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Embora existam fatores políticos e econômicos que contribuem para que os refugiados ambientais saiam de seu país de origem, o fator determinante é a ocorrência de um evento ambiental extremo, pois é a ocorrência desse evento que faz com que as condições precárias pelas quais a população estava passando sejam drasticamente agravadas, e, assim, torna impossível a sobrevivência dentro do território do Estado afetado.

De acordo com o Internal Displacement Monitoring Centre, no final de 2012, havia no mundo aproximadamente 28.8 milhões de deslocados internos vítimas de conflitos armados e de violações de direitos humanos, enquanto o número de deslocados em razão de desastres ambientais chegava a 32.4 milhões apenas no ano de 2012 (GOUVEIA, 2013, p. 11).

Assim, é grande o número de indivíduos que busca no território de outro Estado condições que garantam sua sobrevivência em razão das condições de manutenção a vida dentro de seu país de origem terem sido gravemente comprometidas em virtude da ocorrência de um evento ambiental extremo que afeta drasticamente as estruturas internas do país.

Embora existam outros fatores preexistentes que contribuem para a ocorrência dos refugiados ambientais, como visto no tópico anterior, estes fatores não fazem, por si só, com que os refugiados ambientais saiam de seu país de origem, existe um fator determinante, que é o fator ambiental, pois é ele que faz com que a sobrevivência no território afetado seja comprometida.

Juridicamente é muito difícil assimilar o termo refugiado ambiental àqueles indivíduos que migram em razão da degradação do meio ambiente ou em razão das catástrofes ambientais, e é justamente quando tomamos por base o conceito tradicional de refugiado que a controvérsia aparece.

Contudo, embora existam vários estudos, bem como fundamentos teóricos e jurídicos construídos para assegurar ou refutar que os refugiados ambientais devem ou não ser considerados refugiados, o fato é que, em termos práticos, trata-se de pessoas que sofrem graves violações de direitos humanos em razão de uma multiplicidade de fatores (econômicos, sociais, políticos, etc.) que estão aliados à degradação do meio ambiente e às catástrofes ambientais.

Neste sentido, Myers e Kent (1995, p. 18. Apud RAMOS, 2011, p. 79) nos trazem uma explicação sobre essa multiplicidade de fatores que influenciam na ocorrência dos refugiados ambientais:

Refugiados ambientais são pessoas que já não conseguem ter uma vida segura em sua terra natal por causa de fatores ambientais de âmbito incomum. Esses fatores incluem a seca, a desertificação, desmatamentos, erosão do solo e outras formas de degradação dos solos; déficits de recursos, tais como a escassez de água, o declínio dos habitats urbanos através da sobrecarga maciça dos sistemas de cidade, problemas emergentes, tais como as mudanças climáticas, especialmente o aquecimento global, e desastres naturais como ciclones, tempestades e inundações, terremotos, com impactos agravados pela má gestão humana. Pode haver fatores adicionais que exacerbam os problemas ambientais e que muitas vezes resultam, em parte, de problemas ambientais: o crescimento populacional, pobreza generalizada, fome e doença pandêmica. Ainda há outros fatores que incluem as políticas de desenvolvimento deficiente e sistemas de governo que marginalizam o povo em sentido econômico, político, social e jurídico. Em determinadas circunstâncias, um número de fatores pode servir de “gatilhos” imediatos da migração, por exemplo, grandes acidentes industriais e construção de grandes barragens. Desses fatores múltiplos, vários podem operar em conjunto, muitas vezes com impactos agravados. Diante dos problemas ambientais, pessoas envolvidas sentem que não tem alternativa senão a de buscar o sustento em outro lugar, dentro dos seus países ou em outros países, numa base semipermanente ou permanente.

A complexidade e interação de fatores que ocasionam o deslocamento dos indivíduos e a dificuldade em estabelecer um nexo de causalidade direto entre a migração e as mudanças ambientais não podem impedir a busca de soluções.

Desse modo, não podemos deixar que esse grupo de indivíduos continue sofrendo com violações de seus direitos fundamentais sem que a sociedade internacional tome nenhuma atitude para ampará-los.

Embora juridicamente seja difícil chegar a um consenso sobre a abrangência do termo refugiado ambiental, na atualidade estamos visualizando diversas situações que geram (e continuam gerando) milhares de refugiados ambientais, que necessitam de proteção internacional para verem seus direitos fundamentais

respeitados, como é o caso dos haitianos que vieram para o Brasil, e de todos aqueles indivíduos que são ou serão obrigados a deixar suas casas em seu país, em busca de sobrevivência dentro do território de outro Estado.

Myers (2005, p. 1) ressalta que os refugiados ambientais não encontram mais alternativas seguras de prover sua subsistência em razão da degradação do meio ambiente, que geralmente estão associados a uma situação de pobreza, e, assim, não possuem alternativa senão migrar de seu país de origem.

Desse modo, percebe-se que há uma diversidade de critérios utilizada para caracterizar os refugiados ambientais, e demonstrar a influência dos fatores ambientais como motivo determinante de seu deslocamento, além de existir uma pluralidade de fatores que contribuem para a ocorrência do fenômeno dos refugiados ambientais.

Por esta razão, devem ser encontradas novas formas de proteção, que levem em consideração a pluralidade de causas (políticas, econômicas, sociais, ambientais, etc.), que atuam de forma concomitante, contribuindo para o deslocamento dos refugiados ambientais, pois, como se percebe, os mecanismos de proteção existentes não atuam de forma satisfatória para a proteção dos refugiados ambientais.

2 DA CONSTRUÇÃO DA PROTEÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL PARA OS

Benzer Belgeler