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A proposta desse estudo em discutir as relações entre a dinâmica demográfica – considerando os níveis mortalidade, fecundidade e mobilidade expressadas na Região Metropolitana de Natal – e o seu status socioeconômico, partiu do pressuposto da já constatada interdependência entre a real condição social e econômica da sociedade e sua influência direta nos padrões de mortalidade, fecundidade e mobilidade de seus habitantes.

Para tanto, esse trabalho se propôs destacar a tendência de agrupamento da população perante a influência socioeconômica, ressaltando a contribuição de se utilizar uma tipologia socioespacial, construída a partir de três variáveis: ocupação, renda e instrução, que pudesse expressar no território metropolitano uma melhor aproximação da organização espacial da população na Região Metropolitana.

Para isso, fez-se mão do contexto da segregação residencial, objetivando identificar possíveis padrões de organização espacial, a fim de utilizá-lo, principalmente, como meio facilitador de análise, sem, no entanto resumir-se a simples etapa estatística da construção das tipologias socioespaciais. Dessa forma, o estudo pode possibilitar a inferência sobre a distribuição da população no espaço da Região Metropolitana de Natal, a qual se encontra fragmentada perante classes sociais.

Deve-se ressaltar que como sugere Suzana Pasternak (2004), este trabalho considerou o conceito de segregação residencial, como uma tendência de agrupamento no espaço de grupos sociais homogêneos, também resultado

de uma desigualdade socioespacial, capaz de traduzir territorialmente a estrutura sociodemográfica apresentada na Região Metropolitana de Natal.

Sendo assim, partindo do fundamento da organização espacial da população, que está diretamente ligado à noção fundamental de diferenciação e, aceitando a idéia de que o espaço da metrópole é constituído por áreas diferentes entre si, buscou-se a organização do espaço metropolitano, através de uma tipologia socioespacial, que proporcione inferir os diferenciais demográficos da Região Metropolitana.

Foi possível verificar então, a influência direta, que as variáveis ocupação, renda e educação, utilizadas para construção das tipologias socioespaciais, exercem na construção dos diferentes e atuais níveis de fecundidade, mortalidade e mobilidade na Região Metropolitana de Natal, especialmente, quando distribuídos perante distintas classes sociais.

Também pode ser proposto nesse trabalho uma breve e necessária discussão sobre o conceito de região, tecendo assim, algumas considerações sobre o conceito e sua contribuição para o trabalho empreendido. Sempre partindo do pressuposto do acesso desigual da população ao espaço da Região Metropolitana, levando em consideração diferentes níveis de classe social.

Contudo, não se pode desvincular a atual configuração da dinâmica demográfica apresentada pela Região Metropolitana de Natal, sem no entanto levar em consideração o contexto mundial, nacional e nordestino, como também a realidade oferecida pelo Estado do Rio Grande do Norte.

E, como se percebe, através das análises realizadas nos capítulos anteriores, há uma generalizada tendência de queda tantos das taxas de fecundidade quanto dos índices de mortalidade perante a população em geral.

O que se verificou nas análises, é que apesar da desigualdade, especialmente socioeconômica apresentada pela população perante esses diversos contextos, seja devido a melhores condições de saúde ou de acesso a informação, existe uma sensível tendência de redução dos índices de mortalidade e fecundidade da população.

Mesmo que tenha sido constatado para Região Metropolitana de Natal, um generalizado baixo índice de fecundidade, aproximando-se especialmente do término de sua transição demográfica, verifica-se ainda, diferenciais significativos perante as distintas classes sociais.

Sendo assim, pode-se vislumbrar a desigual realidade na dinâmica da fecundidade apresentada pelas classes sociais médias e superiores, representadas principalmente pelas AED's localizadas na Zona Norte de Parnamirim e Zona Sul de Natal. De fato, em relação às classes mais populares e, mais especificamente, as classes sociais onde há uma maior representatividade das ocupações agrícolas, representadas respectivamente, em sua maioria, por AED's localizadas na Zona Norte e Oeste de Natal e as Zonas Rurais de Macaíba e Ceará - Mirim, foi verificado um considerável distanciamento de áreas onde os níveis de fecundidade já se encontram abaixo do nível de reposição; em contraposição às áreas onde a transição da fecundidade ainda é uma realidade distante a ser desfrutada.

Perante essa realidade, o estudo empreendido defrontou-se com particularidades, como a expressada nos padrões de fecundidade das AED's

de Barro Vermelho – Lagoa Seca – Alecrim, Pitimbú e Parnamirim – Centro – BR 101, representas pela tipologia socioespacial média as quais apresentaram os menores índices de fecundidade da Região Metropolitana de Natal.

O esperado era uma estreita e inversa relação entre o status socioeconômico e seus níveis de fecundidade, ou seja, intuitivamente quanto maior a classe social verificada na população menor seria sua taxa de fecundidade. Conseqüentemente, o tipo médio apresentaria uma taxa de fecundidade ligeiramente superior aos tipos médio-superiores e superiores, o que não foi verificado para Região Metropolitana de Natal.

Isso só vem a reforçar a tese de que apesar do acesso diferenciado da população perante o espaço metropolitano e de sua forte influência nos índices demográficos, dado a sua condição socioeconômica, não está ocorrendo suficientemente uma barreira a aproximação ao termino da transição da fecundidade, apresentando taxas cada vez mais próximas dos níveis de reposição da população, demonstrando com isso, um maior acesso da população as informações de saúde e contracepção.

Quanto à dinâmica da mortalidade apresentada pela Região Metropolitana de Natal, verificou-se também, para as taxas de fecundidade, um generalizado decréscimo em seus valores. Entretanto, devem-se ressaltar algumas particularidades que reforçam a idéia de que os indicadores socioeconômicos, mesmo apesar da sua forte influência, por si só não são determinantes da dinâmica demográfica. E como visto anteriormente, os índices de mortalidade estão inseridos em um contexto, não só global, mas também, local, histórico e socialmente construído.

Sendo assim, particularidades como a verificada para o município de Monte Alegre, onde apesar de não apresentar dados satisfatórios quanto ao seu desenvolvimento socioeconômico, desponta no ano de 2000, como o município da Região Metropolitana com maior esperança de vida ao nascer (70,59 anos), fazendo assim, parte das análises feitas para mortalidade vislumbrada para Região Metropolitana de Natal.

Essa realidade demonstrada pelo município de Monte Alegre, mostra também, que o dado de mortalidade, muitas vezes pode ser “mascarado” pela dinâmica metropolitana. Onde se sabe que, quanto ao atendimento de saúde, não só Monte Alegre, como grande parte dos municípios localizados próximos a Natal, buscam na capital do Estado, utilizar da oferta de equipamentos de saúde oferecidos pela cidade.

É inquestionável que os fatores socioeconômicos tiveram um papel significativo, tanto para os baixos índices de fecundidade quanto de mortalidade, não é por acaso, que os tipos socioespaciais que apresentaram os mais baixos índices de fecundidade e mortalidade foram os níveis médio e superior, onde há uma maior representatividade das categorias socioocupacionais da elite dirigente e intelectual da Região Metropolitana, contrapondo-se as áreas onde há uma maior representatividade das ocupações populares e agrícolas, que conseqüentemente foram observados índices de fecundidade e mortalidade mais altos.

Além disso, há forte influência dos fatores socioeconômicos na mobilidade da população, principalmente, na distribuição e acesso do imigrante ao espaço metropolitano. Como se pode perceber, através da realidade demonstrada pela Região Metropolitana de Natal, os fluxos migratórios, são

estreitamente influenciados pela dinâmica do mercado de trabalho, o qual, já reforçava Ariovaldo Santos (2006), tem fundamental importância na fixação ou transferência da força de trabalho de uma região para outra.

Verificou-se ainda, no detalhamento da origem dos imigrantes da Região Metropolitana, o surgimento de pelo menos dois perfis de acesso de imigrantes ao espaço metropolitano, onde os imigrantes que têm como origem outros municípios do Rio Grande do Norte, que não fazem parte da Região Metropolitana de Natal, costumam ocupar as áreas periféricas da capital, como grande parte das AED's que compõem a Zona Norte e Oeste da cidade. Os imigrantes de origem interestaduais e de outros países estão situados, principalmente nas zonas leste e sul de Natal.

A grande diferença entre esses dois perfis é justamente sua organização no espaço e a sua categoria socioocupacional, onde os imigrantes intra- estaduais têm acesso às áreas consideradas mais humildes e sem boa infra- estrutura urbana, onde ocorre uma maior representatividade das ocupações populares, contrapondo-se aos imigrantes de origem interestadual e de outros países, que em grande parte, ocupam as áreas mais nobres da capital Natal, onde a categoria socioocupacional preponderante são as da tipologia superior.

Pode-se constatar que o desigual acesso ao espaço metropolitano se dá devido às condições socioeconômicas desses imigrantes, e em parte a especulação imobiliária verificada, principalmente, em Natal. Áreas onde há uma maior representatividade da tipologia superior são fortemente caracterizadas pelo alto valor/aluguel de seus imóveis, tendo como conseqüência o acesso de uma parcela da população de alto status socioeconômico.

Contraponde-se a essa realidade, os bairros periféricos de Natal e os municípios em torno da capital, especialmente, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Extremoz, acabam se transformando em áreas de atração aos imigrantes de menor condição socioeconômica, devido, principalmente, a maior facilidade de acesso ao imóvel.

Com isso, infere-se que os principais causadores desses dois perfis de imigrantes são o alto valor/aluguel do imóvel e a crescente especulação imobiliária apresenta pela cidade pólo, que acaba direcionando os imigrantes de menor condição socioeconômica para áreas mais periféricas, como a formação de novos núcleos familiares, que também, ao sofrerem influência do valor/aluguel do imóvel ofertado pela capital, estaria se direcionando para os municípios limítrofes à Natal.

Não é por acaso, que foi constatado que dentre os imigrantes residentes nesses municípios, em sua maior parte, teve como origem/nascimento o município pólo. O que nos parece coerente, quando se é levado em consideração a real condição socioeconômica desses imigrantes, a qual impossibilita residirem próximo ao local de trabalho/estudo.

Sendo assim, considera-se o movimento pendular como um ótimo termômetro para aferir a forte influência/centralidade que Natal exerce, especialmente, nesses municípios limítrofes, onde acaba revelando uma alta proporção de trabalhadores/estudantes, sempre acima de 80%, indo em direção à Natal. De fato, esses deslocamentos para o trabalho/estudo assumem importância crescente, integrando o pólo metropolitano, que é o principal centro da produção.

Por tudo isso, as novas tendências demográficas apresentadas pela Região Metropolitana de Natal – baixa fecundidade, aumento da expectativa de vida, conseqüência da diminuição da mortalidade, e a atual configuração dos fluxos migratórios – que se afirmaram ao longo dos últimos anos, demonstram que, ao analisar a dinâmica demográfica na Região Metropolitana de Natal, as realidades urbanas são bastante diversas. Sendo assim, admiti-se que as condições de vida presentes nos tipos socioespaciais mais periféricos, onde a realidade vivida pela população alocada em tipos socioespaciais mais pobres, ressentida de uma melhor qualidade de vida, seja ela, produzida pela falta de saneamento, emprego, educação ou deterioração das condições de saúde, poderão revelar realidades demográficas distintas daqueles encontrados em tipos socioespaciais mais abastados e bem-servidos.

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Anexo

Tabela 1 - A

Benzer Belgeler