I. BÖLÜM
2. Celal Nuri’de Tanrı’nın Varlığı ve Mahiyeti
Se se fizer uma ―escavação‖, uma arqueologia bibliográfica na epistemologia da Geografia constatar-se-á que o tema das técnicas está presente no sistema de ações da existência dos grupos humanos. Um exemplo disso, provavelmente, encontra-se vinculado à
concepção de ―gênero de vida‖ (LA, BLACHE, 1911a; 1911b; 1954), pois diz respeito ao
conjunto de técnicas e constumes existenciais de um povo. No entanto, foi Milton Santos40
acessórias das diversas instituições financeiras, por intermédio das seguintes carteiras: comercial, de investimento e/ou de desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento mercantil e de crédito, financiamento e investimento. A Caixa Econômica Federal diz respeito à instituição financeira criada em 1861, regulada pelo Decreto-Lei nº. 759, de 12 de agosto de 1969, como empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda. É uma instituição semelhante aos bancos comerciais, podendo captar depósitos à vista, realizar operações ativas e efetuar prestação de serviços. O que a distingue das demais instituições financeiras é que ela prioriza a concessão de empréstimos e financiamentos a programas e projetos nas áreas de assistência social, saúde, educação, trabalho, transportes urbanos e esporte. Tem o monopólio da venda de bilhetes de loteria federal. Além de centralizar o recolhimento e posterior aplicação de todos os recursos oriundos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Integra também o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2014b). Para o caso aqui específico interessam os segmentos Bancos Múltiplos e a Caixa Econômica Federal.
40 Para uma compreensão aprofundada sobre as técnicas e sua consideração nos estudos geográficos, ver Santos (2009a).
quem deu às técnicas uma importância e estatuto teórico e metodológico à Geografia, quando da sua incansável busca pela renovação e procura pelo estofo científico desse ramo do conhecimento humano. Segundo ele, as técnicas devem ser estudadas a partir do eixo das sucessões e coexistências (SANTOS, 2008c; 2009a), por a elas ser imbricado, além do espaço, o tempo, isto é,
[...] na sua coabitação em um lugar, mas também na sua sucessão. Aqui, uma vez mais, as noções de espaço e de tempo se conjugam. Isto é fundamental para se poder interpretar a seqüência das relações entre o homem e a natureza, as formas de sucessão das forças produtivas e das relações de produção ligadas à história de uma determinada área: esse método é o único que nos permite definir corretamente uma sociedade e um espaço (SANTOS, 1988, p. 10),
bem como compreender a natureza processual dos fenômenos geográficos, a exemplo da expansão dos serviços bancários e financeiros em uma dada porção da formação socioespacial.
Sendo as técnicas ―[...] o conjunto de meios de toda espécie de que o homem dispõe,
em um dado momento, e dentro de uma organização social, econômica e política, para modificar a natureza, seja a natureza virgem, seja a natureza já alterada pelas gerações
anteriores‖ (SANTOS, 1988, p. 10) configura-se, do ponto de vista empírico, nessa adaptação
do meio ao sujeito (ORTEGA Y GASSET, 1963, p. 17).
Por ser o meio geográfico compósito (LA BLACHE, 1954), isto é, do qual participam da sua constituição elementar sistemas de objetos e sistemas de ações (SANTOS, 2009a) diversos ligados à ordem institucional e infraestrutural, o Rio Grande do Norte, dentro do sistema de objetos de adaptação desse meio aos potiguares e às forças do capital externo, apresenta alguns equipamentos técnicos fundamentais à geografização dos serviços bancários e financeiros. Dentre eles, merecem destaque as rodovias, pois num primeiro momento foram importantes para a rede urbana que se deu concomitantemente à uma rede bancária; o arranjo técnico que possibilitou a energia elétrica na década de 1960, que reconfigura essa geograficização bancária e financeira no estado; e as redes de telecomunicações e
informática, marca significativa da relação dos bancos com as tecnologias de informação e
comunicação41.
O desenvolvimento econômico de uma nação e, consequentemente, também a expansão de seus serviços bancários e financeiros estão fortemente relacionados com os equipamentos técnicos infraestruturais de transportes, sendo no caso brasileiro sua matriz predominante o modo rodoviário. É sabido que todo o sistema produtivo de uma organização social, econômica e política é dependente de uma rede logística que tem como objetivo direcionar todo o processo de transporte de insumos, produtos e serviços, pelos fluxos dos fornecedores, fábricas e consumidores. Nesse processo, as rodovias desempenham papel fundamental, uma vez que proporcionam o aumento de fixos e fluxos e, consequentemente, contribuem para a expansão dos serviços bancários nos lugares por onde passam/constituem.
O crescimento desse equipamento técnico e da sua importância para a expansão dos serviços bancários e financeiros no Brasil, em geral e no Rio Grande do Norte em particular, data das décadas de 1950 e 1960, respectivamente, uma vez que, no país, foi incentivado pela implantação da indústria automobilística, que teve como uma de suas consequências a construção das rodovias constituindo, nessas duas primeiras décadas do século XXI, a principal infraestrutura técnica de transporte do país (DNIT, 2013).
No Rio Grande do Norte, no período anterior aos anos 1960, havia um ―isolamento‖ em relação ao Brasil, no sentido da sua fraca articulação com o resto do país através de rodovias. Sua economia era majoritariamente de subsistência, havendo também as outras de caráter mais proeminente, como a mineração, o algodão e a pecuária. A mineração da scheelita no estado teve seu início logo após a Segunda Guerra Mundial, conforme Dantas (2007), com a descoberta da Mina Brejuí, localizada no município de Currais Novos. O algodão, sendo uma cultura sempre feita ―associada à pecuária, no conhecido complexo algodão-gado-cereais‖ (ANDRADE, 1987, p. 98; FELIPE, 2002; FELIPE, CARVALHO, ROCHA, 2006; CLEMENTINO, 1995) também se sobressaia nesse contexto. Apesar disso, de uma maneira geral, eram poucos os fluxos de matérias-primas e a circulação de produtos
41 De Acordo com Santos e Silveira (2002, p. 185), ―de um lado, os progressos nas telecomunicações, na eletrônica e na informática autorizaram a interligação, em tempo real, das bolsas, dos bancos e das praças financeiras, possibilitando uma circulação verdadeiramente frenética de diferentes tipos de dinheiro. De outro lado, as condições políticas, instauradas com a chamada desregulação, facilitam os fluxos de dinheiro além das fronteiras nacionais e, com eles, impõem normas mundiais aos territórios nacionais‖ (SANTOS, SILVEIRA, 2002, p. 185).
industrializados para a o estado, o que, consequentemente, explicava a presença de poucas agências bancárias até esse período, no estado (Mapa 1).