4. ÜSTÜN PERFORMANSLI ASFALT KAPLAMA (SUPERPAVE) YÖNTEMİ
4.1. Superpave Bağlayıcı Şartnamesi
4.1.2. Bağlayıcı Performans Deneyleri
4.1.2.4. Dönel Viskozimetre (RV) Deneyi
Estudo realizado por Kickhofel et al.(2003) com 114 crianças residentes em Pelotas e Porto Alegre - RS, com idade entre 1:3 e 3:7 (anos: meses), residentes nas cidades de Pelotas e Porto Alegre
V Abertura [± ab 2] Ponto [Labial] [Coronal] [± ab1] [Dorsal] [+ ab 3]
(RS), comprovaram que as crianças em fase de aquisição fonológica realizam as vogais médias átonas /e, o/, sendo que a vogal /o/ ocorre com maior frequência. Salienta-se que para esse estudo os autores tomaram como base o estudo de Vieira (1994, 2002), que analisou dados da fala adulta do banco Varsul, já discutido neste trabalho (ver Capítulo 4, seção 4.3).
Os resultados desse estudo apontaram que, embora os cuidadores (input) dessas crianças apliquem categoricamente a elevação das vogais átonas finais, seus outputs contêm vogais médias nessa posição. Os autores notaram que as ocorrências dessas vogais acontecem principalmente quando as crianças falam mais pausadamente. Do total de 114 crianças, 20 (17,5%) apresentaram uma ou mais ocorrências das vogais médias átonas finais.
Nesse estudo, apesar de as ocorrências das vogais não serem evidenciadas de forma detalhada, constatou-se que as crianças gaúchas das cidades de Pelotas/Porto Alegre têm em seus sistemas cinco vogais postônicas finais, conforme o apontado por Vieira (1994) para a fala adulta, ou seja, apresentam as vogais /e/ e /o/ em sua representação fonológica no que concerne à pauta postônica final: (...) acreditamos que a representação subjacente que as crianças têm dos itens lexicais da língua contêm vogais médias átonas finais (...) as quais tendem a elevar-se (KICKHOFEL et al, 2003).
De acordo com Vieira (1994), os falantes do Rio Grande do Sul que pertencem às zonas de colonização italiana e alemã (Flores da Cunha, Panambi, São Borja) não confirmam a pauta postônica final de três vogais / a, i, u/ proposta por Câmara Jr. (1970). Em relação a Porto Alegre, por outro lado, a autora comprovou que a aplicação do alçamento da vogal /o/ é de 97% (VIEIRA, 2002). Com base em uma perspectiva emergentista de aquisição da linguagem, esperar-se-ia, portanto, que crianças dePelotas e Porto Alegre produzissem vogais postônicas com base no input, ou seja, fundamentalmente com o sistema neutralizado constituído por três vogais.
Na mesma linha do estudo anterior, Rangel (2007) analisou o comportamento das vogais médias átonas finais com base no processo de substituição, emprego de um segmento no lugar de outro, na fala de crianças com idade entre 1:0 e 1:11 da cidade de Pelotas. A pesquisadora constatou que na fala desses sujeitos, pelos resultados apresentados, tais realizações em posição postônica final não são categóricas, embora estejam a caminho de tal processo, já que os resultados comprovaram que o alçamento é um processo que apresenta aplicação alta tanto para vogal /e/, quanto para a vogal /o/.
Com base nesses resultados, a pesquisadora defende que há uma pauta vocálica postônica constituída de cinco vogais (/a, e, i, o, u/) para as crianças a partir da idade de 1:6 e uma pauta vocálica postônica de três até a idade de 1:5.
Na verdade, tais evidências mostram que a criança, no processo de aquisição de estruturas do componente fonológico, é capaz de perceber, precocemente, o valor distintivo de alguns traços, o que explicaria, de acordo com a perspectiva autossegmental, o processo de neutralização. Os exemplos em (a) a seguir, extraídos de amostras transversais e longitudinais de Rangel (2007, p. 113), mostram as produções de diferentes crianças no emprego de /e/ e /o/ em contextos nos quais a neutralização poderia ser aplicada e, conforme a autora, não o foi.
(a)
Corpus transversal Idade Corpus longitudinal
1:4 não houve produção de ocorrências 1:4 [‘uso], [‘kro], [iʃo], [Ko’eyo] 1:5 não houve produção de ocorrências 1:5 [‘KaRo], [ku’elo]
1:6 [‘Ʒĕte], [‘kĕte], [‘beso], [ta’pete], [‘save]
1:6 [‘milo]
1:7 [nene’zio], [‘oto], [‘pato], [‘dĕte] 1:7 [‘bolo], [pe’pino], [‘uso], [‘bade] 1:8 [‘lebo], [de’dƷiɲo], [‘vamo],
[‘pĕte] 1:8 [me[‘ʃave] ’nino], [‘save], [pasa’iɲo],
1:9 [‘peto], [‘bolo],[ kɔ’iɲo], [‘abe] 1:9 [‘suko], [‘ovo], [‘oto] 1:10 [‘kuko], [‘pato], [‘lejte] 1:10 [pe’pino], [‘abe], [‘bako] 1:11 [‘peto], [‘iso], [‘kaRo],[ ‘kete],
[me’nino] 1:11 [‘vede], [‘dele], [‘klo], [‘ovo]
Fonte: Rangel (2007, p. 113)
Esclarece-se que nessa pesquisa foram realizados dois tipos de estudo, um para dados longitudinais e outro para dados transversais. A primeira coluna refere-se aos dados transversais de crianças com idade entre 1:4 e 1:11 (ano: meses) e a segunda coluna, aos dados longitudinais de crianças também com idade entre 1:4 e 1:11. De acordo com a autora, as formas produzidas pelas crianças são indícios de que as vogais /e/ e /o/ já estariam presentes na forma subjacente: “as crianças sabem quando aplicar a regra que neutraliza as vogais, pois não aplicam a regra às posições tônicas
como em [‘vedƷi] e [‘bolu]” (RANGEL, 2007, p. 113), já que esse estudo não apresentou nenhum caso de substituição para as vogais tônicas. A referida justificativa, no entanto, é insuficiente sob uma perspectiva emergentista, afinal, por que razão, tendo por base o input do adulto, crianças pelotenses e porto alegrenses aplicariam uma regra de elevação das vogais médias em posição tônica?
A autora defende que a criança possua duas hipóteses iniciais para aquisição do sistema vocálico postônico final. A primeira hipótese, que ocorre no início da aquisição do sistema vocálico da criança, é a de que na pauta postônica final só ocorram as vogais /a, i, u/. Num segundo momento, a criança dá-se conta de que essa hipótese não é adequada à gramática de sua língua e, em um nível de processamento mental mais avançado, passa a ter amadurecimento perceptivo (RANGEL, 2002, p. 133) sobre outras vogais que podem emergir em tal posição, como [e] e [o]. Assim, segundo a autora, pode-se dizer que a criança acrescenta a regra de neutralização à forma subjacente reestruturada a partir da idade de 1:6 para o estudo transversal e de 1:4 para o longitudinal.
Como se pode notar, as vogais médias átonas finais apresentam comportamentos diferenciados na fala infantil. De acordo com os modelos tradicionais, esse comportamento tem sido tratado com o emprego de um segmento no lugar de outro (processo fonológico), condicionado, unicamente, por fatores linguísticos (contexto fonológico, posição na sílaba, traços). Além disso, o desenvolvimento fonológico é concebido como regular e sistemático. Assim, quando a criança produz a forma [‘bolo] como [‘bolu], considera-se a aplicação de um processo fonológico (substituição de segmentos), cuja forma alvo, isto é, o modelo que a criança deveria atingir seria, unicamente, [bolu]. Por outro lado, o alvo adulto pode apresentar formas variáveis: [‘bolo] ~ ['bolu]. Se a variabilidade faz parte do input que a criança recebe, ela também deve fazer parte da aquisição da linguagem. Se a variação e a mudança são características inerentes a toda comunicação humana, também devem integrar o processo de aquisição do sistema vocálico infantil, pois a língua que a criança aprende faz parte de uma construção social.
Como se pode notar, pesquisas reportam que as vogais médias átonas finais apresentam comportamentos diferenciados na fala infantil. De acordo com os modelos tradicionais, esse comportamento tem sido tratado com o emprego de um segmento no lugar de outro (processo fonológico), condicionado, unicamente, por fatores linguísticos (contexto fonológico, posição na sílaba, traços). A constatação de produções, ainda que esparsas, de vogais médias na posição átona final têm servido como evidência para uma pauta postônica constituída por cinco vogais, com a inclusão das médias na forma subjacente.
A partir de uma faixa etária mais avançada, Dias e Seara (2013) apresentam uma análise sobre a redução e o apagamento das vogais postônicas finais nos dados de fala de três informantes: duas crianças com idade de 6 anos e um adulto com idade de 29 anos. O objetivo desse estudo é encontrar, em dados acústicos, evidências para realização do fenômeno do alçamento vocálico das postônicas finais em crianças e relacioná-las com as mudanças de aspectos fisiológicos referentes à idade. A partir de um corpus de 122 vocábulos, foram contabilizadas um total geral de 551 ocorrências entre vogais tônicas ([i, a, u]) e átonas finais ([ɪ, ɐ, ʊ], divididas em 302 dados para amostra crianças e 249 dados para amostra adulto. As variáveis consideradas para a análise foram: a) dependentes: duração absoluta, duração relativa, frequência de F1 e frequência de F2; b) independentes: grupo de participantes (crianças e adultos) e tonicidade (posição tônica e átona final).
A fim de atingir tais objetivos as autoras observaram os valores médios e o coeficiente de variação dos dados de ambas as amostras e, em seguida, aplicaram os testes (Teste Mann-Whitney e Wilcoxon) com o intuito de verificarem se as diferenças entre informantes crianças e adultos eram relevantes.
Com relação aos resultados, primeiramente foi realizada uma análise quantitativa dos dados, levando em conta os parâmetros acústicos de duração e frequências formânticas (F1 e F2) das vogais e, na sequência, foram analisados qualitativamente os casos de apagamento.
Os gráficos (a), (b) e (c) da Figura 16 a seguir exibem os valores médios de duração absoluta e relativa, referentes às vogais tônicas e átonas finais produzidas pelos grupos das crianças e do adulto. Figura 16 – Gráficos de dispersão dos valores de F1 e F2 das vogais produzidas pelas crianças e pelo adulto
Com relação às vogais átonas finais, observa-se nos gráficos (a), (b) e (c) da Figura 16 que as produções das vogais átonas [ɪ], [ɐ] e [ʊ] tendem a centralizar-se, aproximando-se uma das outras e sobrepondo-se em alguns dados. Essa ocorrência acontece tanto nos dados das crianças (em vermelho e verde) quanto nos do adulto (em azul). Com relação à disposição da realização das vogais tônicas, tanto as crianças quanto o adulto não apresentaram casos de sobreposição, mostrando maior concentração de seus valores frequenciais, conforme apontado pelas autoras.
Desse modo, Dias e Seara (2013) concluem que o alçamento das vogais médias átonas finais tanto na fala infantil quanto na do adulto apresentam características em comum, a saber: maior dispersão das vogais, principalmente das vogais altas, e centralização do espaço acústico. No que se refere à idade, parte dos resultados apontou diminuição dos valores de frequência formântica, resultado que, segundo as autoras, corroboram parcialmente os já apontados em outros estudos (ANDRADE, 2009; CUNHA, 2011) e que indicaram diminuição com o avanço da idade.
3.3 Síntese do Capítulo
Primeiramente, foram expostas considerações teóricas acerca da aquisição da linguagem sob a perspectiva formalista (Gerativismo) e sob a perspectiva emergentista/funcionalista (Teoria Baseada no Uso). O Gerativismo chomskyano argumenta que a criança nasce com uma capacidade inata para linguagem, o que faz com que ela seja capaz de aprender a falar qualquer língua a que seja exposta. Para tal proposta, o input que a criança recebe é considerado pobre e degenerado, tendo papel mínimo no processo de aquisição.
A abordagem baseada no uso postula (TOMASELLO, 2003) que a aquisição da linguagem está integrada a outras habilidades cognitivas e sociais. Tal proposta considera que a criança aprende a linguagem através do uso e que a experiência tem um impacto na representação mental. Com base nas considerações tratadas nessa seção sobre o papel do input, ficou claro que a fala da mãe (cuidador principal) exerce um papel fundamental para o desenvolvimento linguístico das crianças, tanto no que se refere ao aumento do vocabulário quanto aos aspectos relacionados aos componentes da língua (fonologia, semântica, sintaxe, morfologia, pragmática).
A descrição da segunda parte centrou-se basicamente nos aspectos relacionados à aquisição do sistema vocálico. Foram discutidos vários aspectos relacionados à aquisição da fonologia da criança e seus estágios de desenvolvimento linguístico. Na sequência, foram revisados os estudos sobre as vogais, com ênfase no sistema postônico final. Vimos que as vogais são segmentos de
aquisição precoce e que tanto o sistema tônico quanto o postônico são adquiridos precocemente pela criança.
Com base nas discussões realizadas nesse capítulo, especialmente com relação à proposta da Teoria Baseada no Uso (TOMASELLO, 1999, 2003) e nos resultados dos estudos sobre as vogais postônicas finais, é que nos propomos analisar o alçamento na aquisição da variação na fala gaúcha.