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2. GEREÇ ve YÖNTEM

2.4. Dört Kollu Mesh İle Anterior Onarım

A abordagem de manejo ecossistêmico foi inicialmente tratada no Fórum de Consultas sobre Princípios Ecossistêmicos dos Estados Unidos, EPAP, em 1998. Este fórum baseado na literatura dos ecossistemas pesqueiros e na experiência de seus representantes sugeriu os seguintes princípios, objetivos e políticas que incorporam elementos-chave para a abordagem ecológica do manejo da pesca, a saber:

Princípios

(i) A capacidade de prever o comportamento do ecossistema é limitada; (ii) Os ecossistemas tem patamares e limites reais, que, quando ultrapassados, podem causar grandes reestruturações ecossistêmicas; (iii) Quando se ultrapassam os patamares e limites do ecossistema, as mudanças podem ser irreversíveis; (iv) A diversidade é importante para o funcionamento do ecossistema; (v) Diversas escalas interagem dentro e entre os ecossistemas; (vi) Os componentes dos ecossistemas estão conectados; (vii) As fronteiras dos ecossistemas são abertas e (viii) Os ecossistemas mudam ao longo do tempo.

Objetivo

Manter a saúde e sustentabilidade do ecossistema. Políticas

(i) Mudar o ônus da prova; (ii) Aplicar a abordagem precaucionária; (iii) Adquirir um “seguro” contra imprevistos e impactos desfavoráveis ao ecossistema; (iv) Aprender com as experiências de manejo; (v) Fazer com que os incentivos locais sejam compatíveis com metas globais; (vi) Promover a participação, justiça e equidade nas políticas de manejo.

Assim considera-se que os elementos fundamentais de um enfoque ecossistêmico são: (i) a integração que pondera toda a gama possível de bens e serviços e tenta otimizar a combinação de benefícios para um determinado ecossistema, bem como entre os diferentes ecossistemas; (ii) redefine os limites que tradicionalmente caracterizam o manejo, reconhecendo que o ecossistema

funciona como uma entidade completa e precisa ser tratado como tal e não em partes, o que sugere transcender limites jurisdicionais, uma vez que os ecossistemas geralmente ultrapassam as fronteiras entre estados e países; (iii) adota uma visão a longo prazo, pois seu objetivo é a sustentabilidade dos recursos; é necessário que as medidas tomadas perdurem para manter as gerações futuras; (iv) integração da informação social e econômica com a informação ambiental sobre o ecossistema; (v) manter o potencial produtivo de dos ecossistemas, pois o manejo não será bem sucedido a menos que preserve ou aumente a capacidade do ecossistema para produzir os benefícios desejados no futuro (FAO, 2004a).

Este enfoque também chamado de manejo pesqueiro baseado no ecossistema, “Ecosystem-based fisheries management” (EBFM), foi posteriormente discutido na “Conferência de Reykjavik sobre a Pesca Responsável no Ecossistema Marinho”, organizada pela FAO e pelos Governos de Islândia e Noruega, no ano 2001. A declaração desta Conferência afirma que a incorporação do conceito de ecossistema implica na sua conservação mais efetiva e no seu uso sustentável, reafirmando-se também os princípios do Código de Conduta para a Pesca Responsável (FAO, 2004 a, c; FAO, 2006; CHOCRANE, 2005; FAO, 2007).

Mediante o enfoque ecossistêmico das pescarias, se procura equilibrar os diversos objetivos sociais, considerando conta os conhecimentos e as incertezas sobre os componentes bióticos, abióticos e humanos dos ecossistemas e suas interações, e daí aplicar à pesca um enfoque integrado dentro de limites ecológicos fidedignos. Assim o EBFM não é incompatível com os enfoques atuais de ordenamento da pesca sendo mais uma extensão ampliada destes (FAO, 2004a; FAO, 2006; FAO, 2007).

Dessa forma, o EBFM orienta-se não só para a regulamentação da pesca de certas espécies, mas também cuida, para que a pesca não tenha um efeito indesejável em outras espécies afins ou dependentes das espécies alvo. Os esforços, portanto, estarão dirigidos na preservação da integridade do ecossistema mediante o estabelecimento de limites conservadores (precaucionários) que considerem as necessidades das espécies relacionadas e preserve a sustentabilidade ecológica de todas as espécies envolvidas (incluindo o homem) e do hábitat onde vivem. Por conseguinte, a pesquisa deve ampliar seu âmbito fora da

espécie alvo, enfatizando a análise das inter-relações entre as distintas populações de um ecossistema. (FAO, 2006; CHOCRANE, 2005)

Na abordagem ecossistêmica deve se considerar dentro da cadeia alimentar o homem como ente de distorção das relações existentes há séculos no ambiente, e juntamente com ele, se deve compreender a estrutura dinâmica do ecossistema e as diferentes interações tróficas que nele ocorrem, segundo sua estrutura na rede. Para se obter uma melhor compreensão da forma como a diminuição do nível da cadeia pode afetar os outros níveis, positiva ou negativamente conforme o caso, três cenários possíveis acontecem: o controle de baixo para cima (bottom-up), de cima para baixo (top-down) e cintura de vespa (wasp-waist) (CURY et.al., 2003)

(a) Controle de baixo para cima - onde a regulação dos componentes da cadeia alimentar deriva dos produtores primários, e estes por sua vez limitam a entrada de alimento à rede ascendente, até chegar aos predadores de maior tamanho (Figura 5). A inerência da variável meio ambiental é relevante, já que é ela que determina uma maior ou menor produtividade primária.

Figura 5: Esquema simplificado de uma rede trófica de quatro níveis (a) cadeia alimentar de ecossistema marinho. (b) a diminuição da abundância do fitoplancton conduz à diminuição da abundância dos depredadores; o fator de controle é uma linha continua e as respostas são linhas tracejadas. Fonte: Adaptado de Cury et al. (2003).

(b) Controle de cima para baixo - ocorre quando a diminuição dos grandes predadores, por causas antropogênicas ou ambientais acarreta no aumento das presas, o que por sua vez, se traduz numa diminuição do zooplâncton acarretando um aumento do fitoplâncton (Figura 6).

Figura 6: Esquema simplificado de uma rede de quatro níveis tróficos (a) cadeia alimentar de ecossistema marinho. (b) a diminuição de grandes predadores, conduz ao aumento das espécies forrageiras e diminuição do zooplancton.

Fonte: Adaptado de Cury et al. (2003).

(c) Controle de cintura de vespa - neste caso a abundância das espécies de peixes que são presas (pequenos cardume pelágicos), controla a abundância dos predadores e da produção primária; uma diminuição destas espécies afetará negativamente a abundância dos predadores, que por sua vez se reduz a depredação do zooplâncton, aumentando sua população, que se traduz numa diminuição do fitoplâncton (Figura 7).

Figura 7: Esquema simplificado de uma rede de quatro níveis tróficos (a) cadeia alimentar de ecossistema marinho (b) a diminuição da abundância das espécies presa conduz à diminuição da abundância dos depredadores e do fitoplancton; o fator do controle é uma linha continua e as respostas são linhas tracejadas.

Fonte: Adaptado de Cury et. al. (2003).

A predação é um processo importante para a regulação das populações de peixes, mas as interações entre predadores e presas e seus efeitos sobre os recursos pesqueiros são altamente diversificadas e complexas (como pode ser visto em todos os três casos acima mencionados). Assim são necessários estudos aprofundados para se implementar a abordagem ecossistêmica no manejo pesqueiro. O panorama ainda permanece complicado devido à instabilidade que caracteriza tanto o meio ambiente quanto o ecossistema onde ocorrem a predação e a competição.

Na realidade, as pescarias do mundo são dirigidas tanto aos predadores como às suas presas. Para atingir um aproveitamento mais vantajoso de ambos é necessário conhecer as interações e seus efeitos sobre o ecossistema (SANDERS, 2002).

Em algumas pescarias onde o grau de dependência ou inter-relação trófica entre as espécies é afetado, positiva ou negativamente por diversas interações principalmente pela competição, predação, variáveis oceanográficas e sobrepesca, podemos citar: a pescaria dos tubarões; a mortandade de aves marinhas nas Ilhas Shetland pela diminuição de pequenos pelágicos usados para a indústria de conservas; na pesca da merluza (Merluccius gayi peruanus) no Peru estão sendo adotadas medidas para sua proteção e recuperação (da forma tradicional, proteção de uma única espécie), orientando o esforço pesqueiro para outro tipo de pescaria, como o caso do Ctenosciaena peruviana, considerada pelos cientistas como alimento natural da merluza; as baleias (Balaenoptera borealis; Balaenoptera edeni) e o krill (Euphausia superba) no Mar da Antártica (FAO, 2006).

As interações entre as espécies podem ser de natureza muito variada, mas tais mecanismos não são óbvios. Ovos pequenos ou juvenis de grandes predadores (por exemplo, o bacalhau Gadus morhua), podem ser vulneráveis aos peixes que se alimentam de plâncton (por exemplo, cavala (Scomberomorus cavala) ou o arenque

(Clupea harengus), porém a relação esperada entre predador e presa pode

permanecer despercebida (CURY et.al., 2003).

Neste sentido, é fundamental aceitar a interdependência de todos os elementos que formam um ecossistema, ao invés de agir como se os estoques fossem independentes. Embora os problemas práticos colocados por esta nova abordagem sejam bastante complexos, existem mecanismos científicos que poderiam possibilitar intervenções de manejo da pesca que visam à conservação da estrutura e função do ecossistema aquático, e conseqüentemente, a conservação dos recursos pesqueiros (SANDERS, 2002).

Berkes et al. (2006), explicam que um critério relacionado ao ecossistema é o da “integridade ecológica”, que implica na manutenção da estrutura e função do ecossistema. Assim poderiam se usar indicadores mais específicos derivados, por exemplo, da biodiversidade (considerada uma boa medida da estrutura do ecossistema), como a porcentagem de espécies de vida longa e valor elevado. Contudo a função reflete os processos ecossistêmicos como a produção, fluxo de energia e ciclagem de nutrientes.

Estes autores (BERKES et al., 2006) apontam que vários gestores pesqueiros usam índices de captura como indicadores de “integridade ecológica” ou saúde do

ecossistema. Se os índices de captura decrescem rapidamente é indicativo de que algo está acontecendo no ambiente. A respeito da sustentabilidade, se faz necessário ressaltar que o manejo pesqueiro deve visar a sustentabilidade do ecossistema e não só das espécies alvo. O manejo baseado no ecossistema enfatiza a proteção do potencial reprodutivo do sistema que produz os fluxos de recursos, em vez de proteger uma espécie ou um estoque individual como recurso.

Resumindo as expectativas criadas desta abordagem destacam-se: (a) o manejo pesqueiro mudará em curto prazo para o manejo baseado no ecossistema; (b) as pescarias serão manejadas para a abundância e não para a escassez, por exemplo, baixa taxa produção vs alta taxa de biomassa; (c) menor capacidade de pesca, mas com rendimentos mais elevados com o uso de tecnologia mais avançada; (d) as prática altamente impactantes são substituídas por técnicas alternativas de pesca; (d) maior utilização de medidas de manejo espacialmente explícitas; (e) restrições às pescarias para executar outros objetivos, por exemplo, a proteção da biodiversidade (FLUHARTY, 2004).

Porém Ruddle e Hickey (2008), dizem que conceito de manejo ecossistêmico precisa de uma grande mudança paradigmática que exigiria uma mudança fundamental do estilo de manejo que na atualidade prevalece nas instituições responsáveis da administração das pescarias. Embora ainda não fora pensado totalmente como um conceito ou na definição operacional, a abordagem ecossistêmica exige a eliminação gradual das políticas setoriais para o ambiente marinho e os recursos.

Benzer Belgeler