11. DENEY SONUÇLARI VE TARTIŞMA
11.1. Mikroyapı İnceleme Sonuçları
11.1.5. CrN Kaplı Numunelerin Mikroyapı İnceleme Sonuçları
O desenvolvimento da arte crítica baseia-se na necessidade de distinguir um documento autêntico de um falso. Buscando identificar a autenticidade/falsidade dos documentos, os diplomatistas desenvolveram um método crítico de análise, que nos fornece, ainda hoje, elementos para a identificação de uma peça original.
A tradição documental é parte do processo de análise do documento e per- mite ao diplomatista verificar seu estado de transmissão, ou seja, seu grau de “ingenuidade documental”, como destacou Bellotto (2002, p.105). Esse grau de ingenuidade está calcado sobre dois polos principais: original e cópia.
Segundo Boüard (1929, p.162, tradução nossa), “original e cópia são os dois polos da tradição diplomática. Ao redor deles agrupam-se os escritos que nos transmitem o teor dos atos. Melhor: de um a outro se estabelece uma gradação de idades intermediárias que constituem, sob uma exposição sistemática, muitos modos de transição”.
Segundo Pratesi (1999, p.105) os modos – ou estados – de transmissão são essencialmente três: minuta, original, cópia. Distingui-los é o primeiro passo para que o diplomatista possa verificar a autenticidade/falsidade do documento. Nesse sentido, são apresentadas, nos quadros 2.2 e 2.3, as definições de alguns autores da Diplomática Clássica e da Moderna7 sobre os conceitos de minuta, ori-
ginal e cópia; além das definições de documento autêntico e de documento falso.
7. Optou-se aqui por apresentar somente as definições de Tassin e Toustain; Bresslau e Paoli, uma vez que são os únicos autores que apresentam a maioria das definições da tradição documental em suas obras.
Quadro 2.2 − Quadro comparativo de definições de tradição documental
Autores Minuta Original Cópia
Tassin e Toustain (1750)
As minutas devem ser incluídas entre os originais. Elas são rascunhos ou primeiros projetos dos documentos (p.438). Os originais se distinguem principalmente das cópias antigas pelas assinaturas e pelos selos (p.355, tomo VI).
As cópias podem ser distinguidas dos originais a partir: 1) da escritura; 2) da data; 3) dos fatos históricos; 4) em comparação com os originais, quando esses podem ser recuperados (p.356, tomo VI).
Cópias autênticas: equivalem aos originais.
Bresslau (1889)
Os textos manuscritos de documentos que não podem ser considerados originais, ou precedem no tempo a produção dos originais, ou o seguem. No primeiro caso, são chamados de minutas (Abschriften), no segundo, são definidos como transcrições ou cópias (Kopien) (p.82).
Chamam-se originais a redação ou as redações documentos que nascem de disposições do autor ou sobre sua autorização e são destinados a servir ao destinatário como testemunho da ação documentada. Com base nessa definição, pode-se deduzir que a prova de originalidade de um documento incorpora a prova de sua genuinidade (p.83).
Definição dada juntamente com aquela de minuta.
Cópias imitativas: (Nachzeichnungen)
aquelas que não se limitam simplesmente a reproduzir o teor do original, e tentam, às vezes, imitar, em tudo ou em parte, também as características gráficas (p.84).
Cópias autênticas: cópias com força
probatória.
Paoli (1898)
Documentos preparatórios que podem ser reduzidos em: atos (atti), documentos anteriores (documenti anteriori) e formulários (formulari).
São originais os documentos feitos pela vontade direta dos autores e mantidos na matéria e forma genuínas nas quais foram primeiramente emitidos (p.265).
As cópias dos documentos (exemplar,
exemplum, sumptum, transsuptum, transscriptum, copia etc.) têm o objetivo
de reproduzir originais existentes ou de substituir originais perdidos. Pode-se distingui-las nas seguintes categorias:
Cópias autógrafas: feitas pelo mesmo
escritor que compilou o documento autêntico, são muito próximas aos originais, sendo consideradas, em alguns casos, originais duplicados, podendo vir a representá-los em caso de perda (p.270).
Cópia autêntica: compilada por um
notário público, diferente do primeiro escritor, mas legitimada por selos e assinaturas (p.271).
Renovações: quando se trata de
reproduzir, ou melhor, refazer a acta
perdita; não se pode mais falar em cópia,
mas em renovação e para tanto opera-se os métodos (p.273).
Cópia simples: aquelas que são privadas
de qualquer sinal de autenticação (p.274).
Cópia imitativa: que reproduzem não
apenas o texto dos originais, mas, também sua figuração gráfica (p.274).
Quadro 2.3 − Quadro de definições de autêntico e falso
Autores Autêntico Falso
Tassin e Toustain (1750) O título autêntico é aquele que possui toda a solenidade adequada ao tempo no qual foi redigido. O título não autêntico é aquele desprovido da solenidade própria à época à qual corresponde (p.342, tomo VI).
As peças falsas são aquelas das quais suspeitamos e que sofreram algum tipo de alteração fraudulenta (p.288, tomo VI).
Bresslau (1889) O conceito de autêntico (genuinidade) de Bresslau está ligado àquele de original.
No sentido estrito da palavra, designamos falsos os documentos que, segundo a intenção daquele que o produziu, fazem crer ser aquilo que não são na realidade.
Designa-se ainda como falsificações todos os escritos que, segundo a intenção daquele que os produziu, devem suscitar a impressão de ser original, sem sê-lo, na realidade (p.12). Paoli (1898) O conceito de autêntico de Paoli,
assim como aquele de Bresslau, está ligado ao de original.
A palavra mais comum nos documentos da Idade Média para designar o documento original é
authenticum (p.266).
Um documento é falso
diplomaticamente quando, segundo a feliz expressão de Bresslau, quer parecer aquilo que não é, e é falso mesmo se diz a verdade. Para a crítica diplomática, todos os documentos artificialmente fabricados, ainda que com boa-fé, não valem mais do que aqueles feitos “ex dolo malo: como já disse uma vez, falsos nascem e falsos permanecem” (p.277).
Fonte: Elaborado pela autora.
Baseando-se na análise dos quadros, é possível identificar, mais uma vez, a falta de intenção em definir ou conceituar termos úteis à análise crítica dos di- plomas, em seu primeiro momento. Somente a partir da segunda metade do sé- culo XIX, com os estudos de Bresslau, foi possível uma melhor identificação de termos e conceitos úteis à disciplina que encontraram fulcro, notadamente, na obra de Paoli.
Vale a pena ressaltar, ainda, a definição de “autêntico” de Bresslau e Paoli, diretamente ligada à de original, e a diferença entre um documento falso diplo- mática e historicamente, proposta, pela primeira vez, por Bresslau. Segundo ele, a prova da não genuinidade formal do documento não demonstra, necessaria- mente, falsidade de seu conteúdo. “É verdade que, em alguns casos nos quais um falso original se demonstra não genuíno do ponto de vista formal, isto é, não
origi nal, pode acontecer que haja também a intenção de enganar no assunto tratado; por isso deve-se examinar com atenção até mesmo o conteúdo do escrito desse tipo” (Bresslau, 1998, p.15, tradução nossa).
Destaca-se, mais uma vez, que original e cópia são dois polos da tradição documental e que, entre eles, outros modos ou estágios de transmissão do docu- mento podem ser observados. Nesse contexto, dos atos originais emanados na Idade Média, emergem: original múltiplo (quando um mesmo ato é expedido em vários originais, para assegurar a conservação de um ato importante); ampliação (uma duplicação do original, com as devidas características de autenticidade, mas que difere pelo tamanho ou pela emissão após um determinado intervalo de tempo); neo-original (renovationes, Neuausfertigungen), que substitui o original em caso de perda, roubo ou destruição; inserção (introdução no documento de novos textos produzidos pelas partes interessadas); confirmação; e vidimus (trans- crição feita por meio de fórmulas determinadas sob garantia de um selo autêntico – transcriptum impendens). Dentre as cópias emanadas na Idade Média, des- tacam-se ainda aquelas não descritas no Quadro 2.2: os registros8 (transcrições do
documento feitas pelo próprio autor, antes de entregá-lo ao destinatário); os car-
tulários (cartularium, pancarta, codex traditionum, registrum, liber memorialis, liber instrumentorum, codex diplomaticus, simples reunião de cópias de docu-
mentos recebidos pela Igreja ou pelo Estado); os formulários (que reuniam as có- pias dos documentos históricos que possuíam características formais em comum); e os antigos inventários dos arquivos.
Essas definições foram cunhadas entre os séculos XVII e XIX para tratar, especificamente, dos documentos provenientes da Idade Média, mas terão uma grande importância nos séculos XX e XXI, principalmente para os arquivistas deste último, quando os documentos começam a ser gerados em meio eletrônico, e se faz necessário rediscutir todas as definições de autenticidade/falsidade, ori- ginal e cópia para que possam ser estabelecidos normas e critérios para a criação, manutenção e uso da documentação eletrônica.
8. “Essa coleção de documentos expedidos será permanente, uma vez que responde a necessi- dades constantes: assegurar a conservação dos atos, sem dúvida, para que se possa renová-los ou confirmá-los, além de verificar as expedições; permite, ainda, controlar os negócios políticos e jurídicos e relembrar as ordens dadas pelo autor. Na Antiguidade Romana, os registros rece- beram o nome de comentarri” (Boüard, 1929, p.191, tradução nossa).