Entrevistado157 na Rádio Gaúcha em março de 2015, o principal locutor da emissora, Pedro Ernesto Denardin, declarou: "Eu não sei fazer mais nada, eu só sei narrar". Pedro Ernesto começou a sua carreira em 1974. De acordo com Ferraretto (2007), após a saída de Haroldo de Souza da Rádio Gaúcha, Pedro Ernesto tornou- se, no início dos anos 1990, o segundo narrador da emissora, atrás de Armindo Antônio Ranzolin.
Denardin foi preparado para assumir, mais tarde, essa posição. “É demais” trata-se de seu principal bordão, que é dito toda a vez que Pedro Ernesto quer ressaltar o grau de importância de um lance ou de algum acontecimento durante o jogo narrado. Em 2011, Denardin publicou o livro intitulado “10 Copas: ‘É Demais!!!’, onde conta “causos” da trajetória em mundiais, dos quais, narrou duas finalíssimas, Brasil e França, em Paris, em 1998, e Brasil e Alemanha, em Yokorama, no Japão, em 2002. Conforme entrevista concedida à Zero Hora (2015), o locutor conta como foi sua caminhada antes de chegar ao rádio esportivo.
Cresci no bairro da Glória. Fiz o primário no Ginásio São Luiz, ao lado do presídio feminino, e o ginásio, no Assunção, até o quinto ano, quando fui o Colégio Militar. Mas, aos 15 anos, parei de estudar. Aluguei uma carroça e fui trabalhar, vendia verduras. Coisa de guri, não queria nada com nada. Quando completei 18 anos, fiz meu pai comprar uma Kombi lotação da linha Teresópolis. Fazia 15 viagens por dia, ida e volta ao centro. Um ano depois, compramos outra. Acabaram as lotações e nos deram duas placas de táxi. Comecei a trabalhar na praça. Narrava futebol desde os três anos, no banheiro. O Borghetinho tinha uma gaita desde os três anos. Eu tenho a narração. Decidi com sete, oito anos que seria narrador. Tem duas coisas que aprendi a ouvir no rádio: o tradicionalismo, com a minha mãe, que escutava todos os dias os programas do Teixeirinha e do Zé Mendes, e o futebol, com meu pai (DENARDIN, 2015).
Nascido em 6 de dezembro de 1950, em Porto Alegre, em 1973, Pedro Ernesto participou de um concurso na Rádio Gaúcha, onde disputou com 32 concorrentes, uma de duas vagas para a emissora. Ele e Newton Azambuja foram aprovados e, segundo conta, na sequência, apenas Azambuja permaneceu. Ainda em 1973, foi trabalhar na Rádio Farroupilha. Seis meses depois, voltou para a Rádio Gaúcha, onde permaneceu até o ano de 1984, quando participou do projeto da Rádio Sucesso.
157 Ouvir em: http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/e-demais-conheca-as-historias-de-pedro-
Durou pouco tempo. É que a gente estava com pouca oportunidade aqui na rádio (Gaúcha) e surgiu uma proposta via Roberto Franchini, que era dono de uma agência de propaganda importante que tinha aqui, a Símbolo, para fazer na Rádio Sucesso, que era do Cascalho e do Noé Cardoso. Nós fomos para lá. Era eu, o Wianey, o João Garcia, o Nilton Azambuja e o Paulo Mesquita. Nós cinco é que comandávamos o processo. E a gente tentou fazer futebol. Fizemos até com algum sucesso, só que a rádio não entrava na Azenha. Ela tinha dificuldades técnicas. Nós conseguimos sobreviver quase um ano lá. Foi um processo bem interessante. Eu me lembro que nós conseguimos até 67 clientes num determinado momento. Porque cliente é fundamental. A rádio é comercial, se tu não tiver tu não vai adiante. Foi um negócio interessante, só que depois teve dificuldade e nós fomos para a Bandeirantes. Aí eu fiquei quatro meses na Bandeirantes e voltei pra cá (Gaúcha), o Garcia continuou lá e o Wianey foi para a Guaíba (DENARDIN, 2001).
Pedro Ernesto, ressalta, começou como narrador de futebol. Porém, exerceu a função de repórter de campo durante algum tempo. Foram, segundo ele, oito anos como repórter da Rádio Difusora. Ele garante que a experiência na reportagem foi fundamental para a sua narração.
Ah, eu acho que essa passagem pela reportagem foi muito boa, porque te dá uma série de oportunidades de conhecer um pouco melhor, né, como é que é o bastidor do futebol, como é que as coisas funcionam. Claro que hoje tem muita coisa mudada, mas eu ainda uso muita coisa que eu aprendi naquela época. Acho que foram anos muito produtivos e que me ajudam muito (DENARDIN, 2015).
Na Rádio Gaúcha, Pedro Ernesto chegou a fazer reportagem em jogos narrados, por exemplo, por Haroldo de Souza, ano que seria o último do narrador na Gaúcha, pois, em 1991, seria contratado pela Guaíba. Um dos jogos mais importantes que Denardin participou ao lado de Haroldo, foi o clássico Gre-Nal do dia 29 de julho de 1990. No estádio Olímpico, o Grêmio goleou o Internacional por 4 a 1, na última rodada, e conquistou o hexacampeonato do “Gauchão”. Pedro Ernesto, nessa partida, ficou localizado atrás da goleira, à esquerda das cabines de rádio e televisão, e descreveu o primeiro gol gremista daquela tarde, enquanto, à direita de Haroldo de Souza, o outro repórter escalado foi Antônio Carlos Macedo158. Naquele tempo, era permitida a presença da reportagem de rádio atrás das goleiras. Atualmente, há uma
158“Antônio Carlos Macedo, 60 anos, formou sua trajetória entre o esporte e o jornalismo. No futebol,
apesar da cobertura de diferentes Copas do Mundo, o momento mais marcante, segundo ele, foi na Olimpíada de 1992. Lá, viu a primeira medalha de ouro brasileira em um esporte coletivo. O jornalismo começou quando foi convidado a assumir o Gaúcha Hoje, mas com uma condição: largar a área de esportes. Compromisso aceito e o radialista está há 13 anos no comando do programa matutino”. Fonte: Coletiva.net.
série de restrições e, no caso do Rio Grande do Sul, o controle é feito pela Associação dos Cronistas Esportivos do Rio Grande do Sul, a Aceg. Naquele Gre-Nal, de número 305 na história do confronto entre os clubes, Haroldo de Souza iniciou narrando o lance do primeiro gol e Pedro Ernesto descreveu da seguinte forma:
- Nilson descendo, o Grêmio tentando chegar na extrema direita, pelo meio de três, embolou, é falta, aponta o árbitro./ Corre Renato Marsiglia e determina uma falta perigosa conta o goleiro Maizena, do seu lado, Pedro!// - No meio de três, ele fazia a jogada individual, passou por dois./ No terceiro, que era o Luís Fernando, que deu o carrinho./ A falta bem marcada em cima pelo árbitro gaúcho da FIFA, Renato Marsiglia./ O Grêmio cobra, é perigo!/ Darci está ali./ Também o lateral Fábio, não, não, não, é o Paulo Egídio que tá por ali./ Quem é o outro lá?/ É Assis, Assis, que agora, é o cobrador oficial de faltas para o time do Grêmio!//
Haroldo de Souza então narrou o gol, que aconteceu na cobrança de falta de Assis, aos cinco minutos de partida do primeiro tempo. Logo após a narração do gol marcado pelo meio-campista do Grêmio, Pedro Ernesto (1990) descreveu o lance “Olha, a cobrança de falta, do bico da grande área pelo Assis./ O goleiro Maizena colocou a barreira, e deu em curva...//”.
Em 1995, Armindo Antônio Ranzolin fez a sua despedida das narrações de futebol no rádio. A última decisão por ele narrada, foi entre Grêmio e Ajax, no Japão, em dezembro daquele ano, pela Copa Intercontinental. Antes disso, Pedro Ernesto, que já narrava outros jogos, tinha uma atuação efetiva como locutor em outros duelos de Grêmio e Internacional, participou de uma importante cobertura, durante as semifinais da Copa Libertadores de 1995. Classificado para as finais, após eliminar o Emelec, do Equador, o Grêmio aguardava o adversário na decisão, que sairia do confronto entre River Plate, da Argentina, e Nacional, da Colômbia. Pedro Ernesto Denardin foi o enviado especial que acompanhou esse jogo, que acabou sendo decidido nos pênaltis, com destaque para o goleiro René Higuita, que, com o próprio clube colombiano, já havia conquistado a Libertadores, de forma inédita para a Colômbia, em 1989, que, na final, havia derrotado o Olimpia, do Paraguai. Pois, no dia 16 de agosto de 1995, Pedro Ernesto acompanhou, no Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, a vitória colombiana por 8 a 7, nos pênaltis.
7 a 7, sete cobranças./ Preparado Almeida./ Almeida, foi para a bola, atirou.../ De-fen-deu, René Higuita!/ Defendeu, Higuita, que pode ser, mais uma vez, colocado como herói colombiano./ Número 13, Foronda, para a cobrança. Atenção!/ O Nacional pode ser adversário do Grêmio!/ Basta o Foronda acertar!/ Expectativa total!/ Dramatismo absoluto!/ A Gaúcha conta, com exclusividade, aqui no Monumental de Nuñez!/ Foronda vai para a cobrança,
se fizer dá Nacional!/ Foi para a bola, atirou, gol!/ Gol, gol, gol, gol, gol, gol, gol, gol, gol, gol do Nacional!/ O Grêmio tem o Nacional, na fase final da Copa Libertadores da América!//
Na cobertura exclusiva feita pela Gaúcha, em 1995, Pedro Ernesto Denardin já indicava que estava “pronto” para assumir o posto de Armindo Antônio Ranzolin. E foi o que aconteceu, a partir de 1996. Ranzolin continuou na RBS, porém, cumprindo outras funções de coordenação, enquanto Pedro assumiu, em definitivo, a titularidade da narração na emissora. No ano de 1996, já vieram as grandes decisões, como por exemplo, do Campeonato Brasileiro de 1996, entre Grêmio e Portuguesa. Foi quando também narrou o clássico Gre-Nal 330, que foi o seu primeiro de 76 até 2015, e que terminou empatado por 1 a 1. Pedro Ernesto Denardin passou a narrar as decisões de campeonatos de todas as espécies, nacionais, regionais e internacionais, que estivessem envolvendo Grêmio ou Internacional. Assim foi, no restante da década de 1990, com o Grêmio na final da Copa do Brasil, em 1997, no Maracanã, contra o Flamengo, o título do Campeonato Gaúcho, conquistado pelo Internacional, diante do Grêmio, no mesmo ano. Em 1998, Pedro Ernesto narrou sua primeira decisão de Copa do Mundo, que marcou a derrota do Brasil, na final, contra a França. Em 1999, seguiu acompanhando os passos da Seleção Brasileira e de Grêmio e Inter, e finalizou a década mais do que consolidado como um dos grandes nomes da narração de futebol no rádio de Porto Alegre. Em algumas ocasiões, como no ano de 1999, por exemplo, Marco Antônio Pereira narrou uma das partidas de ida da decisão do Campeonato Gaúcho. Porém, os jogos de definição passaram a ser, sempre, de responsabilidade de Pedro Ernesto Denardin.
Apesar de ter atuado profissionalmente com Armindo Antônio Ranzolin e Haroldo de Souza, as principais influências da narração de Pedro Ernesto foram Mendes Ribeiro e Pedro Carneiro Pereira.
O Mendes Ribeiro foi o primeiro. Depois veio a fase do Pedro Pereira. São os caras com quem mais me identifiquei. Até guardo semelhança. Havia ainda Ataíde Ferreira, Euclides Prado, Antônio Carlos Resende. Depois veio o Armindo Antônio Ranzolin, mas nunca fui identificado com ele. Até porque nessa época já estava trabalhando (DENARDIN, 2015).
Denardin considera o seu tipo de narração descritiva e emotiva, com voz potente, capacidade de improviso e muito conteúdo. Para ele, conteúdo é fundamental para o narrador.
Pouca influência eu tive do Ranzolin, mesmo porque ele é muito diferente de mim. Eu não estou dizendo que ele é pior ou melhor, estou dizendo que ele é ótimo, só que muito diferente de mim. Eu sou muito mais ousado na linguagem, etcetera, etcetera, e o tipo de narração que eu tenho, lembra muito mais o Mendes Ribeiro, lá na Copa de 1958, quando ele fazia algumas frases, como eu tento fazer hoje, eu acho que está muito mais perto do Mendes Ribeiro. Eu acho que o narrador precisa ter ritmo de narração. Voz ajuda e muito conteúdo. Acho que com conteúdo, a gente vai longe. E por isso que a ideia de estar no Sala de Redação, onde eu preciso ter conteúdo, onde eu preciso ter informação, ou do Andrezinho, que vai ser o nosso editor olímpico, que vai fazer um outro tipo de reportagem, e tudo isso ajuda no conteúdo, e tudo isso é muito utilizado na narração. Também não produzo texto porque cada abertura de jornada tem uma característica. Cada jogo tem uma característica. Está chovendo, não está chovendo, tem público, não tem público. O juiz chegou, aconteceu alguma coisa, então, tudo tem diferenças. Então eu não escrevo e faço tudo de improviso. Eu parto do princípio que não há jogo igual, que não há jogada igual, então eu não tenho muita coisa pronta assim. O que caracteriza minha narração, é ver o que é que está acontecendo, e tentar descrever exatamente aquilo que está acontecendo, porque as coisas, após 43 anos narrando futebol, elas continuam diferentes, de jogo para jogo (DENARDIN, 2015).
Figura 25 – Equipe da Gaúcha em 1996
Fonte: Revista Goool159, Porto Alegre, 1996. p. 37.
Um dos jogos mais importante da carreira de Pedro Ernesto, ocorreu no dia 9 de agosto de 2006, na primeira partida decisiva que marcou o início da conquista do primeiro título da Copa Libertadores da América, pelo Sport Club Internacional. Aos
16 minutos do segundo tempo, Rafael Sobis marcou o segundo gol colorado, o que provocou Pedro Ernesto a proferir frases como “o Inter rasga a camisa do São Paulo, e pisa em cima dela!”. Porém, o termo que, segundo Pedro Ernesto, “ficou”, aconteceu logo após o encerramento do emocionante grito de gol, quando, por três vezes, ele disse “é demais, é demais, é demais!”. Apesar de nunca ter tido e ainda não tem uma preocupação em criar bordões, o fato é que, de um momento completamente improvisado, na base da emoção, criou um jargão que, há quase uma década, passou a fazer parte de sua narração, o “É demais!”.
Em 2010, o Internacional voltou a enfrentar o São Paulo, pela Libertadores, porém, na fase semifinal. No dia 5 de agosto, o Inter acabou sendo derrotado pelo placar de 2 a 1, mas, como havia vencido a primeira por 1 a 0, na partida e ida, além de garantir vaga direta como representante sul-americano no Mundial de Clubes da FIFA, em Abu Dhabi, pois enfrentaria o Chivas Guadalajara, do México, na decisão, mais uma vez, o Inter deixou o São Paulo para trás. O argentino D'Alessandro, em uma cobrança de falta, empatou o jogo no Morumbi, aos 7 minutos do segundo tempo. Pedro Ernesto não se conteve e, como em 2006, repetiu a dose no grito de gol “...o Internacional, outra vez, faz gatos e sapatos com o São Paulo... Inter, Inter, Inter, tu é demais! Eu te quero em Abu Dhabi, Inter!”. Atualmente, Pedro Ernesto Denardin é supervisor do departamento de esportes da Rádio Gaúcha e apresentador do programa Bate-Bola da TVCOM e colunista do jornal Diário Gaúcho. Comandou o Show dos Esportes durante muitos anos e está à frente do clássico programa Sala de Redação, criado por Cândido Norberto, como descrito no capítulo Os Narradores
Desbravadores.
A Rádio Gaúcha, que já havia iniciado uma grande virada nos índices de audiência do rádio gaúcho, desde o final dos anos 1970, na segunda década dos anos 2010, conquistou a supremacia. E isso se deve muito às transmissões, inclusive, com exclusividade para o estado, de competições como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Para 2016, por exemplo, já está sendo anunciada na programação, a todo momento, que a Gaúcha cobrirá as Olimpíadas do Rio de Janeiro, de forma exclusiva. Durante a Copa das Confederações do Brasil, em 2013, e na Copa de 2014, o panorama foi o mesmo, contando ainda com o negativo fato para a trajetória da Rádio Guaíba, sua maior rival, que, pela primeira vez, ficou de fora das transmissões de uma Copa, justamente no Brasil.
Figura 26 – Equipe160 da Rádio Gaúcha em 2010
Fonte: Rádio Gaúcha (2010)
E Pedro Ernesto Denardin segue como o principal narrador da Rádio Gaúcha em 2016. O quadro de narradores da emissora apresenta, atualmente, além de Denardin, os narradores André Silva, Sérgio Boaz, Gustavo Manhago161 e Marcelo De Bona162. Como já descrito no início deste capítulo, Marco Antônio Pereira, demitido pela Rádio Gaúcha, faz com que as apostas, neste instante, sejam feitas, principalmente, em relação a André Silva. Sérgio Boaz, há pelo menos mais de duas décadas, narra jogos de futebol de forma eventual. Conforme Pedro Ernesto, a exigência para os narradores de futebol, atualmente, é de que sejam mais do que apenas locutores.
É, o que não pode mais é o narrador ser só narrador, né, trabalhar uma vez por semana. Isso já está complicando um pouco porque tu tens que ter mais atividades. O André está se tornando narrador da rádio, e está indo muito bem. Há um projeto todo para que a gente dê apoio a ele, dê continuidade a esse processo. Mas a gente não quer que ele seja aquele narrador que só narra, que não faz mais nada, né? O André tem um grande conhecimento
160 Ruy Carlos Ostermann, Pedro Ernesto Denardin, Jean Pierre e Cezar Freitas na cabine de
transmissão da Rádio Gaúcha durante o jogo Portugal x Brasil, no estádio Moses Mabhida, em Durban.
161 “Gustavo Manhago atua como jornalista esportivo há mais de 20 anos e recentemente ocupou os
cargos de gerente de esportes e narrador na RBS TV e TVCOM”. ZERO HORA (2015). Ver:
http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/noticia/2015/12/gaucha-apresenta-dois-novos-narradores-no-sala- de-redacao-4927492.html.
162“Marcelo De Bona foi coordenador de jornalismo nas Gaúchas Zona Sul e Serra nos últimos dois
anos, além de ser apresentador do Gaúcha Hoje e do Chamada Geral Primeira Edição em Caxias do Sul. Ele é um dos finalistas do concurso de narração do canal SporTV”. ZERO HORA (2015). Ver: http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/noticia/2015/12/gaucha-apresenta-dois-novos-narradores-no-sala- de-redacao-4927492.html.
olímpico, de futebol e tal. Ele vai ser o editor dos Jogos Olímpicos, que vão acontecer agora, no ano que vem, no Rio de Janeiro. Então nós temos uma atividade muito mais ampla do que ser apenas narrador, mesmo porque tudo isso gera informação, e o narrador informado é muito melhor do que o que não está informado (DENARDIN, 2015).
Figura 27 – Marco Antônio e Pedro Ernesto163 (2014)
Fonte: Jornal Zero Hora, Porto Alegre, 28 set. 2014. p. 58.
Para Pedro Ernesto, a história da narração de futebol no rádio pode ser contada através de um ciclo de narradores. Ele destaca nomes como Guilherme Sibemberg, em um primeiro momento, na década de 1940, “quando tudo começou”. A sequência para Denardin apresenta a consagração de Cândido Norberto, em seguida Mendes Ribeiro, Pedro Pereira, e, por fim, Armindo Antônio Ranzolin. São esses os narradores considerados, por Pedro Ernesto, como os grandes narradores da história do rádio porto-alegrense, e, por consequência, do rádio esportivo do Rio Grande do Sul.
Foram escolhidos três momentos para a análise da carreira de mais de 40 anos de Pedro Ernesto. O primeiro, em 2002, em um duelo de Copa Libertadores, entre Grêmio e Oriente Petrolero, da Bolívia. Depois, será analisado o comando de Pedro Ernesto durante a decisão do Mundial de Clubes da FIFA, entre Inter e Barcelona, no
163 A ilustração integra a coluna de Diogo Olivier, “No Ataque”, em que no texto de 28 de setembro de
2014, intitulado “Os narradores”, faz referência ao livro “Que lance!”, de Celestino Valenzuela, relacionando com a narração de futebol no rádio, pelos domingos. Levando em conta os narradores da “casa”, Olivier declara que “não se vive sem médico, professor e o gol em prosa”.
ano de 2006. E, por fim, este trabalho avalia o desempenho de Pedro Ernesto, no duelo entre Grêmio e Santos, na Arena, em 2015, pelo Campeonato Brasileiro.
O panorama da narração de futebol não para nos nomes citados por Denardin. Na verdade, segue em processo de renovação contínua. E um dos responsáveis por essa renovação é o narrador da Bandeirantes Daniel Oliveira, descritivo, criativo e capaz de imprimir um alto grau de emoção em suas transmissões.