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REZERV VE ÜRETİM MİKTARLAR

7. DENEYLERDE KULLANILAN MALZEME VE YÖNTEMLER

7.3. Döküm Kumu Testler

Em sua única obra que chegou até nós, Ab Urbe Condita, como sugere o título, Lívio pretendeu apresentar a história de Roma desde sua fundação, porém ele também assume a dificuldade que encontrou para realizar tal intento devido à falta de documentos do período anterior a 390 a.C, por isso, os relatos míticos foram indispensáveis para que ele descrevesse esse período. Conforme Luís Ernesto Barnabé, em sua dissertação de mestrado: ―O objetivo de Lívio era recontar a história de Roma, desde a sua fundação por Rômulo (datada pela historiografia moderna em 753 a.C.) até os seus dias atuais‖ (2006, p.20).

Já nos referimos ao destaque e a admiração que essa obra despertou desde o mundo antigo, pois Tito Lívio passaria a ser um paradigma dos historiadores, na medida em que ele foi o primeiro a exercer essa função profissionalmente, portanto, sua obra seria considerada desinteressada politicamente, muito embora saibamos que ela faz parte do projeto ideológico de César Augusto. Mitraud afirma o seguinte a respeito do propósito dessa obra: ―objetivo maior era reconstituir a grandeza de Roma e transformar o príncipe em um mito‖ (2007, p.42). Símbolo da admiração que Ab Urbe Condita gozou já na antiguidade, foi o sumário dos cento e quarenta e dois livros que a constituem, intitulada como Periochae

Omnium Librorum [Sumário de todos os livros], escrito durante o Baixo Império, a qual foi

importante para o conhecimento do conteúdo que estava na parte perdida da obra de Lívio. A parte conhecida são os livros 1 a 10 e 21 a 45, apesar da existência de lacunas em alguns

14 Não temos por objetivo fazer comentários a respeito das metáforas do corpo por enquanto. No momento apenas as

apresentaremos dentro de seu contexto, para que as mesmas sejam comentadas no último capítulo da presente dissertação, já que a interpretação e a comparação das versões da metáfora do corpo compõem os nossos objetivos finais (cf. V.2.4; V.2.5).

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desses livros, mas, além disso, muitos célebres historiadores utilizaram Ab Urbe Condita como fonte. Figuram nessa lista: Cassiodoro, Eutrópio, Festo, Floro, Grânio Liciniano e Orósio, Júlio Obsequens, Cipião e Lélio, Paulo Fábio e Quinto Élio, pois: ―A Obra de Lívio tornou-se a principal fonte secundária para os escritores posteriores comporem seus materiais‖ (BARNABÉ, 2006, p.25). Nas proximidades da idade média (séc. IV), Nicómaco Flaviano e Ápio Nicómaco Dexter produziriam uma edição dessa obra que permitiria sua reprodução durante a Idade Média e consequentemente permitiu que a mesma chegasse até os dias de hoje. Posteriormente Nicolau Maquiavel, Alexis de Tocqueville e Montesquieu, reafirmariam a importância da obra de Lívio e se demonstrariam dependentes dele.

Porém, houve também quem odiasse essa obra como exemplo Barnabé apresenta Calígula que ―(...) ordenara sua exclusão de todas as bibliotecas públicas‖, e Domiciano que ―encomendara o assassinato de Metius Pomposianus, que em seus discursos utilizava as idéias do historiador paduano‖, e também o papa Gregório I que ordenara a destruição de muitos exemplares da Ab Urbe Condita ―por conterem e propagarem superstições e prodígios pagãos‖ (2006, p.24)

Não é em vão que enquanto os primeiros dez livros abrangem um período de mais de quinhentos anos, um livro se dedica a cada ano quando chega o momento da descrição do século I a.C. Isso tem a ver com o crescente progresso que chega na medida em que se aproxima o regime imperial, em contrapartida, os primeiros livros se dedicam a criticar as primeiras fases políticas de Roma, mas, por outro lado, o bom número de fontes da época próxima à sua vida, em comparação à falta de fontes nas épocas antigas, também justifica o motivo do volume das obras contemporâneas ao seu período. A obra levou mais ou menos vinte anos para ser escrita, seu começo foi em 33 ou 34 a.C., como seu termino se deu em 9 d.C; ano em que não acontece nenhum evento tão relevante, fica a possíbilidade afirmada pelos estudiosos da área, que o objetivo de Lívio era apresentar a história até a morte de Augusto, mas seu falecimento o impediu de concluir seu intento.

Os objetivos dessa pesquisa nos impedem de entrar em mais detalhes a respeito dessa monumental obra de Tito Livio, que mereceria aprofundamento, se não fossem nossas limitações de espaço escrito. Doravante, agora nos dirigiremos ao que nos interessa mais diretamente em seu texto, que é a sua versão da metáfora do corpo, na verdade uma fábula, que segundo Lívio fora proferida pelo cônsul romano Menênio Agripa quando da revolta dos plebeus contra os patrícios:

97 tempore quo in homine non, ut nunc. omnia in unum consentiant, scd singulis membris suum cuique consilium suus sermo fuerit, indignatas reliquas partes sua cura suo labore ac ministerio ventri omnia quaeri, ventrem in medio quietum nihil aliud quam datis volup tatibus frui ; conspirasse inde ne manus ad os cibum ferrent, nee os acciperet datum, nee dentes quae acciperent conficerent. Hac ira dum ventrem fame domare vellent, ipsa una membra totumque corpus ad extremam tabem venisse. Inde apparuisse ventris quoque haud segne ministerium esse, nee magis ali quam alere eum, reddentem in omnis corporis partes hunc quo vivimus vigemusque,, divisum pariter in venas, maturum confecto cibo sanguinem. Comparando hinc quam intestina corporis seditio similis esset irae plebis in patres, flexisse mentes hominum (FOSTER, 1967, pp. 322 e 324).

No tempo em que o corpo não formava como agora um todo harmonioso, mas cada membro possuía a própria opinião e a própria linguagem, todas as partes do corpo revoltaram-se porque o estômago obtinha tudo à custa de seus cuidados, seu trabalho e serviços, ao passo que ele próprio, ocioso no meio dele, não fazia outra coisa a não ser gozar dos prazeres que lhe eram dados. Então os membros conspiraram para que a mão não levasse alimento a boca, nem a boca o recebesse, nem os dentes o mastigassem. Mas enquanto por ressentimento, queriam domar o estômago pela fome, os próprios membros e todo o corpo chegaram ao extremo esgotamento. Compreenderam então que o estômago não vivia na ociosidade, que não era apenas alimentado por eles, mas os alimentava também, devolvendo a todas as partes do corpo este sangue que nos dá vida e força, distribuído-o pelas veias depois de elaborá-lo pela digestão dos alimentos. Finalmente mostrando que a revolta do corpo assemelhava-se à cólera dos plebeus contra os patrícios, conseguiu fazê-los mudar de opinião (TITO LÍVIO v. I, 1989, p.150; tradução de Paulo Matos Peixoto).

IV.6.2. Sêneca.

Conforme a apresentação do filósofo brasileiro Luizir de Oliveira, Sêneca nasceu na província romana da Béltica, na cidade de Córdoba, aproximadamente 4 a.C. Foi enviado a Roma aos doze ou treze anos de idade para estudar retórica, pois seu pai ambicionava uma futura carreira política brilhante para seu filho, mas durante seu período de estudos Sêneca entrou em contato com a filosofia estóica e aos vinte e quatro anos de idade viajou ao Egito, para cuidar da saúde, viagem na qual entrou em contato com outras formas religiosas de espiritualidade, inclusive com o judaísmo (2010, pp. 55-61).

Sêneca, apesar de trabalhar como advogado por algum tempo, não se interessou pela carreira política, tornou-se rapidamente um homem de letras e cortesão. Vivia regaladamente na corte imperial de forma contraditória aos seus ensinamentos que pregavam a moderação. Tal contradição, entre teoria e prática, levou um intérprete referencial do estoicismo, Jean Brun, a negar-lhe o título de filósofo (1986, p. 23). Embora a grande maioria dos estudiosos não ache razão para tanto, nem por isso deixam de desconfiar de seu caráter ambíguo e interesseiro.

Sua obra literária abarca cartas, tratados filosóficos, peças teatrais e uma sátira. Conforme Brun, seus textos ―não revelam grande originalidade‖ (1986, p. 23), os títulos de seus tratados são: Da providencia, Da cólera, Da felicidade, Da brevidade da vida, Da

clemência, As benfeitorias, as Cartas a Lucilius e sete livros sobre As questões naturais.

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ele próprio não se enquadrava nas recomendações, pois fora exilado em 41 d.C, sob acusação de ter adulterado com Julia Livilla, sobrinha do imperador Cláudio.

Do exílio, Sêneca escreveria a Consolação a Políbio, quando este perdera seu irmão, a fim de alcançar seu favor, já que Políbio era uma pessoa influente na corte. Depois de restituído escreveria a sátira: A aboborificação do divino Claudio, como escárnio da morte violenta sofrida pelo imperador que o punira. Em ambos os casos, Sêneca, não apresentou a imparcialidade tradicional dos estóicos, a qual recomendara em seus escritos.

A restituição de Sêneca ocorreria nove anos após seu exílio, através de Agripina, sendo restituído à casa imperial e colocado como responsável pela educação do jovem imperador Nero, posição que permitiu que Sêneca fosse o imperador de fato durante dez anos, ou seja até o momento em que Nero se achou no direito de governar sozinho.

Como tutor de Nero, Sêneca redigiu alguns de seus pronunciamentos, ajudou-o a assassinar sua mãe, Agripina, e escreveu para instruí-lo, o tratado Da Clemência, único livro da antiguidade que restou do gênero ―espelhos de príncipes‖, tipo de livro tradicional no mundo greco-romano, destinado a aconselhar os governantes através da elaboração de tratados da boa gestão do Estado a fim de direcionar as virtudes do soberano a favor da cidade (VIZENTIN, 2005, p.91).

Sêneca seria acusado de traição e condenado por Nero a se suicidar, morte digna de um aristocrata, a qual efetuou cortando os pulsos e perpetuando seu status de estóico, devido a sua tranquilidade diante da pena de morte – semelhante ao ícone Sócrates – apesar de toda sua vida conturbada com exílios, adultério, demagogia, luxuria e totalitarismo político.

Benzer Belgeler