O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), criado pela Diretoria de Educação Básica Presencial – DEB10 do Ministério da Educação – CAPES e, lançado em dezembro de 2007, é compreendido como parte das ações do atual governo federal no âmbito do Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE). Segundo o Projeto Institucional da Universidade (2010), este “integra-se
10 A DEB foi criada em meados de 2007, quando a Lei 11.502, de 11 de julho de 2007, conferiu à
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes as atribuições de induzir e fomentar a formação inicial e continuada de profissionais da educação básica e estimular a valorização do magistério em todos os níveis e modalidades de ensino.
também ao conjunto de reformas iniciadas em 2001, com a promulgação de Diretrizes Nacionais para a formação, em nível superior, de professores para a Educação Básica” (Parecer CNE/CP009/2011 e Resolução CN /2002).
Segundo a DEB, o PIBID insere-se em uma matriz educacional que articula as seguintes vertentes: formação de qualidade; integração entre pós-graduação, formação de professores e escola básica; e produção de conhecimento.
Os princípios pedagógicos, sob os quais o PIBID foi construído, estão pautados nos estudos de Nóvoa (2009)11 sobre formação e desenvolvimento profissional de professores e são:
Formação de professores, referenciada no trabalho na escola e na vivência de casos concretos;
Formação de professores, realizada com a combinação do conhecimento teórico e metodológico dos professores das instituições de ensino superior e o conhecimento prático e vivencial dos professores das escolas públicas; Formação de professores, atenta às múltiplas facetas do cotidiano da escola
e à investigação e à pesquisa que levam à resolução de situações e à inovação na educação;
Formação de professores, realizada com diálogo e trabalho coletivo, realçando a responsabilidade social da profissão.
Pautado nesses princípios, o PIBIB tem como objetivos:
Elevação da qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos cursos de licenciatura das instituições de educação superior;
Inserção dos licenciandos no cotidiano de escolas da rede pública de educação, com a finalidade de promover a integração entre educação superior e educação básica;
Proporcionar aos futuros professores participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e
11 NOVOA, A. Para uma formação de professores construída dentro da profissão. Revista Educacion. Madrid:2009.
interdisciplinar, que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino-aprendizagem;
Incentivar as escolas públicas de educação básica a tornarem-se protagonistas nos processos formativos dos estudantes das licenciaturas, mobilizando seus professores como co-formadores dos futuros professores.
Para que o programa pudesse atingir seus objetivos, o MEC/CAPES elegeu protagonistas fundamentais. Assim, compõem a equipe do programa:
Alunos matriculados em cursos de licenciatura das instituições participantes;
Coordenador institucional: docente responsável pela coordenação do projeto no âmbito da IES e interlocutor da CAPES;
Coordenadores de área: docentes das IES, responsáveis pela coordenação e desenvolvimento dos subprojetos, nas áreas de conhecimento, que participam do programa. Em IES com elevado número de bolsistas, podem ser definidos coordenadores de área de gestão de processos educacionais, que atuam como coordenador adjunto, apoiando o coordenador institucional para garantir a qualidade do projeto e o bom atendimento aos bolsistas;
Supervisores: professores das escolas públicas designados para acompanharem os bolsistas do PIBID.
Ao ser lançado, em 2007, a prioridade de atendimento do PIBID eram as áreas de Física, Química, Biologia e Matemática para o ensino médio, dada a carência de professores nessas disciplinas. No entanto, "com os primeiros resultados positivos, as políticas de valorização do magistério e o crescimento da demanda a partir de 2009, o programa passou a atender toda a Educação Básica, incluindo educação de jovens e adultos, indígenas, campo e quilombolas".
http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid acesso em 18/10/2012.
Atualmente, a definição dos níveis a serem atendidos e a prioridade das áreas cabem às instituições participantes, verificadas as necessidades educacional e social do local ou da região.
Quanto à continuidade do Programa às 146 instituições que hoje já participam do PIBID, após acompanhamento e avaliação realizados pela CAPES, lhes foi proposto a concorrerem em edital simplificado, a partir de 2012. Segundo a CAPES, tal prática poderá evitar os lapsos de tempo e as lacunas no trabalho pedagógico, decorrentes de procedimentos operacionais demorados que acabam por atrasar a prática dos alunos.
Vale citar o histórico dos editais PIBID:
Edital MEC/CAPES/FNDE nº 01/2007 - para instituições federais de ensino superior - IFES;
Edital CAPES nº 02/2009 - para instituições federais e estaduais de ensino superior;
Edital CAPES nº 18/2010 para instituições públicas municipais e comunitárias, confessionais e filantrópicas sem fins lucrativos;
Edital Conjunto nº 2/2010 CAPES/Secad - para instituições que trabalham nos programas de formação de professores Prolind e Procampo.
Edital nº1/2011, para instituições públicas em geral - IPES.
Na configuração atual, podem participar do PIBID instituições públicas de ensino superior – federais, estaduais e municipais - e instituições comunitárias, confessionais e filantrópicas, privadas sem fins lucrativos, participantes de programas estratégicos do MEC, como o REUNI, o ENADE, o Plano Nacional de Formação para o Magistério da Educação Básica – Parfor e UAB. Os editais definem as instituições que podem participar em cada edição. Quanto ao financiamento do programa, de acordo com o Decreto que o regulamenta, o PIBID repassa um recurso de custeio para as instituições e efetua o pagamento diretamente aos bolsistas, por meio do SAC – Sistema de Auxílios e Concessões, da CAPES.
No que tange ao acompanhamento e à avaliação do PIBID, além dos relatórios semestrais elaborados pelas Escolas de Educação Básica e pelas Universidades participantes do programa, enviados à CAPES pela Universidade, foi criado o Portal Comunidades, onde os coordenadores podem socializar suas inquietações, reflexões, aprendizagens, propostas para a melhoria do programa, etc.