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B. GÜNCEL KONULAR HAKKINDA YAPILAN YORUMLAR

3. Cihat

Os entrevistados demonstraram certo desconforto ao falar do seu eu individual/ emocional, passando logo a discorrer sobre sua vida profissional e canalizando seus argumentos para os aspectos intelectual e físico. Muitos desses, de início pareceram entender que a entrevista versaria sobre o investimento que vêm fazendo em sua Educação Continuada, explicando ter como primeira compreensão a respeito da entrevista de que a mesma abordaria suas pesquisas sobre o assunto. Alguns demonstraram surpresa ao compreenderem que iríamos falar sobre o investimento pessoal, de cada um, em sua Educação Continuada; o porquê desse investimento e as conseqüências desse processo em suas dimensões constitutivas. Inicialmente os entrevistados se mostraram um pouco reservados na manifestação de suas idéias. Contudo, à medida que foram compreendendo melhor os objetivos da entrevista, demonstraram-se mais à vontade, embora deixassem clara sua resistência e reserva na abordagem de assuntos pessoais.

Foi mencionado por eles que não costumam descuidar das quatro dimensões – eu individual, eu relacional, eu profissional e eu espiritual. Porém, afirmaram que em determinados momentos investem mais em uma área do que em outra. Para eles o eu individual é uma matriz forte, em que “cada um é um”. Ou seja, mencionaram: já temos um potencial que deverá ser desenvolvido. Percebe-se nessas falas a concepção da singularidade que caracteriza cada Ser Humano como uno.

Em relação à dimensão individual, os docentes afirmaram que concordam que a pessoa é constituída pelo físico, pelo emocional e intelectual. Segundo eles, o carro chefe estaria neste tripé, todavia demonstraram mais facilidade em descrever seu investimento nos aspectos intelectual e físico, restringindo-se a quase nada no aspecto emocional. Estariam aí demonstradas nossas carências afetivas, nosso pouco senso coletivo de inter-relação com o outro, solidariedade, compaixão que nos constitui, reforçando o individualismo, egoísmo, segregado no eu pelo próprio eu?

Sobre o físico, a maioria dos entrevistados disse sentir-se muito bem, com saúde, acrescentando terem o hábito de se cuidarem. Consideram-se pessoas muito saudáveis, que gostam das coisas que fazem e que estão muito satisfeitos. Para eles, o corpo é considerado uma marca de nascença que deve ser bem cuidado. A maior parte dos docentes relatou que tem dedicado um tempo durante a semana para fazer uma atividade física como musculação, tentando comprometer-se em cuidar da saúde e do corpo. Muitos referiram que não sentem limitações físicas na atividade que desenvolvem, porém, um fator mencionado e relacionado ao físico que tem trazido preocupações é a aposentadoria por idade, explicada por existirem instituições que definem em seu plano de carreira a idade na qual o profissional deve ser aposentado. Cito, abaixo, relato que exemplifica essa afirmação:

Ter 66 anos faz diferença, pois minha Universidade tem uma norma que eu acho burra. As pessoas com 65 anos têm que sair da Instituição. Eu ganhei mais três anos pelos meus méritos. Sair da minha Instituição de Ensino Superior é ruim, porém eu já tenho o aceno de outras instituições e isso é resultado exclusivamente do físico.

Por sua fala, esse docente considera incoerente a norma adotadapela instituição onde trabalha que, por um lado, valoriza e incentiva o investimento intelectual enquanto, por

outro, quando o profissional atinge a maturidade pelos anos de experiência e estudo, afasta-o compulsoriamente.

Muitos questionamentos se podem inferir dessa fala, os quais denotam o desequilíbrio no investimento de um Ser mais integral, o que justifica as insatisfações e descompassos refletidos no espelho. Estariam os docentes do estudo preparados para o envelhecimento, o descarte? O que representa envelhecer? O que leva uma instituição a ter essas normas e privilegiar prorrogação pelo mérito? Como repercute tal decisão no Corpo Docente? Mérito é resultado exclusivamente do eu individual físico, se nos construirmos na relação?

Mais algumas falas evidenciam a dimensão intelectual como a de maior investimento pelos pesquisados.

Estou bem, ou melhor, para cima, em relação à intelectualidade, estou satisfeita.

Invisto muito mais no intelectual, é mais forte para mim do que o emocional e do que o físico. Sou muito inteligente, tenho um raciocínio cognitivo desenvolvido.

Considero-me uma pessoa emotiva e lógica. Bastante voltada às questões de produção de pensamento, de lógica de raciocínio, de saber organizar o meu trabalho e usar bastante para isso minha própria lógica e pensamento.

Sou mais carente em relação ao emocional, minha racionalidade emocional é realmente um fracasso.

Ao relatarem sobre o eu individual emocional, as relações que os docentes estabeleceram foram referentes à facilidade que têm para lidar com os filhos e de que existe uma estrutura emocional que é construída e educada pelas mães. Um dos docentes mencionou que “bateram em minha forma de ser”, ou seja, sua família de alguma forma contribuiu, e muito, para o desenvolvimento de sua personalidade. Afirmou também de que gostemos ou não de nossa estrutura interna, temos uma estrutura emocional. Além dessas considerações, outros entrevistados se consideraram satisfeitos com o seu emocional, tendo se restringido a essa manifestação sem tecerem maiores comentários e explicações.

Em relação à dimensão individual, os docentes relataram que há um maior interesse pelas atividades físicas e uma preocupação com a idade. Alguns se preocupam com a aposentadoria e temem a morte. Abaixo, exemplos de suas inquietações:

[...] sinto-me ansioso com o fato de envelhecer. Eu não me sinto velho. Quando me olho no espelho, talvez eu veja. Sei que eu estou na lista daqueles que vão embora.

Lamentavelmente não temos o dom da imortalidade. Era o mais jovem professor, eu achava interessante. Olhava para os outros, lá atrás, mas achava que eles permaneceriam para sempre.

Há atividades que eu não gosto de fazer, talvez seja por estar mais velho. Uma das coisas que mais me aborrecem na universidade é participar de reuniões de departamento, de colegiado. Já fui dirigente muitas vezes. Quero dizer que são as coisas nas quais eu me sinto diferente e com falta vigor físico.

[...] quando morre um velho é como uma biblioteca que se queima

Atrapalha-me trabalhar saberes populares e fazer deles saberes escolares.

A respeito da dimensão individual, ao mencionarem a opção por atividades físicas, os entrevistados destacaram a importância de que essas não sejam uma violência à pessoa, mas que estejam de acordo com suas necessidades, capacidades e gostos. As pessoas têm que se aceitar, se reconhecer e respeitar como são. O importante é não enquadrar as pessoas de um mesmo jeito e de uma mesma forma. Isso se pode constatar nas falas a seguir:

Sugeriram-me que fizesse ioga. Mas tu achas que eu vou ter paciência para fazer ioga? Vou dizer que é maravilhoso para quem faz, mas não para mim. Eu não vou fazer este investimento. Para mim é uma violência ter que fazer uma coisa assim. Talvez, para outras pessoas que gostariam de fazer e não fazem também seja uma violência.

As manifestações do eu individual emocional foram canalizadas em ações externas e pontuais (trato com os filhos) e com um certo indicativo de serem como são emocionalmente pelo que deles fizeram (estrutura emocional construída e educada pela mãe, bateram em

minha forma de ser), além de um certo conformismo pela estrutura interna que possuem

(gostemos ou não temos uma estrutura emocional interna). Tais falas deixaram desvelar uma responsabilidade que é de cada um deles e que não está por eles sendo assumida nos rumos de suas emoções.

Benzer Belgeler