3. MATERYAL VE METOT
3.1. Çalışmanın Evreni
A partir de uma interpretação sobre a estrutura das relações entre o campo religioso e campo político da teoria de Pierre de Bourdieu, compreende-se como essas ocorreram com um breve panorama histórico.
O papel da religião dentro das mais diferentes sociedades sempre atraiu outras especialidades culturais, como por exemplo, os políticos. Esse fator contribuiu para quebrar o paradigma de que a religião declinaria ao longo do tempo com o avanço das ciências, o que perpetuou-se durante muito tempo nas mais diversas correntes sociológicas; empiricamente foi provado o contrário. Nas últimas décadas, no Brasil, por exemplo, esse fato pode ser provado já que a adesão religiosa cresceu muito, especialmente nos grandes centros urbanos, onde a modernização que estabelece padrões mais racionais deu a ideia oposta a essa questão. Entretanto, as denominações religiosas multiplicaram-se e ganharam mais poder social, justamente nos grandes centros urbanos, especialmente nos países subdesenvolvidos como o Brasil, onde as diferenças sociais afloram-se e a religião aparece como uma fornecedora de recompensas e compensadores para aliviar o sofrimento dos excluídos.
A religião, de fato, pode ser altamente adaptável às sociedades humanas. Pode-se buscar na história alguns exemplos das alianças entre religião e Estado, que ocorreram em diferentes momentos e em diferentes sociedades ao longo da história. Partiremos da
formação dos povos mesopotâmicos, todos politeístas, onde os reis eram representantes dos deuses e também o Estado teocrata egípcio, onde o faraó era considerado um “deus vivo”. No processo evolutivo chegaremos à Antiguidade Clássica, na qual, surge o henoteísmo e novas formas de governo como a Democracia Ateniense e a República Romana. Ao longo desse processo surgiram as religiões monoteístas, que também estão intimamente ligadas ao poder do Estado, quando não se tornaram o “próprio estado”, como o poder espiritual e temporal exercido pela Igreja Católica ao longo da Idade Média europeia ou a unificação árabe com o surgimento do islã.
Na Europa Medieval, a Igreja organizada, segundo uma hierarquia complexa, utilizava uma linguagem quase desconhecida do povo e detinha o monopólio do acesso aos instrumentos do culto, textos sagrados e principalmente dos sacramentos. A estrutura hierárquica da Igreja: Papa, Cardeais, Arcebispos, Bispos e baixo clero se aproximava-se muito da estrutura do mundo político: Imperador, Príncipes, Duques e vassalos (Bourdieu, 2007). Essa correspondência unifica campos separados. Anos depois, na mesma Europa, ocorreu a centralização política nas mãos dos reis absolutistas; estes foram ainda mais fortalecidos com a teoria do direito divino.
Nessa retrospectiva histórica, não se pode deixar de citar Martinho Lutero (século XVI), pois sua teologia trazia consigo duas implicações políticas: a primeira era a indignação com a cobrança de indulgências e a outra é que ele assumia um claro compromisso de repudiar a ideia segundo a qual a Igreja possuía poderes de jurisdição e, por isso, detinha autoridade para dirigir e regular a vida cristã. Essa objeção de Lutero à posição social e aos poderes da Igreja Católica, levaram-no a repudiar toda e qualquer pretensão das autoridades eclesiásticas a exercer jurisdição sobre os assuntos temporais. As ideias de Lutero conquistaram a simpatia da elite política; se a Igreja estivesse fora dos assuntos mundanos, o poder deste grupo seria fortalecido. A nova Igreja que nascia tinha laços estreitos com as autoridades do reino da terra, além de determinar que estas podiam exercer seu domínio, inclusive sobre a própria Igreja. Na obra de Skinner (1996), podemos destacar um trecho que aponta essa aliança:
Esse engajamento político de Lutero leva sua análise do poder dos príncipes a dividir-se em duas direções. Antes de mais nada, ele insiste em que o príncipe tem o dever utilizar segundo a fé religiosa os poderes que Deus lhe concedeu, acima de tudo, para “dar ordens no rumo da verdade”. A exposição mais importante desse tema ocupa a parte conclusiva do tratado da Autoridade temporal. O príncipe “deve devotar-se realmente” aos seus súditos. Não apenas é sua obrigação defender a
verdadeira religião junto a eles, mas também “protegê-los e conservá-los em paz e abundância”, e “tomar para si as necessidades dos súditos, lidando com elas como se fossem suas próprias necessidades ( Skinner, 1996, 298).
Na verdade, Lutero não acreditava que os príncipes e nobres de seu tempo tinham recebido educação que os capacitasse a cumprir essas tarefas, porém, em sua teoria, ninguém deveria agir erradamente, nem os príncipes, nem os seus súditos. A nova teoria de Lutero e as doutrinas sociais e políticas que derivaram dela, em pouco tempo, obtiveram a aceitação oficial numa vasta área da Europa do Norte e não resta dúvida de que a principal influência da teoria política luterana nos primeiros tempos da Europa Moderna se fez sentir no incentivo à emergência das monarquias absolutistas unificadas e na legitimação desses regimes. As doutrinas de Lutero revelaram-se tão úteis para esses propósitos que seus argumentos políticos acabaram repetidos até mesmo pelos maiores defensores católicos do direito divino dos reis. Assim, pode-se dizer que os importantes textos políticos de Lutero foram destinados a exercer extraordinária influência na história. Posteriormente ocorreu, em diversas sociedades, a separação oficial entre Estado e religião, suprimindo-a o quanto fosse necessário para impedi-la de tornar-se uma rival de sucesso. Nessa relação de troca não devemos imaginar a religião como meramente uma ferramenta do Estado; a teoria busca entender a origem da relação entre religião e Estado, o que não significa apontar que ao longo da história não ocorreram várias rupturas entre Estado e a religião, ou o afloramento de novos grupos religiosos que não concordavam com as normas estabelecidas.