2.2. Araştırmanın Yöntemi
2.2.1. Burhanettin UYSAL’ın Kişilik Özellikleri
Como as notícias (escritas) que nos servem de corpus são compostas a partir das falas de atores políticos veiculadas em debates televisivos (orais), não podemos deixar de levantar algumas características que estão envolvidas no continuum entre discurso oral e discurso escrito, que correspondem a “[...] duas modalidades de uso da língua, possuindo cada uma delas características
próprias” (KOCH, 2006, p. 43), produzidos em contextos, finalidades e destinatários diferentes. Ao aproximar essas duas modalidades de uso da língua, salienta Charaudeau (2010, p. 71), é importante considerar “[...] se os parceiros estão presentes [...]; se o canal de transmissão é oral ou gráfico; se a troca é permitida ou não”.
Os dois tipos de discursos, oral e escrito, são muito diferentes, tanto em sua natureza quanto em sua produção. Entretanto, não podemos confrontá-los frontalmente, e se parece importante retomar suas diferenças, deve-se fazê-lo, sobretudo, pensando 'as produções orais e escritas [em] um tipo de continuum (SANDRÉ, 2013, p. 15, tradução nossa)91.
Para nossa análise, é importante reconhecer como se dá o processo de saída do texto oral (o debate) e sua chegada no texto escrito (a notícia). Nesse caminho, denominado de destextualização por Maingueneau (2010), os responsáveis pela produção da página da notícia e pelo texto noticioso operam alterações nas falas retomadas que não consistem apenas em adequações entre as modalidades oral e escrita. Por esse motivo, essas modalidades merecem uma distinção, mesmo que a aproximação entre uma e outra seja inevitável.
De acordo com Koch (2006, p. 44), são características da fala: ser contextualizada, o que, em uma reescrita, pode exigir que o contexto seja retomado; possibilitar maior número de implícitos, pois a enunciação face a face permite esse recurso; apresentar redundâncias, com repetições e retomadas constantes; não ser planejada, mas espontânea; ser fragmentada e incompleta; ter predominância do modus pragmático (relação entre signos e seus usuários); apresentar pouca densidade informacional, sem muitos referentes, o que lhe atribui baixo grau de informatividade; construir-se
91 "Les deux types de discours, oral et écrit, sont très différents, tant dans leur nature que dans
leur production. Pourtant, on ne peut les opposer frontalement, et s’il paraît importante de rappeler leurs différences, il en ressort qu’il fait surtout penser ‘les productions orales et écrites une sorte de continuum".
predominantemente com frases curtas, simples ou coordenadas, com pequena frequência de passivas, poucas nominalizações e menor densidade lexical.
Em uma perspectiva discursiva, a oralidade envolve parceiros em uma interlocução direta (face a face), elaborado instantaneamente (mesmo que seja resquício de escrita) com produção irreversível, e apresenta um sistema de trocas bastante complexo. Multicanal e plurisemiótico,
[...] o oral apresenta um sistema de troca muito completo: a fala é ouvida (podemos perceber os índices paraverbais, por exemplo, a voz, a inflexão, o sotaque, a entonação, as acentuações, as pausas, o fluxo de fala...), podemos, às vezes, ver o locutor (e apreender, dessa forma, todos os índices não verbais, tanto os gestuais quanto os comportamentais), enfim, sempre partilhamos com ele a mesma situação - ou ao menos conhecemos a situação na qual ele fala - podemos, então, compreender as várias referências no ambiente contextual (SANDRÉ, 2013, p. 15, tradução nossa)92.
Charaudeau (2010) especifica duas situações diferenciadas que consideramos pertinentes para complementar os dados elencados por Koch (2006) e por Sandré (2013) em relação ao discurso oral: i.) uma situação dialogal, em que os sujeitos estão presentes e há um diálogo entre eles, como acontece em uma conversação; ii.) uma situação monologal, em que a troca não é permitida, como no caso do debate político-televisivo. O interlocutor no debate televisivo não é efetivamente o adversário político, que serve de suporte ao discurso do candidato; mas, sobretudo, o telespectador cujo voto se deseja conquistar, e com o qual a interlocução é impossível.
92 “[…] l’oral présente un système d’échange très complet: la parole est entendue (on peut
percevoir les indices paraverbaux, i.e. la voix, l’inflexion, l’accent, l’intonation, les accentuations, les pauses, le débit de parole…), on peut parfois voir le locuteur (et saisir ainsi tous les indices non verbaux, tant gestuels que comportementaux), enfin, on partage souvent avec lui la même situation – ou du moins on connaît la situation dans laquelle il parle – on peut donc comprendre les différentes références à l’environnement contextuel”.
Nesse caso, o locutor se encontra numa situação na qual ele não pode perceber imediatamente as reações do interlocutor (pode apenas imaginá-las). Logo, não está ‘a mercê’ de seu interlocutor e pode organizar o que vai dizer de maneira lógica e progressiva (CHARAUDEAU, 2010, p. 71)
No discurso escrito não há contato direto entre os interlocutores, ou pelo menos ele não é realizado de forma direta como na oralidade dialogal, e sua elaboração discursiva pode ser trabalhada de forma acentuada, até que se chegue a um resultado satisfatório. O texto escrito "[...] deve se contentar apenas com o canal visual e o sistema semiótico verbal. Ele deve compensar essa característica verbalizando os índices paraverbais, não verbais e situacionais" (SANDRÉ, 2013, p. 15, tradução nossa)93.
Para Koch (2006, p. 44), são características da escrita: ser contextualizada; ser mais explícita, condensada e planejada; não se apresentar de forma fragmentada, mas completa; possuir predominância do modus sintático (relação entre signos); ter maior densidade informacional; construir-se, predominantemente, com frases complexas, subordinação abundante, emprego frequente de passivas; grande número de nominalizações, o que atribui alto grau de informatividade.
No texto escrito, em que se opera uma retextualização94 do dizer oralizado, algumas características específicas da fala (correções, marcadores discursivos, hesitações, interrupções) tendem a ser apagadas, com fins de adequação à prototipicidade do gênero e da modalidade, como veremos nos exemplos da próxima seção.
93 “[…] doit se contenter du seul canal visuel et du seul système sémiotique verbal. Il doit
compenser cette caractéristique en verbalisant les indices paraverbaux, non verbaux et situationnels ".
94 O termo “retextualização” será utilizado nesse trabalho para tratar, especificamente, da
Para que possamos dar prosseguimento a nossa análise, acreditamos ser importante esse levantamento de características da oralidade e da escrita, processos corriqueiros e inscritos no funcionamento da maquinaria midiática dos jornais. Como respondem a processos diferentes, a alteração entre uma modalidade e outra pode implicar modificação de sentido. Contudo, as alterações que o jornalista efetua ao retomar as falas dos atores políticos e citá-las na página de jornal vão além dessas adequações, como veremos nos próximos tópicos.