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3. BÖLÜM: CARL SCHMITT’İN DEVLET FELSEFESİNDE

3.6. Carl Schmitt’in Liberalizm Eleştirisinde “Totaliter” Unsurlar

Para o desenvolvimento da pesquisa e desta seção, mais especificamente, recorremos ao site O Corpus do Português10, para verificarmos se é feita diferenciação entre as vogais médias tônicas no português e, em caso afirmativo, de que forma procede-se a essa diferenciação.

Considerando o processo diacrônico do português brasileiro, propusemo-nos a investigar se, em algum momento na história da língua, ocorreram marcas de acentuação para diferenciar o timbre das vogais médias em posição tônica. Após a pesquisa, pudemos identificar que, em determinado século, as vogais médias portavam acento para diferenciação morfológica entre substantivo e verbo.

Nessa perspectiva, encontramos cento e setenta e três (173) ocorrências da palavra „gosto‟ no século XX11. Analisando o contexto em que a palavra estava inserida, constatamos

que o substantivo „gosto‟ portava acento circunflexo que o diferenciava da 1ª pessoa do presente do indicativo. Ilustramos a seguir algumas ocorrências do substantivo „gosto‟.

10 Disponível em: <http://www.corpusdoportugues.org/>.

11 A identificação do século em que ocorreu a acentuação da palavra encontra-se à frente da referência bibliográfica.

Figura 36 – Substantivo „gosto‟

Fonte: Retirada do site O Corpus do Português.

O substantivo „g[o]sto‟ portava acento circunflexo tanto no português do Brasil quanto no de Portugal, conforme imagem. Nesse sentido, a pronúncia era fechada, o que, atualmente, ainda se conserva no português brasileiro. Quando nos referimos ao verbo, a vogal média torna-se baixa para estabelecer a diferenciação. Assim, temos: „g[o]sto‟ – substantivo / „g[ᴐ]sto‟ – verbo.

Continuando a investigação, encontramos uma ocorrência do substantivo „reboco‟, que possuía, no século XX, acento agudo, conforme figura abaixo:

Figura 37 – Substantivo „reboco‟

O substantivo „reboco‟, após o processo evolutivo da língua, perdeu o acento, ocasionando a alteração do timbre, visto que, atualmente, é pronunciado com vogal média-alta „reb[o]co‟, e a vogal média-baixa refere-se ao verbo „reb[ᴐ]co‟.

Encontramos, ainda no século XX, uma ocorrência do substantivo „almoço‟, que portava acento agudo para diferenciação da 1ª pessoa do indicativo do verbo „almoçar‟. Confere-se na imagem a seguir:

Figura 38 – Substantivo „almoço‟

Fonte: Retirada do site O Corpus do Português.

Interessante destacar que, no século XX, o substantivo „almoço‟ parecia ser pronunciado com vogal média-baixa „alm[ᴐ]ço‟. Provavelmente, por um acordo ortográfico, esse acento caiu e a vogal média sofreu alternância para média-alta /o/. Assim, atualmente, pronunciamos „alm[o]ço‟.

Posteriormente, identificamos trinta e sete (37) ocorrências do substantivo „cerco‟, que, nos séculos XVIII e XIX, era grafado com acento circunflexo, conforme verificamos abaixo:

Figura 39 – Substantivo „cerco‟

Além desses vocábulos masculinos, identificamos a palavra „cerca‟, que era grafada com acento circunflexo, tanto para indicar substantivo quanto para indicar advérbio.

Desse modo, constatamos que as palavras femininas também portavam acento. Observamos, na imagem a seguir, ocorrências do vocábulo „cerca‟:

Figura 40 – Substantivo „cerca‟

Fonte: Retirada do site O Corpus do Português.

Prosseguindo, identificamos o substantivo „olho‟, que era grafado com acento circunflexo, no século XX, do qual encontramos 57 ocorrências. Algumas dessas ocorrências podem ser conferidas na imagem abaixo:

Figura 41 – Substantivo „olho‟

Fonte: Retirado do site O Corpus do Português.

Analisando a atribuição de acento circunflexo ao substantivo „olho‟, notamos que no processo evolutivo da língua, a pronúncia com o timbre fechado manteve-se, no português atual, quando é classificado como substantivo, e pronunciado com o timbre aberto, quando refere-se a verbo. Assim, temos no português atual „[o]lho‟ – substantivo / „[ᴐ]lho‟ – verbo.

Por último, encontramos, no século XX, o vocábulo „posto‟, em ocorrência como verbo e substantivo. Como verbo no particípio, constatamos uma ocorrência de „posto‟ grafado com acento agudo, conforme ilustra a figura abaixo:

Figura 42 – Verbo „posto‟

Fonte: Retirada do site O Corpus do Português.

Já em relação à grafia „pôsto‟, com acento circunflexo, identificamos ocorrências de uso tanto como verbo quanto como substantivo. Dentre essas, selecionamos algumas, ilustradas na figura abaixo:

Figura 43 – Substantivo e verbo “posto”

Fonte: Retirada do site O Corpus do Português.

O verbo “posto” grafado com acento agudo parece ser uma falha na grafia, pois ocorreu apenas uma vez, enquanto o substantivo e o verbo grafados com acento circunflexo revelaram-se 159 vezes no corpus. Após a perda do acento circunflexo, a pronúncia permaneceu com o timbre fechado, ou seja, a vogal média-alta permaneceu inalterada.

Tendo em vista essa seleção de palavras, estabelecemos uma comparação com dicionários atualizados para verificarmos se essas palavras mantiveram a pronúncia da vogal média indicada ou se sofreram alguma alteração.

Os dicionários selecionados foram Houaiss (2009) e Aurélio (2010). A pronúncia do substantivo „almóço‟ e do verbo no particípio „pósto‟ é indicada, nesses dicionários, com vogal média-alta /o/, diferentemente da indicação do site O Corpus do Português.

A partir dos exemplos arrolados, verificamos que, devido a um acordo ortográfico, o acento deixou de ser marca diferencial da classificação morfológica das palavras, como também modificou a indicação da pronúncia, uma vez que, nos séculos anteriores, esses substantivos eram grafados com acento agudo, o que pressupomos indicar a vogal média- baixa. Já nos dicionários atuais, a pronúncia é indicada com vogal média-alta.

Fizemos essa análise contrastiva com o conteúdo do site O Corpus do Português objetivando mostrar que as vogais médias tônicas causam oscilações na fala e isso pode ser evidenciado mais nos nomes quando eles estão no plural. Se não tivesse ocorrido a queda do acento, quando pluralizadas, o falante saberia com precisão qual timbre pronunciar.