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Formado a partir do radical grego tekhno (de tékhné 'arte, artesanato, indústria, ciência') e logía (de lógos, ou 'linguagem, proposição'), o termo tecnologia é entendido como o conjunto de conhecimentos e princípios científicos que se aplicam ao planejamento, à construção e à utilização de um equipamento em um determinado tipo de atividade. (KENSKI, 2010, p. 18). Juana Sancho (1998) explica a origem do conceito de tecnologia:

Na Grécia a combinação dos termos téchne (arte, destreza) e logos (palavra, fala) significava o fio condutor que abria o discurso sobre o sentido e a finalidade das artes. A distinção entre técnica e arte era pequena, quando o que hoje denominamos de técnica se encontrava pouco desenvolvida. No entanto, a téchne não era uma habilidade qualquer, mas aquela que seguia certas regras, pelo que também o termo tem sido usado como ofício. Em geral, téchne acarreta a aplicação de uma série de regras por meio das quais se chega a conseguir algo. Daí existir uma téchne da navegação (“arte de navegar”), uma téchne do governo (“arte de governar”), uma téchne do ensino (arte de ensinar”) (SANCHO, 1998. p.28).

De maneira geral, o desenvolvimento humano sempre esteve diretamente relacionado às invenções tecnológicas, compreendida como novas ferramentas e inventos, desde os mais primitivos - como o fogo, a roda, a alavanca, até os mais sofisticados aparelhos robotizados da atualidade. Com esses instrumentos e recursos o homem agiu, e ainda age, de forma transformadora e criativa sobre o mundo. Foi com esses “aparatos tecnológicos” que o homem evoluiu de Pithecanthropus, para Homo erectus, para Homo sapiens e finalmente substituiu a vida nômade pela sedentária,

dando origem às primeiras cidades (SIQUEIRA, 2006, p. 58). Kenski (2010) aponta para as questões de evolução e tecnologia:

A evolução social do homem confunde-se com as tecnologias desenvolvidas e empregadas em cada época. Diferentes épocas da história da humanidade são historicamente reconhecidas, pelo avanço tecnológico correspondente. (KENSKI, 2010, p. 20)

Assim, é inegável afirmar que a tecnologia é decorrência de uma necessidade humana. Por isso, o termo tecnologia não exclui a ação do homem. Para Paulo Freire (1979),

(...) humanismo e tecnologia não se excluem. Não percebem que o primeiro implica a segunda e vice-versa. Se o meu compromisso é realmente com o homem concreto, com a causa de sua humanização, de sua libertação, não posso por isso mesmo prescindir da ciência, nem da tecnologia, com as quais vou me instrumentando para melhor lutar por esta causa. (FREIRE, 1979, p. 23)

A espécie humana é a única capaz de desenvolver, além das tecnologias instrumentais, as tecnologias simbólicas e organizadoras. As tecnologias instrumentais são aquelas que dizem respeito às ferramentas, aparelhos, instrumentos e técnicas. As tecnologias simbólicas relacionam-se à linguagem, ícones, escrita, desenhos e qualquer outro sistema de representação. Por fim, as tecnologias organizadoras estão diretamente ligadas às relações humanas (entre elas a educação), às técnicas de mercado e atividades produtivas (inteligência).

Existem outros tipos de tecnologias que vão além dos equipamentos. Em muitos casos, alguns espaços ou produtos são utilizados como suportes, para que as ações ocorram. Um exemplo: as chamadas “tecnologias da inteligência” (Pierre Levy, 1999) construções internalizadas nos espaços da memória das pessoas e que foram criadas pelos homens para avançar no conhecimento e aprender mais. A linguagem oral, escrita e a linguagem digital (dos computadores) são exemplos paradigmáticos desse tipo de tecnologia. (KENSKI, 2010, p. 21)

Nos processos educativos, a tecnologia educacional é vista como aquela que auxilia o processo de ensino-aprendizagem, a partir do uso intencional dos recursos tecnológicos, com vistas às necessidades dos alunos, do professor e da escola.

Para Juana Sancho (2001, p. 43) existem duas posturas claras diante da possibilidade de considerar o conhecimento tecnológico nos processos de ensino, muito próximos do que Umberto Eco13 chamou de apocalípticos e integrados. De um lado os tecnófobos – aqueles para quem o uso de “qualquer tecnologia que eles não tenham usado desde pequenos e tenha passado a fazer parte da sua vida pessoal e profissional representa um perigo para aqueles valores que eles têm”; de outro lado, os tecnófilos, aqueles que encontram em “cada nova contribuição tecnológica, principalmente aquelas situadas no âmbito da informação, a resposta final para os problemas do ensino e da aprendizagem escolar”. Essas posturas, sejam elas a favor ou contra a questão tecnológica no ensino, muitas vezes representam formas de ocultação de uma problemática da educação escolar. De um lado, depositar na tecnologia a expectativa de solução para todos os problemas educacionais, de outro lado, negar a tecnologia, afirmando que ela é a razão de todos os problemas educacionais.

Para Sancho (2001), não existe uma “outra” tecnologia chamada de educacional, mas sim, tecnologias aplicáveis aos processos de ensino- aprendizagem, sejam elas instrumentais, simbólicas ou organizadoras. Neste sentido, amplia-se o conceito de tecnologia educacional para além das máquinas. Encontram-se aí as tecnologias já conhecidas como os cadernos, livros, giz, lápis, caneta, lousa, apagador, carteiras, materiais impressos ou os recursos audiovisuais e informatizados, sistemas multimídia e de autoaprendizagem, como também aquelas relacionadas à oralidade, escrita, avaliação e pesquisa, todas elas permeadas pela intencionalidade do professor na escolha de um ou outro recurso.

Por isso, caberá ao professor, de acordo com seus objetivos e abordagem pedagógica adotada, verificar se o uso de tecnologia será utilizado para desenvolver a competição ou a cooperação, a socialização ou o individualismo. Desse modo, deve desenvolver uma reflexão crítica sobre o

13 Umberto Eco (1990), em seu livro “Apocalípticos e Integrados”, definiu duas categorias de

pessoas, frente ao uso da tecnologia: os integrados e os apocalípticos. As pessoas pertencentes à categoria dos integrados, são aquelas que conferem aos avanços tecnológicos a solução dos problemas da humanidade; e os apocalípticos são os que possuem uma visão contrária à presença da tecnologia nas ações humanas, pois acreditam que as máquinas, na medida em que se tornam mais sofisticadas, ocupam paulatinamente o lugar das pessoas.

valor pedagógico deste ou daquele instrumento de ensino e sobre as mudanças na escola, para que possa haver transformação.

No quadro 3 encontra-se uma síntese dos princípios fundamentais para apoiar a integração da tecnologia ao ensino, sugeridos por Sandholtz, Ringstaff e Dwyer (1997, p. 174).

A utilização da tecnologia aplicada ao ensino exige mudanças significativas nos paradigmas educacionais, na medida em que revela características próprias, que impõe novas aprendizagens por parte de quem planeja, desenvolve e avalia. É preciso que o professor construa uma nova maneira de compreender o processo de ensino-aprendizagem, para que possa articular competências e implementar inovações em sua prática docente.

TECNOLOGIA: A tecnologia é vista como um catalisador e uma ferramenta que

reativa a empolgação de professores e alunos pelo aprender e que torna a aprendizagem mais relevante ao século XXI.(...) A tecnologia é utilizada de forma mais poderosa como uma nova ferramenta para apoiar a indagação, composição, colaboração e comunicação dos alunos. (...) A tecnologia é melhor aprendida no contexto de tarefas significativas.

APRENDIZAGEM: A aprendizagem é um processo ativo e social que ocorre melhor

em ambientes centrados no aluno, nos quais os professores assumem papéis facilitadores para orientar os alunos em indagações significativas (...) Novas competências, como as habilidades de colaborar, reconhecer e analisar problemas com sistemas, de adquirir e utilizar grandes quantidades de informação e de aplicar a tecnologia na solução de problemas do mundo real, são resultados valorizados.

APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL: (...) O crescimento profissional é acelerado

em contextos nos quais os professores trabalham como equipes e participam de padrões de trabalho em que há reflexão e estudo, que enfatizam a elaboração de novas tarefas de aprendizagem, situações, interações, ferramentas e avaliações para suas próprias salas de aula. A aplicação de novas habilidades nas salas de aula dos próprios professores é mais provável quando um acompanhamento – instrução e oportunidades para reflexão – tem início logo após a experiência de aperfeiçoamento profissional. O crescimento contínuo ocorre quando os professores desenvolvem equipes de apoio em quais discutem e criticam a prática regularmente. Quadro 3 - princípios fundamentais para apoiar a integração da tecnologia

Benzer Belgeler