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Cinsiyet, Irk ve Sınıf Bağlamında Televizyon

Armando Alberto da Costa Neto

Eu queria agradecer ao Claudio pelo convite. Pra mim, é uma honra rever antigos professores dessa casa. Do Prof. José Pinho tive o privilé- gio de ser aluno, e tive o prazer de estudar Teoria do Estado. Meu amigo Reginaldo Souza, que foi meu orientador no doutorado, quando tive a oportunidade de aprofundar a leitura na área da teoria keynesiana que foi o nosso referencial de pesquisa. Como um dos objetivos da nossa apresentação é também provocar e estimular agendas, já vai aí uma provocação para a academia, pelo menos para mim é uma agenda que interessa. Pelo menos quando eu voltar à academia, acho que voltarei por essa porta, para aprofundar o estudo dessa grande questão que é a

tecnologia, e é a inovação. Eu acho que dá para fazer uma colagem com Schumpeter e Keynes.

Parece que essa agenda não está ainda consolidada no País. Mas nós usamos alguns conceitos de empresário-empreendedor, a que Keynes se refere. A questão da incerteza que aparece tanto em uma abordagem quanto em outra. Isso abre um caminho bastante inte- ressante para a academia, para o pessoal da economia e da adminis- tração aprofundarem uma pesquisa, digamos, de conteúdo mais conceitual.

Falar sobre tecnologia e inovação é um desafio. Elas formam um campo muito vasto. Como nós temos apenas 20 minutos para cumprir nesta mesa, optamos por trazer algumas informações mais voltadas para a questão microeconômica e deixar a discussão macroeconômica de lado. Teremos o momento mais adequado para discutirmos financia- mento e questões fiscais, então eu vou me reportar às políticas existen- tes hoje no campo da inovação tecnológica e os instrumentos de recorte microeconômicos. Vou também destacar algumas informações que nós temos, em opiniões da classe empresarial sobre essa questão, e ao final farei um breve relato de algumas ações que aplicamos lá na FIEB, para colocar à disposição deste Fórum, para a gente avançar em possíveis parcerias.

Eu acho que o Fórum é uma iniciativa bastante interessante. Nós já tivemos no passado, cerca de oito anos atrás, uma experiência similar a essa, que foi o Fórum de Tecnologia, que coordenamos lá na FIEB. Mas talvez, por falta de um Claudio Cardoso na coordenação daquele fórum, ele não foi adiante. Mas produziu alguns momentos bastante interessantes. Então eu acho que isso é uma iniciativa que se deve louvar.

Na Federação das Indústrias, por parte do empresariado, temos um conselho temático na área de competitividade e inovação. Podemos até promover um encontro entre o Fórum e esse conselho, para discu- tirmos a questão da agenda mais empresarial.

O IEL, Instituto Euvaldo Lodi, é a instituição da qual sou superin- tendente. É um órgão vinculado à FIEB. Tem o Sesi, Senai e o IEL. Cabe ao IEL essa agenda relacionada à inovação. A ideia é a tendência de inovação nas empresas. Portanto, vamos expor nossa visão de algu- mas possibilidades com um recorte microeconômico. Não vai ser de forma alguma o nosso objetivo exaurir o tema.

2 O evento de lançamento aconteceu em agosto de 2008. Logo depois, o Projeto de Lei nº

17.346/2008, conhecido como a Lei de Inovação da Bahia, foi aprovado no dia 25/11/2008 pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. Maiores referências à lei baiana, ainda não aprovada à época do evento, serão feitas em outras palestras.

Trago de início informações sobre algumas pesquisas, esse encon- tro que foi feito pela CNI serviu para a gente ter ideia de como está essa questão da inovação do lado da empresa (Figura 1). Há um con- senso nos atores envolvidos de que a indústria precisa de mais inova- ção. Na agenda empresarial relativa à tecnologia industrial, no curto prazo, houve um reforço nas leis e nos mecanismos existentes para o apoio à inovação. Hoje temos um marco legal bastante tenso. Não tem muito que aprofundar. Talvez a gente tenha que utilizar as leis já exis- tentes.

No caso da Bahia, precisamos acelerar ainda mais. A gente está precisando que a nossa lei seja aprovada. Já está há algum tempo nos trâmites do executivo e legislativo, mas até hoje não foi aprovada a nos- sa lei de inovação.2

Em médio prazo, vislumbramos uma reforma do Estado com novas formas de parcerias público-privadas. Isso é importante, prin- cipalmente pelo uso do poder de compra do Estado. Esse instru- mento do poder de compra é muito pouco utilizado. A lei geral das micro e pequenas empresas aponta nessa direção, e é um instru- mento importante para a alavancagem, principalmente das empre- sas de base tecnológica, e também para a consolidação dos marcos regulatórios.

A pesquisa IBGE - Pintec é, provavelmente, a mais importante que nós temos sobre inovação. Tivemos duas edições dessa pesquisa. Relacionamos alguns dados para nossa reflexão (Figuras 1 e 2).

Figura 2

Empresas que implementaram inovação tecnológica, aumentaram em 8,5%, aproximadamente, em dois anos. A taxa de inovação das em- presas industriais se manteve constante em relação às pesquisas anteri- ores.

Figura 3

Por região, a gente vai ver que há uma concentração grande de empresas inovadoras nas regiões Sudeste e Sul, onde se concentra o maior número. O Nordeste não está ainda muito bem posicionado.

Por Estado, na região Nordeste, a Bahia não está bem posicionada. No gráfico a seguir (Figura 3), vemos o PIB da Bahia, e o nosso valor agregado. Observem que nós não estamos bem quanto ao número de empresas inovadoras. Para um Estado que tem quase 50% do valor agre- gado da região, esse dado da Bahia deveria ser superior aos outros esta- dos do Nordeste.

Ainda alguns dados do Pintec: a questão do risco, e obstáculos para a inovação. Parece evidente que inovação seja, entre todos os ou- tros investimentos, o mais arriscado de todos. Então o risco é algo ine- rente à atividade da inovação. Cabe ao Estado dividir um pouco esse risco com o setor empresarial. E o gargalo ainda é a mão de obra especi- alizada, a questão do extensionismo tecnológico, a capacitação empre- sarial e gestão. Esses são os três entraves microeconômicos mais impor-

tantes, no meu modo de entender, para a alavancagem da inovação e da competitividade das nossas empresas.

A pesquisa do CNI e do SEBRAE sobre a inovação das empresas também revela dados interessantes (Figura 4). Aqui temos o que mais foi investido em P&D, design, aquisição de máquinas, e equipamentos. O Brasil, quando investe em inovação, ainda pensa muito na incorporação e na importação da tecnologia embutida em máquinas e equipamentos.

Temos um câmbio monetário que favorece isso. Então, essa é a forma que as empresas estão adotando para melhorar a capacidade de competir no mercado, através da aquisição de tecnologia embutida nas máquinas e equipamentos.

Mais alguns dados sobre a pesquisa CNI e Sebrae: competitividade é resultado de investimento em desenvolvimento tecnológico e inova- ção. O empresariado tem percebido isso, mas não leva isso tão a sério. Depois a gente vai ver um dado que é bastante grave.

O percentual das micro e pequenas empresas com novos produ- tos lançados nos últimos anos: 50% em 99 e 75% em 2003. A região Sul mais uma vez possui o maior percentual de empresas inovadoras. Esse é um desafio daqui da nossa região. É o desafio, de certa forma, desse Fórum. Melhorar esse número no nosso Estado.

Fizemos uma pesquisa recentemente sobre a imagem do IEL. Em julho de 2008, o IEL fez essa pesquisa de imagem onde foram tratados alguns pontos cruciais da nossa organização. No que se refere à inova- ção, quando era perguntado à empresa quais eram os elementos prioritários de instituições parceiras, o apoio em inovação surge em dé- cimo quarto lugar. Ou seja, sobre o assunto apoio à inovação, as empre- sas ainda não enxergam como um atributo importante das instituições parceiras. A leitura que eu faço é de que há na empresa um sentimento de solidão, ela está isolada, não há parcerias fortes e consistentes com essas instituições de apoio à inovação e, portanto, não há também o reconhecimento dessas instituições. Por outro lado, também não há ins- trumentos necessários para viabilizar essa aproximação.

Felizmente, recentemente, há um mês atrás, o governo federal lan- çou um programa interessante chamado Cibratec, voltado a aproximar empresas e instituições. É um desafio que cabe também a este Fórum, sensibilizar as empresas no sentido delas buscarem apoios que possam ajudar a inovar e sobre a importância da inovação. Aqueles dados que eu mostrei da CNI são a forma de pensar de uma elite empresarial.

É preciso cada vez mais sensibilizar a empresa para a importância da inovação. A elite empresarial ainda pensa melhor que as outras cate- gorias, quando o assunto é inovação. Se formos pegar o universo das pequenas empresas, com certeza a inovação não será lembrada da ma- neira que deveria. Há ainda no País a necessidade de se trabalhar a sensibilização dos empresários para a importância da inovação.

É preciso levar o conceito de inovação a esses empresários, que não é uma coisa de difícil assimilação. Já existem manuais da OCDE que têm colocado conceitos de forma bastante clara, bem fácil. O que é mais difícil são conceitos que vêm por trás dessa questão da inovação, que a Profª Cristina Quintella estava tratando: por exemplo, a questão da propriedade intelectual, que é um tema extremamente árido. Cer- tamente, a questão da propriedade intelectual só terá espaço junto ao empresariado quando este primeiro for sensibilizado sobre a importân- cia da inovação. Outro tema extremamente árido, a questão metrológica. A importância da metrologia também só vai chegar junto ao empresariado, se ele enxergar a importância da inovação para a sua manutenção no mercado, para a sua competitividade.

Há ainda um espaço enorme para o trabalho de base, de sensibili- zar o empresariado para a importância da inovação. Estou focando mui-

to na questão do empresariado porque é de fato a turma que inova. Nós, academia, IEL, SENAI e por aí vai, estamos para apoiar e criar o ambiente propício, mas é a empresa que inova.

A lei de inovação estadual já saiu do executivo, mas se encontra ainda no legislativo. É necessário que essa lei seja aprovada, para se viabilizarem os instrumentos. O PAP Subvenção e o Inovatec só podem ser viabilizados com a lei de inovação sendo aprovada, porque a lei regulamenta o repasse de recursos do Governo Estadual para empresas privadas, repasse direto. Aliás, o PAP Subvenção e o Inovatec tratam exatamente disso: repasse direto de recursos públicos para as empresas inovadoras. Só pode haver o repasse se a lei de inovação for aprovada. Nós estamos perdendo tempo, estamos no meio do ano e essa lei ainda não foi aprovada. O Parque Tecnológico, do qual o Horácio Hastenreiter vai falar neste lançamento, é outra oportunidade interessante para o nosso Estado.

Existem alguns temas de interesse do IEL nos quais temos inves- tido nos últimos meses. A utilização da grande empresa na dissemina- ção de práticas inovadoras nas cadeias de valor. Temos apostado nisso, de trabalhar em cadeia, sendo a grande empresa a locomotiva, puxando não só a capacitação empresarial, mas também a inovação na sua cadeia de valor. Merece destacar um parceiro desse fórum, que é a Suzano, que tem um trabalho interessante nessa área, em parceria com nós lá na Federação. Creio que o César Meireles da Suzano deve falar sobre esse assunto hoje à tarde.

O apoio à inovação ecoeficiente é um tema que está aparecendo na agenda atual. Saiu uma reportagem no Valor, se eu não me engano, na semana passada, sobre essa questão. Trabalhar com a questão da inovação ecoeficiente na cadeia de valor. Recentemente, apresentamos um projeto ao BID, que está sendo avaliado, com as cadeias principais do nosso Estado.

A outra oportunidade que se coloca é a questão do extensionismo. Está na pirâmide da política de inovação do governo federal. Acho que o Professor Reginaldo talvez fale sobre isso. Este é um instrumento bas- tante importante para viabilizar a aproximação da empresa com as ins- tituições de apoio. Há uma negociação avançada, com os parceiros lo- cais, para o IEL coordenar a rede de extensionismo, aqui na Bahia, em função de uma experiência que temos nessa área, já de mais de dez anos de trabalho.

Figura 5

Eu não vou me alongar porque isso é assunto do nosso palestrante do MCT, o Reinaldo Ferraz, mas a Figura 5 mostra o que seria a política atual de Ciência e Tecnologia, onde entraria a questão do extensionismo. Então, a gente observa que a política de ciência e tecnologia de fato avançou. Você tem um modelo montado, tem instrumentos resisten- tes, cabe persistir nesses instrumentos e cada vez mais aumentar o vo- lume de recursos, e nós, aqui, instituições e empresas, elaborarmos pro- jetos para captar esse recurso para o nosso Estado.

Colocamos o IEL como parceiro do Fórum. Nós estamos sempre à disposição para contribuir no diálogo com a Universidade. Muito obrigado.