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Belgede BİR TUTAM TUNCELİ (sayfa 71-77)

A missão de uma organização deve explicitar a sua postura social, ou seja, o contributo que pretende dar à sociedade através da sua atuação. Neste pressuposto a definição dos padrões de qualidade de cada grupo profissional que integra a organização, torna-se condição obrigatória para a definição das orientações estratégicas. A criação de padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem configurou um elevado desafio para a OE, quer pela reflexão sobre o exercício profissional dos enfermeiros, quer pela melhoria contínua da qualidade do exercício profissional dos enfermeiros, que se traduz em ganhos em saúde para os cidadãos.

A enfermagem enquanto profissão deve garantir a qualidade de serviço prestado, tendo o compromisso de promover desenvolvimento pessoal e profissional dos enfermeiros. Os padrões de qualidade surgem com o objetivo de uniformizar as práticas dos cuidados, protegendo as pessoas e dignificando a profissão. Para atingir excelência dos cuidados de enfermagem, os padrões devem ser passíveis de ser medidos, avaliados para se transformarem em ganhos de saúde (OE, 2010).

De salientar que os padrões de qualidade são um instrumento para a melhoria contínua da qualidade, em que é de consenso que a necessidade de implementar Sistemas de Qualidade em Sáudeé apoiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Conselho Internacional de Enfermeiros, Conselho Nacional da Qualidade e Instituto da Qualidade em Saúde (Padrões Qualidade, 2002). No Estatuto da OE , no seu art. 3º, esta tem como desígnio fundamental a promoção da defesa da qualidade dos cuidados de enfermagem prestados à população, a promoção do desenvolvimento, a regulamentação e o controlo do exercício da profissão de enfermeiro assegurar a observância das regras de ética e deontologia profissional (Estatuto OE).

Compete ao Conselho de Enfermagem a definição de Padrões de Qualidade de enfermagem, cujo alicerce são os enunciados descritivos, (Estatuto OE, na alínea b) do nº 1 do art.30) e às Comissões de Especialidade e aos Conselhos de Enfermagem Regionais zelar pela observância dos

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Padrões de Qualidade dos cuidados de enfermagem a exigir regularmente (Estatuto OE, na alínea c) do nº 2 do art.30 e na alínea b) do nº 2 do art.37).

Em dezembro de 2001, o Conselho de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros definiu o enquadramento concetual e seis enunciados descritivos, estabelecendo uma base padronizada de cuidados com qualidade que todos os enfermeiros devem respeitar no exercício da sua profissão (OE, 2001).

Os enfermeiros vislumbram este documento, como um referencial à luz do qual se envolvem num processo de reflexão acerca do seu exercício profissional. O enfermeiro gestor nas suas competências tem como meta a qualidade da saúde dos doentes e do exercício profissional dos enfermeiros nos serviços de saúde, comprometendo-se a criar ambientes favoraveis, à reflexão, responsabilizando-se pela implementação e manutenção dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem, conducente à melhoria contínua dos cuidados prestados à população

A definição dos Padrões de Qualidade foi baseada em alguns pressupostos, nomeadamente na análise do trabalho anterior já realizado pelos enfermeiros em Portugal neste domínio (DRHS com Associações Profissionais –1995), na análise de experiências internacionais - (Ordre des Infirmières et Infirmiers du Quebec, American Nurses Assotiation, Royal College of Nursing , 2005)e no enquadramento da qualidade do exercício profissional dos enfermeiros na qualidade em saúde. Segundo a OE (2002), o enquadramento concetual dos padrões de qualidade, está assente em quatro conceitos, nomeadamente: a saúde, a pessoa, o ambiente e os cuidados de enfermagem. È neste contexto que se constrói a base de trabalho para o exercício profissional de todos os enfermeiros, onde se enquadram os enfermeiros gestores.

A saúdeé definida pela OE, como um processo dinâmico e contínuo, tratando-se de uma representação mental, de um estado subjetivo, em que cada pessoa deseja atingir um estado de equilibrio, que se traduz no controlo do sofrimento, no bem estar fisico e no conforto emocional, espiritual e cultural.

O conceito de pessoa, é definido como um ser social, único, com dignidade própria e direito a autodeterminar-se, um agente intencional que interage com o ambiente modificando-o e sofrendo influência dele em todo o seu processo de procura de equilibrio e harmonia.

O ambiente que influencia e modifica a pessoa, refere-se ao meio no qual as pessoas vivem e seà dese ol e ,à o eada e teà elementos humanos, fisicos, políticos, económicos, culturais e organizacionais, que condicionam e influenciam os estilos de vida e que se repercutem no conceito de

saúde OE,à ,àp.7). Razão pela qual atualmente, exige maior transparência na informação e na

sua participação nos cuidados, realçando o PNS este aspeto como sendo prioritário e uma potencialidade do mesmo.

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No que concerne aos cuidados de enfermagem, estes estão centrados na relação interpessoal entre o enfermeiro e uma pessoa ou grupo de pessoas (família ou comunidades), que possuem valores, crenças e desejos da natureza individual, que resultam das diferentes condições ambientais em que vivem e se desenvolvem. A relação terapêutica estabelecida, visa prevenir a doença e promover os processos de readaptação, procurando-se a satisfação das necessidades humanas fundamentais e a máxima independência na realização das atividades de vida, ajudando o cliente a ser proativo no seu projeto de saúde com o envolvimento das pessoas significativas (família, convivente significativo).

O exercício profissional dos enfermeiros insere-se num contexto de atuação multiprofissional, distinguindo-se dois tipos de intervenções de enfermagem: as iniciadas por outros técnicos da equipa (intervenções interdependentes)-por exemplo, as prescrições médicas – e as iniciadas pela prescrição do enfermeiro (intervenções autónomas). Em relação às primeiras, o enfermeiro assume a responsabilidade pela sua implementação, no que concerne às intervenções autónomas, o enfermeiro assume a responsabilidade pela prescrição e pela implementação técnica da intervenção. Assim, uma tomada de decisão assertiva e responsável é fulcral pois implica uma abordagem sistémica e sistemática, incorporando na fase de implementação das intervenções os resultados da investigação da sua prática. Os enfermeiros têm presente que bons cuidados significam coisas diferentes para diferentes pessoas, e assim, o exercício profissional dos enfermeiros requer sensibilidade para lidar com essas diferenças, perseguindo-os os mais elevados níveis de satisfação dos clientes.

Em síntese, pode afirmar-se que estes conceitos ainda se encontram ajustados à realidade atual, com uma visão holística dos cuidados de enfermagem, sendo o papel do enfermeiro incontestável como agente independente e interdependente nos cuidados de saúde. A elaboração de guidelines orientadores de boa prática de cuidados de enfermagem, baseadas na evidência científica, traduz uma base estrutural fundamental para a melhoria da qualidade do exercício profissional dos enfermeiros e consequentemente a excelência no cuidar.

Nos padrões de qualidade, os enunciados descritivos visam de uma forma geral, explicitar a natureza da enfermagem e traduzir o mandato social da profissão. Dos enunciados descritivos emergem seis categorias, nomeadamente: a satisfação dos clientes, a promoção da saúde, a prevenção das complicações, o bem estar e ao autocuidado, a readaptação funcional e a organização dos cuidados de enfermagem.

Neste estudo, sobre gestão em enfermagem e a formação em serviço: as tecnologias de informação e padrões de qualidade, o levantamento das necessidades de formação em serviço foram baseadas nas seis categorias referenciadas anteriormente, que a OE definiu, nomeadamente: a

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satisfação dos clientes; a promoção da saúde ; a prevenção de complicações; o bem-estar e o autocuidado; a readaptação funcional ea organização dos cuidados de enfermagem.

Este estudo estando direcionado para os enfermeiros gestores, salienta-se o último padrão deà ualidade,à o ga izaç oà dosà uidadosà deà e fe age ,à Na procura da excelência no exercício profissional, o enfermeiro contribui para a máxima eficácia na organização dos cuidados de e fe age ,em que se reforça a existência de um quadro de referências para o exercício profissional de enfermagem; a existência de um sistema de melhoria contínua da qualidade do exercício profissional dos enfermeiros; a existência de um sistema de registos de enfermagem que incorpore sistematicamente, entre outros dados, as necessidades de cuidados de enfermagem do cliente, as intervenções de enfermagem e os resultados sensíveis às intervenções de enfermagem obtidos pelo cliente; a satisfação dos enfermeiros relativamente à qualidade do exercício profissional; o número de enfermeiros face à necessidade de cuidados de enfermagem; a existência de uma política de formação contínua, promotora do desenvolvimento profissional e da qualidade e a utilizaç oàdeà etodologiasàdeào ga izaç oàdosà uidados,àp o oto asàdaà ualidade. (OE, 2002, p.15). A criação destes enunciados descritivos da qualidade do exercício dos enfermeiros, a partir os conceitos de saúde, pessoa, ambiente e cuidados de enfermagem, traduz-se num contributo específico para o exercício profissional dos enfermeiros, numa garantia de melhoria contínua da qualidade e procura permanente da sua excelência.

Como refere no padrão de qualidade- organização dos cuidados de enfermagem, deve existir uma política de formação contínua dos enfermeiros, que permita e seja facilitadora do desenvolvimento profissional e da qualidade. O enfermeiro gestor, através da formação em serviço pode concretizar esta política em cada local de exercício, com as suas realidades concretas, introduzindo a discussão destas temáticas e a elaboração de indicadores de estrutura, de processo e de resultado, permitindo a avaliação do processo de melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem, através da sua monitorização, revisão e melhoria contínua.

O desenvolvimento dos padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem é um processo o tí uo,àse doà ueàe à ,àaàOE,à oàp ojetoà Pad õesàdeàQualidadeàdosàCuidadosàeàsiste asàdeà i fo aç oà deà e fe age :à i st u e tosà pa aà aà elho iaà o tí uaà daà ualidade , reforça a importância da sua implementação nas várias instituições de saúde, citando, p o ove e implementar programas de melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem revela-se para a Ordem dos Enfermeiros, como Associação Profissional da área da saúde, uma ação p io it ia ,à pretende-se com este projeto contribuir para a garantia das melhores respostas de cuidados aos cidadãos que deles necessitam e, por outro, garantir que se concretize a meta da excelência dos serviços e dos cuidados prestados nas diversas instituições ligadas ao setor da saúde. Neste projeto, a OE salienta a importância da intervenção dos enfermeiros da área de gestão

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Di eto es,à “upe iso esà eà Chefes ,à como fator estratégico e determinante no desenvolvimento organizacional e operacional na concretização do que às instituiçõesde saúde compete nas vertentes da adequação dos recursos e da criação das estruturas que obviem o exercício profissional de qualidade pela continuação da promoção de práticas de cuidados de enfermagem que estejam em consonância com o quadro de referência que as suportam (p.2).

O enfermeiro gestor e o responsável pela formação em serviço, através da formação em serviço, têm um papel preponderante na implementação e desenvolvimento dos padrões de qualidade na sua unidade de cuidados. Atualmente, ainda se verifica dificuldade na concretização deste projeto ambicioso, para tal, o compromisso de todos os enfermeiros e das organizações é fulcral, pois só a centralidade de esforços poderá fornecer aos cidadãos como parte integrante, a excelência dos cuidados de enfermagem.

No relatório da avaliação global do projeto (2007), constatou-se que estão envolvidos no projecto 7058 enfermeiros, o que corresponde a 59,6% do total de enfermeiros que exercem funções nestas instituições. Realça-se o envolvimento de 500 enfermeiros-chefes e 43 enfermeiros- supervisores, o que correspondeu a, respectivamente, 76,0% e 81,1% do total de enfermeiros destas categorias profissionais. De salientar que na maioria das instituições (78,0%), estão envolvidos enfermeiros responsáveis pela formação em serviço, totalizando 409, o que corresponde a 79,7% do total de enfermeiros responsáveis pela formação em serviço nestas instituições.

Em 2012, a OE divulga no Inquérito do Programa Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem (PPQCE), o desenvolvimento dos enfermeiros e da melhoria da qualidade dos cuidados prestados por estes profissionais aos cidadãos. As exigências crescentes dos cidadãos e a visão estratégica da gestão nos serviços de saúde, permeia um aumento do nível de conhecimentos e a utilização da informação baseada na evidência pelos enfermeiros, constituindo os padrões de qualidade um alicerce para o exercício profissional de enfermagem de excelência.

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