I. BÖLÜM
2. LĠTERATÜR
2.1. Kavramsal Çerçeve
2.1.3. Kitlesel Fonlama
2.1.3.5. Dünya‟da Kitlesel Fonlamanın Tarihçesi ve Günümüzdeki Durumu
Construindo e reconstruindo novos perfis
“Não te deixes destruir... Ajuntando novas pedras E construindo novos poemas.
Recria a tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.”
(Cora Coralina)
4.1 – Retalhos do tecido de histórias:
tecendo, construindo e reconstruindo novos perfis
No capítulo III, cortamos e costuramos as narrativas das
mulheres entrevistadas. O tecido destas histórias forma composições muito relevantes, ao analisarmos os fios trabalhados até aqui. Tomemos agora o acabamento, para dar mais expressividade à sua composição.
Percebemos durante toda a análise dos depoimentos coletados que cada indivíduo encarna, no seu cotidiano, relações sociais muito próprias, configurando uma forma de ser e agir, sua individualidade, sua história, que é aos poucos construída. Neste capítulo, procuramos destacar algumas das representações de como as mulheres percebem-se e qual seria o seu projeto de vida para futuro.
Ao questionarmos se as entrevistadas haviam sentido uma mudança em suas vidas, decorrentes de sua reinserção ao trabalho e ao estudo, tivemos como resposta que realmente a vida delas teria mudado radicalmente.
Na vida, representamos muitos papéis, e o ser alguém representa um papel, como vimos acontecer com nossos sujeitos da pesquisa. As entrevistadas representaram, num dado momento, o papel de donas de casa, mães, esposas e, numa outra fase de vida, profissionais, e estudantes e, em outros momentos, ainda elas exerceram todos esses papéis ao mesmo tempo. Ciampa (1998, p.136) nos fala que "(...)
descobrimos que a visão quotidiana e pragmática de personagens substancial oculta o fato de que uma personagem se constitui pela atividade, sendo traduzível por proposições verbais (O papel é uma atividade padronizada previamente.)".
Para analisarmos os diversos papéis que nossas entrevistadas protagonizaram em suas vidas, referenciamos o que Ciampa (1998) nos indica como metamorfose. Seu conceito nasce da reflexão de que a realidade não é estática e está sempre se transformando, conseqüentemente, mudam-se também as individualidades de cada ser, suas concepções e percepções da vida cotidiana, assim, vamos sempre estar em constante mutação.
Podemos observar que as mudanças que ocorreram na vida de nossas entrevistadas estão intrinsecamente ligadas com a estrutura social e o momento histórico que cada uma viveu. Para Nádia, a mudança em sua vida se fez a partir da escola que, posteriormente, indicou-lhe o mundo do
trabalho e uma nova maneira de se relacionar com o mundo e a vida cotidiana:
“É porque houve uma mudança a partir do momento em que eu entrei na escola, e hoje estou aí estudando até agora”. (Nádia).
Já para Denise, a sua transformação se deve ao trabalho, o que ocorreu com a colaboração do marido, que a incentivou a retornar a este:
“Então foi ali dentro [do trabalho] que eu fui aprendendo e convivendo com o grupo, fazer plantão, fazer o expediente, conviver com todo tipo de pessoas, então para mim foi uma experiência nova e um trabalho que hoje eu penso assim: ‘Quem diria que eu ia chegar, aonde eu cheguei!’". (Denise).
Vale ressaltar é que a história de cada indivíduo se constrói dentro da realidade e possibilidades que cada um tem na vida.
É Sônia que mais terá evidência neste capítulo, talvez porque ela teve em sua história de vida muitas transformações, como, por exemplo, enquanto criança e adolescente residiu com outra família que não era a sua. Vimos que depois se casou, mas que sua união de onze anos não deu certo, tendo que enfrentar uma separação. E a partir da separação,
ela sai para trabalhar fora do espaço doméstico, a fim de prover o seu sustento e de sua família e também voltar a estudar. Estas situações mudaram radicalmente as suas relações cotidianas. Num depoimento, ela faz uma comparação entre sua vida passada e a atual, na qual reflete alguns pontos:
“É uma coisa, também, assim que antigamente eu não tinha. É, eu morria de medo de conversar com as pessoas, sabe, era tão assim, meu mundo era tão pequeno, que era só dentro de casa, às vezes era um vizinho ou outro, sabe? Mas que quando chegava uma pessoa diferente, sabe, não saía nada, não havia diálogo, eu fiquei muito incutida naquele mundo e hoje não, eu converso com todo mundo de igual para igual, não tenho vergonha, não tenho receio, todo mundo é igual para mim, eu me sinto igual todo mundo, então isso aí para mim também é uma conquista17.”. (Sônia).
Sônia assume uma nova forma de travar relações sociais com o seu meio e sente isso como uma conquista. Para Chammé (1997, p. 196), “(...) a representação social funciona como um sistema de
interpretação da realidade que rege as relações dos indivíduos em seu ambiente físico e social, ela vai determinar seus comportamentos ou suas
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práticas”. No caso de Sônia, ela exterioriza-se através do trabalho, mais
concretamente, no seu emprego, e suas novas relações vão construir também um novo sujeito e uma nova história.
“Ao aprender a ser outra, como que sai de si, torna-se outra, exterioriza-se na realidade. O subjetivo torna-se objetivo; e a recíproca também.
Aprender e ser, então, é o mesmo.
A unidade da subjetividade e da objetividade. Sem essa unidade, a subjetividade é desejo que não se concretiza, e a objetividade é finalidade sem realização”. (Ciampa, 1998, p. 145).
Hoje, na dialética da passagem para uma sociedade pós- industrial, que, entre a globalização e as realidades locais, o cotidiano assume novas proporções e transforma o modo de conceber o tempo, o espaço e os lugares,
“A maior mobilidade geográfica, os meios de comunicação de massa e muitos outros fatores extraíram elementos da tradição da vida social que há muito tempo resistiam – ou se adaptavam – à modernidade. A contínua incorporação reflexiva do conhecimento não apenas se introduz na brecha, ela proporciona precisamente um ímpeto básico às mudanças que ocorrem nos contextos pessoais, e também nos globais, da ação”. (Giddens, 1993, p.39).
Isso acontece num entrelaçamento dos valores do mundo privado com o mundo público, quando as esferas do mundo público, através da mídia, internet e outros; faz parte do cotidiano privado.
Mas, no caso de Sônia, ela acredita que hoje é capaz de enfrentar seus problemas com muito mais coragem, sentindo-se mais independente para resolver sua vida, e seus conceitos também mudaram.
“Nossa, muda muito conceito, a gente que não trabalha, não estuda, a gente fica assim tão 'tapada' fica naquele mundinho18, assim tão pequeno”. (Sônia).
Reflete que no cotidiano das novas relações que foram instalando-se em sua vida, depois de sua separação, fizeram-na mudar de comportamento. Acredita que o trabalho e o estudo tenham grande parcela de culpa nisso.
“Isso é muito bom para a cabeça, pois você vê um monte de problemas e ficar trancada numa casa, mesmo que ele [o ex-marido] tivesse dando pensão, que ele tivesse ajudando, acho que eu ia..., eu ia envelhecer. Eu tenho amigas que são da mesma época minha, até mais novas, que olho para elas hoje e elas parecem ter o dobro da minha idade, que estão dentro de casa, cuidando do marido e dos
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filhos, elas são bem mais novas e parecem ser bem mais velhas”. (Sônia).
Aquele ‘mundinho’ a que Sônia se refere na fala acima, diz
respeito às questões da casa, do lar, ao mundo do privado, aquele privado que está fechado para o mundo “lá fora”, apesar de sabermos que hoje nenhum mundo privado, ou seja, nenhuma casa19 está totalmente fechada para o mundo, ressaltamos, neste sentido, o papel dos meios de comunicação e suas influências na formação de novas concepções.
O trabalho e a escola levam mulheres desprovidas de outras opções de relacionamento fora do mundo doméstico, como no caso de Sônia, a relacionarem-se com outros, estabelecendo relações diferentes das anteriores que marcaram suas vidas.
“Então a gente vai mudando, a situação obriga a gente a mudar a visão de mundo, coisa assim, que eu acreditava errado na época, hoje... sabe? Às vezes, eu olho, analiso; está certo, a gente passa a ter aquele olhar, assim..., mas não aquele crítico, aquele olhar de entender, de querer entender, então acho que muda muito, muda muita coisa, hoje em dia eu me sinto bem, sabe?”. (Sônia).
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Observamos que todas sentem em si uma mudança radical de vida, que podem se sentir mais valorizadas e notadas. O discurso de Denise denota que alguns de seus conceitos, de quando era apenas dona de casa, com relação “a casa”, num sentido concreto de cuidado com o lar, foram metamorfoseados por outros, à medida que essa foi travando com o mundo novas relações sociais:
"Então eu falei para minha filha, que eu não sou mais aquela, não tenho mais aquele apego assim... Eu gosto da minha casa, mas não tenho mais aquele apego assim... Esfregando tudo, deu para passar roupa, eu passo, deu para lavar roupa, eu lavo, mas também se alguém me chamar para sair eu largo tudo e já quero sair. Sabe, eu não tenho mais aquilo, mas antes eu, enquanto não estava tudo limpinho, eu não sossegava e não tinha vontade de sair, porque eu tinha que lavar roupa, porque eu tinha que terminar isso ou aquilo. ‘De jeito nenhum, eu vou estudar, eu tenho prova’, tudo estava em primeiro lugar. Hoje em dia não, tudo isso acabou (...). Esses dias atrás nós [ela e o
marido] saímos e as meninas falaram: 'Nossa, nós
pensamos que vocês não iam voltar mais'. Nós saímos eram 17:30 e voltamos quase meia-noite, então as meninas falaram que achavam que nós não íamos voltar mais.(,,,) Mas antes eu não fazia isso mesmo, só eu sei a mudança que houve20". (Denise).
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Grifos Nossos. Nota-se que a entrevistada faz uma reflexão de seus atos, mostrando que estabelece no cotidiano atual novas formas de agir.
Trabalhando fora, no inter-relacionamento com outras pessoas, as entrevistadas colocam que a vida passa a ter um significado muito mais amplo, de crescimento interno e de respeito alcançado. Mudam- se, as formas de pensar, significados e significantes de concepções a respeito da realidade concreta, na rotina de todos os dias, no relacionamento familiar e com o mundo externo.
Para Denise, essa mudança aconteceu naturalmente, podendo ser observada no relacionamento familiar diário:
“Minha vida deu uma guinada... Ainda ontem eu estava conversando com minha filha e ela falou assim: ‘Mãe, às vezes eu fico te olhando, que antigamente você levantava 5 horas da manhã.' Porque antes eu era assim, sabe, aquelas mulheres que tudo tem que dar na mão do marido, de repente aquilo foi deixando, porque eu não levanto mais para fazer café para o marido. Mas não assim... que eu pensei: ‘Ah, eu não vou fazer porque eu cansei'. Não, foi acontecendo... Aí a minha filha falou: ‘Agora meu pai levanta, ele toma o café dele sozinho e vai trabalhar'. Daí eu falei: ‘Pois é, só que na época que vocês mais precisaram de mim, que você e sua irmã tinham que levantar cedo, tinham que pegar o ônibus cedo, então sempre eu acordava cedo, ficava tudo arrumadinho, o café pronto, leite... 06 horas da manhã, tudo pronto, tudo isso eu fiz...’. Hoje em dia e não precisou cobrar, foi acontecendo... Simplesmente, um dia ele [o marido] não me chamou, levantou tomou o café dele e foi trabalhar, em seguida a
minha filha mais velha levantou para ir para a faculdade, então ninguém mais cobrou mais nada e tudo foi acontecendo normalmente". (Denise).
Ter dignidade, ser independente, ter voz ativa, ser respeitada, realizar-se por si só, são alguns aspectos que as mulheres requerem hoje para si próprias num mundo que está se transformando através de concepções pós-industriais. Elas acreditam que o trabalho remunerado possa contribuir para abrir as mentes ao novo e para a construção de um cenário melhor para a situação da mulher.
“Trabalhar fora de casa passa a ser uma aspiração e necessidade para esta geração, que descendeu da geração que havia aprendido a administrar somente o trabalho doméstico ou ter alguma função profissional, desde que ligadas às crianças, aos doentes ou necessitados”. (Canôas,1997,
p.113).
Percebe-se então, no campo social, que as mulheres se mostram hoje mais visíveis na sociedade, enquanto trabalhadoras, e isso acontece quando o seu relacionamento com o mundo público cresce e se faz expressivo. Essa transformação só contribui na busca de um
amadurecimento da cidadania feminina, no sentido que, aos poucos, a mulher ocupa espaços de maior expressão na sociedade.
A reflexão entre passado e presente de nossas entrevistadas perpassa pela idéia de que, quando viviam apenas para o privado, para a família, elas eram vistas como frágeis e indefesas, protegidas pelas paredes de sua casa e pelo domínio masculino, do pai ou do marido.
“De repente, aquele ser de tão fraquinho21 que eu era, muda(...). E alguém segue o meu exemplo, como há pessoas que falam que querem ser iguais a mim, então para mim é uma conquista, isso, daí. Ver que as pessoas que se assemelham, tem a gente como exemplo, e que através da gente também consigam alcançar seus sonhos, então para mim, isso aí é um crescimento grande”. (Sônia).
Através do trabalho fora do espaço doméstico, elas acreditam que se fazem mais notadas e aparentes, começam a acreditar mais em si e surge a mulher que estava escondida, que procura maior independência e condução de sua própria vida, sem necessitar de outro alguém.
“Nos estratos médios, as mulheres parecem estar imbuídas, ideologicamente, de que é necessário
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trabalhar fora, pois qualquer que seja a remuneração, ela passa a simbolizar algum trabalho, e, portanto, um trabalho produtivo. Daí a sensação de estar exercendo a cidadania, estar participando do mundo; a remuneração sugere à mulher uma inserção no espaço público, sendo igualmente regida pelas mesmas normas sociais, às quais o homem deve se submeter”.
(Massi, 1992, p. 40).
Em alguns casos, como o de Denise, foi preciso que outras pessoas acreditassem nelas, para que depois assumissem um papel mais independente. Vemos, no discurso abaixo, como Denise descreve essa questão:
“Porque tudo o que eu consegui, foi eu mesma fazendo e as pessoas vendo e dizendo: ‘Põe a Denise, porque ela é capaz'. Às vezes eu não acreditava que eu era capaz, as pessoas é que estavam apostando em mim e eu falava: ‘Gente eu não sou capaz, eu não dou conta...'. E as pessoas falavam: 'Claro que dá, você já fez isso, claro que você vai conseguir!’. Eu sempre fui mais com o incentivo dos outros assim... e hoje eu penso no tanto que eu cresci, no tanto que eu caminhei sozinha, mas sempre tive ajuda do meu marido. Eu penso que, no trabalho, eu não tinha ninguém, era só trabalho mesmo".
Os frutos do trabalho se fazem visíveis e concretos, na aquisição de bens materiais para o bem estar da família e no suprimento das necessidades mais elementares, como a própria comida do dia-a-dia, moradia e outros:
“E hoje ‘Graças a Deus’ não falta comida, agora tenho o apartamento, consegui comprar o apartamento para viver num lugar que é meu. Estou garantida agora pelo concurso, pois não me mandam mais embora. Peguei dois períodos, passei e passei bem, eu nem acreditava que eu fosse passar bem, passei com 9,5 no concurso, tirei uns dos primeiros lugares. Sei que isso daí [concurso], passando pelo estágio probatório é uma coisa que eu vou ter garantido para poder me aposentar, para ter pelo menos a perspectiva de não ficar abandonada aí no mercado de trabalho sem nada". (Sônia).
É interessante denotar, ainda, que apesar de mulheres como Sônia terem que trabalhar fora para manter sua sobrevivência e dos seus filhos, elas possuem algo mais, que faz parte de um projeto profissional.
“Talvez essa seja a grande chave na compreensão da tendência do comportamento da mulher classe média – o ideal ou a utopia da realização pessoal para além da maternidade”. (Massi, 1992, p. 54).
Quando Nádia termina seu curso superior, ela sente que realizou uma conquista: a conquista de ter uma profissão, de ser
considerada profissional e, posteriormente, de exercer essa atividade. Ela construiu para si um projeto profissional, pois não imaginava que realmente fosse capaz de terminar uma faculdade com mais de 50 anos e, ainda, ser professora ativa.
“Foi uma festa assim, porque eu mesma também não acreditava, naquilo que... não foi fácil, encontrei bastante barreiras, não, assim por parte de colegas”. (Nádia).
Dessa forma, as mulheres entrevistadas acreditam que realizaram conquistas, como trabalhar e estudar. Essas conquistas repercutiram no modo de pensar, nos seus conceitos, no seu modo de agir e, conseqüentemente, em suas representações sociais.
4.2 - Fios do Futuro:
representações de esperanças futuras
A partir do momento que as entrevistadas mostram-se mais conscientes de suas possibilidades enquanto cidadãs que compõem a sociedade e de seu papel no mundo, elas querem desbravar outras fronteiras, refletindo nos seus projetos para o futuro. Percebemos, então, que elas construíram um projeto de vida. Na presente reflexão, elas fazem uma avaliação da vida hoje, de sua situação atual, empregatícia e de suas expectativas para o futuro, enxergando novas perspectivas através de um projeto de vida mais ousado do que o que tinham quando eram mais jovens. Almejam conquistas maiores no mundo público e não somente uma vida de doação para a família, como vemos no discurso a seguir:
“E esse ano 2000 também foi um ano bom, pois apareceram várias propostas de trabalho, não sei se é porque eu me engajei num outro mercado que é o da língua estrangeira também e o da informática. E está aparecendo muita proposta de trabalho para mim. Num momento da minha vida não estava aparecendo nenhum e nesse ano apareceram vários, que eu tive que fazer as escolhas. Eu
também batalhei para isso, pois há 10 anos atrás eu era apenas dona de casa e depois...hoje... não é?". (Sônia).
Também merece destaque a tão procurada felicidade, que não é somente um desejo das mulheres, mas do homem enquanto ser humano. Aqui essa felicidade é apontada como um sentimento expressivo de satisfação que a entrevistada alcançou depois das mudanças que ocorreram em sua vida e na sua forma de se relacionar com o mundo, vejamos a fala a seguir:
“Mas eu me sinto feliz, dentro de mim existe uma pessoa que não existia, antes, sabe? Aquela pessoa realizada, aquela pessoa assim que tem sonho, sabe, que não parou ali, coisa assim que não acreditava, antigamente, há 06 anos atrás, antes de me separar, eu me olhava no espelho, eu não me gostava, eu me achava feia, eu me achava velha, me achava assim acabada, sabe? Hoje em dia, não, eu me olho, eu me gosto, então eu acredito no meu sonho, acredito assim em muitas pessoas que me ajudaram. Conquistei muitos amigos, que são para mim, assim, inesquecíveis, então eu acho que isso aí faz bem para o ego de qualquer pessoa...Então é, a mudança de você se satisfazer, se sentir feliz, se a felicidade é um momento, então eu vivo assim esse momento de ser feliz pelo que eu conquistei, pelo pouquinho, que mediante assim tantas pessoas é pouco, mas para mim foi bastante, até o momento, essa é que é minha transformação maior”. (Sônia).
Conforme Sônia revela em seu discurso acima, sua vida sofreu uma grande transformação e se sente feliz por isso. Ela acredita também que essa transformação deu-se por esforço próprio, através de suas
conquistas que a ajudaram a melhorar sua auto-estima e acreditar mais em
si mesma. Essas conquistas de que tanto fala se reportam a sua entrada no mundo público através do retorno ao trabalho e à sua crescente busca por melhores cargos/funções nos empregos, abrindo seus horizontes à construção de novas relações sociais e melhoria da qualidade de vida de sua família.
Após ter conquistado um espaço nesse mundo público, as mulheres passam a assumir formas diferentes de encarar a vida e a aspirar melhores condições de vida também aos seus filhos.
“Eu acho que se a gente realmente começar a estudar cedo, trabalhar e ter a sua profissão, aconteça o que acontecer na vida da gente, não vai ser necessário passar uma situação dessa, então é assim muito preocupante hoje em dia é a mulher não ter uma profissão, não trabalhar, coisa assim, que eu não quero para minha filha, não quero...,