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5. SĠNYALĠZASYON HESAPLARI

5.4 Sinyalizasyonlu Kavşaklarda Analizin Bulanık Mantık Tekniği İle

5.4.4 Bulanık Mantık Yönteminin Trafiğe Uyarlanması

A partir do estudo da constituição territorial do município de Ortigueira, verificou-se, de um lado, a grilagem de vastas áreas de terras e, de outro, a formação de pequenas e médias unidades produtivas, originadas tanto pela posse como pelos loteamentos de latifúndios na década de 1960 – especialmente em pequenas propriedades. Entretanto, não se caracterizou quais os reflexos desses loteamentos na estrutura agrária, bem como, se houve mudanças expressivas na estrutura fundiária, na forma de produzir, do que e de como produzir e do pessoal ocupado no campo a partir da década de 1960.

Deste modo, neste capítulo objetiva-se identificar a expressividade sócio- econômica da produção familiar no contexto da dinâmica agrária do município de Ortigueira no período que se constitui da década de 1960 a 2001.

Assim, toma-se como base a análise de importantes componentes da estrutura agrária municipal para o referido período, que são: a estrutura fundiária; a condição do produtor; as formas de utilização das terras; a evolução das lavouras e da produção animal; os reflexos do processo de modernização da agricultura e a constituição do pessoal ocupado.

Adotou-se os dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo Agrícola de 1960, nos Censos Agropecuários de 1970 a 1995/96, nos Censos Demográficos de 1960 a 2000 e na Pesquisa Agropecuária Municipal (PAM) de 1990 a 200140.

Inicialmente, ressalta-se que fazer referência à discussão da questão agrária, independente da escala de análise (nacional, regional, estadual ou municipal), necessário se faz o enfoque na constituição do processo de modernização pela qual passou a agricultura brasileira a partir da segunda metade da década de 1960 e, intensificado após as décadas de 1970 e de 1980, calcado na adoção do chamado pacote da “Revolução Verde” 41.

Apesar de não se realizar neste texto uma discussão da constituição deste processo, vale lembrar que os reflexos da (re)organização produtiva pela qual passou a agricultura nacional foram considerados “parciais”, “excludentes” e “conservadores”. Parcial porque não se deu do mesmo modo para as diferentes culturas, fases produtivas (plantio e

40 Considerando algumas das limitações em se trabalhar com os dados estatísticos, procurou-se analisá-los de

forma crítica, pois estes são a única série histórica que se dispõe no país. Assim, o fato do IBGE adotar como unidade base para o levantamento de dados o estabelecimento agropecuário, pode ocorrer a contagem de dois estabelecimentos em uma única propriedade, desde que a mesma seja administrada por outra categoria que não seja a do proprietário.

41 Segundo Martine (1991, p. 9-10), com a modernização, “a agricultura atravessou um processo radical de

transformação em vista de sua integração à dinâmica industrial de produção e da constituição do complexo agroindustrial [CAI]. Foi alterada a base técnica, desenvolvida a indústria fornecedora de meios de produção para a agricultura e ampliada, em linhas modernas, a indústria processadora de alimentos e matérias-primas. Deste modo, a base tecnológica da produção agrícola foi alterada profundamente, assim como a composição das culturas e os processos de produção”.

colheita) e regiões brasileiras. Excludente, uma vez que muitos dos produtores, pequenos principalmente, foram excluídos desse processo, além dos milhares que foram expulsos do campo e; conservador, pois se a agricultura se modernizou, não alterou a concentrada estrutura fundiária42. Isso sem falar nos problemas ambientais decorrentes deste processo.

Assim, procura-se ter como referência que no Estado do Paraná o processo de modernização da agricultura não fugiu à regra do contexto nacional. Tal consideração pode ser verificada no trabalho intitulado A modernização da agricultura paranaense, no qual, Moro (2001) analisa a partir de dados dos Censos Agropecuários de 1970 a 1985 o caso paranaense. Segundo o autor (MORO, 2001, p. 95) “a marcha do processo da modernização da agricultura paranaense não foi homogênea no tempo e no espaço, segundo as mesorregiões geográficas do Estado”. Na região Norte, a modernização agrícola e seus efeitos demográficos foram mais dinâmicos, enquanto que nas demais regiões, “embora ela tenha começado na década de 70, não apresentou de início o mesmo ímpeto, seus efeitos demográficos foram mais expressivos na década de 80”.

Desse modo, a modernização da agricultura brasileira não ocorreu de forma homogênea pelo território nacional, mas se processou de forma diferenciada tanto nas regiões como nas unidades da federação e no interior destas, no âmbito das meso e microrregiões e, nos municípios.

No Estado do Paraná isso também ocorreu, tanto na escala das mesorregiões, como no interior destas, além de se constatar as conseqüências sociais desse processo com o elevado êxodo rural. Não é novidade que o chamado “celeiro do Brasil”, com safras recordes (para 2003 estimada em 28 milhões de toneladas)43, apresenta uma realidade com tremendas disparidades, tendo municípios com os piores índices de desenvolvimento humano (IDH-M) dos estados da região Sul. Segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES, 2003), 72,0% dos municípios desse estado têm o IDH-M inferior à média brasileira e, dentre eles, encontra-se o de Ortigueira com um dos mais baixos índices.

Nesse sentido, procura-se entender a dinâmica da questão agrária ortigueirense no período da modernização da agricultura brasileira, principalmente, como a produção familiar se comportou nesse período e a sua importância no contexto municipal. Além disso, diante da significativa participação da produção familiar na produção leiteira se contextualizará as mudanças pelas quais a cadeia produtiva do leite passou a partir da década de 1990 e quais as

42 Martine (1991); Graziano da Silva (1996a e 1996b); Oliveira (1981) e Gonçalves Neto (1997).

implicações do recente processo de modernização da pecuária leiteira para os pequenos produtores.

No período compreendido entre as décadas de 1960 a 1990, a dinâmica populacional do município de Ortigueira, como se observa na Tabela 01, passou por expressivas transformações e o entendimento da mesma é o ponto de partida para se compreender sua estrutura agrária. No intervalo das décadas de 1960, 70 e 80, se constatou um significativo aumento da população total do município em 32.435 habitantes, o que significa que a população total quase triplicou: em 1960 esta era de 17.678 habitantes; em 1970 passou para 36.688 e, em 1980, para 50.113, conforme dados dos respectivos Censos Demográficos. Este aumento esteve ligado principalmente à população rural que no período das três décadas teve um aumento de 30.027 pessoas, ou seja, em 1960 a população era de 15.534; em 1970 passou para 34.930 e, em 1980, para 45.561. Já a população urbana para as respectivas décadas, embora apresentasse algumas variações, manteve um pequeno aumento: em 1960 esta era de 2.144 pessoas; em 1970 reduziu para 1.758 e, em 1980, aumentou para 4.552 indivíduos.

O Gráfico 01 demonstra o aumento e a redução da população total, urbana e rural ortigueirense, sendo que no período de 1960 a 1970, houve um aumentou em 19.010 pessoas e, entre 1970 e 1980, em 13.425. Para a população urbana, enquanto que na primeira década se constatou uma redução de 386 habitantes, para a segunda, houve um crescimento de 2.794 pessoas. A população rural, por sua vez, apresentou um crescimento de 1960 a 1970 de 19.396 pessoas e de 1970 a 1980 de 10.631.

Diante do exposto, mesmo não se realizando uma investigação mais aprofundada sobre a dinâmica populacional, percebe-se que o elevado crescimento para o período de 1960 a 1980 está muito acima do índice de crescimento vegetativo da população, o que indica um intenso processo migratório para o município de Ortigueira. Processo migratório que, como enfocado no capítulo anterior, pode ser explicado pelo elevado número de pessoas que se deslocaram para o município à procura de terras baratas, especialmente para a aquisição de pequenas unidades produtoras, geradas com os loteamentos realizados a partir da década de 1960.

Segundo Moro (2001, p. 120), na década de 1970 pode-se presenciar uma mudança no comportamento espacial da população paranaense conforme as mesorregiões geográficas, sendo que enquanto algumas perderam população (como as do Norte do Paraná, especialmente no Noroeste), outras, como “as mesorregiões do Centro Oriental [onde se localiza Ortigueira], do Sudoeste e metropolitana de Curitiba acusa[ra]m aumento”. No caso

da Mesorregião Centro Oriental Paranaense, uma das causas do aumento populacional verificado pelo autor no referido período se deve à “existência de espaços agrícolas ainda não valorizados pela mecanização, [que] aparecem como fatores, em parte, associados ao seu crescimento populacional, conseqüentemente, de sua participação relativa” [no contexto do Estado].

Tabela 01

Evolução da população total, urbana e rural do município de Ortigueira – 1960 a 2000

Recenseamentos População total População urbana % População rural %

1960 17.678 2.144 12,1 15.534 87,9

1970 36.688 1.758 4,8 34.930 95,2

1980 50.113 4.552 9,1 45.561 90,9

1991 27.504 5.412 19,7 22.092 80,3

2000 25.216 8.363 33,2 16.853 66,8

Fonte: IBGE – Censos Demográficos do Paraná – 1960 a 2000. Org.: O autor

Gráfico 01

Ortigueira: aumento e redução da população total, urbana e rural - 1960 a 2000

Fonte: IBGE – Censos Demográficos do Paraná – 1960 a 2000. Org.: O autor

Ainda com base no Gráfico 01, constata-se que a partir da década de 1980 a dinâmica populacional ortigueirense passou a ser outra, ou seja, se nas décadas de 1960 e 1970 se observou um aumento populacional, entre o período de 1980/1991 e 1991/2000,

860 2.951 19.010 13.425 -22.609 -2.288 -386 2.794 19.396 10.631 -23.469 -5.239 -30.000 -25.000 -20.000 -15.000 -10.000 -5.000 0 5.000 10.000 15.000 20.000 25.000 1960/1970 1970/80 1980/1991 1991/2000 Nº

constatou-se uma drástica redução da população total que esteve ligada à diminuição da população rural. Assim, no período de 1980/1991 houve uma redução da população rural em 23.469 pessoas. Redução que também pode ser constatada entre 1991/2000, num total de 5.239 pessoas.

Esse forte êxodo populacional no campo ortigueirense não está atrelado diretamente ao processo de tecnificação da sua base produtiva, uma vez que não se constata no referido município uma expressiva modernização na agricultura, como a ocorrida no Norte paranaense. Isso mostra que além do processo de modernização da agricultura que foi considerado um dos fatores centrais no êxodo da população rural brasileira, outros também devem ser considerados. Ou seja, para o município de Ortigueira, o que se constata é que dentre os fatores centrais da redução da população no campo está a forte (re)concentração fundiária pelos médios e grandes estabelecimentos após a década de 1980 e, com ela, o aumento significativo da pecuária bovina.

O aumento da população ocorrido nas décadas de 1960 e 1970 em decorrência do deslocamento populacional e, posteriormente, o êxodo rural constatado após a década de 1980, bem como, o processo de desconcentração e reconcentração fundiária atrelado a essa dinâmica do campo ortigueirense, podem ser melhor compreendidos considerando-se a análise da estrutura fundiária do município.

2.1 – Estrutura fundiária, Condição do produtor e Utilização das terras

Os dados acerca da estrutura fundiária – calcados no número e na área dos estabelecimentos – possibilitam compreender como se processou a (des)concentração das terras no município de Ortigueira no período compreendido ente as décadas de 1960 a meados da de 1990 (Censo Agrícola de 1960 e Censos Agropecuários de 1970 a 1995/96).

Como os dados censitários estão organizados por estrato de área, isso permitiu o agrupamento dos mesmos e a sua classificação em pequenas, médias e grandes explorações. Adotou-se como pequenas unidades produtivas os estabelecimentos com área inferior a 100 hectares; como médias, os estabelecimentos com área de 100 a menos de 1.000 hectares; e, como grandes explorações, os estabelecimentos no estrato de área acima de 1.000 hectares – o maior estabelecimento verificado foi de 12.558 ha44.

44 Esse agrupamento dos estabelecimentos em pequenos, médios e grandes tem como base o trabalho de

Assim, uma análise histórica da estrutura fundiária no referido município a partir da década de 1960 até meados da década de 1990, comprova o predomínio em termos numéricos dos estabelecimentos com área inferior a 100 ha. Com exceção da década de 1960, na qual os estabelecimentos desse estrato de área representavam 86,9% do número total, observa-se que a partir da década de 1970, o percentual esteve acima de 90,0%; ou seja, no levantamento do Censo Agropecuário de 1970, estes representavam 94,3% do total; no de 1975 era de 95,4%; em 1980 era de 94,7%; em 1985 foi equivalente à 93,9%; e em 1995/96, tais estabelecimentos representavam 92,5% do total, como pode ser observado na Tabela 02.

Com base na Tabela 02 e no Gráfico 02, se constata que de 1960 a 1975 houve um aumento no número dos estabelecimentos com área inferior a 100 ha, passando de 86,9% para 95,4% - o maior percentual alcançado pelas pequenas unidades produtoras. Esse crescimento está relacionado à redução do número dos estabelecimentos de 100 a menos de 1.000 ha, sendo que em 1960 estes representavam 12,8% do total, reduzindo em 1975, para 4,4%. Os estabelecimentos com área superior a 1.000 ha, que em 1960 representavam 0,3% do total, em 1970 reduziram sua participação para 0,1%.

Tais dados demonstram que no período de 1960 a 1975 ocorreu um processo de desconcentração fundiária, que apesar de não ter sido suficiente para mudar a concentração da terra no município, possibilitou o aumento expressivo do número de pequenos estabelecimentos em 4.291.

Este quadro possibilita afirmar que o aumento das pequenas unidades produtoras se deu em virtude da redução do número dos médios e grandes estabelecimentos agropecuários, especialmente durante as décadas de 1960 e 1970, quando ocorreram os loteamentos de grandes propriedades em pequenas no município de Ortigueira. Isso pode ser visto não só pelo aumento do número de estabelecimentos com área inferior a 100 ha durante o período, mas também pelo aumento da área ocupada pelos mesmos, como se constata na Tabela 03 e no Gráfico 03.

Assim, constata-se que além do número total dos estabelecimentos ter aumentado durante as décadas de 1960 a 1980, passando de 1.596 para 5.541, a área total ocupada praticamente dobrou no período, passando de 95.523 ha em 1960, para 183.736 ha em 1980 e para 242.891 ha em 1995/96.

Quanto ao aumento no número total de estabelecimentos para o período de 1960 a 1995/96, que passou de 1.596 para 5.723, além do fato de estar atrelado ao aumento no número de pequenos estabelecimentos, também houve o aumento da área de expansão das terras ocupadas no município de Ortigueira.

Tabela 02

Estrutura Fundiária de Ortigueira: número de estabelecimentos - 1960 a 1995/96

Grupo de área total (ha) Número de estabelecimentos

1960 1970 1975 1980 1985 1995/96 Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Menos de 10 --- --- 2.580 55,5 3.523 59,2 3.182 57,4 3.168 59,8 3.080 53,8 10 a menos de 20 --- --- 809 17,4 1.116 18,8 1.080 19,5 920 17,4 1.127 19,7 20 a menos de 50 --- --- 716 15,4 777 13,0 738 13,4 676 12,7 814 14,3 50 a menos de 100 --- --- 281 6,0 262 4,4 246 4,4 215 4,0 272 4,7 Menos de 100 1.387 86,9 4.386 94,3 5.678 95,4 5.246 94,7 4.979 93,9 5.293 92,5 100 a menos de 200 --- --- 162 3,5 157 2,6 134 2,4 136 2,6 167 2,9 200 a menos de 500 --- --- 82 1,8 89 1,6 111 2,0 130 2,4 182 3,2 500 a menos de 1.000 --- --- 16 0,3 15 0,2 37 0,7 43 0,8 59 1,0 100 a menos de1.000 204 12,8 260 5,6 261 4,4 282 5,1 309 5,8 408 7,1 1.000 a menos de 5.000 --- --- 5 0,1 12 0,2 11 0,19 11 0,19 20 0,39 5.000 a menos de 13.000 --- --- 1 0,0... 2 0,0... 2 0,01 2 0,01 2 0,01 1.000 a menos de 13.000 5 0,3 6 0,1 14 0,2 13 0,2 13 0,2 22 0,4 Total 1.596 100,0 4.652 100,0 5.953 100,0 5.541 100,0 5.301 100,0 5.723 100,0

--- Estes dados não constam no Censo

Fonte: IBGE – Censo Agrícola de 1960 e Censos Agropecuários do Paraná de 1970 a 1995/96 Org.: O autor

Gráfico 02

Estrutura Fundiária de Ortigueira: nº de estabelecimentos – 1960 a 1995/96

Fonte: IBGE – Censo Agrícola de 1960 e Censos Agropecuários de 1970 a 1995/96 Org.: O autor

Gráfico 03

Estrutura fundiária de Ortigueira: área (ha) dos estabelecimentos - 1960 a 1995/96

Fonte: IBGE – Censo Agrícola de 1960 e Censos Agropecuários de 1970 a 1995/96 Org.: O autor 86,9 12,8 0,3 94,3 5,6 0,1 95,4 4,4 0,2 94,7 5,1 0,2 93,9 5,8 0,2 92,5 7,1 0,4 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 % 1960 1970 1975 1980 1985 1995/96 < 100 100 a < 1.000 1.000 a < de 13.000 35,4 48,3 16,3 44,7 39,7 15,6 43,6 34,0 22,4 38,3 42,4 19,3 32,7 46,4 20,9 30,2 49 20,8 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 % 1960 1970 1975 1980 1985 1995/96 < 100 100 a < 1.000 1.000 a < de 13.000

Tabela 03

Estrutura Fundiária de Ortigueira: área (ha) ocupada pelos estabelecimentos agropecuários - 1960 a 1995/96

Grupo de área total (ha) Área dos estabelecimentos

1960 1970 1975 1980 1985 1995/96 Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Menos de 10 --- --- 11.996 8,1 16.745 9,6 14.857 8,1 14.067 7,2 13.474 5,5 10 a menos de 20 --- --- 11.525 7,8 15.808 9,1 15.289 8,3 13.247 6,8 16.680 6,9 20 a menos de 50 --- --- 22.370 15,1 24.414 14,0 22.573 12,3 20.902 10,8 24.014 9,9 50 a menos de 100 --- --- 20.201 13,7 18.832 10,9 17.687 9,6 15.356 7,9 19.190 7,9 Menos de 100 33.641 35,4 66.092 44,7 75.799 43,6 70.406 38,3 63.572 32,7 73.358 30,2 100 a menos de 200 --- --- 22.829 15,6 22.651 13,0 19.213 10,5 19.457 10,0 23.855 9,5 200 a menos de 500 --- --- 24.956 16,8 26.414 15,2 32.159 17,5 40.143 20,6 55.597 23,0 500 a menos de 1.000 --- --- 10.761 7,3 10.108 5,8 26.541 14,4 30.623 15,8 39.690 16,5 100 a menos de 1000 46.090 48,3 58.546 39,7 59.173 34,0 77.913 42,4 90.223 46,4 119.142 49,0 1.000 a menos de 5.000 --- --- 12.191 8,3 22.214 12,8 23.095 12,6 20.366 10,4 30.081 12,4 5.000 a menos de 13.000 --- --- 10.854 7,3 16.551 9,6 12.316 6,7 20.302 10,5 20.310 8,4 1.000 a menos de 13.000 15.522 16,3 23.045 15.6 38.765 22,4 35.411 19,3 40.668 20,9 50.391 20,8 Total 95.253 100,0 147.682 100,0 173.737 100,0 183.736 100,0 194.469 100,0 242.891 100,0

--- Estes dados não constam no Censo

Fonte: IBGE – Censo Agrícola de 1960 e Censos Agropecuários de 1970 a 1995/96 Org.: O autor

Tomando como base os dados do Gráfico 03 e da Tabela 03, verifica-se que a área ocupada pelos estabelecimentos inferior a 100 ha aumentou de 35,4% em 1960 para 44,7% em 1970. Mas, em 1975, esta reduziu-se para 43,6%, em 1980 para 38,3%, em 1985 para 32,7%, chegando em 1995/96 à 30,2%. Para os estabelecimentos de 100 a menos de 1.000 ha, o que se verificou foi uma redução da área ocupada, passando de 48,3% do total em 1960 para 39,7% em 1970 e para 34,0% em 197545. Entretanto, em 1980 verificou-se uma reconcentração para 42,4%, que se manteve aumentando em 1985 para 46,4% e, em 1995/96, para 49,0%.

Todavia, embora tenha ocorrido um aumento tanto do número quanto da área ocupada pelos estabelecimentos do estrato de área inferior a 100 ha no período de 1960 a 1980, o mesmo não foi suficiente para mudar a concentração fundiária municipal.

Isso pode ser melhor visualizado no gráfico 02, pois enquanto os estabelecimentos inferiores a 100 ha representavam a maioria em termos numéricos para o período de 1960 a 1995/96, estes não concentraram a maior parte das terras, que ocorreu somente entre 1970 a 1975, quando houve uma desconcentração de terras em Ortigueira.

No Censo Agropecuário de 1970, embora os estabelecimentos inferiores a 100 hectares tenham aumentado para 94,3% do número total, estes ainda permaneceram ocupando menos da metade da área total do município, ou seja, 44,7% - o maior percentual de terras já ocupado por estes estabelecimentos.

No outro extremo, enquanto que os estabelecimentos de 100 a menos de 1.000 ha representavam em 1960 apenas 12,8% do número total, estes detinham 48,3% da área ocupada na agropecuária e, em 1970, estes concentravam 39,7% da área ocupada, alcançando o menor percentual em 1975, com 34,0%. Se tal concentração já é expressiva, quando verificada a área ocupada pelos estabelecimentos acima de 1.000 ha, constata-se que embora estes representassem menos de 1,0% do número total de estabelecimentos no período de 1960 a 1980, em termos de área ocupada pelos estabelecimentos, estes detinham em 1960 nada menos que 16,3% da área; em 1970 concentravam 15,6%; em 1975 este percentual foi de 22,4%, em 1980 de 19,3%, em 1985 de 20,9% e, em 1995/96, de 20,8%.

Diante do exposto, se constata que apesar dos estabelecimentos do estrato de área inferior a 100 ha terem uma participação expressiva quanto ao número de estabelecimentos para o período de 1960 a 1995/96, os mesmos tiveram uma baixa concentração da área

45 Vale lembrar que embora os dados apresentados na tabela 02 mostrem um aumento da área ocupada pelos

estabelecimentos de 100 a menos de 1.000 ha, constata-se que na proporção geral, a área ocupada por estes estabelecimentos teve uma redução, sendo que o aumento verificado se deu devido ao aumento da área total utilizada na produção agropecuária, passando de 95.253 ha em 1960 para 183.736 ha em 1980.

ocupada. O contrário aconteceu com os estabelecimentos com área superior a 100 ha, que embora sejam poucos numericamente, concentram a maior parte da área agrícola ocupada no município de Ortigueira. Essa concentração fundiária tem suas raízes no processo de ocupação do referido município que, como enfocado anteriormente, esteve calcado na ocupação e grilagem de terras, dando origem a vários latifúndios, sendo motivo de conflitos de terras até os dias atuais (2004).

Embora alguns latifundiários tenham realizado o loteamentos de grandes áreas de terras em pequenas propriedades na década de 1960 a 1970, isso não possibilitou uma reversão na concentração da terra, pois se houve uma desconcentração, a partir de 1980 constata-se novamente a reconcentração de terras pelos médios e grandes estabelecimentos.

A partir desse panorama da estrutura fundiária municipal, procura-se identificar como se processou o aumento do número e da área dos estabelecimentos inferiores a 100 ha, ou seja, como se deu a dinâmica dos sub-estratos de área dos pequenos estabelecimentos46.

No gráfico 04 se constata o ritmo diferenciado de crescimento do número de estabelecimentos com áreas inferiores a 100 hectares no período de 1970 a 1995/96. Os estabelecimentos com área inferior a 10 hectares foram a maioria em todos os Censos Agropecuários (1970, 1975, 1980, 1985 e 1995/96), apresentando percentual acima de 50,0% - com pequenas oscilações entre um Censo e outro – em relação ao número total dos estabelecimentos. Estes que em 1970 eram 55,5% do total, passaram em 1975 para 59,2%; em 1980 reduziram-se em número, para 57,4%, voltando a crescer em 1985 para 59,8%. Em 1995/96 houve novamente uma redução para 53,8%. O estrato de área de 10 a menos de 20 hectares aparece logo em seguida na concentração no número de estabelecimentos, variando em 1970 de 17,4% do total dos estabelecimentos para 19,7% em 1995/96. O estrato com a menor concentração em termos do número de estabelecimentos foi o de 50 a menos de 100 hectares, variando de 6,0% em 1970 a 4,7% em 1995/96.

Entretanto, se o número de estabelecimentos inferior a 100 ha para o período em questão (1960 a 1995/96) não apresentou grandes variações, o mesmo não pode ser dito para a área ocupada. Tomando como base os dados já apresentados na Tabela 03, elaborou-se o Gráfico 05 sobre a constituição e evolução da área ocupada por estes estabelecimentos.

Gráfico 04

Ortigueira: evolução do nº de estabelecimentos com área inferior a 100 ha 1960 a 1995/96

Fonte: IBGE – Censo Agrícola de 1960 e Censos Agropecuários de 1970 a 1995/96 Org.: O autor

Gráfico 05

Ortigueira: evolução da área (ha) ocupada pelos estabelecimentos inferiores a 100 ha 1960 a 1995/96

Fonte: IBGE – Censo Agrícola de 1960 e Censos Agropecuários de 1970 a 1995/96 Org.: O autor

Em 1970 os estabelecimentos inferior à 100 hectares ocuparam o maior percentual de área, ou seja, 44,7%. Já em 1975, a área ocupada reduziu-se para 43,6%; em 1980 para 38,3%; chegando em 1985, a 32,7% e, em 1995/96, a 30,2%. 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 1960 1970 1975 1980 1985 1995/96 % < 10 10 a < 20 20 a < 50 50 a < 100 < 100 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 1960 1970 1975 1980 1985 1995/96 % < 10 10 a < 20 20 a < 50 50 a < 100 < 100

Em tal contexto dois pontos merecem ser destacados: o primeiro se refere ao fato da maior área ser ocupada pelos estabelecimentos nos estratos de área de 20 a menos de 50 e de 50 a menos de 100 hectares, apesar destes serem numericamente menores; e o segundo, é que os estratos menos de 10, de 10 a 20, de 20 a menos de 50 ha e de 50 a menos de 100 ha, a

Benzer Belgeler