• Sonuç bulunamadı

O atendimento ambulatorial no formato de consulta, nunca tinha sido feito antes numa Escola privada de Itabuna-Bahia-Brasil. Como dissemos anteriormente foi uma experiência gratificante pelo percurso inusitado no desenvolvimento deste tipo de atividade. De antemão, identificamos falhas no preenchimento do prontuário que dificultou um pouco, a consolidação dos dados, sem tirar, contudo, o mérito do trabalho desenvolvido pelas equipes envolvidas.

Contratempos à parte foi possível conhecermos parcialmente os 50 alunos com os quais trabalhamos todas as quartas-feiras durante todo o ano escolar.

Destes, 32% foram do sexo masculino e 68% do sexo feminino, o que nos permitiu conhecer muito mais o universo feminino dos adolescentes desta faixa etária.

Gráfico 17

26% não responderam o grau de instrução da mãe. Considerando que na adolescência é comum um distanciamento progressivo dos familiares. (ABERASTURY et. al., 1981) O não conhecimento do grau de instrução dos pais pode indicar uma simples distração dos filhos, uma falha de comunicação ou até mesmo a falta de diálogo e de convivência, que poderá criar uma lacuna de afetividade e confiança deixando espaço para que o jovem procure “abrigo” no convívio grupal com outros adolescentes, podendo ser uma experiência positiva ou um problema que a família só perceberá no futuro.

Tal situação é reforçada pelo gráfico abaixo, quando 50% dos adolescentes não souberam responder também acerca do emprego dos pais. Com um agravante, revela ainda o não envolvimento destes jovens com as questões da família. É preciso atentar para a necessidade da participação de todos os membros da dinâmica familiar e entender as relações do ter e do ser, bem como a valorização dos esforços dos pais.

É sempre importante lembrar que a juventude implica em um “processo sócio-cultural demarcado pela preparação dos indivíduos para assumirem o papel de adulto na sociedade, no plano familiar e profissional. (RAMOS, 2001, p. 19-20) Deste modo, é preciso que este jovem adolescente comece a conhecer a vida familiar participando dos momentos de sucesso ou de fracassos.

Gráfico 18

No que se refere a antecedentes pessoais percebemos que os nossos adolescentes apontaram três antecedentes de extrema relevância: doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.

Na análise do gráfico sobre antecedentes familiares observamos uma porcentagem significativa nos aspectos cardiovasculares, obesidade, diabetes. Quanto a questões judiciais, mãe adolescente não apresenta uma porcentagem que deixe uma margem de preocupação. Contudo digno de nota, uma vez que segundo BARROS & COUTINHO (2001), embora a adolescência seja uma fase saudável da vida, pouco suscetível às doenças devemos estar cientes de que o adolescente hoje está vulnerável a um elenco de problemas de saúde, tais como suscetibilidade para doenças infecciosas (as quais poderiam ser evitadas com a atualização vacinal), problemas nutricionais (obesidade, bulimia, anorexia nervosa), fatores de risco cardiovascular (hipertensão arterial). Doenças cuja hereditariedade tem peso no processo preventivo e diagnóstico. Considerando que 68% dos adolescentes relatam ter atividades de lazer, contudo, todas elas relacionadas a computador (MSN, Internet e ORKUT, entre outros) ou a diversões alimentares (shopping e sorveteria, entre outros). Este é mais um indicativo da necessidade de intervirmos, incentivando hábitos mais saudáveis de vida, especialmente a prática de esportes e leituras significativas.

Quanto aos hábitos de vida, percebemos que apresentam, em sua maioria (90%) apresentam alimentação saudável e sono preservado (85%). Não podemos, entretanto deixar de destacar casos de noites perdidas na internet, inclusive algumas vezes com a companhia dos próprios pais. É importante ressaltar um relato de uso de álcool, incentivado por pessoas da família.

Quanto às questões genito-urinárias, não identificamos alterações significativas, eles relataram espermarcas e menarcas em padrões considerados normais

Gráfico 21

Na análise dos dados sobre à auto-percepção dos alunos, percebe-se que a maioria é alegre e trazem consigo Projetos de Vida claros e bem definidos. Inclusive demonstram segurança ao afirmar o que pretendem fazer. Possuem metas delineadas para o futuro profissional. Estes fatores nos permitem ter bons prognósticos acerca de situações sociais favoráveis, uma vez que sabem da necessidade de estudarem para alcançar os seus objetivos.

Mas, para que não nos descuidemos dos nossos adolescentes, o gráfico a seguir trata do adulto que é a referência, ou seja, aquele em quem o jovem se espelha e cujas qualidades o façam sonhar em ser parecido. Percebemos que as mães fazem parte de 30% das referências enquanto que os pais ficam com apenas 18%, outros familiares e o professor conseguem ter a mesma representatividade que as mães, o que nos faz refletir acerca do que está acontecendo com o núcleo familiar. Será apenas uma separação “normal” e transitória dos pais ou não estamos conseguindo nos transformar em amigos e ídolos dos nossos filhos? E se não estamos conseguindo, por que será?

E quem são estas pessoas que nossos filhos estão tendo como referência?

Gráfico 23

Quanto à sexualidade, 53,62% dos alunos consideram que sabem o suficiente sobre o assunto. O que não implica que possamos descuidar das orientações sexuais, pois a fonte de informações geralmente são os amigos. É preciso considerar que eles ficaram com alguma dificuldade para falar sobre o assunto durante a consulta. Assim, foi possível conhecer, ainda que parcialmente o perfil dos adolescentes com os quais fizemos a observação participante e acompanhamos no ano de 2007.

Gráfico 24

Foi muito interessante a possibilidade da participação dos pais na análise das ações supracitadas de forma compartilhada, sem se fazer a identificação dos atores, mas oportunizando a discussão e orientação das informações dos pontos considerados polêmicos.

A Escola passou a ter um retrato da realidade que cerca os seus alunos, podendo a partir daí, fazer um trabalho amplo envolvendo aspectos relevantes, que estavam à margem da realidade do dia a dia, pela pouca oportunidade e tempo que se dispõe em sala de aula para conviver de forma próxima com os problemas e as angústias que os adolescentes possuem. Está evidenciado que a Escola precisa se aproximar do aluno de forma mais íntima, observar a realidade de cada um, buscar informações que contribuam para facilitar a interação, pois conhecer aspectos do dia a dia facilitará a convivência, criando um ambiente de maior compreensão e entrosamento entre alunos, professor e a família.

Capítulo VI