ÜÇÜNCÜ YARIYIL DERSLER
DÖRDÜNCÜ YARIYIL DERSLER
A compreensão cristã de todos os tempos é a de que o Senhor se manifesta no passado e continua se auto-comunicando no hoje da história. Por isso os Santos Padres falam de uma theologia ante et retro oculata, numa compreensão do passado e do presente como tempos próprios da Palavra. Cabe-lhe, pois, centrar seus esforços não somente nas fontes da fé como são particularmente a Bíblia e a Tradição, mas também na historia mundi, prenhe da História da Salvação. Para explicar a força que perpetua a contínua atualidade da auto-comunicação de Deus neste mundo o teólogo trabalha a imagem dos dois “hoje”55.
3.1- O hoje Kairológico: a realidade da fé
A teologia reflete a fé recebida dos apóstolos. Ela fala de um “hoje” permanente, denso de salvação, de presença divina, que supera as
51 Ética da vida, p. 25.
52 Ecologia, mundialização e espiritualidade. A emergência de um novo paradigma, p. 15.
53 Euler R. WESTPHAL, O pensamento trinitário em Leonardo Boff: comunhão e criação, in Estudos
Teológicos, no. 2: 32
54 A voz do arco-íris, p. 79.
coordenadas do tempo linear e inaugura uma nova forma de experimentar e entender o tempo. A dimensão desse kairós une eternidade e momento presente: “Eis agora o tempo favorável por excelência. Eis agora é o dia da
salvação” (2Cor 6,2; Rm 13,11). A encarnação de Deus em Jesus Cristo, bem
como todo o processo de seu mistério pascal se insere de tal forma nas estruturas do mundo que toda a matéria se torna revestida do significado novo do Emanuel, fazendo emergir sua estrutura crística. O hoje kairológico é a consciência dessa salvação de Cristo sempre presente, e a função da teologia, com o auxílio das ciências hermenêuticas, é refletir criticamente sobre esse testemunho de fé56..
3.2- O hoje cronológico: a realidade social e cósmica
A realidade da fé (hoje kairológico) acontece num determinado contexto de tempo histórico linear e realidade sócio-cósmica que Boff chama de hoje
cronológico. A teologia, como discurso crítico da fé, não a manipula numa
realidade puramente objetiva. Acontecendo na história dos homens, a fé lhe dá “olhos” próprios para enxergar e compreender o mundo. As afirmações que a teologia tem classicamente empregado para referir-se à ação salvadora- libertadora de Deus em Cristo estão sedimentadas em bases culturais diferentes das nossas de hoje. Por isso é necessário atenção e cuidado ao aspecto semântico de hoje que já não é mais o de ontem. Dessa forma, a temática dominante de uma teologia se define pelo que emerge como importante num determinado tempo e contexto, isto é, epocalmente. Por isso, o discurso religioso deve necessariamente considerar a realidade dentro da qual se move a dinâmica da fé.
Por isso, a teologia conta com o auxílio das ciências do homem e do social. Já Tomás de Aquino fala da necessidade de se ter um conhecimento geral das ciências, para conhecer melhor a Deus: “Conhecer a natureza das
coisas ajuda a destruir os erros acerca de Deus (...). É falsa a opinião daqueles que diziam não importar nada à verdade da fé a idéia que alguém tem sobre as criaturas, contanto que pense corretamente acerca de Deus (...), pois, um erro sobre as criaturas redunda numa idéia falsa de Deus”57. Da mesma forma, o Vaticano II fala da legitimidade da ciência que, “quando tenta perscrutar com
humildade e perseverança os segredos das coisas, é como que conduzida pela mão de Deus” (GS 36), podendo contribuir, portanto, para um real e verdadeiro
trabalho teológico.
Dada a subjetividade própria, desde a seleção de temas até a opção por uma ótica de reflexão, a produção teológica se faz sob a influência de determinada contextura social, eclesial, cultural, ideológica, ideal... Por isso, a reflexão teológica supõe a ajuda de uma teoria sociológica., e compromete o pensador com o grupo eclesial e social a quem a ótica nuclear de seu pensamento diz respeito. Consciente ou não, um teólogo é sempre partidário, pois nunca faz uma teologia neutra e imparcial. No entanto, quando consciente e lúcido, ele pode controlar e reorientar essa parcialidade.
56 A fé na periferia do mundo, p. 8. 57 Summa contra gentiles, I.2, c. 3.
É importante lembrar finalmente que nenhuma teologia realiza totalmente a tarefa de responder, à luz da revelação, às questões fundamentais da existência humana e de toda a criação. Nessa consciência o teólogo cresce progressivamente quanto mais mergulha no abismo da fé, e começa a perceber a relatividade de toda reflexão. Nessa experiência percebe que a tensão entre a calmaria da superfície e a misteriosidade das profundezas é tão chocante que Tomás de Aquino, após a aventura do mergulho no mistério de Deus, através da Suma Teológica, permanece num silêncio respeitoso e contemplativo, dizendo que toda sua teologia não é mais do que palha58. Boff tem reação semelhante quando, a partir de um estudo da teologia espiritual de mestre Eckhart, faz referência a uma inflação teológica, dizendo que “toda
nossa teologia e espiritualidade são uma imensa tagarelice”59. No entanto, só quem se dispõe à aventura do mergulho no lago da fé e da teologia pode atingir essa maturidade, fazendo com que a teologia reencontre a unidade perdida com a mística e a espiritualidade.
4. A articulação dos dois “hoje” e a emergência de um novo pensar teológico: a teologia da libertação ampliada
Se nenhuma teologia é neutra, então, fazer teologia num determinado contexto exige que se procure elaborar a reflexão sobre a fé mais adequada para determinada situação. Na América Latina essa análise teológica permite detectar que a dimensão teologal humana se expressa numa realidade de exploração econômica e de marginalização social, com suas fontes no sistema liberal. Embora sempre dessa plataforma na qual vive e faz teologia, Boff hoje amplia seu universo dialogante, dirigindo-se ao interlocutor pós-moderno do mundo todo, num apelo à consciência ecológica.
E se, então, a análise teológica compreende a situação como realidade de pecado, a fé deve ajudar o cristão a definir-se diante dessa complexidade e assumir uma postura firme contra o pecado, que Boff entende como ruptura do ser humano com o amor de Deus, tornando-se, assim, infiel ao próprio projeto e desintegrando-se da comunhão com a totalidade.
Portanto, cabe à teologia “refletir criticamente, à luz da experiência cristã
da fé, sobre a práxis dos homens, principalmente dos cristãos, em vista da libertação integral dos homens”60. Na América de Boff, essa forma de entender teologia se desdobra, desde o final da década de sessenta, com momentos ao mesmo tempo de crescimento e de crises profundas, e recebe o nome de “teologia da libertação”. O Concílio Vaticano II, uma vez acolhido no contexto eclesial do Terceiro Mundo, favorece esse nascimento. A proposta conciliar de uma nova leitura da vocação da Igreja no mundo moderno de hoje tem inspirado pastores e teólogos do Terceiro Mundo a uma reflexão da fé que responda às pessoas desse mundo em sua totalidade existencial. Mergulhada nessa epocalidade, a Igreja na América Latina tem conseguido fazer emergir dos anseios, expressos nessas utopias e práticas, a produção teológica. Esse
58 In O Caminhar da Igreja com os oprimidos, p. 164.
59 A transparência: experiência originária. In Leonardo BOFF & FREI BETTO, Mística e espiritualidade,
p. 74.
pensamento teológico, na verdade, tem já suas raízes em antepassados teológicos do continente que remontam a reflexões e práticas eclesiais de pessoas como Montesinos, com seu profetismo no famoso sermão de advento em 1511, os primeiros missionários franciscanos no México (1524)61, Felipe Guaman Poma de Ayala (1583-1615?)62, Bartolomé de Las Casas63, ... e embora não propriamente entre os precursores da referida teologia, Boff cita também o Pe. Antonio Vieira64 quando, em carta ao rei de Portugal, denuncia a injustiça cometida contra os Índios... Fruto dessa longa caminhada teológica libertadora é a emergência da democracia popular na América Latina, como testemunha Patrus Ananias: “Podemos dizer que estamos colhendo os frutos
de uma pregação que propôs a inversão de prioridades, com ênfase na questão social, com os pobres em primeiro lugar e a defesa da vida como direito mais elevado”65.
A teologia da libertação nasce do encontro das experiências política e teológica, isto é, no ponto de intersecção entre o kairós e o chronos da Palavra. É sobre esse emaranhado social do hoje cronológico que caracteriza a América como continente de dependência desumanizante, que gera empobrecimento, degradação social e moral, violência, desvastação das reservas florestais, poluição das águas e toda sorte de manifestações desumanas e desumanizantes, que o hoje kairológico da teologia se debruça para entender a necessária atualização da Palavra aí também revelada. Uma reflexão assim concebida, capaz de articular, numa só reflexão, Deus, o humano e o cosmos. Tem-se chamado a essa integração de teoantropocósmica66.
Por isso, a tarefa do teólogo deve ser a de buscar, com os olhos próprios da ciência teológica, suas contribuições na “decifração do mistério humano,
donde partem e para onde devem convergir todas as ciências, se não quiserem transformar-se em ideologias”67. Daí se entende que, para Boff, as ciências só podem se tornar mediadoras do pensar teológico se assumem uma orientação antropológica e cósmica. Não é o mistério de Deus em si que elas explicam; é ao mistério do ser humano e do mundo que se referem... Compete à teologia, administrar com elas os próprios conteúdos da fé e, a partir de então, buscar compreender seu significado no grande conjunto da realidade humano- cósmica.
61 Tais missionários franciscanos “acreditavam sinceramente que na América iam instaurar uma Igreja
pura, sem ruga e sem mancha, prognosticada pelo Novo Testamento e pelo profético monge Joaquim de Fiore” (América Latina: da conquista à nova evangelização, pp. 73-74).
62 Felipe é um inca nobre, educado na Espanha. Retorna ao Peru e, por vinte anos, luta, ao lado de seus
irmãos indígenas, a quem chama de “os pobres de Jesus Cristo”, que correm o risco da erradicação.
63 Bartolomeu de las Casas é um encomendeiro que se converte e se faz religioso dominicano. Torna-se
grande defensor dos indígenas e iniciador de um movimento cristão de denúncias ao rei das atrocidades cometidas contra os Índios. Suas obras mais importantes, “Brevíssima história de la destrucción de Indias” e “Apologética história”, têm grande influência na criação e alimentação das utopias americanas.
64 ”Este dizia que a dominação dos indígenas constituía o pecado original e capital do estado português”
(Carta ao rei D. João IV, de 4 de abril de 1654)”, in América Latina: da conquista à nova evangelização, p. 64.
65 Patrus Ananias SOUZA, Leonardo Boff: um testemunho, in Juarez GUIMARÃES (org.), Op. cit., p.
45.
66 Paulo A. Nogueira BATISTA, Teologia e ecologia: a mudança de paradigma de Leonardo Boff, in
Juarez GUIMARÃES (org.), Op. cit. p. 118.
Apresentando a teologia da libertação como verdadeira teologia, Boff acentua que a revelação é sempre a fonte de fé onde ela bebe suas inspirações mais primigênias, e que ela deve ser lida a partir do hoje histórico. Por isso, a questão da libertação nessa teologia não pode ser algo arbitrário, resultado de uma opção apaixonada e emocional, mas nascido justamente como exigência da fé cristã. As práticas libertadoras são o sinal da veracidade que esses teólogos fazem uma opção por ver a realidade sócio-cósmica sob a ótica dos interesses dos pobres, na perspectiva de sua libertação, e todo o conteúdo do cristianismo passa a ser pensado por eles a partir dessa mesma ótica. Se as libertações históricas são manifestações e vislumbres da plena libertação futura, a teologia vive nessa relação dialética entre o hoje cronológico das libertações históricas e o hoje da plena libertação kairológica.
O seguidor de Jesus de Nazaré não pode se conformar omissivamente diante do risco do perigo de destruição que enfrenta hoje o planeta, ainda que haja possibilidade de a vida resistir e sair ilesa, qualquer que seja a forma que venha a tomar, nem diante das situações desumanas em que vivem aqueles a quem Jesus chama de “meus irmãos mais pequeninos” (Mt 25,40). A teologia da libertação reconhece a América Latina hoje como um lugar teológico privilegiado para a ação e a reflexão da teologia, pois aí o humano vive sérios problemas que dizem respeito à sua fé.
A teologia contextualizada, tal como Boff a desenvolve, evita generalizações, pois sabe que elas são niveladoras e ideologicamente perigosas. Por exemplo, enquanto para uma teologia progressista, sedimentada nos valores da sociedade democrática burguesa, a liberdade é um tema que pode, inclusive, ocupar espaço, interesse e preocupação em suas reflexões, a teologia na América Latina entende que a liberdade não existe em si mesma, mas enquanto práxis de libertação, que não diz respeito apenas a uma ou outra dimensão da vida, mas a toda a realidade vivencial do não- homem, do oprimido, das vítimas do desenvolvimento do modelo capitalista... Assim também, entende que ciência e técnica, ao mesmo tempo que representam a oportunidade humana de assenhoramento da natureza e do direcionamento deste mundo e da história, como promulga a teologia moderna, podem significar também, não raro, fatores de dominação e submissão por parte de pessoas ou organismos detentores do poder científico68. Da mesma forma se pode perceber que o desenvolvimento do Primeiro Mundo custa a dependência do Terceiro, e que não se pode falar genericamente em mundo, pois existe uma outra realidade de mundo de miséria humana, mais corretamente denominado de sub-mundo...69.
Por isso tudo, a preocupação da teologia de Leonardo Boff, hoje, já não está tão centrada no depositum fidei entendido como um corpo pronto e definido de doutrinas nas quais se deve acreditar. Do mesmo modo, ela não parte do princípio de que a religião deve apresentar, como mater et magistra, as soluções para todos os problemas do mundo. Assim como também não trata do grande problema teológico do mundo moderno, que é o distanciamento
68 Graça e experiência humana; A graça libertadora no mundo, p. 86. 69 Que são as teologias do Terceiro Mundo?, Concilium/219: 18 (570).
entre a modernidade e a fé cristã. Tampouco preocupada com a articulação fé- ciência, procurando responder ao homem crítico de hoje, exigente em termos de racionalidade e de demonstrações exatas; nem com a dialética homem secularizado-homem religioso. Antes, a teologia de Boff é uma nova epistemologia, “uma nova forma de fazer teologia: a partir da prática
transformadora, de dentro da prática, como crítica dessa prática e para a prática da libertação”70. O “novo” dessa teologia está justamente em que “os
pobres fundam um lugar social e epistemológico...”, lembrando como o próprio
Boff afirma, que o “pobre”, aqui, é o indefeso, o que não tem voz, e por isso também o próprio cosmos71.
Boff promove uma verdadeira revolução metodológica na teologia, na medida em que promove uma correta articulação entre teoria e prática, fé e sabedoria, revelação de Deus e experiência humana, entre teologia e antropologia, entre novas categorias teológicas e novas posturas da cultura e do pensamento humano, entre cristianismo e outras tradições religiosas, entre linguagem dogmática e linguagem simbólica, bem como o uso correto do recurso dos métodos histórico-críticos de aproximação das fontes teológicas.72
No âmago do novo método está a questão já discutida da localização social e eclesial do teólogo. Seu lugar eclesial é a Igreja dos pobres, das comunidades de base, das pequenas comunidades de periferias, dos encontros bíblicos... São esses os lugares que condicionam o discurso do teólogo e determinam o curso de seu trabalho. Jamais ele é neutro: vida, lugar social e reflexão teológica formam um só conjunto.
4.1- Articulação sacramental da teologia da libertação
A articulação sacramental da teologia começa por uma constatação da miséria da realidade humana, das esperanças de libertação, na comunhão e na participação. Esse primeiro passo consiste num sentir a situação desumana da realidade e anti-ecológica no trato com as criaturas deste mundo.
Brota então uma indignação ético-religiosa. Para melhor compreendê-la, Boff recorre a Merleau-Ponty que diz que “uma pessoa não se faz
revolucionária pela ciência, mas sim pela indignação. A ciência vem depois para encher e precisar este protesto vazio”73, e ao conhecido sociólogo da religião, Emile Durkheim em sua afirmação de que na origem do cristianismo se encontra uma paixão: pela justiça e pela redenção dos explorados74; A leitura que esse modelo faz da realidade conflitiva manifesta uma intuição de fé sobre a realidade percebida e desenha pistas de ação transformadora. O sentir e indignar-se com as realidades de opressão e miséria dos pobres e de
70 A originalidade da teologia da libertação em Gustavo Gutierrez, Revista Eclesiástica Brasileira, vol.
48, fasc. 191: 533.
71 Ecologia, mundialização e espiritualidade, p. 98; cf. tb. Ecologia: grito da terra, grito dos pobres, p.
169.
72 Juan José TAMAYO, Leonardo Boff: no horizonte da teologia da libertação e da ecologia, in Juarez
GUIMARÃES (org.), Op. cit., p. 87.
73 Humanisme et terreur, Paris. Galimard. 1956, p. 13;
74 Le socialisme. Sa définition. Ses débuts. La doctrine saint-simonienne, Paris, 1928; PUF, Paris, 1992,
depredação desenfreda dos recursos da terra despertam na comunidade cristã uma ação de solidariedade. De uma prática de assistência à pobreza ou de ecologia burgueza, a teologia passa a uma postura profética, com práticas éticas e sociais de libertação e de promoção da pessoa e do cosmos.
Entre outros valores, essa via teológica alcança uma superação do intimismo e privatização da mensagem cristã, além de vincular a pessoa e o projeto libertador de Jesus Cristo às realidades históricas. Às vezes, tal teologia se mune de sérias pesquisas exegéticas e teológicas, chegando mesmo a críticas sérias no que diz respeito aos modelos de Igreja, às imagens de Cristo das diversas cristologias populares... Embora já significando um passo para o pensamento mais elaborado, os momentos de sentir, protestar e fazer não vão além de uma reação da própria fé sensibilizada diante da realidade opressiva em todos os âmbitos.
As limitações ficam principalmente por conta da eficácia política. Seu alcance na luta contra a pobreza, bem como nas medidas práticas quanto à presevrvação do meio ambiente é bastante tímido, uma vez que carece, de um lado, do enfoque sócio-analÍtico da realidade, e de outro, do recurso das análises da cosmologia, da física, da psicologia transpessoal... Dentro dessa forma de compreensão teológica, “pode ocorrer que os grupos sejam
teologicamente (teoricamente) revolucionários e por suas práticas sejam conservadores ou meramente progressistas”75. Faltando uma análise científica acurada e crítica, a práxis dessa articulação teológica se torna acentuadamente pragmática. De uma práxis do amor engajado, mas de curto alcance; sua eficiência e durabilidade são imprevisíveis, também porque expressam a dimensão emocional da pessoa.
4.2- Articulação sócio-cósmico-analítica da teologia da libertação
O teólogo da reflexão libertadora de caráter científico e crítico também faz a experiência da indignação. Mas ela se fundamenta e se constrói através de mediações básicas que integram a relação profunda entre o hoje cronológico, das realidades sociais, e o hoje kairológico, das realidades da fé. Dessa relação deriva uma práxis que pretende ser libertadora. Os três passos do método constituem na análise da realidade, a reflexão teológica e a dedução de pistas de ação pastoral, mais tecnicamente chamadas de mediação sócio-analÍtica, mediação hermenêutica e mediação prático-pastoral. Esse método deriva já da Gaudium et Spes e tem se oficializado nas Conferências Gerais mais importantes do Episcopado do Continente, como em Aparecida. Constitui uma revolução metodológica na teologia76, e corresponde
75 A fé na periferia do mundo, p. 20; cf. tb. Jesus Cristo Libertador, 21.
76 A fé na periferia do mundo, p. 21; cf. tb. A salvação nas libertações; o sentido teológico das libertações
sócio-históricas, in Leonardo BOFF & Clodovis BOFF, Da libertação; o teológico das libertações sócio- históricas, pp. 13-21; cf. tb. O Caminhar da Igreja com os oprimidos, pp. 188-191; cf. tb.Leonardo BOFF & Clodovis BOFF, Como fazer teologia da Libertação, p 40-63; cf. tb. Teologia do Cativeiro e da libertação, p. 31; cf. tb. E a Igreja se fez povo; Eclesiogênese: a Igreja que nasce da fé do povo, pp. 103- 104; cf. tb. Ecologia: grito da terra, grito dos pobres, pp. 170-172; cf. tb. Teologia da Libertação: o mínimo do mínimo; Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 38, fasc. 152: 696-705; cf. tb. Clodovis BOFF, Teologia e prática; teologia do político e suas mediações, p . 378.