Nükleik asid amplifikasyon testleri (NAAT)
COVID-19 HASTALARINDA TORAKS BILGISAYARLI TOMOGRAFI KULLANIMI
O ofício do médico na promoção e proteção da saúde encontra seu apoio, tanto nos discursos técnico-científicos (com promessas de conservação e preservação da vida), como nos instrumentos resultantes dos avanços tecnológicos e industriais. Para exemplificar esses discursos, apresento a seguir uma dica extraída de um manual de condutas, a ser seguida pelo médico em sua relação com seu paciente, numa abordagem a ser adotada fora do hospital.
A entrevista (a do médico com o paciente) pode começar com uma pergunta ampla, do tipo “Conte-me sobre seu problema”, “Como tem passado nos últimos tempos?”, etc. Algumas técnicas podem ser utilizadas para estimular a comunicação:
Uso do silêncio: quando o paciente fica em silêncio, o médico pode fazer o mesmo por algum tempo, mas mantendo uma expressão facial e uma atitude receptivas.
Facilitação: pode ser uma atitude interessada do médico, uma mudança de expressão facial ou postura, ou expressões como “Eu entendo...”, “Prossiga...”, “Estou ouvindo”, etc. Outro tipo de facilitação é a repetição da última frase do paciente (“Você disse que tinha febre?”) ou de um resumo do que ele relatou.
Confrontação: quando o paciente tem dificuldade de fornecer uma determinada informação, pode-se confrontá-lo demonstrando esse fato (“Você parece tenso”, “Eu reparei que você falou muito pouco a respeito disso”).
resposta é um simples “sim” ou “não” devem ser evitadas, assim como perguntas que já fornecem alternativas de resposta (“Você sente dor antes, durante ou depois das refeições?”). As perguntas dirigidas só devem ser feitas quando não for possível obter a informação utilizando as técnicas anteriores ou quando são necessários dados muito específicos (p. ex., durante a revisão de sistemas ou na história patológica progressiva).
Direcionamento: apesar de dirigir mais a coleta de dados, essa técnica não limita tanto a comunicação do paciente quanto uma pergunta fechada. Consiste em dizer, por exemplo, “Fale mais sobre isso” ou “Conte-me com mais detalhes” (DUNCAN, B.B., SCHMIDT, M.I., GIUGLIANI, E.R.J et cols. Medicina ambulatorial – condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2004. p. 127-128).
Pelo exposto, é possível a constituição de um cenário, onde a cura pode ser considerada como uma relação de força, que tem como um dos principais efeitos o relato do doente, isto é, a manifestação da verdade. A verdade se manifesta pelo relato do doente, por intermédio da confissão e por intermédio de um saber médico. É a vitória de uma ideia sobre outra, da vontade do médico sobre a do doente.
O que há de essencial em todo o poder, segundo Foucault, é que seu ponto de aplicação é sempre, em última instância, o corpo. Logo, o poder médico é essencialmente físico, e há, entre o corpo e o poder médico, uma ligação absoluta. O doente não é mais que o efeito do poder médico, na medida em que este procedimento de “patologização” do indivíduo. Por isso, quando o médico liberta os doentes encerrados nas doenças que os afligem, ele estabelece certa dívida de reconhecimento que será paga de duas maneiras. Primeiro, o curado vai saldar sua dívida, contínua e voluntariamente, pela obediência; será a submissão constante de uma vontade a outra. Em outras palavras, curar pode ser a realização, por intermédio de uma obediência reconhecida, de uma sujeição. Curar-se pode ser subjugar-se. É a partir do momento em que o doente se torna sujeitado, submetido à disciplina do poder e do saber médico, que a cura ocorre. A relação médico-doente é uma relação de sujeição. Só que o médico também se encontra na dependência do doente, de seu relato, de sua confissão. Segundo, o ex-doente, toda vez que sofrer recaída, confessará sua falta. E essa confissão, da qual a doença é a prova notória de sua desobediência, se dá pela sua ida ao médico.
Na relação com o doente, o interrogatório a ser feito e conduzido pelo médico tem de ser feito de tal modo que o doente não diga o que quiser, mas responda às perguntas. Nesta relação, mediante o interrogatório, o médico formula de modo sutil, quase obscuro, a seguinte demanda: mostre-me seus sintomas e eu
direi que doente você é.
A clínica é importante porque permite que o médico, não apenas interrogue o doente, mas, interrogando o doente ou comentando suas respostas, mostre ao próprio doente que ele conhece sua doença, que ele sabe coisas sobre sua doença, que pode falar sobre ela e dela fazer uma exposição teórica diante dos seus alunos. O estatuto do diálogo que o doente terá com o médico vai mudar de natureza a seus olhos; ele compreenderá que algo como uma verdade aceita por todos está se formando no interior da palavra do médico (FOUCAULT, 2006b, p. 233).
Um aspecto desse interrogatório é o de mostrar que a doença, antes de se manifestar no corpo do indivíduo já estava presente, pois as condições necessárias para o seu aparecimento sempre estiveram presentes na vida do indivíduo. Todavia, além da hereditariedade, foi o seu comportamento que tornou possível o adoecimento: hábitos de consumo, relações estabelecidas com alguém (portador de alguma doença), ou com o meio ambiente. Aqui encontramos uma função do interrogatório a que Foucault denominou de cruzamento entre a responsabilidade e a subjetividade.
O médico dirá a seu paciente: “não estou aqui para julgá-lo, mas para lhe ajudar, só preciso que você admita seus atos, que me diga a verdade, que me diga o que fez, quais seus sintomas e eu vou retirar esse mal-estar que pesa sobre você”. É a partir desse processo de extração de uma verdade, que se constitui uma identificação que é nuclear: o paciente, aquele que confessa, admite: “estou doente, sou doente”. O indivíduo vai reconhecer que sua condição é a razão de existir o médico, o hospital, os medicamentos, o sistema de saúde. Por isso o doente poderá reivindicar: “você, médico, tem a função e a obrigação de me atender, de me consultar, me olhar, me tocar, me examinar, de descobrir qual a causa da minha doença e qual o tratamento para a mesma; você, médico, tem a função de me internar, de me curar, de me dizer o que devo fazer para ficar são, e não mais adoecer”. Esta é uma outra função do interrogatório: a dupla entronização, a do indivíduo como doente e a do médico como aquele que cura. Assim, da consulta médica, podemos dizer que o médico é aquele que diz: “dê-me sintomas, faça da sua vida sintomas e você fará de mim um médico”. Logo, tanto médico como doente são constituídos nesta relação. Uma relação permeada por tecnologias confessionais.