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Os custos financeiros de tratamento e disposição de resíduos sólidos urbanos são bastante amplos e vão desde a elaboração de projetos até o encerramento da área de disposição. Os investimentos

incluem licenças ambientais, compra de equipamentos e caminhões, implantação das usinas e/ ou aterros, entre outros.

Para prestar os serviços públicos relacionados a RSU, diretamente, as prefeituras necessitam dispor de capacidade para investir e custear tais serviços. A precária condição financeira da maioria dos municípios brasileiros, contudo, tem impedido que tais serviços sejam efetuados de forma adequada, particularmente a adoção de aterros sanitários, que demandam um considerável volume de investimentos e um significativo custo operacional. Mesmo a delegação de tais atividades a terceiros, integral ou parcialmente, requer que as municipalidades reúnam condições para arcar com os pagamentos dos serviços contratados. Porém, embora o preço cobrado por aterros sanitários para a disposição final dos resíduos possa ser elevado para o usuário final, seja ele público ou privado, tal despesa não tende a representar parcela significativa das receitas municipais, sobretudo se considerada a gravidade dos danos provocados pela má disposição dos resíduos urbanos (MELLO, 2008).

Conforme a 1ª Avaliação Regional dos Serviços de Manejo de Resíduos Sólidos Municipais nos

Países da América Latina e Caribe – Dados do Brasil, de 2003, elaborado pelo Ministério das

Cidades, o passivo ambiental e social decorrente da gestão inadequada dos resíduos sólidos, no Brasil, é muito grande. Apesar do aumento relativo de recursos aplicados pelo governo federal, na área de resíduos sólidos, especialmente para a erradicação de lixões e a implantação de aterros sanitários, esses recursos ainda são insignificantes em relação às necessidades nacionais. Há uma enorme carência na capacitação de recursos humanos, nos municípios. Isso se verifica, também, na elaboração de estudos e projetos compatíveis com as suas possibilidades financeiras e operacionais , além da necessidade de capacitação de um corpo técnico para a operação dos projetos, assim como para a introdução de um modelo de gestão dos resíduos sólidos urbanos que seja democraticamente discutido e implantado de forma participativa (ANA, 2004).

Segundo Braga (2000), a sustentabilidade econômica dos serviços de limpeza urbana é um importante fator para a garantia de sua qualidade. Em quase todos os municípios brasileiros, os serviços de limpeza urbana são remunerados, total ou parcialmente, através de uma "taxa",

geralmente cobrada na mesma guia do Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU. A cobrança se

revela deficitária e, muitas vezes, não é direcionada para sua atividade fim. Todavia, o que se percebe, recentemente, é uma mudança significativa na atenção que a gestão de resíduos tem recebido das instituições públicas, em todos os níveis de governo. Os governos federal e estaduais

têm aplicado mais recursos e criado programas e linhas de crédito, em que os beneficiários são os municípios. Apesar dos investimentos federais estarem muito aquém das necessidades, observa-se, a partir de 2000, uma tendência de aumento da fonte e dos valores a serem financiados, com a criação de programas específicos para o incentivo das ações na área de resíduos sólidos e enfoque principal na capacitação técnico-gerencial, na retirada de crianças dos lixões, na recuperação de suas áreas degradadas e na implantação de aterros sanitários.

Apesar da receita advinda de transferências do Governo Federal e Estadual, impostos municipais e outras receitas, tais como tarifas ou taxas derivadas da prestação dos serviços de limpeza urbana, a relação receita-despesas é deficitária, na maioria dos municípios.

Segundo Acurio et al. (1998), em algumas cidades, as taxas ou tarifas não são coletadas por razões políticas e, em outras, a receita é muito baixa porque a coleta da taxa é difícil, seja pela falta de instrução da comunidade ou pela baixa qualidade dos serviços. Tendo em vista a origem dos recursos, dos quais o município disponibiliza parte para o gerenciamento dos serviços de limpeza urbana, torna-se fundamental situar os municípios brasileiros quanto à sua base econômica, em especial os de pequeno porte, objetos do estudo em questão.

Acurio et al. (1998) ainda salientam que, em geral, os recursos alocados pelos municípios para pagar as despesas com os serviços de limpeza urbana cobrem apenas o custo operacional, sobrando muito pouco, por conseguinte, para investir no setor.

Embora a situação econômica e financeira da maioria dos pequenos e médios municípios brasileiros seja crítica e eles não disponham de recursos suficientes para implementar soluções adequadas, entende-se que as administrações municipais - a quem compete lidar, por determinação legal, com o problema - devem estudar formas de envolver a população em programas de GIRSU como a etapa de descarte e a coleta seletiva. A persistência dos problemas aqui relacionados encontra, na falta de políticas públicas e de planejamentos integrados de todos os aspectos, elementos preponderantes que geram uma situação cada vez mais negativa. Isso faz com que os centros urbanos brasileiros se

deparem com o paradoxal binômio ―preservação do meio ambiente e limitação de recursos‖,

existente na maioria das cidades e de difícil solução, também no contexto internacional (SAVI, 2005).

O gerenciamento adequado dos resíduos sólidos apresenta, normalmente, custos mais elevados que os métodos convencionais. De qualquer forma, é importante notar que o objetivo do gerenciamento

não é apenas originar recursos, mas reduzir o volume de resíduo, gerando ganhos ambientais. É um investimento no meio ambiente e na qualidade de vida. Não cabe, portanto, uma avaliação baseada, unicamente, na equação financeira dos gastos da prefeitura com o resíduo urbano, que despreze os ganhos ambientais, sociais e econômicos da coletividade. Em curto prazo, a coleta seletiva, a triagem e a venda de resíduos recicláveis permite a aplicação dos recursos obtidos em benefícios sociais e melhorias de infraestrutura na comunidade que participa do programa, gerando empregos e integrando trabalhadores, antes marginalizados, na economia formal (SAVI, 2005).

A respeito da rentabilidade econômica das usinas de triagem e compostagem, o IPT (2000) afirma que, dificilmente, a venda dos recicláveis cobre as despesas operacionais e os investimentos financeiros dessas unidades. Porém, segundo os próprios autores, os lucros ambientais obtidos e a redução do volume de resíduo a ser aterrado devem ser avaliados positivamente, quando se adota esse tipo de alternativa de tratamento. Tais empreendimentos não merecem ser vistos como iniciativas em que se buscam lucros financeiros e, sim, que visam, pelo menos, diminuir o volume de resíduos destinados aos locais de despejo e, com isso, reduzir os impactos socioambientais provocados, tanto no ambiente urbano, como no local de disposição final.

O Estado de Minas Gerais e o Governo Federal dispõem de recursos para a área de saneamento, seja na modalidade reembolsável, ou naquela não reembolsável. De uma forma geral, as linhas de crédito existentes financiam investimentos fixos e capital de giro, incluindo recursos para a elaboração do diagnóstico e do plano de manejo e gestão de RSU; a assistência técnica e jurídica, na formação de consórcios; a elaboração de estudos de custo para a implantação e o gerenciamento de aterros; as ações de educação ambiental e trabalho social visando a coleta seletiva; a capacitação de técnicos e as obras necessárias à desativação de lixões e implantação de aterros sanitários. Também podem ser financiadas unidades de reciclagem e UTCs (PEREIRA, 2010).

Benzer Belgeler