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Burak Omer Saracoglu*

3. Conclusions and future work

Os inquiridos encontram-se repartidos por seis áreas de formação, de acordo com a Classificação Internacional Tipo da Educação (International Standard Classification of Education - ISCED 1997, da UNESCO), adotada em Portugal através da Classificação Nacional de Áreas de Educação e Formação (CNAEF):

Quadro n.º 13 - Distribuição amostral, por sexo, por área científica de formação, comparada com os

valores do universo (n=1.004)

Total Mulheres Homens

N % N % N %

Artes e Humanidades 215 21,4% 154 23,8% 61 17,0%

Educação 100 10,0% 84 13,0% 16 4,5%

Ciências Sociais, Comércio e Direito 241 24,0% 166 25,7% 75 20,9%

Ciências, Matemática e Informática 285 28,4% 143 22,1% 142 39,7%

Engenharias, Indústria Transformadora e Construção 35 3,5% 9 1,4% 26 7,3%

Saúde e Proteção Social 128 12,7% 90 13,9% 38 10,6%

Totais 1.004 100% 646 100% 358 100%

Fonte: Projeto “Percursos de inserção dos licenciados”, CESNOVA (2011)

Os dados constantes no “Quadro n.º 13” permitem apreciar a distribuição dos licenciados inquiridos, segundo o sexo, pelas diversas áreas científicas de formação.

Do total de alunos distribuídos pelas várias áreas de formação, encontramos uma maior concentração em torno das áreas das Ciências, Matemática e Informática (28%), Ciências Sociais, Comércio e Direito (24%) e Artes e Humanidades (21%). As áreas com menor proporção de alunos são as de Engenharias, Indústria Transformadora e Construção (4%), Educação (10%) e Saúde e Proteção Social (12%).

Se tivermos em conta a variável sexo podemos concluir que a tendência é semelhante mas em proporções bastante diferentes: enquanto no sexo feminino as áreas de maior concentração de diplomadas são as de Ciências Sociais, Comércio e Direito (26%), Artes e Humanidades (24%) e Ciências, Matemática e Informática (22%), no sexo masculino a área mais significativa é a de Ciências, Matemática e Informática com cerca de 40% dos diplomados, seguindo-se as áreas de Ciências Sociais, Comércio e Direito (21%) e Artes e Humanidades (17%).

A grande maioria dos inquiridos tem até 30 anos (83,2%), sendo que o intervalo de idades varia entre os 25 e aos 72 anos de idade.

Quadro n.º 14- Distribuição amostral, por sexo, por faixa etária, comparada com os valores do universo

(n=1.004)

Mulheres Homens Total

N % N % N % Até 30 anos 559 55,7% 277 27,6% 836 83,2% De 31 a 40 anos 61 0,1% 57 5,6% 118 11,7% De 41 a 50 anos 17 1,7% 16 1,6% 33 3,3% Mais de 50 anos 9 0,9% 8 0,8% 17 1,7% Total 646 58% 358 36% 1004 100%

Fonte: Projeto “Percursos de inserção dos licenciados”, CESNOVA (2011)

Apercebemo-nos que tanto os diplomados (77,4%) como as diplomadas (86,6%) são relativamente jovens, pois no momento de inquirição, a grande maioria de ambos os grupos tinham no máximo 30 anos de idade. No entanto, os diplomados do sexo masculino (8%) encontram-se mais representados nas faixas etárias mais elevadas (a partir dos 31 anos), do que as diplomadas (2,7%).

Da totalidade dos inquiridos, 81,3% ainda não tem filhos. Dos 187 diplomados (18,7%) inquiridos que têm filhos, a maioria são mulheres (119 = 63,3%; homens: 68 = 36,3%). Do total destes diplomados que são mães e pais, a grande maioria tem um filho (73,2%, dos quais), 18% têm dois filhos e 8% têm três ou mais filhos, não se registando diferenças de género no que a esta distribuição diz respeito.

No que se refere ao regime de coabitação, mais de metade dos diplomados (55,1%) reside com o cônjuge (38,9%), seguindo-se os que residem com o cônjuge e os filhos (13,6%). Entre os restantes inquiridos, destacam-se os que vivem sozinhos

(20,5%) e os que residem com os pais ou os sogros (16,2%). Não registamos diferenças de acordo com o sexo dos inquiridos no que ao regime de coabitação respeita.

Os diplomados, independentemente do sexo, residem maioritariamente no concelho de Lisboa (76,7%), seguindo-se a Região Centro (7,8%) e a Região do Alentejo (5,3%), pelo que não se registam diferenças de género na sua distribuição geográfica.

No que se refere à classe social de origem, verificamos a seguinte distribuição.

Quadro n.º 15 - Classe social de origem, por sexo, comparada com os valores do universo que respondeu (n=976)

Mulheres Homens Total

N % N % N %

EDL – Empresários, Dirigentes e

Profissionais Liberais 218 34,5% 102 29,6% 320 32,8%

PTE – Profissionais Técnicos e de

Enquadramento 183 29,0% 119 34,5% 302 30,9% TI – Trabalhadores Independentes 37 5,9% 24 7,0% 61 6,3% AI – Agricultores independentes 11 1,7% 5 1,4% 16 1,6% EE – Empregados executantes 129 20,4% 70 20,3% 199 20,4% OI – Operários industriais 51 8,1% 21 6,1% 72 7,4% AA – Assalariados agrícolas 2 0,3% 4 1,2% 6 0,6% Total 631 64,7% 345 35,3% 976 100%

Fonte: Projeto “Percursos de inserção dos licenciados”, CESNOVA (2011)

A maioria dos diplomados são filhos de Empresários, Dirigentes e Profissionais Liberais e de Profissionais Técnicos e de Enquadramento, o que aponta para uma forte reprodução social, sendo que as diplomadas encontram-se mais presentas na primeira e os diplomados na segunda, respetivamente. Em terceiro lugar, são filhos de Operários Industriais, subdividindo-se, posteriormente, com valores pouco expressivos, pelas restantes classes sociais de origem.

Em relação ao grau habilitacional dos pais, verificamos a seguinte distribuição:

Quadro n.º 16- Distribuição amostral, por sexo, por nível habilitacional do pai, comparada com os

valores do universo que respondeu (n=989)

Mulheres Homens Total

N % N % N %

Sem instrução ou com instrução

primária incompleta 6 0,6% 9 0,9% 15 1,6%

Instrução primária completa 170 17,1% 95 9,6% 265 26,8%

Preparatório completo 37 3,7% 18 1,8% 55 5,6%

9º ano de escolaridade 85 8,6% 37 4,7% 122 12,3%

Secundário completo 143 14,5% 73 7,4% 216 21,8%

Curso médio/Superior 197 19,9% 119 12,0% 316 32,0%

Total 638 64,5% 351 36,5% 989 100%

Fonte: Projeto “Percursos de inserção dos licenciados”, CESNOVA (2011)

Como podemos constatar no quadro acima, os pais da maioria dos diplomados têm o Ensino Secundário ou Curso Médio ou Superior (53,8%), sendo seguidamente a categoria onde se encontram mais presentes a dos pais com Instrução Primária Completa (26,8%). Não registamos diferenças de género no que à habilitação dos pais diz respeito.

No que se refere ao grau habilitacional das mães dos diplomados, a distribuição mantém-se semelhante, como podemos aferir no quadro abaixo:

Quadro n.º 17 - Distribuição amostral, por sexo, por nível habilitacional da mãe, comparada com os

valores do universo que respondeu (n=990)

Mulheres Homens Total

N % N % N %

Sem instrução ou com instrução primária

incompleta 11 1,1% 13 1,3% 24 2,4%

Instrução primária completa 161 16,2% 101 10,2% 262 26,5%

Preparatório completo 36 3,6% 15 1,5% 51 5,2%

9º ano de escolaridade 94 9,5% 42 4,2% 136 13,7%

Secundário completo 140 14,1% 75 7,6% 215 21,7%

Curso médio/Superior 196 19,8% 106 10,7% 302 30,5%

Total 638 64,5% 352 35,5% 990 100%

À semelhança do grau habilitacional dos pais, as mães dos diplomados inquiridos encontram-se sobrerepresentadas nas categorias Secundário Completo e Curso Médio / Superior, perfazendo um total de 52,2%, a que se segue a categoria Instrução Primária Completa, com um total de 26,5%. Não registamos diferenças de género no que à habilitação da mãe diz respeito.

No que se refere à categoria socioprofissional dos pais, deparamo-nos igualmente com mais semelhanças entre os inquiridos de ambos os sexos.

Quadro n.º 18 - Distribuição amostral, por sexo, por categoria socioprofissional do pai, comparada com

os valores do universo que respondeu (n=963)

Mulheres Homens Total

N % N % N %

Militares 12 1,2% 9 0,9% 21 2,2%

Quadros Superiores da Administração Pública Dirigentes e

Quadros Superiores de Empresas 134 13,9% 60 6,2% 194 21,2%

Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas 120 12,5% 85 8,8% 205 21,3%

Técnicos e Profissionais de Nível Intermédio 70 7,3% 39 4,0% 109 11,3%

Pessoal Administrativo e Similares 71 7,4% 40 4,2% 111 11,5%

Pessoal dos Serviços e Vendedores 61 6,3% 35 3,6% 96 10,0%

Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura,

criação de animais e pescas 20 2,1% 11 1,1% 31 3,2%

Operários, Artífices e Trabalhadores Similares 98 10,2% 42 4,4% 140 14,5%

Operadores de Instalações e Máquinas e Trabalhos

Especializados 27 2,8% 20 2,1% 47 4,8%

Trabalhadores Não Qualificados 8 0,8% 1 0,1% 9 0,9%

Total 621 64,5% 342 35,4% 963 100%

Fonte: Projeto “Percursos de inserção dos licenciados”, CESNOVA (2011)

Os pais dos diplomados inquiridos são maioritariamente Quadros Superiores da Administração Pública e Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas (42,5%), a que se segue a categoria de Operários, Artífices e Trabalhadores Similares (14,5%). Verificamos a mesma relação em relação às mães.

Os grupos profissionais onde as mães dos diplomados se encontram mais representadas são os grupos de Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas (21,9%) e Pessoal Administrativo e Similares (18,7%), o que não se regista de igual forma entre os pais. Verificamos ainda que a categoria Inativos aplica-se somente às mães dos diplomados inquiridos, que assumem o peso de 18,5% da amostra.

Quadro n.º 19 - Distribuição amostral, por sexo, por categoria socioprofissional da mãe,

comparada com os valores do universo que respondeu (n=969)

Mulheres Homens Total

N % N % N %

Quadros Superiores da Administração Pública

Dirigentes e Quadros Superiores de Empresas 44 4,5% 17 1,8% 61 6,3%

Especialistas das Profissões Intelectuais e

Científicas 135 13,9% 77 7,9% 212 21,9%

Técnicos e Profissionais de Nível Intermédio 66 6,8% 32 3,3% 98 10,1%

Pessoal Administrativo e Similares 113 11,7% 68 7,0% 181 18,7%

Pessoal dos Serviços e Vendedores 67 7,0% 33 3,4% 100 10,3%

Agricultores e trabalhadores qualificados da

agricultura, criação de animais e pescas 5 0,5% 1 0,1% 6 0,6%

Operários, Artífices e Trabalhadores Similares 25 2,6% 13 1,3% 38 3,9%

Operadores de Instalações e Máquinas e

Trabalhadores Especializados 6 0,6% 2 0,2% 8 0,8%

Trabalhadores Não Qualificados 54 5,6% 32 3,3% 86 8,9%

Inativos 111 11,5% 68 7,0% 179 18,5%

Total 626 64,7% 343 35,3% 969 100%

Fonte: Projeto “Percursos de inserção dos licenciados”, CESNOVA (2011)

Neste sentido, deparamo-nos com diferenças de género entre os pais e mães dos diplomados, visto que os pais encontram-se mais representados nas categorias de Quadros Superiores da Administração Pública (42,5%), quando as mães têm um peso de 6,3%, e as mães encontram-se sobre representadas na categoria de Inativos (18,%), que não é identificada para os pais.

Atendendo à caracterização prévia da população em estudo, tendo em conta o objeto de estudo, com a metodologia aplicada e de acordo com o modelo de análise, apresentamos seguidamente o perfil das trajetórias profissionais e da relação subjetiva com o trabalho dos diplomados e das diplomadas da UL e da UL, de forma a identificarmos se os padrões de desigualdades de género persistem para além da obtenção do diploma do ensino superior, na sociedade portuguesa contemporânea.

CAPÍTULO VI – ASPETOS OBJETIVOS DA RELAÇÃO COM O TRABALHO: