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5. SONUÇ ve ÖNERİLER

5.2. Öneriler

5.2.2. Uygulamaya Dönük Öneriler

É possível perceber que existe uma falha na proteção dos direitos humanos dos refugiados ambientais, pois, como eles não saem de seu país de origem em razão de temor de perseguição, pode haver a negativa do Estado que os recebe em enquadrá-los como refugiados, e, deste modo, ficam sujeitos à deportação.

Se os refugiados ambientais não se enquadram no conceito tradicional de refugiado, disciplinado na Convenção de 1951 e no Protocolo de 1967, e internamente no Brasil pela Lei 9.474/1997, qual tratamento devemos dar a estes indivíduos? De que forma podemos auxiliar este grupo de pessoas que se vê obrigado a deixar seu país de origem em razão de catástrofes ambientais que tornam sua sobrevivência ameaçada?

O conceito de refugiado previsto na Convenção de 1951, do qual tratamos anteriormente, sofreu um alargamento com o passar dos anos, em razão da criação de documentos regionais de proteção dos refugiados, como ocorreu com a

24 Atualmente, as medidas de direito humanitário servem para auxiliar os países atingidos por eventos

ambientais extremos logo após a ocorrência do evento, a fim de socorrer as pessoas atingidas, amenizando seu sofrimento uma, vez que alguns eventos possuem grandes proporções, comprometendo boa parte da infraestrutura de uma região ou da totalidade de um país. Desse modo, o direito humanitário serve para auxiliar as vítimas dentro do território do Estado atingido, ou no território de outro Estado, em campos de refugiados, mas visa sanar um problema imediato, emergencial. Quando analisamos a situação dos refugiados ambientais, precisamos que o direito humanitário seja utilizado para a consecução de medidas duradouras, que possibilitem a devida assistência desse grupo de indivíduos, que se veem impelidos a sair de seu país de origem para conseguirem sobreviver aos efeitos de um evento ambiental extremo, e não apenas em razão de uma situação emergencial.

Convenção de 1969 na União Africana, e com a Declaração de Cartagena de 1984 na América Latina (DICHER, 2014, p. 352-353).

Na Convenção da União Africana, além de estar previsto o conceito clássico de refugiado, está reconhecido como refugiado:

[...] qualquer pessoa que, devido a uma agressão, ocupação externa, dominação estrangeira ou a acontecimentos que perturbem gravemente a ordem pública numa parte ou na totalidade do seu país de origem ou do país de que tem nacionalidade, seja obrigada a deixar o lugar da residência habitual para procurar refúgio noutro lugar fora do seu país de origem ou de nacionalidade (UNIÃO AFRICANA, 1981).

Já na América Latina, a Declaração de Cartagena estabelece em sua clausula terceira que:

[...] a definição ou o conceito de refugiado recomendável para sua utilização na região é o que, além de conter os elementos da Convenção de 1951 e do Protocolo de 1967, considere também como refugiados as pessoas que tenham fugido dos seus países porque a sua vida, segurança ou liberdade tenham sido ameaçadas pela violência generalizada, a agressão estrangeira, os conflitos internos, a violação maciça dos direitos humanos ou outras circunstâncias que tenham perturbado gravemente a ordem pública (ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS, 1948).

O Brasil, a exemplo do que ocorreu regionalmente, alinhou seu posicionamento com a Convenção de 1951 e com a Declaração de Cartagena, ficando estabelecido no art. 1º da Lei 9.474/97 (BRASIL, 1997), que os refugiados são todos aqueles indivíduos que:

I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país;

II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior;

III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.

O problema dos deslocados por questões ambientais e climáticas é algo vertente na esfera internacional, contudo, carente de estudos que indiquem como solucionar o problema desses indivíduos, como nos diz JUBILUT (2010, p. 288):

A migração resultante de um meio ambiente temporariamente ou permanentemente degradado é um fato incontestável; todavia, o direito

internacional não tem disposições concernentes à correlação entre a degradação ambiental e a migração humana. Os poucos estudos sobre o tema focam normalmente em como a chegada de grandes levas de migrantes pode afetar o meio-ambiente, como no caso da construção de campos de refugiados, e não em como a degradação ambiental pode gerar deslocamentos.

O atual sistema de proteção dos refugiados foi construído para amparar vítimas de perseguição, que, de acordo com a Convenção de 1951 e no Protocolo de 1967, baseia-se em perseguição por opinião política, por motivo de raça, por motivos religiosos, em razão de sua nacionalidade, ou por pertencimento a grupo social, cabendo, no caso da América Latina, a concessão de refúgio para os casos de graves violações de direitos humanos, estabelecido pela Declaração de Cartagena em 1984.

Note-se que, no caso dos refugiados ambientais, eles não podem ser enquadrados como refugiados, uma vez que não se enquadram em nenhuma das situações mencionadas acima, visto que o elemento principal da Convenção de 1951 e seu Protocolo de 1967, bem como da Declaração de Cartagena é a perseguição, que, no caso dos deslocados ambientais, não ocorre, a não ser que a degradação do meio ambiente seja utilizada como uma forma de perseguição:

Diferentemente das vítimas de perseguição, as pessoas que se deslocam em razão de um desastre ambiental podem, em geral, valer-se da ajuda e do suporte do próprio governo, mesmo que tal suporte seja limitado. Isso não se confunde com a situação em que o agente perseguidor utiliza a degradação ambiental como meio de perseguição. Neste caso, a razão da perseguição pode ser uma das previstas na Convenção de 1951, e a forma de perseguição é o dano ambiental; assim, trata-se de um refugiado. Nesse sentido, deve-se estabelecer o fundado temor de perseguição (JUBILUT: 2010, p. 288)

Assim, precisamos fazer uma releitura dos mecanismos de proteção existentes no direito internacional, a fim de que os refugiados ambientais possam receber alguma forma de proteção, havendo dentro do direito humanitário elementos que podem auxiliar na criação de mecanismos de proteção, e que, por analogia, podem ser aplicados ao caso dos refugiados ambientais.

Benzer Belgeler