PROSES GÜVENLİĞİNDE PERFORMANSA VE KURALA BAĞLI YÖNTEMLERİN KARŞILAŞTIRILMASI
5. BULGULAR VE TARTIŞMA
A coleta de dados ocorreu através de uma entrevista semi-estruturada, utilizando-se como instrumento de coleta um formulário do tipo inquérito CAP (conhecimento, atitude e prática), no período de abril e maio de 2011 para a primeira fase da coleta com o GI e o GC e nos meses de junho, julho e agosto de 2011 para a segunda fase da coleta com os dois grupos.
A entrevista é uma das mais importantes fontes de informações, pois a maioria delas trata de questões humanas e pode ser conduzida de forma mais espontânea, podendo indagar ao respondente sobre fatos ou situações. A opção pela entrevista se prende ao fato de ser um instrumento de coleta de dados bastante adequado para obtenção das informações acerca do que as pessoas sabem, crêem, esperam, sentem e fazem (GIL, 1999).
Vale salientar que a equipe de trabalho constitui-se de, além da orientadora e da autora principal, seis acadêmicas do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará - UFC, integrantes do grupo de pesquisa “Saúde Materna e Mamária” que participaram como pesquisadoras nesta fase de coleta de dados. Estas acadêmicas foram treinadas e habilitadas pela autora principal para participarem da realização das entrevistas e da aplicação do inquérito CAP.
Havia um grupo de três pesquisadoras destinadas à coleta com o GC e um grupo de três pesquisadoras destinadas à coleta com o GI, sendo marcados encontros com a supervisora dos grupos para esclarecimento de qualquer dúvida no decorrer do período da coleta de dados. Para confecção do instrumento de coleta de dados foi utilizado um modelo desenvolvido por pesquisadores demógrafos conhecido como inquérito CAP, numa tentativa de coletar informações sobre a detecção precoce do câncer de mama (Apêndice B).
Estudos do tipo CAP visam o desenvolvimento de programas mais apropriados para as necessidades específicas da população estudada (ALVES; LOPES, 2008). A escolha pelo inquérito CAP como instrumento de coleta deu-se pelo fato deste instrumento consistir em um
conjunto de questões que visam medir o que a população sabe, pensa e atua diante determinado problema e, ainda, identificar possíveis caminhos para um desenho de intervenção, seguindo os pré-requisitos propostos pelo Ministério da Educação: poder de acurácia, conjunto harmonioso, conhecimento científico e rigor ético (KALIYAPERUMA, 2004).
O CAP elaborado teve como eixo principal o conhecimento dos exames de detecção precoce e sua realização.
Marinho et al. (2003) evidenciaram em seu estudo que os conceitos de conhecimento, atitude e prática eram descritos da seguinte forma:
- conhecimento– significa recordar fatos específicos (dentro do sistema educacional do qual o
indivíduo faz parte) ou a habilidade para aplicar fatos específicos para a resolução de problemas ou, ainda, emitir conceitos com a compreensão adquirida sobre determinado evento;
- atitude – é, essencialmente, ter opiniões, sentimentos, predisposições e crenças,
relativamente constantes, dirigidos a um objetivo, pessoa ou situação. Relaciona-se ao domínio afetivo – dimensão emocional;
- prática – é a tomada de decisão para executar a ação. Relaciona-se aos domínios
psicomotor, afetivo e cognitivo – dimensão social.
Para a aplicação do inquérito CAP, no presente estudo, foram utilizados os seguintes critérios:
a) Conhecimento:
- Adequado: quando a mulher referir já ter ouvido falar sobre os exames de detecção precoce do câncer de mama (exame clínico e mamografia) e souber citar como estes exames são realizados e que eles servem para a detecção precoce;
- Inadequado: quando a mulher referir que nunca ouviu falar dos exames ou já ter ouvido, porém não souber citar, como deve ser feito estes exames, nem para o quê servem;
b) Atitude:
- Adequada: quando a mulher relatar que deve realizar os exames e apresentar como motivo para a realização destes exames a detecção precoce do câncer de mama e/ou quando referir como motivo o fato de ser um exame de rotina ou de desejo de saber se estar tudo bem com
ela (autocuidado). Somente será considerada uma atitude adequada quando, concomitantemente, ela tiver conhecimento adequado para os exames.
- Inadequada: quando a mulher relatar que não deve fazer os exames ou apresentar outras motivações para a realização do exame que não a detecção precoce do câncer de mama ou autocuidado.
c) Prática:
- Adequada: em relação ao exame clínico, quando a mulher relatar que realiza este exame com periodicidade anual e em relação à mamografia, quando a mulher referir realizá-lo anualmente ou, pelo menos, a cada dois anos.
- Inadequada: quando a mulher houver realizado estes exames em periodicidades diferente das citadas acima ou nunca ter realizado.
OBS: A realização da mamografia foi válida para maiores de 35 anos como preconiza o Ministério da Saúde (INCA, 2010).
O estudo foi desenvolvido em duas fases, para o GI (na primeira fase com o preenchimento do inquérito CAP pré-intervenção acompanhado de uma sessão educativa com exposição do manual e leitura posterior dos mesmos em casa pelas participantes e na segunda fase durante consulta de retorno com preenchimento do inquérito CAP pós-intervenção) já para o grupo controle, houve uma fase para o preenchimento do inquérito CAP no dia da consulta ginecológica e na segunda fase, preenchimento do inquérito CAP na consulta de retorno.
A primeira fase do estudo foi desenvolvida na sala de espera para atendimento ginecológico antes da realização das consultas, nos dias destinados a coleta com divisão específica para o GI e GC, conforme descrito anteriormente. As mulheres eram abordadas pela pesquisadora responsável e após aceitarem participar da pesquisa e assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice C) eram destinadas para o preenchimento do inquérito CAP, junto à pesquisadora. Desta fase participaram as mulheres do GI e do GC.
Nos dias destinados à coleta com as mulheres participantes do GI, após preenchimento do inquérito CAP, a pesquisadora apresentava às mulheres o manual educativo e através das gravuras ilustrativas fazia uma explanação com orientações pertinentes a respeito dos exames de detecção precoce do câncer de mama e da realização adequada dos mesmos, além da orientações quanto a utilização efetiva do manual. As participantes interagiam bastante e chegavam a relatar erros que tinham acabado de cometer durante o preenchimento do
inquérito. Após este diálogo o manual educativo era entregue para a mulher e esta o levava para casa sob orientação de fazer leituras do mesmo para posterior aplicação do inquérito CAP na consulta de retorno agendada para o dia da entrega do resultado da prevenção ginecológica.
A intervenção educativa ocorreu por abordagem individual, utilizando sempre como ferramenta o manual educativo e suas ilustrações. À medida que as participantes chegavam, eram abordadas e após consentimento era aplicado o inquérito CAP, em seguida, era realizada a intervenção educativa.
Para Freire (1999), a educação é um ato de amor; por isso um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob a pena de ser uma farsa.
Como a abordagem das participantes ocorria na sala de espera para consulta e a pesquisadora ficava com os manuais expostos, despertava bastante interesse entre os presentes no local. Pessoas que aguardavam consultas na UBS e que não faziam parte da pesquisa, ao observar o movimento durante a abordagem educativa, ficavam ansiosas por saber o que era aquele manual, demostrando interesse em participar da pesquisa.
A intervenção educativa desenvolvida com estas participantes, após preenchimento do inquérito CAP, foi planejada com a finalidade de ser desenvolvida no momento da espera para consulta ginecológica, optando por um caráter atrativo e objetivo, voltado para o fornecimento de informações indispensáveis para propiciar o esclarecimento de dúvidas ou mesmo fornecer conhecimento novos em relação à detecção precoce do câncer de mama, estabelecendo um diálogo eficaz entre a pesquisadora e as mulheres.
A prática da educação em saúde utilizando ferramentas, como o manual educativo, prende a atenção das participantes, causando curiosidade e vontade em participar de uma intervenção até o momento desconhecida.
A educação em saúde quando realizada de forma verticalizada, isto é, baseada no depósito de informações, são geralmente voltadas para a cura do agravo e não para a prevenção deste. As desvantagens desse modelo é que o fornecimento de informação de forma passiva torna o participante mero receptor de informações, que pode não saber aplicá-las a sua realidade, já que esta não é considerada pelo profissional, durante as atividades de educação em saúde (FIGUEIREDO; RODRIGUES-NETO; LEITE 2010).
No presente estudo, destaca-se a importância de fazer uma explanação prévia do manual educativo com as principais informações necessárias para uma efetiva educação em saúde na área do câncer de mama e sua detecção precoce, antes da mulher levá-lo para casa.
O Modelo Dialógico de Educação em Saúde, no qual o individuo é considerado como sujeito de sua ação, possui conhecimentos envolvidos em um saber cultural, que, embora diferente do saber técnico-científico, não é deslegitimado pelos serviços. Para tanto, nesse modelo dialógico, todos os agentes envolvidos nesse processo, profissionais e clientes, atuam de forma igualitária, ainda que com papéis diferenciados (ALVES, 2005).
Em continuidade, foi explicado para as participantes que o manual educativo foi criado para mulheres com câncer de mama, porém a primeira parte do manual deveria ser explorada por elas por se tratar de explicações quanto à detecção precoce do câncer de mama, tema de abordagem do presente estudo. Enfatizou-se a idéia de que essa estratégia educativa funciona como uma oportunidade de conhecer os métodos de detecção precoce e reduzir o número de casos avançados de câncer de mama.
Na consulta de retorno, as mulheres participantes além de receberem o resultado do exame preventivo realizado na consulta ginecológica, participavam novamente do preenchimento do inquérito CAP, finalizando-se a etapa de coleta e acompanhamento do instrumento educativo proposto para as mulheres do grupo intervenção e partindo-se para a fase avaliativa do processo com os dois grupos e análise da aplicabilidade do manual educativo. Vale salientar que esta parte da coleta foi realizada apenas pela autora principal. Desta fase participaram 111 do grupo intervenção e 75 do grupo controle.
Figura 2: Representação gráfica das etapas do estudo
Mulheres na sala de espera para consulta ginecológica
Distribuição dos grupos de acordo com o dia de coleta
Grupo Intervenção Grupo Controle
Aplicação do inquérito Aplicação do inquérito CAP CAP
Intervenção Educativa: Explanação do manual às participantes
Distribuição do manual para leituras posteriores
Consulta de retorno Consulta de retorno Aplicação do inquérito Aplicação do Inquérito CAP CAP