Atualmente, existem três técnicas de I.A, de acordo com o local de deposição da dose inseminante: a inseminação intra-cervical, a intra-uterina e a intra-uterina profunda. A inseminação intra-cervical é uma técnica tradicional na espécie suína, que visa fixar a pipeta no cérvix, onde é feita a deposição
da dose inseminante. A inseminação artificial intra-uterina (IAU) é realizada com auxílio de um cateter que passa pelo interior da pipeta tradicional, ou com uma pipeta flexível adequada, que são introduzidos até corpo do útero (Belstra, 2002). A inseminação intra-uterina profunda (IAUP) também é realizada com auxilio de um cateter para efetuar a deposição do sêmen em um dos cornos uterinos, entre 8 e 55 cm da junção útero- tubárica (Vasquez et al., 2005). Tanto a IAU quanto a IAUP têm a vantagem de permitir a redução significativa do volume e do número de espermatozóides por dose inseminante.
2.3.2 Momento ideal da inseminação Aproximadamente em duas horas após a IA, há a formação de um reservatório espermático na junção útero-tubárica, a dois cm da porção caudal do istmo. Os espermatozóides que estão no reservatório apresentam-se móveis por até 48 horas após a I.A. Entretanto, isso não significa que, durante esse período, exista uma população espermática apta a fecundar toda a população de oócitos que venha a se encontrar na tuba uterina. Acredita-se que os espermatozóides depositados no útero, quando oriundos de uma dose de sêmen de boa qualidade ou de um macho potencialmente fértil, permaneçam viáveis para fecundar a população de oócitos por um período de 16 a 24 horas. Esta variação no período de viabilidade pode ser explicada por diferenças intrínsecas ao macho ou à fêmea, além do tipo de diluidor, tempo de armazenamento do sêmen e número de espermatozóides por dose (Bortolozzo et al., 2005).
O oócito permanece viável por 4 a 8 horas após ser transportado por um período de 30- 45 minutos até o local de fecundação, na junção da ampola com o istmo (Hunter, 1974). Desta forma, as inseminações pós-
ovulatórias, realizadas até 12 horas após a ovulação, resultam em menor taxa de prenhez devido à polispermia, podendo também causar maiores perdas embrioná rias em torno do 25º dia de gestação (Hunter, 1977).
Quando a inseminação é realizada de 0 a 24 horas antesda ovulação (Soede et al.,1995a; Waberski et al.,1994c) ou entre 28 horas antes e 4 horas após a ovulação(Nissen et al.,1997), a porcentagem de embriões normais é significantemente mais alta do que quando realizada antes ou depois destes períodos. Estas falhas estão provavelmente associadas ao envelhecimento dos gametas masculinos no trato reprodutivo feminino nas cobrições precoces ou pelo rápido envelhecimento dos oócitos (6 a 8 horas após ovulação) nas cobrições tardias (Hunter, 1977).
2.3.3 Número e intervalo entre insemina ções
A estratégia de se administrar no mínimo duas, geralmente três e, excepcionalmente, quatro inseminações a cada 12-24 horas após a detecção do estro, é uma prática comum na maioria dos programas de reprodução suína. O uso de múltiplas inseminações por estro decorre da duração relativamente longa do cio, com horários de ovulação muito variáveis do ponto de vista individual e de rebanho (Soede et al.,1995a). Tantas variações tornam necessá rio o uso de mais de uma inseminação. Atualmente, um dos alvos possíveis na prática da inseminação na espécie suína está na redução do número de doses inseminantes utilizadas durante o estro, sem prejuízos para os resultados de fecundidade e de prolificidade (Candini et al., 2000). Estudos na Holanda (Soede et al., 2000) e no Brasil (Silveira, 2005) demonstram que fêmeas inseminadas à intervalos de 12/12 horas não apresentaram melhores resultados
do que as inseminadas a cada 24 horas. Assim, Silveira (2005) verificou que fêmeas híbridas (Landrace x Large White) inseminadas 12 e 36 horas após o inicio do cio apresentaram 92,22% de taxa de parição e 13,18 ± 3,31 leitões nascidos totais, resultados semelhantes aos das fêmeas inseminadas 12, 24 e 36 horas após o inicio do cio, com taxa de parto e nascidos totais de 93,79 % e 13,69 ± 3,44, respectivamente..
Entretanto, é necessário utilizar menores intervalos de tempo entre as inseminações quando existirem outros fatores capazes de influenciar negativamente o desempenho reprodutivo, como por exemplo, a inexperi ência dos inseminadores (Flowers, 1994), o tempo de armazenamento do sêmen (Waberski et al., 1994b) e os intervalos irregulares entre observações do cio (Soede et al., 2000).
Na maioria das porcas, quando se utilizam duas inseminações à intervalos de 24 horas durante o estro, uma delas poderá ocorrer suficientemente próxima do momento da ovulação, de forma a garantir o sucesso da fertilização e, conseqüentemente, do desem penho reprodutivo. Cesconeto et al. (2003) demonstraram que 80% das porcas inseminadas com duas inseminações, a intervalo de 24 horas, pariram leitegadas mistas, isto é, as duas doses inseminantes contribuíram para a fertilização. Em um plantel que utilizava o mesmo protocolo de I.A, Belstra (2004) verificou que apenas 2,4% das porcas inseminadas deixaram de receber uma I.A no intervalo de 24 horas antes até 3 horas após as ovulações.
Porém, quando se utiliza mais de três inseminações por estro, verifica-se que a última ocorre no final do estro. Rozeboom et al. (1997) observaram que inseminações no final do estro e no metaestro levam à redução na taxa de parto e tamanho da leitegada. Isto se deve ao aumento da progesterona e redução do estrógeno neste
período, resultando em menor aporte sanguíneo para o útero e, conseqüentemente, menor migração de leucócitos e contração uterina (Soede et al., 2000), que são fatores predisponentes a infecções e corrimentos uterinos, especial mente entre 17 e 25 dias pós-cobrição (Althouse et al., 2000).
2.3.4 Refluxo do sêmen durante e após a inseminação
Uma parte considerável da dose inseminante é eliminada do útero nas primeiras horas após a IA (Viring e Einarsson, 1981). As perdas de espermato zóides durante a IA tradicional são basicamente por refluxo, fagocitose, aderên cia ao epitélio ciliado do endométrio e migração para dentro das glândulas uterinas (Rath et al., 2000).
As causas de refluxo ainda são pouco conhecidas, entretanto, podem ser oriundas de erros durante a aplicação da dose inseminante, da falta de habilidade do inseminador (Levis, 2000) ou de variações individuais na contratilidade do miométrio durante o estro (Langendijk et al.,2002). Viring e Einarsson (1981) verificaram que aproximadamente um terço dos espermato zóides infundidos são eliminados por refluxo em até duas horas após a I.A, o que pode reduzir o número de espermatozóides transportados para as tubas uterinas e disponíveis para a fertilização.
Dallanora (2004) avaliaram o refluxo em fêmeas suínas inseminadas pelas técnicas tradicional (IAT) e intra-uterina (IAU), no momento das inseminações e até duas horas
após. O percentual de volume refluído foi de 62,7 e 75,4%, respectivamente, embora o número de espermatozóides perdidos fosse semelhante (23 vs 22,7%). Os autores não observaram uma correlação entre a percentagem de espermatozóides elimina dos e o número de leitões nascidos totais. Entretanto, Mezalira (2004) verificou uma correlação negativa entre o percentual de espermatozóides eliminados e o número de embriões totais, embora o mesmo não tenha influenciado a taxa de parto.
Segundo Steverink et al. (1998), o refluxo após a inseminação não afeta a taxa de fertilização, embora possa afetá-la quando presente durante a inseminação, principal mente se a dose inseminante tiver baixa concentração espermática (1 bilhão ou me nos) e o volume do refluxo exceder a 20 mL.