquiriu o comportamento de não jogar lixo no chão e este, na fase adulta se manifesta no cuidado em guardar embalagens para descarte em local adequado ou adere ao serviço de coleta seletiva, esse comportamento, sendo decorrente de um hábito ou de uma coerção, não poderá ser considerado um CPA, se concebido a partir da definição acima.

Outro exemplo de CPA que estaria fora do contexto proposto na conceituação de Corral-Verdugo (2001) é a institucionalização de medidas coercitivas proibindo comportamentos que favoreçam a degradação ambiental, como o descarte inadequado de resíduos líquidos e sólidos no meio urbano; a queima de mata nativa; a criação de animais silvestres em cativeiro, o uso de fumígeros em locais fechados e muitos outros. Entretanto, segundo Sommer (1979), uma das formas de intervir sobre os problemas ambientais está na regulação do poder público sobre a questão. Dessa maneira, é possível supor que a intencionalidade estaria assegurada na ação do poder público, uma vez que exemplos recentes de regulação, instituídos pelo governo (obrigatoriedade do cinto de segurança e proibição de fumar em lugares públicos fechados), têm contribuído para a efetivação desses comportamentos pelas pessoas.

A discussão sobre a intencionalidade do CPA é pertinente quando o foco de análise é a pessoa e sua disposição em preservar o ambiente. Entretanto, quando esse foco é o ambiente, os hábitos adquiridos ao longo da vida e as medidas coercitivas que

atuam como gatilhos para o CPA, devem ser considerados, pois, de forma direta, contribuem para a conservação do ambiente.

Corral-Verdugo (2001), ao buscar traçar um panorama do marco conceitual explicativo do CPA, reconhece que não existe um consenso nas teorias psicológicas acerca dos fatores determinantes desse comportamento. Os comportamentalistas explicam o CPA como decorrente de um estímulo externo e de reforçamento, desprezando quaisquer tipos de fenômenos internos que expressem intencionalidade consciente. No entanto, os cognitivistas consideram o CPA decorrente, exclusivamente, de fenômenos internos ou mentais, gerados a partir do processamento de informações advindas do ambiente que habilitam o indivíduo a agir pró-ambientalmente.

Para esse autor, o pressuposto conceitual da Psicologia Evolucionista é o de que, na gênese do CPA, estaria uma ação altruísta ambiental, cujo objetivo seria a garantia de continuidade de determinado grupo social, preservando seus indivíduos e sua bagagem genética. Entretanto, as teorias sistêmicas explicam o CPA a partir de uma concepção multidimensional, baseada na complexidade da interação entre diversas variáveis psicológicas, sociais, demográficas e situacionais (Corral-Verdugo & Pinheiro, 2004), em um processo dinâmico de inter-relação entre sistemas complexos, no decorrer do

Benzer Belgeler